30 de setembro de 2013

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HOMENAGEM TULCA AOS IBEJIS


SARAVÁ IBEJIS! ONI BEIJADA

Homenagem Tulca aos Ibejis


Homenagem Tulca aos Ibejis


Homenagem Tulca aos Ibejis





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29 de setembro de 2013

Mediunidade Consciente


Perguntas e Respostas para Médiuns Iniciantes

1 – Como funciona a mediunidade consciente?

O médium capta o fluxo mental do Espírito, gerando ideias e sensações, como se houvesse a intromissão de outra mente em sua intimidade; como se estivesse a conversar com alguém, dentro de si mesmo.

02 – Ouve uma voz?

Seria fácil, mas não é bem assim. Ideias surgem, misturando-se com as suas, como se fossem dele próprio.


03 – Parece complicado…

E é, sem dúvida, principalmente para médiuns iniciantes, que não distinguem o que é deles e o que é do Espírito. Muitos abandonam a prática mediúnica, em face dessa incerteza, que é perturbadora.


04 – Como resolver esse problema?

É preciso confiar e dar vazão às ideias que lhe vêm à cabeça, ainda que pareçam embaralhadas, em princípio. Geralmente a mediunidade é desenvolvida a partir da manifestação de Espíritos sofredores, o que é mais simples. Não exige maior concentração de ideias ou esforço de raciocínio. Cumpre-lhe, em princípio, apenas exprimir as sensações e sentimentos que o Espírito lhe passa.


05 – Qual o conselho para o médium que enfrenta esse impasse?

Sentindo crescer dentro de si o fluxo de sensações e pensamentos, que tomam corpo independente de sua vontade, comece a falar, sem preocupar-se em saber se é seu ou do Espírito. A partir daí o fluxo irá se ajustando. É como o motorista inexperiente na direção de um automóvel. Em princípio há solavancos, mas logo se ajusta.


06 – O que pode ser feito para ajudar o médium iniciante?

A participação dos irmãos do Terreiro é importante. O médium, nessa situação inicial, fica fragilizado. Sente-se vulnerável e constrangido. Qualquer hostilidade ou pensamento crítico dos irmãos, revelando desconhecimento do processo, poderá afetá-lo.


07 – Seria razoável aplicar passes no médium iniciante, em dificuldade para iniciar a manifestação?

O passe pode ajudar, mas devemos ser econômicos na sua utilização, a fim de evitar condicionamentos. Há médiuns que esperam pela intervenção do Pai, Mãe ou irmão no Santo, aplicando-lhes passes, a fim de iniciar seu trabalho.


08 – As manifestações de médiuns iniciantes são, não raro, repetitivas. Como devem agir o Pai ou Mãe e Irmãos no Santo no Terreiro?

Cultivar a compreensão e a boa vontade, considerando que o animismo, a intervenção do próprio médium, é expressivo nessa etapa do desenvolvimento. Aos poucos ele irá se ajustando, aprendendo a distinguir melhor entre suas idéias e as do Espírito.


09 – Vemos, com frequência, médiuns dotados de razoáveis faculdades mediúnicas desistirem do compromisso. Há algum prejuízo?

A sensibilidade mediúnica não funciona apenas nas Giras. Está sempre presente. É na prática mediúnica, com os estudos e disciplinas que lhe são inerentes, que o médium garante recursos para manter o próprio equilíbrio. Afastado, pode cair em perturbações e desajustes.


10 – É um castigo?

Não se trata disso. O problema está na própria sensibilidade que, não controlada pelo exercício, situa o médium à mercê de influências negativas, nos ambientes em que circule, e de entidades perturbadas que se aproximam.


11 – Mas esse problema não está presente na vida de todos nós? Não vivemos rodeados de Espíritos perturbados e perturbadores?

Sim, e bem sabemos quantos problemas são decorrentes dessa situação, por total ignorância das pessoas em relação ao assunto. No médium afastado da prática mediúnica é mais sério, porquanto, em face de sua sensibilidade, ele sofre um impacto maior, com repercussões negativas em seu psiquismo.


12 – E se o médium, não obstante afastado da prática mediúnica, for uma pessoa de boa índole, caridosa, afável, bem sintonizada?

