Umbanda - Aspectos Gerais



Texto extraído do Livro "Umbanda - Mitos e Realidade" de Iassan Ayporê Pery.

Tenho observado dentro de minha prática de Umbanda, e nessa prática lá se vão mais de 36 anos, que as pessoas que buscam a Umbanda o fazem, em sua maioria para resolverem problemas de ordem material exigindo um resultado imediato, que quando não encontram, creditam ao terreiro ou ao dirigente, quando não a própria Umbanda, o motivo do seu fracasso. Por que isto acontece? Acreditamos que a culpa disto seja dos próprios umbandistas que ao invés de esclarecerem que a Umbanda não é para "resolver" problemas, mas sim é uma religião digna e nobre, como qualquer outra, se omitem ou então são os primeiros a viverem "dando oferendas" para obterem "favores" materiais dos Orixás. Isto não é Umbanda. 

Por outro lado, por a Umbanda lidar com elementos e uma variedade enorme de espíritos, temos a possibilidade de penetração nos mais variados estágios de evolução do astral, conseqüentemente, havendo merecimento e empenho muitos problemas acabam tendo realmente solução rápida. Mas isto não se aplica a todos, mas somente aos que merecem e fazem por merecer. E quem determina isto? O Pai Maior... Zambi. 

Sabemos ser muito mais fácil acreditar em fórmulas mágicas quando estamos desesperados, com alguém gravemente doente em nossa família, desempregados, etc, entretanto, não podemos nos deixar seduzir pelas falsas promessas de falsos umbandistas, que chegam ao cúmulo de se auto-intitularem "Pais no Santo" ou "Mães no Santo". Não meu irmão! Desconfie. Não existe mistério nisto. E o raciocínio é simples. Por que Deus daria, a uma pessoa, que geralmente cobra por seus serviços, o poder de curar o seu parente, ou de lhe arrumar um excelente emprego? Pare e pense. Isso tem lógica? Isso tem a ver com Deus? Certamente não. São charlatões, pessoas desonestas, que fingem, ou então que estão intimamente ligadas ao Astral Inferior, mas que invariavelmente vivem da desgraça alheia. E que denigrem o nome da Umbanda e dos seus seguidores. 

Qual o mistério da Umbanda? Amor e Caridade. Pura e simplesmente. A ritualística que cada terreiro de Umbanda segue, serve como um leque de possibilidades para os diversos anseios de culto de cada um, entretanto o que deve ser a preocupação de quem busca uma Casa de Umbanda é se ela é séria, não cobra consultas, trabalhos, nem nada, se faz algum tipo de trabalho social, e se tem como objetivo principal a Caridade e o Amor incondicional ao próximo. Isto é a Umbanda! Simplesmente Umbanda! 

Tornando coerente o título deste livro com o conteúdo, passarei agora a uma parte dedicada exclusivamente a perguntas e respostas. São perguntas que escutei de várias pessoas, consulentes ou médiuns, nas palestras que proferi em meu Terreiro, elas variam em grau de profundidade e de objetivos. Procurarei dar respostas simples porque simples é a Umbanda. Não devemos também julgar a qualidade das perguntas, pois se para você determinada pergunta é boba ou simples demais, para outro poderá não ser. E se a pergunta está aqui, é porque alguém, algum dia perguntou e é nossa obrigação responder. Tornou-se um hábito para mim buscar saber o "porque" das coisas, então não estarei respondendo com um simples "é porque é" ou "isto é mistério da fé", mas também não estarei sendo irresponsável a ponto de estar revelando ritos que são destinados apenas aos iniciados na Umbanda e que fora dela não teriam o menor sentido.

1. Pode, duas ou mais pessoas, receberem entidades com o mesmo nome?

Certamente que sim. Aliás isso é bastante comum de acontecer, da mesma maneira que encontramos várias pessoas com o mesmo nome. Vide explicação do gráfico na página 88. Exemplo: o Caboclo Tupy incorpora no médium A, B e C ao mesmo tempo, numa mesma gira. Mas não é o mesmo espírito. São espíritos diferentes que assumiram o mesmo nome em função de haverem se filiado à falange de Caboclos chamada Tupy, de características ou especialidades ou missões parecidas. Na verdade, se pararmos para pensar direitinho, o nome é o que menos deve interessar, mas sim o grau de compromisso com a Caridade.

