Cores, Datas Comemorativas e Dias da Semana dos Orixás - Por Ednay Melo


Cores, Datas Comemorativas e Dias da Semana dos Orixás


A Umbanda é uma religião que nos dá a oportunidade de escolher a melhor forma de praticá-la, respeitando os valores e crenças de cada um. Na umbanda existem conceitos universais, aqueles que se não forem seguidos não se pode considerar Umbanda, como por exemplo a crença em Deus e nos Orixás, a crença nos trabalhadores que formam as linhas de Umbanda como os Caboclos, os Pretos Velhos e Ibejis, a prática da caridade sem qualquer tipo de cobrança, seja material ou psicológica, não sacrificar animais, o predomínio da cor branca, trabalhos direcionados apenas para o Bem, entre outros. 

A questão das cores dos Orixás, datas comemorativas e dias da semana está confundindo muitos irmãos de fé diante de tantas informações desencontradas, mas que se apreciadas empaticamente, fazem todo o sentido dentro da realidade de cada um. 

O julgamento precipitado, a crítica que acaricia o ego, a falta de sensatez de discursos superficiais do que não se conhece, prejudica mais do que aclara o entendimento, sem contar que é uma falta de caridade para com o próximo que pensa diferente dele.

Creio que os Orixás e nossos queridos trabalhadores de Umbanda pouco se importam com a forma de determinados ritos e crenças, desde que a intenção seja pura e verdadeiramente para o Bem. Não existem melindres entre a espiritualidade da Umbanda, existe sim entre os umbandistas. É certo que o consenso de pensamentos e idéias determinaria com mais precisão a identidade umbandista, mas se ele nem sempre existe, não pode ser atribuído ao acaso, é mister supor que predomina na espiritualidade umbandista o respeito pela liberdade de consciência, ausente em muitos de nós.

Feita esta pequena introdução sobre a diversidade na Umbanda com relação ao tema abordado, vamos agora falar um pouco sobre as crenças da nossa Casa, na tentativa de tornar explícita a nossa escolha e o porquê dessa escolha, qual a compreensão e fundamento que encontramos em nossa prática umbandista.

Vamos começar pelas cores que são dadas aos Orixás. Percebemos que as cores que os representam têm significado apenas para nós encarnados, que precisamos sempre de um referencial para conduzir a nossa fé. Os Orixás são luzes que emanam do Criador para todos em todas as circunstâncias que se fizer necessário a sua atuação, vibram em todas as cores e principalmente na cor que adotamos para cultuá-los. De acordo com a cromoterapia, ciência que utiliza as cores para restabelecer a saúde, cada cor tem um significado e transmite um tipo de energia. Existem as cores vibrantes como a vermelha, verde e a amarela, as cores equilibradoras como o azul, rosa, lilás, as cores tranquilizantes que remetem a paz, como o branco e a cor neutra como o marrom e o preto. Podemos aplicá-las também na representação que se aproxima da cor dos elementos de cada Orixá, ou do fenômeno da natureza, ou do seu reino específico, bem como na característica de personalidade dos seus filhos. Então, diante dessas informações adotamos as seguintes cores em nossa Casa, concordando com algumas cores já adotadas em alguns segmentos de Umbanda:

PAI OXALÁ - COR BRANCA: representação maior da fé, cor que remete à paz espiritual e ao mais evidente simbolismo da Umbanda, igualdade entre todos. O branco está presente em todas as cores e Pai Oxalá está presente em todos os Orixás. 

De acordo com a física, quando a luz branca incide numa das faces de um prisma óptico, ocorre a dispersão da luz nas sete cores, o que também nos remete ao Pai Oxalá se expandindo através dos sete Orixás Sagrados. 

IANSÃ - COR AMARELA: O maior simbolismo de Iansã é o raio, e neste predomina a cor amarela, além do que a cor amarela é uma das cores mais velozes, onde a velocidade é uma das características desta Orixá.

