Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

07/10/2020

Guia Chefe



A mediunidade serve para que possamos crescer e ajudar outros a crescerem também, porque nos permite aliviar, através de nossa intermediação, (comunicações com os espíritos) as dores daqueles que nos procuram nas casas espíritas. A umbanda trabalha para caridade a fim de auxiliar a evolução espiritual própria e de outrem. A mediunidade deve se desenvolver adequadamente a fim de que nos tornemos aparelhos mais capazes para que os espíritos, na umbanda denominados de entidades ou guias espirituais, possam praticar os seus trabalhos espirituais.

Há diversas maneiras de se entender o tipo e a condição de trabalho da mediunidade e, consequentemente, do médium. Tais maneiras dependem sobremaneira da doutrina aplicada, no entanto, é fato que, por mais capacitado e mais estudado que seja o médium, ele sempre será um intermediário. A essência do trabalho caberá sempre ao espírito, à Entidade, ao Guia.

E uma das perguntas comuns recebidas é COMO SABER MEU GUIA CHEFE?

Cada médium tem sempre um espírito que é líder em seus trabalhos.

Que se apresenta mais e que responde mais vezes quando solicitado pelo médium. Todas as falanges de trabalhadores ligadas àquele médium estão “subordinadas” a ele. Este é o chamado “guia chefe”, “guia de frente” ou “chefe de cabeça”.

Em geral, é um caboclo ou preto velho, mas pode também pertencer a outras linhas em casos específicos.

O Próprio guia de frente deverá se apresentar. É um erro comum tentar prever isso em algum momento, ou o médium ou zelador tentar “forçar” que seja esta ou aquela entidade, por questões de afinidade.

Percorrendo nossa caminhada espiritual enquanto médiuns iremos nos encontrar com vários espíritos trabalhadores que influenciarão muito em nossas vidas. Todos os guias em que vibramos, incorporamos e/ou conhecemos são com certezas muito importantes pra nós, mas quase todos os médiuns em iniciação ou desenvolvimento buscam encontrar o que seria o guia chefe ou o mentor, que nos acompanha desde o dia de nosso nascimento e o espírito que nos acolherá em nosso desenlace.

Mas o que seria um GUIA CHEFE? Todos nós nascemos completos e viemos a Terra com missão pré-determinada pela espiritualidade superior. Somos escolhidos por nossos ORIXÁS (pai e mãe de cabeça e Orixá ancestral).

Nossos ORIXÁS são força vital que mora em nossa essência e em nossa genética espiritual está presente em todas as nossas encarnações. Somos energia em movimento. Somos a água das senhoras Yemanjá, Oxum, Nanã ou somos o fogo de Xangô, ou a força dos ventos e tempestades de Oya, ou o firmamento de Oxalá e essa força reside em nós influenciando nossa personalidade, nossas características físicas, etc...

Nossos guias chefes são espíritos que, ao contrário de nossos orixás, já foram seres encarnados, viveram nesse plano de existência, para a partir das experiências obtidas em suas passagens terrenas por evolução espiritual ocupam hoje a posição de mestres ou mentores. Esses mestres ou mentores esgotaram suas necessidades de encarnação e hoje divinizados tem missão maior. Dirigem a espiritualidade dos encarnados que escolheram para guiar. Nossos guias chefes podem ser caboclos ( de couro e de pena) , pretos e pretas velhas, e em alguns casos inclusive ibejis (crianças do astral). O que determina a possibilidade de um espirito se tornar um GUIA CHEFE é a filiação desse espirito a uma falange de trabalho espiritual, alcançar a evolução necessária e receber da espiritualidade a missão de conduzir um médium. Essa condução começa na Infância e acontece através de sonhos e não é incomum que o médium lembre de instruções ou intuições passadas pelos seus mentores enquanto criança.

Chico Xavier fala da missão de nossos mentores/guias chefes: “O mentor é um espírito que se comprometeu com o trabalho espiritual do médium, dedicando parte do seu tempo para preparar o médium para sua tarefa, trabalhar ao seu lado e fazer o possível para protegê-lo do contato com as energias degradantes do astral inferior.”

Em algumas casas, os médiuns trabalham somente com os guias chefes. Mas é perfeitamente possível que um médium trabalhe com entidades de todas as falanges.