2. É verdade que a pessoa que entra para trabalhar na Umbanda não pode mais sair, porque senão atrasa a vida?

Não, não é verdade, assim como não é verdade que a vida da pessoa vai para frente se ela entrar para a Umbanda. O que ocorre é que ao entrar para a corrente de um terreiro de Umbanda a pessoa passa a dar vazão e a desenvolver sua mediunidade, assume compromissos e responsabilidades, se tranquiliza, se harmoniza, melhora vibrátil e evolucionalmente (ou pelo menos deveria). O "atraso na vida" da pessoa pode ocorrer porque ela deixa de poder se equilibrar, cuidar, evoluir e fazer caridade; conseqüentemente deixa de ter tranqüilidade para resolver inúmeras questões, inclusive as mais simples. E isto ocorre porque a pessoa deixa o terreiro, mas não deixa de ser médium, então continuará recebendo influências do Astral, entretanto, se não tiver uma vida regrada, reta, de conduta ilibada e não fizer caridade, o Astral que a estará influenciando será o inferior. Que fique claro também que não é o ingresso ou a permanência num terreiro de Umbanda que fará com que a vida da pessoa "ande pra frente" ou que todos os problemas materiais dela se resolverão. O mais importante é a conduta moral da pessoa, o seu desejo de fazer caridade, de ajudar o próximo, de evoluir. Isso sim será determinante do quanto essa pessoa irá melhorar. A Umbanda através do terreiro dará a oportunidade, o meio e o método, cabe a pessoa abraçar essa oportunidade ou não.

3. Uma vez eu ouvi um médium dizendo que tinha que trabalhar porque senão o Caboclo batia nele. Porque o Caboclo dele faria isso?

Não, o Caboclo dele não faria isto. Certamente era o próprio médium, dentro de suas limitações de conhecimento que entendia assim. Na realidade, o que muito provavelmente o Caboclo faria é alertar o médium para os perigos que ele estaria sujeito ao abandonar a Banda. Guia ou protetor não bate. Ele respeita a nossa opção, o nosso livre arbítrio que nos foi outorgado por Deus. Eles não têm ingerência sobre isso. Como dito anteriormente, o médium ao se afastar da Banda, não deixa de ser médium, mas sabe-se lá o que passa a fazer de sua vida. Se forem coisas boas, continuará recebendo boas influências, mas se começar a levar uma vida destrambelhada, receberá influências negativas ou ruins. A Umbanda, e por conseqüência os nossos guias, não tem a função de nos "punir", mas de nos orientar e amparar.

4. Qual a função dos banhos de ervas?

Tem ervas que são para descarrego, outras para energização, outras com ambas as funções, outras preparatórias para algum tipo de trabalho. Dependendo da necessidade, o médium tomará o seu banho de ervas objetivando sempre uma melhor harmonização com as forças da natureza, para a consecução dos objetivos propostos. Os banhos de ervas envolvem uma ritualística preparatória e não devem ser tomados indiscriminadamente, mas com orientação do Dirigente do Terreiro ou de pessoas a sua ordem, pois sem o conhecimento específico do problema ou objetivo, o banho pode ter efeito contrário. Exemplo disto: se a pessoa estiver agitada demais não deverá tomar banho com uma erva de Ogum ou Iansã, pois poderá ficar mais agitada ainda.

5. O médium quando está incorporado sabe tudo que está acontecendo e o que a pessoa está conversando com o guia?

Normalmente sim. A grande maioria dos médiuns é consciente ou semi-consciente (como alguns falam), ou seja, sabe o que está acontecendo mas não têm ingerência sobre as atitudes da Entidade. Normalmente logo após a consulta ainda lembram algumas coisas, que vem como forma de "flash", mas logo depois vão se esquecendo. Após um determinado tempo só lembram que atenderam com suas entidades, uma ou outra pessoa. Somente os médiuns totalmente inconscientes é que não sabem o que está se passando durante a consulta, mas esses médiuns são cada vez mais raros. Mas se a sua preocupação com essa pergunta é se você pode conversar sobre qualquer assunto com a Entidade que o médium não vai contar pra ninguém, isso dependerá da índole do médium e da Casa, mas o princípio básico de todas as Casas de Umbanda sérias, é o sigilo das consultas e o respeito pelo problema da cada um.

