Dinheiro Traz Felicidade

Dinheiro Traz Felicidade

Dinheiro traz ou não felicidade, afinal? Depende. Depende do que você faz com ele.

“Dinheiro não traz felicidade. Então me dê o seu e seja feliz”, diz uma piada sobre esses dois grandes objetivos da vida moderna, dinheiro e felicidade. Se eu afirmar que uma das frases está certa e a outra errada, você seria capaz de dizer qual é qual? Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, a primeira parte está errada, dinheiro pode sim trazer felicidade. Mas isso só acontece porque a segunda frase está certa: gastar com os outros – e não guardar ou comprar coisas para nós mesmos – é a fórmula de sucesso.

As pesquisas sobre o tema são abundantes e todas concordam com outra anedota (atribuída a vários autores, mais recentemente citada no filme O lobo de Wall Street): “Já fui rico. Já fui pobre. É melhor ser rico”. De fato, quando falta dinheiro para suprir necessidades básicas, como saúde, segurança, alimentação e um mínimo de conforto, as pessoas não conseguem ficar felizes. Por conta disso, a vida melhora proporcionalmente conforme aumentam os ganhos. Dinheiro trazendo felicidade. Mas o que não nos contam é que esse aumento de satisfação bate no teto muito rápido; a partir daí, mesmo ganhando mais não conseguimos aumentar o bem estar. Dinheiro não trazendo felicidade. A não ser que passemos a gastar com os outros. Dinheiro voltando a trazer felicidade.

Eu sei que você não acredita. Você não está sozinho. Pesquisadores distribuíram para anônimos notas de cinco e de vinte dólares, e pediram para metade deles que gastassem consigo e para metade que gastassem com outros. Então descreveram a experiência para outras pessoas e perguntaram quem estaria mais feliz. Claro que a maioria achava que eram os que haviam ganhado mais para gastar consigo. Ninguém acredita que é melhor dar do que receber. Mas estavam errados: quem gastou com os outros teve o humor significativamente melhor ao longo do dia. E a quantidade de dinheiro não fez qualquer diferença.

Estudos de correlação mostram que esse fenômeno é universal. Levantamento em 136 países mostrou quem em 120 deles havia uma relação direta entre a quantidade de doações (ou “gastos pró-sociais”) e o nível de felicidade nacional. Intrigados pela extensão do fenômeno, resolveram investigar crianças. E descobriram que pré-escolares, com menos de três anos, ficavam mais felizes quando davam um biscoito para um boneco do que quando os comiam.

Fica difícil contestar as evidências: experimentos com adultos, com crianças, pesquisas globais, tudo aponta na mesma direção. Então por que será que é tão difícil acreditar? Não sei, não sou sociólogo nem cientista político ou economista, mas acho que se todo mundo entendesse que não precisa ganhar cada vez mais, que dinheiro em excesso não faz diferença e que o objetivo da vida é compartilhar, a economia travaria. Talvez não queiram que saibamos disso.

De qualquer forma, vale a dica: quer ficar mais feliz? Ajude o próximo. Depois diga se de fato não é melhor dar do que receber.

Daniel Martins de Barros
Psiquiatria e Sociedade




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