Como conhecemos nosso GUIA CHEFE? Isso vai depender da sua casa Umbandista. O mentor já interage em nossa vida espiritual como explicado anteriormente, mas é no processo de desenvolvimento mediúnico que vão surgindo as primeiras manifestações desse guia que por serem ou muito intensas, ou muito brandas destoam totalmente das manifestações dos outros guias. Nessa fase eles se comportam de forma diferenciada, cuidando muito mais de sintonizar a energia do médium. No momento apropriado esse médium irá passar por rituais internos que preparam o físico, o mental e o espiritual para esse primeiro contato pleno onde o GUIA CHEFE traz seu nome , seu ponto riscado e cantado para a partir desse momento ser reconhecido pelo médium e por todos como o responsável junto com os ORIXÁS e a egrégora da casa escolhida pelo médium para conduzir sua caminhada espiritual.

A maioria dos médiuns gosta mais de trabalhar com seu guia chefe, devido a essa afinidade. Isso é muito comum. Errado é impedir que outras entidades trabalhem só porque você gosta mais de uma delas. Quase todo médium tem mais afinidade com alguma falange específica de trabalhadores, ou com um determinado guia espiritual. O que não pode acontecer é deixar a vaidade sobressair as questões da espiritualidade.

A entidade Guia Chefe de Cabeça é responsável pela nossa evolução espiritual, cuidando de nos ensinar, doutrinar e guiar dentro da espiritualidade, sempre que buscamos tais atributos. Sendo também o ordenador de toda a nossa trama de guias, pois as demais entidades – “de direita e de esquerda” – submetem-se à sua autoridade que é exercida de forma totalmente pacífica e serena, sem conflitos. Cabe esclarecer ainda que podem não ser necessariamente da mesma linhagem desses Orixás, ou seja: um filho de Xangô com Oxum pode ter como guia chefe de cabeça um caboclo de Oxóssi ou um Preto Velho de Ogum. Isso não interfere em nada.

Autoria desconhecida




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13/09/2020

Amar e Ser Amado pelo Divino





Eu vou contar a historia
De minha avó, que é algo 
Que sempre me tocou muito.


Quando eu era pequena 
Minha avó era mãe de Santo
E todos sabiam que era filha de Oyá,
Porém eu sempre reparava
Que ela nunca tirava o fio
De contas douradas do pescoço,
Usava Idés e tudo mais,
Então um dia enquanto ela 
Se arrumava eu perguntei:


🌼— Vó, porque a senhora sempre usa fio de Oxum e idé dourado? Ela não é sua santa, então porque disso?


Ela, uma negra retinta
De baixa estatura
E de feições delicadas como 
As de uma boneca 
Mesmo ja sendo idosa 
Sacudiu os pulsos e as pulseiras douradas
Que usava tilintaram,
Sorriu para mim e se sentou
Do meu lado, ali contou a historia.