6. Se uma pessoa tem que trabalhar e se a mesma não entrar para o Centro, ela pode receber algum guia na rua, no trabalho ou em qualquer lugar?

Não! Um guia, protetor ou entidade de luz não irá jamais expor uma pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras incorporando em lugares públicos.

O fato é que a pessoa sendo médium e não desenvolvendo a mediunidade não faz com que deixe de ser médium. O que ocorre é que a sua mediunidade ficará "embrutecida" e desamparada expondo-a a ação de espíritos trevosos, que, esses sim, podem se manifestar em lugares públicos expondo a pessoa a situações embaraçosas. Importante ressaltar é que ser médium é uma oportunidade que recebemos de Zambi (Deus) para expurgar parte de nosso karma. Negar ou fugir disso não ajuda em nada. O importante é aprender a lidar com isso. E a melhor maneira é desenvolvendo. A religião ou a Umbanda deve entrar em nossas vidas para nosso crescimento enquanto pessoas. Nunca deve ser imposta. Não concordo com fórmulas impostas, entretanto sabemos que existem pessoas e pessoas. Cada um com seu karma, merecimento, missão e vontade. Claro que todo ato nosso tem conseqüências, resta saber se estamos dispostos a arcar com elas. É óbvio também que se acreditamos que antes de encarnar assumimos alguns compromissos com o objetivo de resgatarmos o nosso karma, e nesses compromissos assumidos estão envolvidas entidades de Umbanda que nos auxiliarão nesse processo, ao nos recusarmos a trabalhar num terreiro de Umbanda, ao nos recusarmos a ouvir os convites feitos pelas nossas entidades para obrarmos o bem, estaremos nos expondo a não cumprirmos com o prometido. É claro que existem outras formas de fazermos caridade. É bem verdade que com o concurso de um terreiro, de uma corrente essa tarefa fica facilitada, já que era isso que estava "combinado". Fazer parte de uma corrente facilita a nossa comunhão com Deus e com os espíritos do bem, mas não adiantará de nada o médium estar dentro de uma corrente contrariado. Ser umbandista deve ser uma opção e não uma imposição. Como dissemos anteriormente, nossos atos geram conseqüências, resta saber se estamos dispostos a arcar com elas.

7.Todo mundo é médium?

Todos somos sensitivos. Alguns mais do que outros. Esses diferentes níveis de sensibilidade podem ser compreendidos como diferentes tipos de mediunidade. Todo ser humano possui um nível de sensibilidade que estará diretamente ligado a missão do mesmo na terra. Alguns possuem a sensibilidade ou mediunidade de incorporação, audiência, clarividência, vidência, psicofonia, psicografia, etc. Todas cabíveis de serem desenvolvidas e despertadas de acordo com o livre-arbítrio de cada um.

8. Afinal, há a necessidade de todos os médiuns se desenvolverem?

É conveniente que sim, ou pelo menos manterem-se harmonizados com o Alto de alguma maneira. Maneira essa através de orações, pensamentos elevados, vida equilibrada e conduta correta, ou freqüentando alguma religião. Tudo isso para evitarem a manifestação de obsessores que utilizarão sem cerimônia a mediunidade da pessoa. Nem todos são médiuns de incorporação. Existem inúmeras formas de mediunidade.

9. Como descobrir se sou mesmo médium?

Prestando atenção a o que está a sua volta, visível e invisível, aos convites abertos e velados da espiritualidade. Estudando-se como ser humano e o que está fazendo aqui na terra. Entendendo que somos pessoas encarnadas com um karma a resgatar e absorver os ensinamentos que recebemos todos os dias das pessoas que nos rodeiam. Não deixar a vida passar achando-se muito novo para desenvolver ou descobrir a espiritualidade e não temendo o compromisso.

10. Qual é a importância ou a necessidade do uso das roupas brancas?

A cor branca representa a pureza, é a cor de Oxalá, sincretizado na Umbanda com Jesus Cristo. São roupas de importância ritualística, devem ser tratadas de maneira especial, não devem ser lavadas misturadas com as roupas do dia-a-dia, e são usadas exclusivamente para este fim. Além do branco ser uma cor que absorve as vibrações mas não as retém.

