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Quaresma e Páscoa

Quaresma e Páscoa

A Quaresma agregou-se à Umbanda por herança da época dos escravos, quando eram obrigados a esconder seu culto aos Orixás. Como nesta época não havia culto aos santos católicos, eles também evitavam o culto aos Orixás. 

No entanto, hoje somos todos livres, mas o período da Quaresma, reverberando os desmandos energéticos do carnaval, é uma época sem Lei no Mundo Espiritual, justamente quando os encarnados sentem mais necessidade de proteção. Sendo o terreiro um verdadeiro pronto-socorro espiritual, suas portas não devem ficar fechadas aos médiuns e assistentes.

Os preceitos católicos ainda estão muito arraigados no subconsciente da maioria dos seguidores da Umbanda. É inevitável que em quase todos os centros haja os votos de Feliz Páscoa, mais pela oportunidade do feriado, sendo é essencial que este período seja antes de tudo um momento para a reflexão.

Para nós, Jesus, na Força de Oxalá, estará sempre regendo a cada um, movendo-nos para a Caridade, para o Amor, para a Luz e a Evolução Espiritual. É um espírito Perfeito e Ascensionado, muito longe do sofrimento que ainda lembram e cultuam. É Força Maior, representante de Zambi, atuando junto aos outros Orixás. Jesus já ultrapassou há muito tempo seu sacrifício na Cruz. Já superou seu sofrimento quando encarnado, e para nós a representação de sua manifestação após seu desencarne, é o fundamento na crença da vida após a morte. Comemoramos este intercâmbio abençoado todos os dias, buscando as portas e os caminhos mais iluminados, tentando, nós próprios, superar nossos tropeços, nossas imperfeições.

Entristecer-se e guardar luto relembrando momentos de milênios atrás realmente não está dentro de nossa proposta umbandista. Longe de desrespeitar a crença de nossos irmãos de outras religiões. Apenas temos de conhecer o que é a Umbanda, seus preceitos, mensagens e propósitos.

Não existe para nós, restrição de carne, não há malhação de Judas, coelhinhos da Páscoa. Mas por outro lado, uma coisa é certa, a vibração da Terra se modifica muito no carnaval, e isso reverbera por muito tempo.

Devemos sim, lembrar os 40 (quarenta) dias em que Jesus passou no deserto, antes de iniciar sua vida pública, quando superou a grande prova, representada pelas provações, das falácias, as tentações de toda a espiritualidade voltada para o Mal, que se opunha ao seu Caminho e à Sua Luz. Podemos aproveitar e comemorar sim com nossos irmãos católicos, mas com outro olhar. A vitória do Espírito sobre as iniquidades, a superação, o exemplo que devemos seguir, pois todos passamos pelo mesmo deserto por onde andou Jesus. Até agora, somente ele conseguiu atravessá-lo incólume em uma só encarnação.

A Páscoa, como um momento de leveza e Fé, pode servir para o umbandista como um tempo do próprio renascimento, no recarregar as forças, no reciclar dos pensamentos e atitudes, num momento apropriado para a introspecção e oração, no Perdão sincero, na compreensão das dificuldades, momento de encontrarmos a chave da Paz, da Harmonia , da Caridade.

Vamos então manter todos os dias de nossas vidas, nossos Anjos de Guarda firmados na Luz da Fé, da Busca pela Verdade, pelo pensamento reto, buscando renovação a cada dia, e aprendermos com as lições, provas e expiações que necessitamos.

Ter devoção limitada às datas comemorativas não vai nos fazer melhores, mas sim o trabalho árduo, suor, sangue e lágrimas na estrada da vida, caindo, levantando, dando as mãos à quem precisa, tendo o verdadeiro Pai Maior em nossos corações, e só seremos dignos disso quando vibrarmos na Luz do entendimento, da superação, do renascimento constante, superando a inferioridade do Eu interno. Só assim conseguiremos ouvir a doce voz dos falangeiros dos Orixás e a Suprema Claridade do Mestre em nossa Alma, e aí, poderemos comemorar.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ 




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