Era o ano de 1945
Quando minha bisavó, dona Cleuza,
Veio da Bahia para trabalhar 
Em uma fabrica em São Paulo.
Hoje a fabrica já é extinta
Mas na época todos conheciam
A grande tecelagem
Mariângela do bairro Brás,
E lá ela trabalhou muito.
Na mesmo epoca
Conheceu meu bisavô,
Seu Jarbas, ele era de Pernambuco
Mas estava em São Paulo
Para trabalhar na construção Civil.
Ele se casaram e
Em 1948 ela ficou gravida,
A fábrica deu-lhe uma licença
E ela foi ter o bebê.
Naquela época não havia SUS,
E minha bisavó acabou não tendo
Nenhum tratamento pré Natal,
Na época isso nem existia
E mesmo se existisse
Não estaria disponível a uma mulher
Preta e pobre. 
O jeito foi ir parir na 
Santa Casa de Misericórdia,
As freiras não eram racistas o suficiente 
Para negar atendimento 
A uma parturiente,
Então lá nasceu minha avó.
Nasceu quieta, flácida,
Não chorava nem se mexia
E nem sequer consegui mamar,
Ficava imóvel e de olhos fechados
Como se fosse morta.
Minha bisavó se desesperou 
E perguntou aos médicos 
O que a criança tinha
Mas eles não deram muita bola,
Fizeram alguns exames básicos e disseram
Que ela não sobreviveria.
Um bebe preto e filho de nordestinos
Não trazia aos doutores interesse.
Vovó ainda estava viva mas 
Eles já tinham dado a ela a
Sentença de morte. 
Minha bisavó, uma baiana muito arretada
Não aceitou ver a filha morrer 
Naquele hospital sujo,
Então pediu para ir embora com o bebê.
As Freiras disseram que não podia
Tinha a restrição medica de ficar 
Pelo menos mais um dia internada,
Mas minha vó fez pé firme,
Então elas disseram que "tanto fazia".
Foi assim que minha bisavó 
Saiu do hospital poucas horas depois do parto.
Como ela teve forças pra sair correndo 
Logo depois de parir?
Eu não sei, mas aquela mulher 
Era fantástica e fez isso.
Minha bisavó era do santo 
Na Bahia foi iniciada para Oxum,
Era uma Ekeji,
Então assim que saiu do hospital 
Disse a meu bisavô que precisava 
Levar o bebê para um terreiro.
Mas que terreiro?
Vocês hoje em dia jogam na internet 
E ficam sabendo onde estão as coisas
Mas naquela época nem celular existia,
E os terreiros era tão poucos na cidade 
De São Paulo
Que ela não conhecia nenhum.
Pegaram o ônibus para a Zona Norte 
Ele fazia sua parada final na perto 
Do Tucuruvi.
E ela veio rezando o caminho todo,
Embalava a filha nos braços, 
Um bebe semi morto.
Desceram no Tucuruvi 
E tomaram um carro de aluguel 
Pois moravam pro fim do Tremembé
La pra aqueles lados que eram 
Fazenda de japoneses.
No meio do caminho minha bisavó 
Fechou os olhos e com toda a fé 
Que tinha rezou.


"Minha mãe Oxum me ajude, salve me meu bebê, eu sei que a senhora pode, só a senhora pode... me ajude minha mãe, me de um sinal... eu não posso enterrar minha filha, eu preciso que ela viva..."


Meu bisavô nao era da religião
Mas ainda assim cutucou o ombro
Dela e apontou para a janela do carro 


👤— Cleuza olhe ali, aquilo não é gente de macumba? 


Ela olhou para fora 
E lá estava um pequeno grupo 
De pessoas vestindo roupas brancas,
Eles iam levando um balaio de pipocas,
Era um Sabajé.
Minha bisa gritou para o motorista parar
E desceu do carro correndo
Deixando meu bisavô para trás para 
Pagar o motorista.
Ela chegou esbaforida
Até aquelas pessoas e perguntou
Se eram de algum terreiro,
Elas a olharam torto, 
Tinha muito preconceito
Com candomblé na época
Então eram arredios em dar endereços,
Mas ela Mostrou o bebê que 
Trazia nos braços 
E depois mostrou as marcas de cura
Que tinha nos ombros
E contou que precisava da ajuda 
De mãe Oxum.
Aquelas Iyawos estavam passando ali
Por um acaso,
Havia uma comunidade de baianos
Do outro lado do bairro 
E elas so estavam pra aquele lado
Porque uma delas sentiu no coração 
De ir para la, para aquelas ruas de terra
Onde o povo as olhava feio
Como se elas fossem o próprio diabo.
Quando ouviram a história 
Que minha bisavó contou
Nem perguntaram muito mais,
Depois de ver a criança 
Entenderam que era tudo providencia 
Do Orixá.
Elas e meus bisavós saíram correndo
E dois quarteirões a frente
Entraram em uma vielinha,
Chegaram na porta do terreiro,
Uma casinha pequena sem nem reboco.
Quando chegaram chamaram
Pela mãe de Santo 
E logo uma mulher corpulenta
Com roupas de baiana
Apareceu na porta.
Minha bisavó rapidamente
Desatou a falar contando a historia,
Esperava receber da mãe de santo
Alguma palavra de auxílio
Ou pelo menos de conforto,
Porém imediatamente se calou
Quando a gritaria começou.
Vocês devem estar se perguntando
Que gritaria foi essa,
Mas o que acontece foi que
Todas as pessoas da casa incorporaram
Seus Orixás de uma só vez
E os Orixás gritaram seus "ilás",
Isso só acontece quando a 
Sacerdotisa lider d casa incorpora,
Os Orixás de seus filhos vem em respeito 
Ao Orixá dela, que é mais velho,
Então minha mãe ergueu a cabeça
E olhou para a mãe de Santo,
Ela estava ali com uma expressão 
Serena, os olhos fechados e 
Estendeu as mãos pedindo
Para segurar o bebê.
Nesse momento minha bisa 
Não conseguiu dizer
Nenhuma palavra compreensível,
Ao ver o fio de contas no pescoço 
Da mãe de santo ela soube 
Que Orixá era aquele,
A própria Oxum estava ali.
Minha bisavó foi tomada por
Uma emoção tão grande
Que apenas tentava falar 
Mas chorava demais para ser entendida.
Oxum deu um passo a frente 
E tomou os bebês nos braços,
Segurou com um e com o outro 
Abraçou a minha bisavó.
Coitada, estava tão abalada
Que apenas deixou Oxum a guiar
Para dentro da casa.
Uma outra mulher chegou apressada,
Era uma Ekeji, ela foi desvirando o povo
E depois foi ajudar Oxum.
A Orixá pediu para entrar 
No quarto dos assentamentos,
E quem é do santo sabe que esse 
Quarto é sagrado no terreiro,
Nao é aberto a qualquer um
Mas ainda assim 
Oxum mandou abrir o quarto 
E todo mundo Daquela casa
Entrou naquele pequeno cubículo,
Era pelo menos uma dúzia de pessoas e
Até meu bisavô que não fazia 
Idéia do que estava acontecendo 
Se enfiou lá.
Ali haviam prateleiras com 
Varios assentamentos 
Mas o maior era um de louça Branca,
O assentamento da própria Oxum.
Ela mexeu nas louças e tirou 
Uma tina que ficava sob elas,
Colocou no meio do quarto 
E então cochichou algo para a ekeji,
Logo a mulher voltou com uma moringa 
E encheu a tina de água.
Todas as pessoas observaram em silêncio,
Oxum se ajoelhou,
Desenrolou o bebe da manta
E o colocou dentro da água fria.
O bebê parecia morto,
Roxo e mole.
Oxum fez sinal para minha bisavó,
Levou uma mão a própria boca 
E minha bisa entendeu que ela dizia "cante".
Sim, quem é do santo sabe
Que o cantar é o mesmo que rezar.
Minha bisavó com voz embargada
Começou:


"Oro mi má, oro mi má ó, oro mi má ó abado o ieiê ô"


Sim eu sei que ela cantava errado,
O Yoruba estava torto, mas ela cantava 
Com toda a fé que tinha no peito.
O povo ali juntinho no quarto 
Começou a cantar junto
E logo como um coral eles
Entoavam esta e várias outras cantigas
De louvação a senhora das águas doces.
Oxum mantinha o bebé na água,
Com uma mão apoiava a cabecinha,
Com a outra ia molhando o corpinho
Com toda a delicadeza.
A cantoria continuou por algum tempo 
Até que foi interrompida por um som,
O choro do bebê.
Minha bisavó ficou tão emocionada
Que acabou tendo um desmaio,
Mas logo que se recobrou
Oxum entregou para ela a criança,
Um bebê firme, de olhos abertos 
E sedendo por leite.
Ela desabotoou a camisa 
E pôs o peito pra fora,
Na hora o bebê pegou e mamou.
Estava viva, a criança 
Estava viva e bem.
Oxum tirou um de seus colares 
Do pescoço e dando várias voltas
O colocou no pescocinho 
Do bebê, beijou aquela
Cabecinha frágil e então partiu.


Minha bisavó nomeou minha avó 
De "Conceição" para homenagear Oxum,
Ela na época achava que Oxum
Era o mesmo que Nossa Senhora da Conceição,
Sabe como é, coisas de gente antiga
Sem muita compreensão.
Mas uma coisa é certa, 
Oxum deu a vida a minha avó,
Ela nasceu realmente naquela 
Tina de água,
Nas mãos de Oxum.