11. E os colares na Umbanda?

Quanto aos "colares", os quais chamamos de guias, são pontos que auxiliam a fixar a energia da vibração do Orixá ou entidade. Têm a função de atração e proteção. Quanto a quantidade de contas, quanto o tipo variam de terreiro para terreiro conforme a orientação do Guia Chefe do terreiro ou do Dirigente (Pai ou Mãe no Santo). As guias são preparadas seguindo os preceitos de cada Casa, não devem ser compradas prontas, pois antes das contas serem enfiadas, elas são submetidas a um preparado de ervas que também variará de terreiro para terreiro.

12. Devo considerar os Orixás como uma entidade em si, ou um conjunto de entidades com a mesma percepção e missão?

Nem uma coisa, nem outra. Orixá é um complexo energético-vibratório que, ao nível de terra, ou seja de incorporação, agrega entidades (espíritos) afins em energia, missão, ou por características que facilitem a evolução do espírito. A agregação de espíritos não forma o Complexo Orixá, mas o Complexo Orixá é que provoca essa agregação de espíritos.

13. Qual a posição da Umbanda sobre o aborto?

A Umbanda não condena ninguém, entretanto, orienta que recebemos ao longo de nossa vida inúmeras oportunidades de fazer o bem e resgatarmos assim um pouco do nosso carma. Fazer um aborto, com certeza não contribuirá positivamente para isso. Mesmo pensando em caso de saber-se antecipadamente que o seu bebê terá hidrocefalia, por exemplo, e desejar interromper a gravidez. É claro que você tem o seu livre arbítrio, e já que o bebê não irá sobreviver, você tem todo o direito outorgado pela Lei do Livre-Arbítrio de interromper essa gravidez. Por outro lado, se a gravidez for levada a termo, você poderá, por exemplo, estar ajudando outro bebê, tornando o seu bebê um doador de órgãos. Com isso quero dizer que a gravidez é dádiva divina, inclusive a originada por estupro (não nos esqueçamos as encarnações compulsórias), por representar oportunidade de crescimento moral e espiritual. Mas como em tudo na vida, a resposta será: "a opção é sua". Ainda lembro que para cada ação existe uma reação em igual proporção, resta saber se estamos dispostos a arcar com as conseqüências de nossos atos. Com isso acredito que deixei claro que a Umbanda não estimula o aborto, pois é uma religião que prega que através das reencarnações estaremos obtendo nossa oportunidade de cumprirmos o nosso karma, e sendo assim ela não fecha as portas a quem quer que seja, pois o seu objetivo é orientar e esclarecer todo aquele que procura nela alívio para suas dores.

14. Por que alguns terreiros de Umbanda não trabalham com Exus e Pomba Giras?

Como já dissemos, a Umbanda, na sua formação, recebeu influências africanista, ameríndia, católica e espírita. Geralmente são terreiros que tem mais influência espírita (Kardecista), ou seja, trata-se apenas de uma questão de opção do dirigente.

15. E Nanã? E quem trabalha com (incorpora) Nanã? Como é isso já que vocês disseram que ela não é Regente de Coroa mediúnica, por estar acima dos demais Orixás...

A nossa experiência dentro da Umbanda é que nos indicou isto. E quem trabalha com Nanã na realidade está incorporando uma entidade da Linha das Águas, ou seja, uma das três Iabás (Iansã, Oxum ou Iemanjá) em vibração mais velha. Embora esse assunto em si já daria um livro, é importante ressaltar a diferença entre vibração de terra (terreiro, ou seja, vibração de incorporação) para irradiação de Astral Superior. A irradiação de Nanã é a original ou primordial da Linha das Águas, superior, a qual utiliza as vibrações derivadas dessa linha para se manifestar no nível de terra. Nanã representa para nós "as águas originais" ou primeiras águas.

16. Pode uma pessoa praticar o mal, influenciada por espíritos?

Sim pode, tanto quanto pode praticar o bem, também, influenciada por espíritos. Tudo depende de como esta pessoa vibra, vive, busca a vida e da moral dela.