Com semelhante comportamento poderá manter relativa estabilidade, mas é preciso considerar que a mediunidade não é um acidente biológico. Ninguém nasce médium por acaso. Há compromissos que lhe são inerentes.


13 – O médium vem programado para essa tarefa…

Sim. Trata-se de um compromisso assumido na espiritualidade. Há um investimento no candidato à mediunidade, relacionado com estudos, planejamento, adequação do corpo. Tudo isso envolve diligentes cuidados dos mentores espirituais. Imaginemos uma empresa investindo na preparação de um funcionário para determinada função. Depois de tudo, será razoável ele dizer que não está interessado?


14- Mas não é contraproducente o médium participar de trabalhos mediúnicos como quem cumpre uma obrigação ou um contrato preestabelecido, temendo sanções?

As sanções serão de sua própria consciência, que lhe cobrará, mais cedo ou mais tarde, pela omissão. Para evitar essa situação é que os médiuns devem estudar a Doutrina, participando de estudos e lendo a respeito da mediunidade, a Doutrina Espírita é a melhor opção para conhecer sobre a mediunidade, mas esta deve ser direcionada pelo Pai ou Mãe no Santo, assim estará assimilando conhecimento e podendo debater a respeito.


15 – E se há impedimentos ponderáveis? Filhos a cuidar, cônjuge difícil, profissão, saúde…

Eventualmente isso pode acontecer, por algum tempo. O problema maior, entretanto, está no próprio médium que, geralmente, tenta justificar a sua omissão. Altamente improvável que a espiritualidade lhe outorgasse a mediunidade, sem dar-lhe condições para exercê-la.


16 – E quando a participação do médium gera conturbações no lar, a partir de um posicionamento intransigente do consorte?

Lamentável o casamento em que marido ou mulher pretende criar embaraços à atividade religiosa do cônjuge. É inconcebível! Onde ficam o diálogo, a compreensão, o respeito às convicções alheias? De qualquer forma, embora tal situação possa justificar a ausência do médium, não o eximirá dos problemas inerentes à mediunidade não exercitada.


17 – É difícil encontrar pessoas que guardam perfeita estabilidade emocional e física. Tem algo a ver com a sensibilidade mediúnica?

Tem tudo a ver. Vivemos mergulhados num oceano de vibrações mentais, emitidas por Espíritos encarnados e desencarnados. Assim como podemos ser contaminados por vírus e bactérias, também sofremos contaminações espirituais que geram alterações em nossos estados de ânimo.


18 – Isso explica por que as pessoas tendem a ficar deprimidas num velório e felizes num casamento?

Sem dúvida. O ambiente e as situações exercem grande influência. Lembro-me da morte de Aírton Senna. Provocou imensa comoção popular, até naqueles que não acompanhavam suas proezas no automobilismo. A emoção se expande e pode envolver multidões.


19 – Explica, também, as atrocidades cometidas por soldados, numa guerra?

A guerra produz lamentáveis epidemias de maldade, em face de nossa inferioridade. A crueldade tem livre acesso em corações ainda dominados pelos impulsos instintivos da animalidade. Propaga-se com a rapidez de um rastilho de pólvora.


20 – No lar parece acontecer algo semelhante, quando as pessoas perdem o controle e se agridem com gritos e palavrões, descendo não raro à agressão física…


Em nenhum outro lugar demonstramos com maior propriedade nossa inferioridade. No lar rompe-se o verniz social. As pessoas mostram o que são. Como não há santos na Terra, conturba-se o ambiente, favorecendo contaminações de agressividade, que envolvem os membros da casa.


21 – Como evitar isso?

É preciso desenvolver e fortalecer defesas espirituais, elevando nosso padrão vibratório, sintonizando numa frequência que nos coloque acima das perturbações do ambiente.


22 – Como funciona essa questão da sintonia?

Tomemos, por exemplo, as ondas hertzianas, nas transmissões radiofônicas. Elas se expandem dentro de frequência específica. Para ouvir determinada emissora giramos o dial e a sintonizamos. Nossa mente é um poderoso emissor e receptor de vibrações e tendemos a sintonizar com multidões que se afinam mentalmente conosco.