Quando ficou adulta 
Vovó foi iniciada para Oyá Onira,
Era uma Iyansã belissima a dela,
Orixá que ela amava muito,
Mas sempre que perguntavam
De quem ela era filha ela dizia
"Sou de Oxum com Oyá"
Pois foi Oxum quem lhe deu
A graça de viver. 
Ela abriu casa e se tornou 
Iyalorixá, por toda a vida
Zelou pelo santo.
Em 2014 ela já era idosa
Quando foi diagnosticada com
Demência senil, que é quando 
O idoso começa a perder
A capacidade intelectual.
Por três anos lutamos atrás 
De uma cura
Mas essa condição é considerada
Algo natural, não é uma doença,
É simplesmente algo que pode acontecer.
No fim do ano de 2017
Os problemas mentais começaram 
A atingir o corpo em forma de síndromes,
Após tres AVC's e múltiplos 
Fatores recorrentes
Os médicos liberaram vovó 
Para passar seus últimos dias em casa.
Minha mãe não teve esse interesse
Em ser do santo
Mas eu sim, trilhei os caminhos de vovó 
E me tornei Iyalorixá, 
Aqui na mesma casa que foi dela,
Uma casinha pequena que alguns 
Até chamam de beco
Por ser humilde e por ainda
Ter alguns costumes referentes 
A crença de minha avó, dona Conceição.
Era Dezembro, época que eu toco 
A festa das Iyagbás,
E como sempre o pessoal do bairro veio,
E dessa vez vieram pessoas 
Que eu não conhecia, 
Um rapaz se destacava,
Um negro enorme, 
Lindo de olhos verdes.
No meio do Xirê ele recebeu seu Orixá
E para minha surpresa 
Aquele homenzarrão era
Filho de mãe Oxum.
Na hora que ele incorporou
Não se juntou aos outros Orixás na roda,
Não, ele simplesmente saiu do terreiro
Pela porta lateral.
Eu corri atrás, 
Pensei que Oxum estava procurando 
Um lugar para se trocar,
Me envergonho em dizer que até 
Suspeitei que o rapaz estava de ekê,
Mas não, Oxum simplesmente seguiu 
Para fora, atravessou o corredor 
Até chegar nos fundos 
Onde fica a minha casa
E ficou parada diante da porta 
Esperando que eu abrisse.
Eu estava achando estranho
E expliquei a Oxum que ali
Não era parte do terreiro,
Mas ela de modo impaciente 
Fez gestos para que eu abrisse logo
Aquela porta.
Assim eu fiz, abri e ela entrou,
Ali na sala de casa
Estava vovó sentada na cadeira de rodas
Vendo televisão com os olhos vidrados.
Sabe, vovó já não reconhecia a gente,
Era como se fosse uma casca vazia,
Mas quando Oxum se aproximou 
Ela ergueu a cabeça e sorriu, 
Com a voz fraquinha Disse "mãe..."
O rapaz era forte, com um único movimento 
Pegou minha avó no colo 
E caminhou de volta para o terreiro.
A Oxum dele dançou todo o rum 
Com vovó em seus braços,
A embalando como um bebê.
Foi uma alegria só,
Todo o povo a conhecia 
E lhe davam comprimentos,
Vovó estava tão bem 
Que até comeu o Ajeun conosco,
Oxum a sentou na cadeira 
De mãe de santo e ali vovó 
Riu e brincou,
Reconhecia cada pessoa de nossa
Comunidade como se nunca 
Houvesse ficado doente.
No fim da noite
Oxum levou vovó devolta para casa
E a colocou na cama,
Deu nela um abraço 
E depois partiu, então 
A Orixá deixou o corpo do rapaz.
Minha velha estava outra pessoa,
Estava lúcida e sorridente,
Conversou comigo como 
Nos tempos de outrora. 
A festa acabou, o povo se despediu
E eu e meus filhos colocamos 
O terreiro em ordem.
Passamos a madrugada na faxina,
Já estava amanhecendo quando
Eu voltei para casa
Para ver como estava vovó.
Ela estava com os olhos fechados
E uma expressão serena,
Havia falecido durante o sono.
Eu tenho muito orgulho 
De ser mãe de Santo como ela foi,
De reinar nessas paredes
E de saber que ali atrás 
No quarto dos assentamentos 
Tem até os dias de hoje
Dois Ibás gêmeos 
Um do lado do outro 
Montados da mesma maneira,
Do lado direto um de louça amarela 
E do esquerdo um de louça cor de rosa,
Os Orixás de minha avó.
É história de minha velha,
É a história de uma mulher 
Que amou e foi amada pelo divino.