OXUM - COR AZUL ROYAL: O maior simbolismo de Oxum é a água, o azul royal é a cor que se forma no encontro da água do rio com o mar. Sabemos que na nossa região nordeste predomina a cor amarela para Oxum, que simboliza o ouro que esta Iabá representa, respeitamos esta crença, porém acreditamos que o ouro representa valores puramente materiais, em discordância com a sublimidade espiritual.

OGUM - COR VERMELHA: Cor que sugere altivez, dinamismo, força para o combate, em momentos de luta o "sangue pulsa nas veias", diz o ditado popular. Orixá considerado guerreiro de Umbanda e no nosso entendimento a cor vermelha é a que melhor lhe representa.

XANGÔ - COR MARROM: Cor que mais se aproxima da cor do elemento terra deste grande Orixá.

OXOSSI - COR VERDE: Cor que melhor representa o reino específico deste Orixá: as matas.

IEMANJÁ - COR AZUL CLARA: Cor que melhor representa o reino específico desta Iabá: o mar.

OMULU - CORES PRETA E BRANCA: Cores que melhor representam os extremos opostos. Omulu é o Orixá da transformação, auxilia no encaminhamento das almas após o desenlace do corpo físico, portanto, está entre a vida e a morte, que são simbolicamente os extremos opostos, podendo-se atribuir o branco para a vida e o preto para a morte.

EXUS - CORES PRETA E VERMELHA: Tradicionalmente, a cor preta é associada às trevas, que é o principal campo de atuação dos nossos guardiães e a cor vermelha é associada ao arquétipo de bravura, luta e dinamismo, principal característica dos Exus de Lei. A cor vermelha também é atribuída ao Orixá Ogum que direciona a Lei para que os Exus a façam cumprir, dessa forma, os Exus trabalham sob a vibração do Orixá Ogum, compartilhando entre eles a cor vermelha.

Agora passaremos a falar um pouco das datas comemorativas dos nossos Orixás. Seguimos as datas comemorativas da nossa região, simples assim. E por quê? Porque acreditamos na sábia frase de Jesus: "quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome, eu lá estarei!". Se em uma região a maioria dos fiéis vibram e emitem seus pensamentos para aquela força que designa um Orixá, é mais provável que a sintonia e o alcance dos objetivos sejam mais evidentes, adotamos a famosa frase "A união faz a força". Na nossa região, por exemplo, o dia consagrado para Iemanjá é 8 de dezembro, onde é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição. Para nós não faz nenhum sentido louvá-la no dia 2 de fevereiro, data consagrada a esta Orixá no sul e sudeste do país. Então, para nós, as datas comemorativas dos Orixás e entidades de Umbanda, são:

OXOSSI: 20 DE JANEIRO (Sincretizado com São Sebastião)

OGUM: 23 DE ABRIL (Sincretizado com São Jorge)

PRETOS VELHOS: 13 DE MAIO (Dia da libertação dos escravos)

POVO CIGANO: 24 DE MAIO (Dia de Santa Sara Kali)

XANGÔ: 24 DE JUNHO (Sincretizado com São João)

OMULU: 16 DE AGOSTO (Sincretizado com São Roque)

EXUS: 24 DE AGOSTO (Tradicionalmente, é considerado um mês de mau agouro e estas entidades estão mais diretamente ligadas ao combate do mal)

IBEJI: 27 DE SETEMBRO (Sincretizado com São Cosme e Damião)

OXUM: 16 DE JULHO (Sincretizada com Nossa Senhora do Carmo)

IANSÃ: 04 DE DEZEMBRO (Sincretizada com Santa Bárbara)

IEMANJÁ: 08 DE DEZEMBRO (Sincretizada com Nossa Senhora da Conceição)

OXALÁ: 25 DE DEZEMBRO (Sincretizado com Jesus Cristo)

Passaremos agora aos dias da semana. Desde tempos remotos, os dias da semana são atribuídos aos astros, com forte influência da mitologia greco-romana, desta forma, com relação aos dias da semana de vibração maior de cada Orixá, adotamos o seguinte esquema:

SEGUNDA-FEIRA - IEMANJÁ: Dia do astro lua, lua é deusa greco-romana que refere-se à Grande Mãe, principal atributo desta Orixá.