23 – Que providências devemos tomar para uma sintonia saudável?

Consideremos, em princípio, que ela é determinada pela natureza de nossos pensamentos. Lembrando o velho ditado “diz-me com quem andas e te direi quem és “, podemos afirmar “diz-me a natureza de teus pensamentos e te direi que influências irás assimilar”.


24 – Isso significa que equilíbrio e desequilíbrio, paz ou inquietação, alegria ou tristeza, agressividade ou mansuetude, dependem, essencialmente, de nós?

Exatamente. Embora nossos problemas físicos e psíquicos possam ser amplificados por influências ambientes, a origem deles está em nossa maneira de pensar e agir. Se quisermos o Bem em nossa vida, é fundamental que pensemos e realizemos o Bem.


25 – Que livros você indicaria para um iniciante?

É preciso levar em consideração a cultura e a familiaridade da pessoa com a literatura. Se for alguém habituado, com facilidade de concentração, deve ler, inicialmente, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Nessas três obras de Allan Kardec, temos, na mesma ordem, o tríplice aspecto do Espiritismo: Filosofia, Ciência e Religião, estes nasceram não para a Religião Espiritismo e sim para todos que creem na existência dos espíritos, mas para aceitação inicial da espiritualidade e conhecimento especifico dentro da Umbanda, cabe ao iniciante conhecer Tambores de Angola, Aruanda de Robson Pinheiros, nos dá uma noção da Umbanda no Astral Superior, não esquecendo de forma alguma informar ao seu Pai ou Mãe no Santo, sobre seus estudos, pois este estará disposto a lhe responder futuras dúvidas a respeito de seu estudo, infelizmente a Umbanda ainda não existe um livro que possamos pegá-lo como base de estudo para todos, pois a verdade dos Terreiros de Umbanda é que cada Casa atribui sua Doutrina e esta deve ser respeitada pelo iniciante, damos sempre como base a Doutrina Espírita, pois a mesma nasceu para ensinar a todos sobre a Espiritualidade.


26 – O que é o animismo?

Na prática mediúnica é algo da alma do próprio médium, interferindo no intercâmbio. Kardec empregou o termo sonambulismo, explicando, em Obras Póstumas, quando trata da manifestação dos Espíritos, item 46: O sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito; sua própria alma é que, em momentos de emancipação, vê, ouve e percebe além dos limites dos sentidos. O que ele exprime, aure-o de si mesmo…


27 – O animismo está sempre presente nas manifestações?

O médium não é um telefone. Ele capta o fluxo mental da entidade e o transmite, utilizando-se de seus próprios recursos. Sempre haverá algo dele mesmo, principalmente se for iniciante, com dificuldade para distinguir entre o que é seu e o que vem do Espírito.


28 – Existe um percentual envolvendo o animismo na comunicação? Digamos, algo como quarenta por cento do médium e sessenta por cento do Espírito?

Se o animismo faz parte do processo mediúnico, sempre haverá um porcentual a ser considerado, não fixo, mas variável, envolvendo o grau de desenvolvimento do médium. Geralmente os iniciantes colocam mais de si mesmos na comunicação. Quando experientes, tendem a interferir menos.


29 – Pode ocorrer uma manifestação essencialmente anímica, sem que o próprio médium perceba?

É comum acontecer, quando está sob tensão nervosa, em dificuldade para lidar com determinados problemas de ordem particular. As emoções tendem a interferir e ele acaba transmitindo algo de suas próprias angústias, em suposta manifestação.


30 – Seria uma mistificação?

Não, porque não há intencionalidade. O médium não está tentando enganar ninguém. É vítima de seus próprios desajustes e nem mesmo tem consciência do que está acontecendo.


31 – E o que deve fazer o Pai/Mãe no Santo quando percebe que um Filho no Santo está entrando nessa faixa?

É preciso cuidado. O Pai/Mãe no Santo menos avisado pode enxergar animismo onde não existe. Se a experiência lhe disser que realmente está acontecendo, deve conversar com o médium, em particular, saber de seus problemas e encaminhá-lo às giras de desenvolvimento e ou tratamento espiritual. Toda a atenção dos Pais/Mães no Santo devem ser direcionada a este Filho e estar atento a esta mediunidade, é comum percebermos que pela ignorância (do saber) é mais fácil deixá-lo de lado, ou ainda excluí-lo do corpo mediúnico, muitas das vezes estes são execrados dos Terreiros, não por ser um animista e sim pelo desconhecimento do Pai/Mãe no Santo sobre o assunto. Se persistir o problema, o médium deve ser orientado a participar das giras como suporte, auxiliando nos trabalhos.