Contos de Terreiro, dramatização: Felipe Caprini




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30/07/2020

O Seu Pai de Santo Também Existe

O Seu Pai de Santo Também Existe

Então você quer abandonar o Terreiro porque o seu pai de santo não foi lhe visitar?
Quer sair porque ele não pode lhe atender?
Está chateado porque ele falou algumas verdades que doeram?
Falou mal do terreiro porque foi cobrado nas suas obrigações?
Falou mal do terreiro porque acha que o pai de santo deveria conduzir a casa de outra forma?  E somente depois de tanto tempo na casa você observou isto?
Falou mal do pai de santo porque ele manteve rédea curta para manter a ordem?
Está chateado porque seu pai de santo deu a um irmão função mais elevada do que a sua?
Hum! quer sair do Terreiro porque seu pai não pôde lhe atender ao telefone naquele dia?

Sim! mas por favor responda:

Quantas vezes você visitou o seu pai ou mãe de santo sem funções ou algo relacionado a sua vida espiritual?

Quantas vezes você, pelo menos, ligou ou mandou uma mensagem para saber como o seu pai ou mãe de santo está?

Quantas vezes você deu um abraço no seu pai ou mãe de santo e disse: Estamos juntos?

Quantas vezes você deixou o julgamento de lado para ajudar no que for preciso?

Você sabia que o seu/sua zelador(a) é tão humano quanto você?
E as vezes precisa de colo e apoio como você?

A diferença é que você se preocupa apenas com os seus problemas, e ele com os problemas de todos!
Ele também sente vontade de parar, de desistir! Quantas noites ele não deitou a cabeça no travesseiro e pediu para largar tudo, mas desistiu porque tinha você para cuidar?
Quantas vezes ele se pôs em frente ao Sagrado e disse não ter condições de continuar, mas não parou porque sabe que você precisa dele?
Quantas vezes ele se questionou se estava fazendo o certo?

Isso você não sabe.

Ele também sofre, também chora.
Ele também se sente desestimulado, desvalorizado.
Só que ele esconde as lágrimas quando senta a sua frente para abençoar e encorajar você! Ele engole as suas dores para ouvir as suas. Ele esquece seus problemas para aconselhar nos seus. Ele deixa a sua família, para cuidar da sua.

Ele esquece sua vontade de parar enquanto lhe direciona de forma entusiasmada, para que você não pare!

E ele fica feliz quando te vê andando no caminho certo. Ele se alegra com suas vitórias.
Mas você se lembra de ligar ou mandar mensagem falando o que conquistou? Você se lembra de dedicar a ele um momento de oração? Você se lembra de compartilhar suas alegrias com ele?

Ou ele só te serve como uma tábua de lamentações?

A verdade é que a maioria, assim como você, que está lendo essa mensagem, pensa que o seu Pai ou mãe de santo são superiores, super heróis. Mas não, eles não são.

Ame o seu Pai ou mãe de santo. Afinal, eles são a sua família espiritual e tal qual seus pais carnais, estão para ajudar você a caminhar. A seguir em frente.

Ajude o seu Pai ou Mãe de santo se eles precisarem. Se preocupe.

Seja amigo do seu Pai ou mãe de santo.

Seja um achador de soluções, não um criador de problemas. Ou se não puder achar soluções, seja um ombro amigo. Seja acolhedor.

Seu Pai ou Mãe de santo também precisa de você!

Um zelador tem suas obrigações espirituais, e precisa cumpri-las, mas cabe aos filhos de uma casa darem valor a quem cuida das vossas cabeças, cuida do seu espiritual, cuida do seu sagrado.

Autor desconhecido





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16/07/2020

Homenagem Tulca à Mamãe Oxum 2020

Salve o dia 16 de julho! Dia de louvar Mamãe Oxum e dia do aniversário de 9 anos de fundação da Tulca! Orayeyêo doce mãezinha...





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06/07/2020

Toques de Preto Velho

Toques de Preto Velho

Meu filho, com esses olhos, “que a terra não comeu”, pois são olhos espirituais, reais, já vi muita coisa. Algumas boas, outras nem tanto, e mais outras que não vale a pena contar. O que passou, passou mesmo. O que ficou foi a experiência das diversas vidas na carne, aliás, muitas delas, tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes.

O que ficou foi o aprendizado e o conhecimento de como é o coração dos homens e suas emoções e vontades. Aprendi a ler a verdade de cada um, por dentro, lá na toca das coisas que não se falam, e que todos escondem muito bem.

