Ser Umbandista

Ser Umbandista

Nós, umbandistas convictos, buscamos em nossa religião servir a Deus e aos nossos semelhantes. É uma tarefa de simples descrição, tal qual asseverou o Cristo, em seu Evangelho reformador. Mas de difícil persecução, convenhamos. Nossa missão, enquanto intermediários entre seres encarnados e desencarnados, não nos faz melhores do que os outros. Somos seres humanos, passíveis de erros, e temos a mesma necessidade daqueles que procuram o nosso templo, enfermos do corpo e/ou da alma.

Também carecemos de renovar nossas ações e sentimentos, acatando na prática as palavras vivificantes de Jesus. Aliás, a própria mediunidade que trazemos hoje revela dívidas de vidas pretéritas, nas quais, certamente, olvidamos da obrigação de auxiliar os necessitados e promover nossa elevação espiritual. O exercício (correto!) da mediunidade, dom que Deus nos deu de graça, nos auxilia a caminhar com dignidade, responsabilidade e amor, extirpando sombras karmicas de nosso passado.

Todavia, mesmo buscando cumprir o Evangelho Cristão, ainda somos discriminados e taxados como “macumbeiros”(1), perante muitos leigos. No mesmo embalo, outros propagam impropérios e condenações várias, ao dizerem que somos membros de uma “seita” satânica, e, por conseqüência, somos adoradores do demônio. Quem já compareceu ao nosso Templo sabe quão inverídica é essa imagem tão deturpada de nosso Culto. Mas bem sabemos quantos outros lugares fazem por onde chafurdar o nome da Umbanda, e atuam como “contrapeso” à obra que praticamos. A despeito do esforço incansável de distintos sacerdotes umbandistas (valendo destacar o legado deixado pelo saudoso W.W. da Matta e Silva), notamos que a Umbanda ainda precisa se expandir de maneira madura, desmistificada, de forma a combater e derrubar as barreiras que colocam em descrédito a nossa imagem, como Seareiros de Jesus. Muitos ainda usurpam o genuíno rito umbandista, mercantilizando passes, consultas, trabalhos e protagonizando trambicagens mil. Isso não podemos frear, e até adotamos uma conduta abnegada perante tais chafurdices. Isto porque fomos consolados pela assertiva de nossos Mentores Espirituais, que nos ensinam a confiar na Lei de Causa e Efeito, e na responsabilidade que esses mercadores do Templo assumem, perante a Lei Maior.

O importante é não esmorecermos em nossas posições íntimas. Quando chamados ao esclarecimento, devemos ser firmes, defensores dessa Umbanda que busca com responsabilidade e retidão o contado com o Sagrado. Deveria ser a única Umbanda, mas, “por força de várias forças”, hoje é multifacetada, confusa, e às vezes conhecida por escândalos que, de forma alguma, foram nem serão inatos ao seu âmago epistemológico.

Umbanda é coisa séria, para gente séria! Ser umbandista é ser Cristão; é praticar a moral cristã que transcende interpretações fundamentalistas. Pense nisso, quando porventura te colocares como umbandista, onde quer que sejas chamado a testemunhar por esta religião!

Mãe Tina
(artigo originalmente publicado no Periódico Buscando Luz Nº 7 – edição de julho de 1997).

(1) Na verdade, esta denominação é bastante incorreta, porque “macumba”, em sua etimologia mais original, designa uma árvore comum no continente africano. Esta árvore era preferida pelos praticantes do culto aos Orixás, para acolher, sob sua sombra, oferendas várias, postadas como agradecimento pela fartura na colheita, caça, saúde e proteção nas guerras tribais.




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