32 – Quando é que o Pai/Mãe no Santo deve preocupar-se com o animismo?

Quando ocorre a manifestação de um espírito que se diz orientador. É preciso passar o que diz pelo crivo da razão, distinguindo não apenas um possível animismo, mas, também, uma mistificação do Espírito comunicante.


33 – O médium que se sinta enfermo deve resguardar-se, deixando de comparecer à gira?

Depende do tipo de problema que esteja enfrentando. Se fortemente gripado, febril, é conveniente que se ausente, resguardando também os irmãos, que podem contrair seu mal. Mas há sintomas físicos e psíquicos que apenas revelam a proximidade de Espírito sofredor, não raro trazido pelos mentores espirituais para um contato inicial, a favorecer a manifestação.


34 – Nesse caso, mesmo não se sentindo bem, o médium deve comparecer?

Sim, porque o que está sentindo é parte de seu trabalho, exprimindo as angústias e sensações do Espírito, relacionadas com a doença ou os problemas que enfrentou na vida física.


35 – Isso significa que uma dor na perna, por exemplo, pode ter origem espiritual?

É comum. Acontece principalmente com o médium que tem sensibilidade mais dilatada. Ao transmitir a manifestação de um Espírito que desencarnou por problema circulatório, cuja perna gangrenou, tenderá a sentir dor semelhante, não raro antes da reunião, devido à aproximação da entidade.


36 – Ocorre o mesmo em relação às emoções?

É frequente. Sintonizado com o Espírito, o médium capta o que vai em seu íntimo. Se a entidade sente-se atormentada, aflita, tensa, nervosa ou angustiada, experimentará algo dessas emoções.


37 – E se o médium, imaginando que esses sintomas físicos e emocionais estão relacionados com seus próprios problemas, decide não comparecer à reunião?

Se alguém nos confia um doente para levá-lo ao hospital, e decidimos instalá-lo em nossa casa, assumiremos o ônus de cuidar dele. Certamente nos dará muito trabalho, principalmente se for um doente mental.


38 – É possível que essa ligação com entidades perturbadas ocorra independentemente da iniciativa dos mentores espirituais?

É o que mais acontece. Vivemos rodeados por Espíritos destrambelhados, sem nenhuma noção da vida espiritual, que se agarram aos homens, como náufragos numa tábua de salvação. Nem é necessário ter mediunidade ostensiva. Todos estamos sujeitos a sofrer essa influência.


39 – Digamos que o médium receba influência dessa natureza na segunda-feira e só comparecerá ao Terreiro no sábado. Sofrerá durante a semana toda?

Com a experiência e a dedicação ao estudo ele aprenderá a lidar com esse problema, cultivando a oração e dialogando intimamente com a entidade que, com o concurso de mentores espirituais, será amparada.


40 – Devemos informar a esse respeito pessoas que procuram o Terreiro, perturbadas por tais aproximações?

É preciso cuidado. Pessoas suscetíveis, que guardam ideias equivocadas, relacionadas com influências demoníacas, podem apavorar-se. Nunca mais porão os pés no Terreiro.



Fonte: Mediunidade – Tudo O Que Você Precisa Saber - Richard Simonetti

Adaptações: Alex de Oxóssi
 




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27 de setembro de 2013

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Saudações aos Orixás e Entidades

Saudações aos Orixás e Entidades

Oxalá

- Epa epa Babá! (yorubá)
Epa epa(exclamação de surpresa, grande admiração pela honrosa presença); Babá (pai)

Omulu/Obaluaie
- Atoto! (yorubá)
Atoto (Silêncio) – Silêncio! Ele está entre nós!

Oxossi
- Okê arô! (yorubá)
Okê (monte); arô (título honroso dado aos caçadores) – Salve o grande Caçador!