Não existe isso de que a pessoa sempre foi "boazinha" e de uma hora pra outra, estupra, rouba, mata alguém sob a influência de espíritos trevosos ou demoníacos. O que pode acontecer é que, desta vez a pessoa cedeu as influências, ou ainda que sempre teve "vontade" (desejo oculto, inconfessado) de cometer esses atos, e aí passou a atrair uma gama de espíritos que também querem a mesma coisa. Mas estejam certos de que para que as influências negativas, tanto quanto as positivas, atuem em nossas vidas é fundamental haver sintonia. Lembrem-se irmãos, o corpo é seu, a mente é sua, portanto nenhuma força tomará conta de você se você não o permitir ou sintonizar com ela. Às vezes as pessoas fazem pequenas concessões a maldades, "pequenas" maldades do tipo: atirar uma pedra na vidraça do prédio que trabalha (revolta com relação ao chefe ou emprego), chutar um animal doente (ciúme da atenção que o animal está recebendo), riscar com prego um carro estacionado na rua (inveja)... aos poucos essas pequenas maldades vão se avolumando, porque são sentimentos menores e mesquinhos que estão sendo alimentados pela pessoa, e a pessoa não reage a elas. Imediatamente, começa a atrair para si, uma categoria de espíritos que se sintonizam com estes sentimentos, deixa-se envolver, deixa-se dominar, e faz isso porque não quer tentar reagir, não aceita ajuda de ninguém, não busca melhorar ou ainda porque simplesmente até sente um certo prazer com as companhias que lhes são afins e o que é pior, não acha que esteja errada, ou seja, completamente cega. Então ao ouvirmos dizer que alguém cometeu determinado ato porque estava sofrendo a atuação de espíritos, mesmo que isto seja verdade, não a exime de forma alguma da culpa integral por tal ato, porque o espírito só atuou porque encontrou ali respaldo para as suas intenções maléficas, porque encontrou sintonia. A pessoa pode dizer que não percebeu a influência dos espíritos, incitando-a ao crime. Se ela disser isto o quadro é mais grave ainda, porque a sintonia é tão perfeita que chegou a haver uma simbiose, onde a troca de sentimentos, de energias e de intenções íntimas ou reveladas, é tão símile que não houve resistência alguma. Portanto cuidado! Orai e Vigiai! Você tem o seu livre arbítrio e é o único responsável pelas companhias invisíveis que atrair e que permitir atuar.

17. Então não é verdade que uma mulher pode se tornar prostituta influenciada pela Pomba Gira dela?

Não existe absurdo maior do que esta crença. Coitada da Pomba Gira, Ela não merece isto! Em primeiro lugar nem toda Pomba Gira foi prostituta, e as que foram, já atingiram grau de evolução suficiente para estarem atuando como Pomba Giras, portanto com as funções de defesa e proteção, já tendo superado as mazelas de qualquer encarnação pouco louvável que tenham tido. Em segundo lugar Pomba Gira tem mais o que fazer. Em terceiro lugar arrumar desculpa para ser libertino é o que todo ser desviado deseja. Em quarto lugar a Umbanda é Sagrada, e jamais, por questões lógicas, poderia ser conivente com um absurdo escatológico como este. Em resumo, qualquer um que afirme um absurdo desses tem total desconhecimento do que seja esta linha de trabalho chamada Pomba Gira. Não tem coisa mais incoerente e absurda do que uma mulher dizer que vai mentalizar com a Pomba Gira dela para fazer o homem dela ter uma noite inesquecível. Além de passar um atestado público de incompetência, essa criatura vai mentalizar na realidade com algum espírito tão dementado quanto ela, e nunca com uma Pomba Gira de Lei!

18. Como é o trabalho da Pomba Gira?

Tudo na vida tem o positivo e o negativo, masculino e feminino, energias que, embora antagônicas, são complementares, que visam o equilíbrio e eficácia. O mesmo se dá com o papel de defesa da dupla energética chamada Exu/Pomba Gira. Sendo ela o elemento feminino complementar de Exu, atua em nossa defesa e proteção. Atua nas regiões umbralinas, ou onde a sua presença se faça necessária, junto com o elemento masculino (Exu), envolvendo os trabalhos de defesa com sua energia irradiada equilibradora.

