História da Encarnação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no Brasil


História da Encarnação do Caboclo das Sete Encruzilhadas no Brasil

Esta história chegou até nós, da T.E.F.L., há muitos anos através de uma entidade – um caboclo de Oxossi – enviado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, cujo médium não temos informação se ainda está encarnado.

Inicialmente, uma rápida explicação quanto à confusão que alguns irmãos fazem, porque o Caboclo das Sete Encruzilhadas e o Exu Rei das Sete Encruzilhadas, são entidades que possuem nomes semelhantes (são quase homônimos), porém trata-se de espíritos distintos, cada um deles trabalhando espiritualmente em seu nível vibratório. Ambos prestam grandes serviços para a melhoria e desenvolvimento dos espíritos encarnados. Ambos estão em constante evolução, mas não existe qualquer relação de dependência entre eles.

Ao que se tem informação, é que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, é um espírito muito antigo, já encarnado ao tempo da vinda do MESTRE JESUS à Terra e que na roda das suas encarnações, jamais apareceu no nível em que trabalham os nossos “compadres” Exus, como alguns, face a semelhança de alguns nomes, tentam explicar.

Ao tempo do Brasil colônia, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro, em uma localidade às margens do Rio Paraíba do Sul, chamada hoje de Barra do Piraí, precisamente neste local, o rio atingia uma grande largura e o seu leito tomava um aspecto sinuoso, ali existia uma fazenda de diversas culturas, entre as quais e em maior escala, a do café e da cana-de-açúcar. Tal propriedade, era administrada por uma família portuguesa, que ao contrário de outras existentes nas proximidades, ali não era exigido o braço escravo. Os negros que lá trabalhavam, recebiam além da casa e alimentação, uma remuneração em moeda, por isso era a propriedade mais próspera do local, isto graças à forma de administração adotada por seus proprietários. Próximo dali, vivia uma tribo de índios da Nação Tupi Guarany, com os quais os fazendeiros mantinham um excelente relacionamento.

O chefe da tribo, era moço e possuía uma razoável cultura, pois fora alfabetizado na capital, apaixonou-se por uma das filhas do fazendeiro, que correspondeu ao seu afeto vindo a casar-se com ele, contrariando os costumes de ambas as comunidades. Após a união, ela engravidou, tendo que viajar à capital do Rio de Janeiro, para tratamento médico, demorou-se algum tempo e ao regressar recebeu uma horrível notícia: que um grupo de índios estranhos na localidade, de surpresa, tentou invadir a fazenda para saqueá-la, os fazendeiros pediram socorro e os guerreiros Tupi Guarany, vieram, mas não puderam impedir que os pais da moça e seus irmãos fossem mortos. Na batalha, o chefe Tupi Guarany, seu marido, ficou gravemente ferido, vindo também a falecer em consequência.
Ao todo, sete pessoas foram assassinadas pela tribo invasora. E todos foram sepultados, em uma ilha situada no Rio Paraíba do Sul, dentro da fazenda. E a moça grávida, única remanescente da família de fazendeiros, ia todas as tardes rezar na ilha, junto à sete cruzes que demarcavam os locais onde seus pais, irmãos e esposo foram sepultados. Porém, em uma dessas tardes, em que rezava junto ao túmulo do esposo, sentiu-se em trabalho de parto e ali mesmo deu à luz a um menino, seu filho com o chefe Tupi Guarani, cujo corpo estava naquele local sepultado.
O menino cresceu cercado do imenso carinho de sua mãe e recebeu ensinamento proveniente de duas culturas: a cristã adotada por sua mãe e a outra orientada pelo pajé da tribo de seu pai. Estudou na Capital do Estado e posteriormente na Corte, recebendo instrução superior de Direito. Como advogado teve intensa atividade profissional em defesa de escravos nos Tribunais do Rio de Janeiro, que eram acusados de crimes pelos senhores escravagistas. Na qualidade de chefe de sua comunidade indígena, disfarçadamente, invadia as fazendas de regime escravo, libertando os cativos e colocando-os em local seguro. Na verdade ninguém conseguia identificar o chefe que comandava o grupo indígena libertador de escravos, ora ele se apresentava com o aspecto físico de indivíduo alto, ora baixo, as vezes gordo e outras vezes magro, cada ataque era comandado por uma pessoa diferente e assim ele conseguia se manter no anonimato, consequente a dupla personalidade. O seu verdadeiro nome era CABOCLO DAS SETE CRUZES ILHADAS, por ter nascido no local onde existiam sete cruzes em uma ilha, porém o povo por corruptela o chamava de CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, nome que ele adotou humildemente, até mesmo em sua vida espiritual. Tal nome ficou fixado pelo povo escravo, que o adorava, e quando o grupo surgia na estrada eles cantavam uma toada que tinha a seguinte letra:

Lá vem, lá vem, bem longe na estrada
Lá vem, lá vem, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Após ter desencarnado voltou através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em novembro de 1908, como espírito mensageiro, colocando as bases da UMBANDA no Rio de Janeiro.

Texto extraído do livro "Umbanda Brasileira – Um século de História"
Autor: Diamantino Fernandes Trindade (Hanamatan)


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