Oxum
- Ora iê iê ô ! (yorubá)
Salve a Senhora da bondade!

Ogum
- Patakori Ogun! (yorubá) ou ainda, Ogunhê! (brado que representa o força de Ogun) pàtàki (principal); ori (cabeça) – Muita honra em ter o mais importante dignitário do Ser Supremo em minha cabeça!

Yemanjá
- Odô-fe-iaba! (yorubá) ou ainda, Odô iá!
Odô (rio); fe (amada); iyàagba (senhora) – Amada Senhora do Rio (das águas)!

Xangô
- Kawô Kabiecile! (yorubá)
Ká (permita-nos); wô (olhar para); Ka biyê si (Sua Alteza Real); le (complemento de cumprimento a um chefe) – Permita-nos olhar para Vossa Alteza Real!

Iansã
- Eparrê Oiá! (yorubá)
Eparrê (saudação a um dos raios do Orixá da decisão); Oyá (nome por que é conhecida Iansã) – Saudação aos majestosos ventos de Oyá!

Ibeji
- Oni Beijada! (yorubá) ou ainda, Beji, Beijada!
Ele é dois!

Nanã
- Saluba Nanã! (yorubá)
Salve a Senhora Mãe de todas as Mães

Ossaim
- Euê-ô! Euê-ô! Euê-ô! (yorubá)
Ewe (folhas); O (sufixo para cumprimentos (salve) – “Salve as folhas!” ,ou melhor “Salve o Senhor das folhas!”

Preto Velho
- Adorei as Almas!

Caboclo
- Okê, Caboclo!
“Salve o Grande Caboclo”

Boiadeiro
- Xetro marrumbaxetro! Xetruá!
Significação desconhecida. Figuração onomatopéica.

Exu
- Laroyê exu! (yorubá) ou ainda, Exu é mojubá!
“Saudação amiga a Exu” ; móju (viver à noite) bá (armar emboscada) - “Exu gosta de viver a noite, sempre capaz de armar emboscadas”.

Crianças
- Oni, beijada!
“Ele é dois!” , saudação igual a dos orixás Ibeji.

Ciganos
- Arriba!

Malandros
- Salve a Malandragem ! ou ainda, Acosta! Malandro!

Estudo Religioso



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26 de setembro de 2013

Erês

Salve as Crianças! Salve os Erês!

Salve Cosme e Damião!

Salve Oni beijada! 



Ibeijada, Yori, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil.Quando chegam no terreiro transformam o ambiente em pura alegria.


YORI: um dos raros termos sagrados que se manteve sem nenhuma alteração. Esse termo, assim como Yorimá, era de pleno conhecimento da pura Raça Vermelha, só se apagando do mental do Ser humano após a catástrofe da Atlântida. Ele ressurgiu através do Movimento Umbandista, em sua mais alta pureza e expressão. Traduzindo este vocábulo através do alfabeto Adâmico, temos: A Potência Divina Manifestando-se; A Potência dos Puros.

BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJIS

IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; os santos Cosme e Damião; o Orixá africano IBEJI e a falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: Vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou Entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.

Essa linha é regida por Pai Oxumarê e possuem esse poder de renovação e incrivel capacidade de alegrar todos ao redor, o Amor é a própria energia manipulada pelas crianças.São espiritos naturais, que jamais passaram pelo processo de encarnação, encantados da natureza, seres de imensa luz e sabedoria, que utilizam da roupagem infantil para nos trazer sabedoria através de um sorriso.

No decorrer das consultas vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles. Por apresentarem aspecto infantil podem não ser levadas muito a sério, porém o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos. O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem. Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos. Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e ainda gozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê é assim. Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô. 

Normalmente tem os nomes relacionados normalmente a nomes comums, normalmente brasileiros. Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc...Comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas.
Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc... Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência. 

A festa de Cosme e Damião, santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os terreiros do pais. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe. 


Velas: Cor-de-rosa, azul claro, brancas.
Flores: Rosas brancas e cor de rosa, flores do campo
Frutas: Uva, pêssego, goiaba, maçã, morango, cerejas, ameixas.
Comidas: Doces, Frutas, Arroz Doce, Cocadas, Balas, Bolo
Bebidas: Guarané, Suco de frutas
Portais de Cura: Flores, quartzo rosa e aul, mel, velas brancas,rosas e azuis.