19. Vocês sempre falam que na Umbanda não existe o sacrifício de animais, mas já fui em terreiros de Umbanda onde isto acontece. E aí? Não são terreiros de Umbanda?

Não. Não são terreiros de Umbanda. O que sempre afirmamos é que a Umbanda anunciada e fundada como culto pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas, não tem sacrifício de animais, e é com esta corrente de pensamento que nos afinamos e seguimos.

O que precisa ficar claro é que terreiro que tem em seu fundamento o sacrifício de animal, seja para iniciações, seja para descarrego, seja para oferendas, seja para qualquer outra coisa, não é terreiro de Umbanda, mas sim de outra forma de culto, que não me cabe aqui discorrer sobre.

O que deve servir de norte ao estudarmos a Umbanda e freqüentarmos um terreiro é a seriedade da Casa e o quanto somos afim com seus preceitos e formas de culto.

Não estou criticando quem faz sacrifícios de animais, estou apenas estabelecendo limites e premissas básicas, aliás, já estabelecidas pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas.

20. Mas afinal... a Senhora é contra ou a favor do sacrifício de animais?

O sacrifício de animais não faz parte do fundamento da Umbanda. Não é elemento de rito e muito menos de iniciação, conseqüentemente sou contra a sua utilização dentro da Umbanda, pois esta é a minha religião. O sacrifício dentro de outras religiões não me diz respeito.

21. E esses despachos que vemos nas ruas, encruzilhadas, com bichos mortos?

Certamente não são pessoas que respeitem a Umbanda, nem o Candomblé, ou o Omolocô, aliás são pessoas que não respeitam nada. Pessoas ignorantes são encontradas em todos os segmentos religiosos. Não aceitamos isso assim como não aceitamos oferendas que sujem os reinos da natureza, pois como já tivemos oportunidade de dizer, isto é uma incoerência além de ser uma tremenda falta de educação e civilidade.

22. É verdade que homem que trabalha com entidade feminina é homossexual ou pode se tornar um?

Este é outro absurdo escatológico! O que determina a homossexualidade de uma pessoa é ela mesma e não a entidade, aliás ninguém tem ingerência sobre este assunto. Isto é um pensamento machista e absurdo. Novamente afirmo que a Umbanda não coaduna com um pensamento retrógrado e estapafúrdio como este. Então agora me responda, a mulher não pode trabalhar com entidade masculina senão "vira" homossexual? Ninguém "vira" homossexual a pessoa é ou não é. Isto é uma opção dela que deve ser respeitada e compreendida. O que deve interessar não é com quem se deita, mas o quanto de caridade e amor a pessoa tem para fazer e dar; o quão dedicada a espiritualidade a pessoa é; o quão envolvido com o Astral Superior a pessoa está. Então quem trabalha com Ogum vira guerreiro? E quem trabalha com todas as linhas? Tem personalidade múltipla? Médium é um medianeiro, um aparelho para a espiritualidade superior trabalhar pela expansão da Caridade, sendo assim não há interferência na personalidade dos médiuns. Esta mentalidade tem que mudar. A Umbanda tem lógica e coerência. Não é uma palhaçada e muito menos os terreiros de Umbanda são circos.