Tem muita zica dentro dos corações, meu rapaz. É rolo que não acaba mais!
E coração rançoso e rancoroso, você sabe como é que é, está cheio de irmãozinhos das trevas agarrados nele. Eles se alimentam das emoções podres e dos pensamentos maldosos. E a zica é tanta, que só a pessoa rancorosa é que não vê a energia que está perdendo.

Menino de Deus, como os homens sofrem por causa das emoções podres!

Igualzinho ao corpo carnal, que pode apresentar escaras na pele, devido à falta de movimento em alguma área, o corpo espiritual também tem suas escaras astrais. Porém, essas são causadas pelas emoções podres, estagnadas no meio da alma atormentada e sem centro espiritual.

Falta movimento sutil ali! Falta vergonha na cara para acertar o passo!

Muito disso vem de outras vidas, são escaras do passado, de coisas mal-resolvidas, ainda alojadas no corpo espiritual. Mas, muita coisa é de agora mesmo, é coisa podre dos dias atuais. E o mal-cheiro psíquico exalado atrai os espíritos atormentados e atormentadores, que ficam agarrados em penca na aura da pessoa.

Isso é uma tragédia invisível! É uma doença psíquica que amarra os encarnados e impede os desencarnados carentes de seguirem em frente.

Nosso Senhor Jesus Cristo avisou muitas vezes sobre isso. Ele disse: “Orai e Vigiai!” – Ele sabia do mal que as emoções podres fazem no ser humano.

Todavia, muitos oram de forma egoísta e mecânica, sem coração e sem alma, e outros nem isso fazem, passando ao largo das boas vibrações que poderiam ajudá-los e fortalecê-los. E os que vigiam, raramente se olham por dentro, pois policiam muito mais a vida alheia, e não foi isso que Nosso Senhor ensinou.

Meu amigo, tem tanto espírito agarrado nas pessoas, que há horas em que você não sabe mais quem é quem, de tão entranhados que estão. É um fuzuê energético na aura desses infelizes. Ô coisa feia de se ver!

Mas Nosso Senhor é de uma compaixão infinita. Sob o seu comando, legiões de espíritos de luz vêm ajudando os homens nessas lides do invisível. Sem eles, isso aqui já teria ido para o beleléu! São eles que deslindam as ligações psíquicas daninhas e levam os irmãozinhos das trevas para o Espaço, para serem tratados pelos médicos da luz.

Esses irmãos da luz são os verdadeiros anjos da guarda da humanidade. Pena que os homens se esquecem tão facilmente das bênçãos que recebem. Esses guias e benfeitores espirituais são os trabalhadores de Nosso Senhor, não importa a linha espiritual à qual laboram. Sempre agradeça a eles, pela proteção e luz.

Todavia, se os guias espirituais ajudam, também é verdade que os homens precisam fazer sua parte. Que vigiem e orem, e exorcizem as emoções podres de seus anseios. Que renunciem aos desejos torpes de vinganças. Que esqueçam as ofensas e se dediquem a alguma causa nobre e verdadeira.

Ninguém é vítima do destino! Todos são passíveis de falhas na jornada, como também de atos elevados. E todos são capazes de seguir em frente...

Tem muito coração “zicado” nessa vida dos homens terrestres, e muitos espíritos zangados na cola deles. Ainda bem que, lá da Aruanda, vem aquela luz que ilumina a fé dos filhos que querem a cura do próprio espírito.

Como você escreve sobre as coisas do espírito, fale para as pessoas daquela chuva de luz que os guias produzem sobre as cabeças dos filhos que se esforçam na senda da luz e do bem. Aquela luz de Aruanda... Aquele amor que cura o coração.

Fale das egrégoras invisíveis que sustentam os bons pensamentos e os bons ideais, para que muitos outros se liguem a elas e se protejam das vibrações pesadas.

Filho, olhe essa estrela sobre a sua cabeça. É linda e brilhante. Você sabe o significado dela, e sabe quem a enviou para iluminar o seu caminho. Pense que o brilho e a proteção que dela emanam possam ser irradiados para outras pessoas.

Que Oxalá abençoe as pessoas zicadas e as cure do mal que trouxeram para dentro de si mesmas. Que Ele propicie um momento de despertar para elas.

Fique na paz de Nosso Senhor!

Na luz de Aruanda.

Na fé!

Pai Joaquim de Aruanda 
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges)





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