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Arquétipos e Orixás

Arquétipos e Orixás

Arquétipos, um estudo interminável - Por Jordan Godinho

É incontestável que muito falamos sobre os arquétipos dos Orixás na nossa personalidade, a relação entre nós seres humanos e imperfeitos com estes seres naturais é objeto de discussão dentro das religiões de matrizes africanas, mas também pela psicologia.

Jung por exemplo fez diversas pesquisas sobre o assunto e “em suas investigações científicas em torno da mente humana profunda, Jung se deparou constantemente com o fenômeno religioso que chegou a prender seu interesse de tal forma a ocupar um lugar central nos escritos do cientista, especialmente os dos últimos anos. Mantendo-se num plano rigorosamente científico, ele observou acurada e conscienciosamente toda espécie de manifestação daquilo que podemos chamar de fator religioso, tomado em sua amplidão universal, abrangendo, portanto, as representações religiosas tanto do homem primitivo bem como as formas diversas de religiões que se manifestaram nas fases mais avançadas da cultura humana ao longo dos séculos. Após essas investigações, Jung sentiu-se obrigado a reconhecer, “como conteúdos arquétipos da alma humana, as representações primordiais coletivas que estão na base das diversas formas de religião”. Mesmo sem nunca ter falado expressamente de Deus com o propósito de demonstrá-lo, Jung, nesse estudo, admite na estrutura profunda da mente humana uma potencial idade nata que impulsiona o ser humano a procurar a Deus e com ele se relacionar através da religião. A importância desse assunto, analisado pelo enfoque psicológico, adquire maior interesse por ser tratado por C. G. Jung, pioneiro insuperado nas pesquisas da Psicologia Profunda.”(1)

Por outro lado a Umbanda diz que “os arquétipos são representativos das questões sociais, como também em estruturas comunitárias alojadas em sociedades contemporâneas mais complexas. Eles também podem estar ligados a fases de nossas vidas, representado como estrutura familiar, comportamento individual de personalidade, ou ligados a profissões e ações sociais.”(2)

Para exemplificar poderíamos dizer que na fase da vida Oxum esta ligada a fertilidade, como também a jovem e bela mulher vaidosa, que Oxalá é o patriarca de uma família junto com Iemanjá sua matriarca, que Ogum apesar de guerreiro é dono de um temperamento duro e instável, e que Xangô esta ligado a questões jurídicas, e Oxossi aos negócios comerciais.(2)

Pierre Verger analisou pela ótica do Candomblé de uma forma social e abrangente:
“Com o passar do tempo à concepção sobre o que é orixá no Brasil tende a evoluir. Em se tratando de africanos escravizados no Novo Mundo, ou seus descendentes ai nascidos, sejam eles de sangue africanos, mulatos, ou de pele clara, não havia e não há problemas, pois o sangue africano que correm em suas veias, independente da proporção, justifica a dependência do orixá-ancestral.” (3)

Gisele Cossard observa que se examinarem os iniciados agrupando – os por orixás, nota-se que eles possuem, geralmente, traços em comuns, tanto no biotipo, como em características psicológicas. Os corpos parecem trazer mais ou menos profundamente, segundo o individuo, a marca das forças mentais e psicológicas que os anima.(3)

São pontos de vistas distintos cada um sobre uma visão diferente, mas que mostra a riqueza sobre este tema, inclusive traz a tona uma discussão que esta ligada a formação social, espiritual e religiosa, todos no entanto sabem da importância que tem dentro do inconsciente coletivo.

A FORMAÇÃO DO ARQUÉTIPO

Sem sombra de dúvidas a formação do arquétipo religioso, traz para nós um pouco mais da compreensão deste universo, para que possamos caminhar sobra à luz da formação e elevação espiritual.

Estima-se que um total de 3.600.000 escravos foram transportados da África para o Brasil entre os séculos XVI e XIX (Bastide, 1978: 35), fazendo do Brasil o segundo maior importador de escravos do novo mundo. Durante este período, a população negra escrava era maior que a dos brancos que legislavam. Os escravos vieram principalmente da Nigéria, Daomé (atual Benin), Angola, Congo e Moçambique. Apesar da instituição escravagista ter quebrado as famílias e espalhado grupos étnicos através do país, os escravos conseguiram manter alguns laços com sua herança étnica. Isso aconteceu devido ao fato, entre outros, dos portugueses usarem a política de dividir para governar, separando os escravos em diferentes nações. O termo nações se refere ao local geográfico de um grupo étnico e sua tradição cultural (por exemplo, os que falavam Yorubá da Nigéria eram os Nagô, Ketu, Ijejá, Egba etc.) A conseqüência inesperada dessa divisão foi que o conceito de nação desempenhou um papel importante para a manutenção de várias identidades étnicas africanas e para a transmissão cultural e as tradições religiosas.

Enquanto as religiões afro-brasileiras estavam concentradas no nordeste do Brasil, as correntes religiosas do sudeste tiveram uma importância decisiva na fundação da Umbanda, uma nova religião brasileira. Para a burguesia intelectual branca do sudeste, a França era o maior expoente das mais novas correntes culturais e espirituais. Assim, o Espiritismo de Allan Kardec, que foi praticado primeiro em Paris por volta de 1855 pelo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-69), rapidamente se espalhou no sudeste brasileiro. Essa nova forma de Espiritismo misturava filosofia, ciência e religião. As idéias de Kardec sobre a imortalidade da alma e a comunicação com os espíritos combinavam com o evolucionismo social, o positivismo de Conte, o magnetismo, conceitos Hindus de reencarnação e karma e os ensinamentos cristãos da caridade.

Além do Espiritismo Kardecista, a Umbanda tem um importante predecessor na Macumba. O termo Macumba se refere a várias misturas de afro-brasileiras com outras religiões que se originaram no sudeste brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro. Macumba é também um termo depreciativo para baixo espiritismo. Acredita-se que a Macumba se originou no Rio de Janeiro e sua imediações, onde a população dos ex-escravos eram em grande escala do Congo, da Angola e de Moçambique, e foram agrupados de acordo com as nações.

A Umbanda é freqüentemente vista como a maior síntese entre as tradições religiosas Afro-brasileiras e Ameríndias, o Espiritismo Kardecista e o Catolicismo. Por seu sincretismo e caráter eclético, a Umbanda tem sido percebida como uma religião que reúne os vários grupos étnicos brasileiros, sua cultura e tradições religiosas, e assim reflete a miscigenação que compõe a sociedade brasileira. A Umbanda é vista como uma tentativa de formular uma religião nacional, de criar uma religião democrática que seria capaz de unir os vários grupos étnicos e classes sociais.(4)

Assim temos os arquétipos dentro das matrizes afro-brasileira, mas que não termina aqui neste texto, mas traz aqui uma abertura para aprofundarmos mais sobre este tema que tratamos de maneira às vezes inconsequente, mas que requer desdobramento, o que importa realmente é sabermos que quando falamos de arquétipos não estamos falando simplesmente de qualidades de orixá com relação ao individuo, temos que buscar os pilares que sustentam dentro da religião esses arquétipos.

Fonte de Pesquisa:
(1) CG Jung – Psicologia e Religião
(2) Natura Mística
(3) Orixás – Pierre Verger





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