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Prece aos Orixás


Que a tenacidade de Ogum nos inspire a viver com determinação, sem que nos intimide com pedras, espinhos e trevas. Sua espada e sua lança desobstruam nosso caminho e seu escudo nos defenda. Ogum yê meu pai!

Que o labor de Oxóssi nos estimule a conquistar sucesso e fartura à custa de nosso próprio esforço. Que suas flechas caiam à nossa frente, às nossas costas, à nossa direita e à nossa esquerda, cercando-nos para que nenhum mal nos atinja. Okê arô ode!

Que as folhas de Ossanhe forneçam o bálsamo revitalizante que restaure nossas energias, mantendo nossa mente sã e corpo são. Ewe ossanhe.

Que Oxum nos dêem a serenidade para agir de forma consciente e equilibrada. Tal como suas águas doces – que seguem desbravadoras no curso de um rio, entrecortando pedras e se precipitando numa cachoeira, sem parar nem ter como voltar atrás, apenas seguindo para encontrar o mar – assim seja que nós possamos lutar por um objetivo sem arrependimentos. Ora yeyêo Oxum!

Que o arco-íris de Oxumaré transporte para o infinito nossas orações, sonhos e anseios, e que nos traga as respostas divinas, de acordo com nossos merecimento. Arrobobo Oxumaré!

Que os raios de Iansã alumiem nosso caminho e o turbilhão de seus ventos leve para longe aqueles que de nós se aproximam com o intuito de se aproveitarem de nossos fraquezas. Êpa hey oyá!

Que as pedreiras de Xangô sejam a consolidação da lei divina em nosso coração. Seu machado pese sobre nossas cabeças agindo na consciência e sua balança nos incuta o bom senso. Caô! Caô cabecilê!

Que as ondas de Iemanjá nos descarreguem, levando para as profundezas do mar sagrado as aflições do dia-a-dia, dando-nos a oportunidade de sepultar definitivamente aquilo que nos causa dor e que seu seio materno nos acolha e nos console. Odoyá Iemanjá!

Que as cabaças de Obaluaiê tragam não só a cura de nossas mazelas corporais, como também ajudem nosso espírito a se despojar das vicissitudes. Atotô Obaluaiê!

Que a sabedoria de Nanã nos dêem uma outra perspectiva de vida, mostrando que cada nova existência que temos, seja aqui na terra ou em outros mundos, gera a bagagem que nos dá meios para atingir a evolução, e não uma forma de punição sem fim como julgam os insensatos. Saluba Nanã!

Que a vitalidade dos Ibeijis nos estimule a enfrentar os dissabores como aprendizado; que nós não percamos a pureza mesmo que, ao nosso redor, a tentação nos envolva. Que a inocência não signifique fraqueza, mas sim refinamento moral! Oni di beijada!

Que a paz de Oxalá renove nossas esperanças de que, depois de erros e acertos; tristezas e alegrias; derrotas e vitórias; chegaremos ao nosso objetivo mais nobre; aos pés de Zambi maior! Êpa babá Oxalá!

Que assim seja!


Autoria desconhecida



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24 de setembro de 2013

Magia de Pemba na Umbanda


Na Umbanda, fora a parte doutrinária usada pelos Guias para orientar as pessoas durante os passes, tudo mais é magia, feita de uma forma que criou todo um ritual de passe. Dentro deste ritual de passe, são usados vários recursos mágicos através dos elementos manipulados pelos Guias. Entre estes elementos, temos os líquidos, como a água, ervas maceradas na água e algumas bebidas, sendo que, o que sabemos sobre o que os Guias fazem com esses elementos ainda é muito pouco, mas o que importa para nós é que funcionam, realizando poderosas descargas energéticas nas pessoas necessitadas.

Também temos o uso de cigarros, charutos, cachimbos e até defumadores, que são usados pelos Guias para purificação, tanto de ambientes quanto de pessoas, porque as essências liberadas por eles nas suas queimas são dissolvedoras de condensações energéticas negativas e são diluidoras e dissipadoras de larvas astrais, miasmas, cordões energéticos, formas e pensamentos plasmados e vibrações de ódio, mágoas, de ressentimentos, de inveja, etc, que se condensam ao redor do campo áurico da pessoa.