23. Como é o desenvolvimento do médium umbandista?

Embora essa questão seja bastante específica e a resposta varie de terreiro para terreiro, aliás como a maioria das questões, explanarei algum pontos que julgo importantes. Em primeiro lugar é fundamental uma avaliação do médium com relação a Umbanda e suas próprias aspirações. É fundamental que o médium esteja absolutamente certo de que é isso que deseja para si, para sua vida. Que entende a Umbanda como uma forma de evoluir e não de resolver seus problemas. segundo lugar vem a Casa que ele escolhe para realizar esse empreendimento. A Casa deve estar o mais próximo possível do que o médium entende, acredita e deseja para si. É fundamental que seja uma Casa séria e comprometida com a Caridade, ou seja, que seja realmente de Umbanda. As diferentes ritualísticas da Umbanda servem exatamente para atingir as diversas aspirações. O médium deve, portanto, escolher com muito cuidado a Casa que irá tornar sua, pois ela deverá ser o sustentáculo físico, a provedora de oportunidades para a consecução dos objetivos de caridade, fraternidade e evolução, pois o sustentáculo espiritual é a própria Umbanda. Frequentar a assistência assiduamente, observar, envolver-se, estudar... até ter certeza de que ali é o seu lugar. Cada Casa tem um critério para ingresso na corrente mediúnica, procure saber qual é. Ao ingressar para corrente, deverá seguir as orientações recebidas pelo dirigente ou pessoas a sua ordem. Entender que não será apenas umbandista dos portões para dentro do terreiro, mas sim de coração, corpo e alma. Deverá dedicar-se, educar-se, doutrinar-se sempre segundo as orientações recebidas pelo dirigente. A sua conduta moral deverá ser constantemente vigiada, deverá lembrar-se que ao apresentar-se como umbandista fora do terreiro, terá a obrigação de honrar esse nome. Participar de todas a sessões abertas aos médiuns novos, estudar com afinco e buscar sempre melhorar seus pensamentos, desejos e vontades. Buscar constantemente evoluir, para assim poder preparar o seu corpo e mente para ser um bom instrumento de entidades e guias que estão num patamar evolutivo muito superior ao nosso. Buscar tudo isso irá facilitar a incorporação das entidades. Entregar-se de corpo e alma verdadeiramente. Não sentir medo, não querer correr. É fundamental lembrar que é um momento de adaptação, onde tanto médium quanto entidade estarão se adaptando. Não pode haver pressa, pois "A pressa é inimiga da compreensão". Agora, se você deseja saber em quanto tempo você estará incorporando, dando passes e consultas, eu respondo que só dependerá de você, da sua dedicação, empenho e preparo, seguindo sempre as orientações do dirigente da sua Casa, ou seja, da Casa que você escolheu.

24. Se Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo na Umbanda, como alguém pode ser filho de Oxalá?


Não entendemos, dentro da Umbanda que seguimos e praticamos isso ser possível. Entretanto respeitamos as diferentes visões e entendimentos. Novamente dizemos que isso faz parte da diversidade da Umbanda em função da interpretação de cada dirigente. Cabe a você escolher a visão que mais lhe cala a alma.

25.Qual a função e importância dos atabaques?

Tendo em mente que, nem todos os terreiros de Umbanda tem atabaques, e que nem por isso são mais ou menos de Umbanda, podemos falar do que temos como experiência dentro do Centro Espiritualista Caboclo Pery. Em nosso terreiro vemos como um elemento agregador de energias de louvação e invocação dos Orixás e seus enviados (representantes ou falangeiros), importante, porém não é indispensável. Por determinação do mentor de nossa Casa, o Caboclo Pery, os atabaques devem ser manuseados e cuidados pelos responsáveis pelos toques, que são os curimbeiros, que devem ser filhos da Casa. nosso terreiro não há qualquer tipo de destaque para os curimbeiros, como se fosse algum "cargo especial", ou seja, são trabalhadores como qualquer outro, com a função específica de auxiliar na invocação e louvação dos Orixás. Função importante? Sem dúvida, mas tão importante quanto qualquer outra. Aliás julgo importante lembrar esse aspecto: ao estabelecermos graus de importância variando de médium para médium, de servidor para servidor, corremos o sério risco de estimularmos a vaidade, a disputa e a inveja, sentimentos que devem ser sempre repudiados por todo e qualquer umbandista.