Obs:
SEGUNDA-FEIRA também é dia de vibração maior de: OMULU, PRETOS VELHOS, EXUS GUARDIÃES: Dia adotado tradicionalmente ao combate às energias trevosas, ao descarrego de energias densas. Estas entidades trabalham mais diretamente com elementos para o desmanche de magias e de influências negativas.

TERÇA-FEIRA - OGUM: Dia consagrado a Marte, o deus romano da Guerra, equivalente a Ogum, nosso General de Umbanda.

QUARTA-FEIRA - IANSÃ: Dia do astro mercúrio. Mercúrio é nome romano cujo deus tem muitas atribuições, uma delas é ser o deus das almas dos mortos, que as encaminham após a morte, assemelha-se a uma das atribuições da Orixá Iansã. Para os gregos o nome Hermes equivale a Mercúrio, que representa velocidade, astúcia, equilíbrio (par com Xangô), diplomacia, comunicabilidade e todo tipo de atividade mental, características que identificam a Orixá Iansã. De acordo com a mitologia romana, é dia consagrado ao deus Mercúrio, que também influenciou o nome do elemento mercúrio cuja principal característica é a rapidez dos voos, que equivale a representação dos ventos de Iansã. Xangô é o seu par de equilíbrio com o elemento terra e a representação do seu reino natural que são as pedreiras, simbolicamente, elementos fixos e firmes em equilíbrio com a inconstância dos ventos.

QUINTA-FEIRA - XANGÔ e OXOSSI: Dia do astro júpiter, associado a Zeus que na mitologia grega é o deus dos céus e do trovão, fenômeno natural atribuído ao Orixá Xangô. Júpiter é conhecido como "o grande benéfico", simboliza o máximo da expansão. Rege questões ligadas à filosofia, ao comportamento humano em geral e à ética. A influência de Júpiter também favorece a expansão do conhecimento, a prosperidade e a fartura, características do Orixá Oxossi.

SEXTA-FEIRA - OXUM: Dia consagrado ao astro Vênus, que na mitologia romana equivale a deusa venus, deusa do amor, da fertilidade e da beleza, atributos da Orixá Oxum.

SÁBADO - OMULU: Dia do astro saturno. Divindade romana complexa, que representa o tempo e a terra, reina no sábado. Na astrologia saturno é símbolo complexo que atrai elementos deletérios de outros planetas, equivale à complexidade do Orixá Omulu, por ser o Orixá base para a atuação de todos os outros Orixás, assim como a terra é a base para a construção de toda edificação.

DOMINGO - OXALÁ: Dia consagrado ao astro rei: o sol, intimamente relacionado com as qualidades atribuídas ao Pai de todos nós, Pai Oxalá. O sol está ligado ao arquétipo de realeza, grandeza, luz, equilíbrio de todos os planetas e sustentação da vida, assim como Pai Oxalá representa o princípio e a razão de todas as coisas.

Como vimos acima, as cores, datas comemorativas e dias da semana consagrados aos sete Orixás básicos da Umbanda e adotados na Tenda de Umbanda Luz e Caridade, têm o respaldo de uma justificativa coerente e consciente e esperamos, de alguma forma, contribuir com o aprendizado dos que buscam aliar a fé e a razão aos conceitos e práticas umbandistas. 

Ednay Melo





Comentários

  1. Olá
    Acredito que o ouro relacionado a Mãe Oxum não tem nada de material, é o ouro alquímico da transformação de chumbo em ouro, quando lapidamos nosso ego em prol do ouro da essência e da pureza.
    Além do que o ouro é o metal mais nobre, mais puro e menos propenso a receber impurezas, assim como o amor de uma mãe.
    Mas isso claro é só a título de opinião. Relacionar um Orixá ao materialismo por si só seria uma utopia, então creio que essa explicação esteja mais próxima do real sentido da associação.
    Mãe Oxum pode ser ainda trabalhada no rosa claro ou lilás.
    Espero que o comentário não soe contra qualquer crença, mas pelo contrário, venha somar em conhecimento,
    Axé!

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