Teorizar a Umbanda

Teorizar a Umbanda

A Umbanda não é uma religião de muitas teorias, e sim, uma religião dinâmica, onde este dinamismo advém de uma praticidade vivida no dia-a-dia dos cultos. Não tem como formalizar um estudo umbandista através dos livros ou demais, pois, ao teorizar a Umbanda, cada um o faz dentro de sua prática e vivência, discernindo cada gesto e trabalho dos guias espirituais que convivem, para jogar isto numa teorização. Dentro disso, percebe-se que os guias espirituais trabalham todos dentro de uma mesma hierarquia, é aonde faz casar alguma teoria com a outra, pois, se a teoria de alguém estiver muito fora de cogitação dos padrões umbandistas, então se levanta a suspeita de teoria formalizada na base de inverdades.

Cada guia espiritual que atua na Umbanda traz consigo uma individualidade da qual deposita dentro da formalização dos cultos umbandistas, e esta individualidade traz uma complexidade imensa, onde envolve a característica do guia, a atuação do mesmo perante os preceitos individuais de seu veículo (médium) e do templo, onde envolve o tipo de trabalho espiritual, lugar e tempo deste trabalho, envolve atuação deste guia em sua posição espiritual (falanges e linhas) e outros demais detalhes. Isto porque me referi a um só guia, agora coloquem a mesma questão para todos os guias que atuam na Umbanda, pois é! Todos esses guias juntos e os seus mais minuciosos detalhes, ainda somando com uma cosmogonia que envolve a Criação e os Orixás, formam toda a teoria da Umbanda, uma teoria sem começo, meio e fim, ou melhor, com os três se encontrando aleatoriamente. E ainda tem gente que diz ter codificado a Umbanda (?).

O caminho na Umbanda é árduo, pois é uma entrega sem receber e esperar nada em troca daqueles que lhe fora ofertado a caridade, mas o cotidiano nos cultos umbandistas é simples, porque os guias espirituais nos trazem os preceitos prontos para serem feitos, popularmente dizendo, nos trazem‘’mastigados’’. Por este motivo, o culto se torna dinâmico e simples: os guias espirituais nos passam os preceitos, onde cumprimos com os fundamentos relacionados aos mesmos. Um dirigente espiritual tem o dever de compreender e saber a fundo sobre esses preceitos repassados pelos guias espirituais, mas muitos filhos de Umbanda não têm este dever, por isso muitos seguem somente pela fé e a simplicidade, ou melhor, pelo dinamismo do culto. 

Porém, para aqueles que queiram entender todos esses preceitos e os fundamentos a fundo, vão ser obrigados a ter um bom discernimento perante eles, pois um descuido, ou uma interpretação errada, pode distorcer todo um sentido do preceito que trará controversas da religião num todo. Por isso, para teorizar a Umbanda, deve-se ter muito cuidado e muita responsabilidade, tentar colocar as palavras de forma lúcida e principalmente, não querer mexer em algo que já está formalizado pela espiritualidade, saber que as palavras diante a teoria serão complexas, mas a prática desta teoria é simples, basta que esta prática seja guiada realmente por guias espirituais, e saber acima de tudo, que fundamento é algo que não se enquadra em teorias, somente no chão consagrado pelos guias espirituais, o templo. 

A Umbanda é a única religião simples, mas ao ser explicada e especulada, se torna uma das mais complexas que existe, justamente porque sua espiritualidade além do vínculo ritualístico ou religioso abrange um universo infinito.
Umbanda é uma religião para ser tocada com a alma e não com as mãos, a partir do momento que a alma sente a Umbanda, a religião já estará bem explanada perante quaisquer incógnitas.

Carlos Pavão




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