26. Então, o que há de mito e de realidade quando ouvimos falar que um ogã pode levantar ou derrubar uma gira?

Como em tudo na vida isso dependerá do dirigente do terreiro, de quem ele coloca para bater o tambor de sua Casa. Se o dirigente for omisso, inexperiente, displicente ou até mesmo inocente, permitirá que isso aconteça. É claro que o tambor atuando num terreiro de Umbanda como auxiliar na invocação e louvação de entidades e Orixás, se for conduzido por alguém que tenha ingerido bebida alcoólica, ou não tenha seguido os preceitos determinados pelo mentor ou dirigente da Casa, irá ter a sua vibração alterada. Cabe ao dirigente coibir veementemente esse tipo de situação. Ou por acaso você pensa que quem dirige o terreiro é o ogã ou o curimbeiro? Quem dirige é o dirigente (Pai ou Mãe no Santo) e o mentor da Casa. O que não consigo conceber é uma pessoa que se dispõe a ter a honra de bater (tocar) o tambor para salvar e louvar Orixá, se prestar a um papel desses. Com toda certeza, no terreiro em que isso ocorre, só posso lamentar profundamente e afirmar que é uma bagunça, uma esculhambação, e ter ogã, curimbeiro ou tabaqueiro (dê o nome que quiser) assim, eu prefiro não ter, em respeito as entidades, guias e mentores de nossa Casa.

27. O que é "guia de frente"?

Entidade que traz as principais ordens e orientações dos Orixás regentes do médium. Pode ser um Caboclo ou Preto Velho, também chamado de Mentor.

28. Na Umbanda existem obras sociais ou assistenciais?

Existem alguns terreiros que têm, mas infelizmente isso ainda não é uma atividade constante. Hoje em dia, os umbandistas de verdade, ou seja, aqueles que entendem que ser umbandista não é só ir para o terreiro e "espritar", estão despertando para essa necessidade. A desunião das pessoas ainda é muito grande, e o jogo de interesses também, entretanto cremos que um dia veremos essa situação minimizada, onde os terreiros que tenham poucos recursos financeiros, se unirão a outros e poderão executar obras sociais e/ou assistenciais.

29. Qual a utilidade e porque fazem firmeza para Exu e Pomba Gira?

Exu e Pomba Gira são nossos guardiões e defensores dos ataques do astral inferior. Ao fazermos firmeza para eles, estamos fornecendo pontos de energização e fixação de energias que visam facilitar esse trabalho.

30. Qual a importância de uma gira de Exu?

Expurgar, descarregar, encaminhar, limpar o terreiro e os médiuns de todos os trabalhos de desobsessão realizados durante o mês. Oportunizar, através da incorporação, a evolução de Exu e Pomba Gira, nos aconselhando com eles sobre questões mais terra-a-terra. Não podemos nos esquecer que é Exu e Pomba Gira que dão o primeiro combate contra as forças trevosas, são eles que nos defendem, são eles que representam e trazem as ordens dos enviados de Orixá para os níveis mais baixos da crostra. São eles que executam o carma. Que limpam e descarregam. São eles que atuam como elementos magísticos para o desmanche de trabalhos de magia negra. Enfim, sempre respeitando quem pensa diferente, é assim que trabalhamos com Exu e Pomba Gira na Umbanda.

31. Por que e qual a importância da toalha que médiuns utilizam na Umbanda?

A toalha serve para o médium deitar sobre ela quando "bate cabeça" para a coroa regente da Casa a qual está filiado, para Orixá, ou enviado de Orixá, em agradecimento ou reverência. O "bater a cabeça" é mais do que um gestual que demonstra humildade, é um ato de oferecimento de seu ori (coroa), de pedido de benção, de entrega de pedidos. Essa toalha também seca o suor do médium que está prestando caridade. Suor esse que está impregnado de energia, de ectoplasma. Deve ser tratada com o mesmo respeito e carinho como todo o resto de sua vestimenta.

32. O que vem a ser Yori e Yorimá?

É uma nomenclatura específica da Umbanda Esotérica que representa a linha das crianças e dos pretos velhos respectivamente.

33. Por que alguns Caboclos de Oxoce gritam e outros assobiam quando incorporam ou quando estão trabalhando?

O brado do Caboclo e o assovio são representações, ao nível de terra, ou seja, de incorporação, dos sons da natureza. Têm a função de espargir fluidos para a facilitação dos trabalhos que estão para serem realizados, utilizando o ectoplasma do médium e o aparelho fonador do mesmo. O médium vidente poderá facilmente observar sair da boca do médium incorporado, enquanto o Caboclo brada, a energia na cor verde (que é a cor de Oxoce, orixá da saúde e da energia vital) espalhando-se pelo ambiente, o energizando e purificando. Assim como os defumadores, charutos e cachimbos utilizados nas giras de Umbanda têm a mesma função, ou seja, preparar o ambiente para os trabalhos, através da queima de ervas.





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