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Umbandas (parte II)

Umbandas (parte II)


Antes de começar a escrever quero me caracterizar como um fã incondicional do Pai Etienne Sales do RJ, ser humano por que nutro a maior simpatia, embora nossos encontros pessoais se resumam a sua participação no 1° Seminário de Cidadania Umbandista, promovido pela FUEP - Federação Umbandista do Estado do PR, da qual estou presidente até 2013.



Feita essa preliminar, gostaria de contribuir na discussão, notadamente com relação a questão da Diversidade, propondo desde já o mote que deve nos guiar no século XXI: "Unidade na Diversidade".

É voz corrente, em nosso país, com fortes ligações com a Igreja Católica, que cada um de nós, embora feitos à imagem e semelhança divina, carrega diferentes características, tornando-nos únicos. Esse talvez seja o motivo para nos identificamos com essa ou aquela casa, com esse ou aquele Pai (Mãe) - de - Santo e com o seu jeito de tocar o trabalho, de onde vem a nossa opção por frequentar  esse ou aquele Terreiro. Mas, essa diversidade tão grande de ritos de trabalho nos remete à falta de unidade de ação, e essa é a grande dificuldade que sinto das pessoas entenderem a dita “diversidade”.

Acho que o Pai Etienne não expressou textualmente o seu ponto de vista, ou seja: aceitar não significa ter concordância, mas também não pode, por qualquer motivo ser empecilho para uma convivência pacífica e respeitosa, tampouco deve servir como negação ás atividades de frente única, como por exemplo: Se a caminhada contra a intolerância religiosa, realizada anualmente na orla carioca é importante para os umbandistas; então, todos temos que nos unir e centralizar todos os esforços para que isso seja atingido, independentemente de quem tenha sido a proposta, sem ciúmes ou paixões.

Por ora não é isso que acontece, a diversidade com uma gama infinita de ritos, nos leva também a um distanciamento que via-de-regra debilita a nossa ação frente aos atuais ataques, principalmente, de alguns pastores e fiéis das igrejas neo pentecostais, notadamente pela falta de um foro de discussões, debate e proposições, que possa transformar a nossa fragilidade atual e a nossa falta de organização e de unidade, em uma resposta única, articulada e objetiva.

Que fique claro que não podemos “pagar com a mesma moeda”, não se propões uma "guerra santa", pois temos que ter a clareza de que mais importante do que responder aos ataques, é termos formas e espaços para propagar a nossa Fé, desmistificando a crença e tornando transparentes as nossas ações .  
Temos que ter claro que o slogan “Unidade na Diversidade”, antes e acima de tudo propõe atividades que possam reverter no bem comum a toda a comunidade Umbandista. É como fazem as outras religiões, que embora tenham ritos diferentes, quando necessário, se juntam e criam as condições para atingir os seus objetivos.

Quando uma irmã ou irmão de fé não pode preencher uma ficha de emprego com a religião “Umbandista”, pois fatalmente ficará sem o emprego, estamos, todos sendo vítima de preconceito, e ele existe internamente também, pois uma mulher incorporar uma entidade masculina é considerado normal, mas o contrário, é motivo para a maior gama de comentários.

Enquanto aos padres da igreja católica ou missionários e pastores de outras religiões tem livre acesso a hospitais, presídios e etc., para propagar a sua fé e levar uma palavra de conforto e a nós não é permitido nem mesmo acesso aos nossos médiuns praticantes e assistentes.

Existem, no Brasil inteiro, centenas de ruas, praças e memoriais com nomes de todos os santos católicos, figuras religiosas, comemorando a imigração de outros povos que para cá vieram, e etc., mas quanto aos Orixás, vultos negros africanos, figuras das religiões Afro, não tem nenhum! E é inegável que estes também ajudaram a construir essa grande nação.

Nós somos discriminados sim e vítimas do preconceito de vários ativistas de religiões que disputam o mercado da Fé, e que para crescer, precisam destruir aqueles que concorrem no mesmo segmento.

Todos lembram do infeliz incidente envolvendo um bispo da IURD, que chutou a imagem de N. Sra. Da Aparecida, foi uma comoção nacional, no entretanto nós somos achincalhados todos os dias, e nada acontece...

Existem 16.000 ações de reparação moral contra a rede de TV do senhor Edir Macedo, mas, muitas emperradas ou sem análise no momento certo pela Justiça, por que não é do interesse contrariar  o poderio econômico.

As leis existem, é certo, mas sem querer assumir o papel de paladino dos fracos e oprimidos, acredito que tenhamos que forçar a barra para que elas sejam cumpridas, é sempre assim, o que vai determinar o efetivo emprego da legislação vigente é a força financeira ou política, como os umbandistas são hegemonicamente pobres, só sobrou a segunda alternativa.

Existe até dificuldade em encontrar um advogado, e tudo o que se faz na justiça depende de um, para se entrar com uma ação do tipo de criminalização de ofensas e reparação por dano moral.  

Nesse sentido, acredito que não possamos nem devamos esperar pela comemoração do 2° Centenário para nos unir, precisamos, isso sim, imediatamente criar aos condições para que o povo umbandista tenha a sua voz ouvida e respeitada.

Paulo Tharcicio Motta Vieira 






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