Terrorismo Mediúnico?

Terrorismo Mediúnico?



Terrorismo mediúnico, uma nova forma de desqualificar o trabalho de médiuns destemidos


Uma corrente mais ortodoxa na comunidade espírita adotou essa expressão “terrorismo mediúnico” que vem sendo usada para designar as revelações mediúnicas que apresentam informações sobre os aspectos sombrios da maldade organizada no astral, como se, todo livro ou mensagem que trata desse tema, utilizasse de medo e de previsões apocalípticas para intimidar ou perturbar o povo.

Embutido no significado dessa expressão está também a ideia de que as mensagens mediúnicas necessitam tratar somente da alegria, da esperança e do conforto, e com esse argumento tentam invalidar a importância e a utilidade de informações que nos auxiliam a identificar as formas ardilosas e criativas que as trevas se utilizam para exterminar e paralisar as iniciativas do bem. Por meio de uma ardorosa defesa do tipo “devemos falar somente na luz”, muitos líderes e pensadores desmerecem o valor e a urgência das revelações sobre a maldade organizada.

É bem verdade que o consolo e o otimismo devem mesmo ser incentivados em todos os textos da doutrina, mas nós estamos em um momento de batalha, de definições, de guerra no mundo espiritual.

Será que quem alega a presença de terrorismo mediúnico tem vivido uma relação atualizada e contínua com os benfeitores para indagar, porque esses conteúdos estão sendo divulgados? Que experiência de relação mediúnica possui os defensores desse suposto terrorismo do além com os movimentos astrais sórdidos que tem por objetivos implantar e disseminar o mal na face na Terra?

O Espiritismo, sem dúvida, deve cumprir um papel social consolador, isso não deve significar que tenhamos que nos movimentar entre pétalas de rosas e noções de uma vida cor de rosa. Nos bastidores da imortalidade existe uma guerra e Jesus, que tanto amamos e chamamos de Mestre, pede todos os dias, por meio de servidores do amor, por gente destemida e corajosa para o front das lutas e desafios.

Onde está esse terrorismo mediúnico? Muito fácil ocupar uma tribuna espírita e achincalhar quem tem trabalhado e atendido o pedido dessa plêiade que trabalha pela limpeza da psicosfera terrena, sem a qual não teremos um mundo regenerado.

Que a gente incentive a esperança, apazigue as almas, leve a mensagem do conforto, mas é muito perigoso formalizar uma ideia como essa de terrorismo mediúnico, como se popularizar informações dessa ordem fosse um modo de manipular pelo medo.

Jesus fez um Sermão Profético e atemorizou com suas previsões. Ele estava errado? Não. Está tudo acontecendo. E ele não poupou palavras.

Terrorismo mediúnico, onde? Então, a pretexto de evitar o medo, vamos omitir o que está acontecendo? O que querem dizer com terrorismo mediúnico? Será que querem dizer que é mentira o que essas mensagens e livros divulgam? Na minha opinião nada mais é que uma forma de desrespeito ao trabalho mediúnico de médiuns corajosos, que estão tendo a ousadia de mostrar víboras e lobos em pele de cordeiro.

Outra coisa que costumam chamar de terrorismo mediúnico são as previsões catastróficas, inclusive aquelas feitas pelo respeitado Chico Xavier. Pois se alguém tem dúvidas que Chico tenha feito tais previsões, pode ter a certeza que isso é a pura verdade.

Sim, que a gente busque a esperança e promova tudo que pode ampliar a paz, mas, por favor, cadê esse terrorismo mediúnico?

Ser espírita em pleno momento de transição não pode significar ser uma “flor de estufa” e viver de mentalizações, orações, práticas mentais… Nada contra tais iniciativas, mas se queremos um mundo melhor precisamos de postura, realismo, informação sólida a respeito do que está acontecendo nos bastidores da corrupção e da maldade organizada nos dois planos da vida.

Podemos sim falar de filtragem mediúnica, da linguagem e outros aspectos que sempre teremos que melhorar como médiuns, mas usar a expressão terrorismo mediúnico, dando a ela um significado de desqualificação aos médiuns e aos conteúdos a respeito das ciladas trevosas é uma imaturidade, uma atitude de desrespeito.

Wanderley Oliveira



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