Sobre a Pena de Morte


Sobre a Pena de Morte



Esta semana tivemos nos noticiários a continuada informação que um brasileiro seria executado na Indonésia. E o foi, no dia de ontem (sábado, 17 de Janeiro), com outras pessoas consideradas violadoras das leis daquele país. Nosso país, ao menos de forma regular – em tempos de paz -, não possui pena de morte, mas em outros lugares do mundo ela existe, por isso o Brasil tentou interferir diplomaticamente a fim de evitar o fatal desfecho, porém infrutiferamente. É que quando se violam leis internacionais, muitos riscos são assumidos e nem todos são evitáveis, sendo o que aconteceu..


Não entraremos no mérito da questão se a Indonésia agiu corretamente ou não. A questão que nos interessa agora é de ordem espiritual, razão que nos leva a pensar sobre o que ensina o Espiritismo sobre o tema.

A primeira obra da Codificação Espírita, intitulada "O Livro dos Espíritos", trata do assunto "pena de morte" da questão 760 a 765. E primeiramente esclarece que um dia ela será abolida da Terra, quando os homens mais não sentirem necessidade de julgar outros homens; esse tempo será prova de um salto de qualidade nas relações humanas, nascido da evolução moral, social e legal da população terrena.

Dizem os Espíritos, esse dia está longe de nós. Ressalvamos que “O Livro dos Espíritos” foi escrito em 1857, há 158 anos (em abril), e muita coisa mudou, mas ainda não chegamos ao ideal, o fim da morte como "método educativo" do ser humano em todos os lugares do planeta.

Ao comentar a resposta à questão 760, diz Allan Kardec que:

"O progresso social ainda deixa muito a desejar, mas seríamos injustos para com a sociedade moderna se não víssemos um progresso nas restrições impostas á pena de morte entre os povos mais adiantados, e à natureza dos crimes aos quais se limita a sua aplicação."

Verdade! Mas, além disso, devemos ter cuidado! Não deturpemos as palavras do Cristo que disse “quem matar pela espada perecerá pela espada”. Ele não se referia à pena de talião, vulgarmente conhecida como “olho por olho, dente por dente”. Somente Deus deve aplicar a lei de talião, e o faz durante as reencarnações da alma. Não é competência humana interferir no que não conhece. E o homem não conhece as motivações, responsabilidades e culpas alheias – certamente nem mesmo as suas próprias!

Nem tudo que um dia foi bom, necessário e método conhecido para sobreviver com alguma qualidade neste planeta, ainda o é. Nem todos compreendem como nós, e necessitamos ser misericordiosos com as limitações ou direções diversas do entendimento alheias.

Cabe dizer, aliás, que no caso do nosso irmão brasileiro, antes de tudo ele foi vítima de si mesmo e não importa quanto se tente culpar a Indonésia por sua morte, o fato é que ele optou por um risco calculado e foi pego na própria rede. Assim é com todos nós em tudo que fazemos. O resto, a prisão e a morte física dele, foi consequência de suas escolhas e da evolução moral planetária.

Certamente devemos orar pelos que ontem adentraram à vida espiritual, imortal, pelas mãos da morte imposta como penalidade a crimes. E pelos que decidiram que assim fosse feito. E pelos que atiraram no exercício do dever militar. Recordemos sobretudo de orar para que o entendimento do perdão, da misericórdia, da educação e do amor como meio de solução de problemas, desequilíbrios e crimes, se faça realidade na Terra o mais brevemente possível.

O mundo está evoluindo mais rápido do que nos parece, ainda que muitos pensem que estamos em retrocesso. Não existe retrocesso nas leis divinas e não pisamos chão que não seja permitido que pisemos, pela Providência Divina.

Deixemos de criticar e julgar tanto os erros dos outros, e passemos, enquanto temos condições na encarnação, a avaliar a nós mesmos, evitando que semeaduras imaturas e impensadas que se tornarão colheitas amargas e árduas, no nosso hoje ou no nosso amanhã.

Misericórdia é o que precisamos.
E misericórdia nasce do Amor.

Vania Mugnato de Vasconcelos




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