Vemos também os Guias usarem algumas ervas com propriedades medicinais ou mágicas e usarem colares feitos de coquinhos, olhos de boi, olhos de cabra, ossos e dentes de animais ou feitos de cristais, porcelana ou de algum minério. Também os vemos usarem fitas, linhas, cordões, toalhas, faixas coloridas, sempre com o propósito de auxiliarem as pessoas, porque todos esses elementos acima citados e muitos outros não citados são condensadores de vibrações divinas, que, após se elementarizarem neles, conseguem realizar pelas pessoas um trabalho que só as vibrações divinas, elevadíssimas, não conseguem realizar, porque as pessoas se encontram negativadas e não conseguem internalizar essas vibrações divinas, justamente porque seus magnetismos mentais, que também se encontram negativados, as repelem.

Os Guias também usam velas e pembas, sendo que eles cruzam as velas e as acendem para que realizem trabalhos purificadores no benefício dos consulentes, ou então as cruzam e dão para eles levarem para casa e acendê-las dentro delas para que lá seja realizado todo um trabalho de limpeza e purificação de cargas negativas acumuladas dentro do ambiente doméstico. Também usam as pembas para riscar no solo seus pontos de trabalho, para cruzar os consulentes, cruzar imagens ou outros objetos trazidos pelos consulentes.

A Magia da Pemba usada na Umbanda está fundamentada no mistério das vibrações divinas irradiadas continuamente para toda a Criação pelos Orixás, sendo que cada uma das vibrações emitidas por Eles traz em si um poder de realização que faz acontecer todo um trabalho, após ser riscada de forma simbólica pelos Guias. Isso porque cada vibração emitida por um Orixá realiza uma função e um trabalho específico e o conjunto das vibrações de um único Orixá constitui a sua Magia de Pemba específica.

Sabendo disso, e se particularizarmos a simbologia mágica usada pelos Guias, então veremos que existe uma Magia de Pemba para Ogum, outra para Xangô, outra para Oxalá e assim por diante. Mas, devido ao fato de não conhecermos todas as vibrações de um Orixá, então não temos condições de trazer para o plano material todo o conjunto de todos os seus símbolos mágicos, criando assim um formulário simbólico especifico só dele.

Esse conhecimento existe nos níveis mais elevados da Criação, mas ainda não está aberto para nós aqui na Terra, o que nos limita apenas a um determinado número de vibrações, de símbolos e signos formados por elas e, mesmo assim, sem a indicação de suas funções e dos trabalhos que realizam após serem riscados pelos Guias, fato este que não concede a nenhum umbandista a distinção de profundo conhecedor da Magia riscada de Umbanda, até porque ela transcende nossa capacidade intelectual.

O que temos são algumas informações e que já são suficientes para que, mesmo não sabendo todos os trabalhos que estão sendo realizados por determinado ponto riscado, no entanto saibamos que está trabalhando positivamente. E isso acontece exatamente porque, desde o momento em que o Guia risca
em seu ponto um determinado símbolo ou um signo, o mesmo pertence a uma determinada onda vibratória, que o ativa imediatamente e se forma um campo de trabalho que realizará as ações por si só, sem precisar de mais nada além do direcionamento dado a ele pelo próprio Guia.

OBSERVAÇÃO

Um Orixá realiza simultaneamente milhares de funções na Criação, sendo que cada uma destas funções é irradiada de uma forma e cria telas vibratórias do tamanho da Criação divina, que é infinita. O conjunto de vibrações de um Orixá, com funções bem definidas, forma o que é denominado “o axé ele”, porque esse conjunto de vibrações tanto conduz o poder de realização de um Orixá, quanto transporta a energia original e única emanada por Olorum, mas em “comprimentos de onda específicos”. A mesma energia em um comprimento de onda é classificada como aquática, já em outro comprimento e onda ela é classificada como ígnea, em outro como eólica, em outra é classificada como vegetal, e assim por diante.

Devemos lembrar sempre que, em Olorum, só existe uma única energia, mas que, dependendo dos comprimentos das ondas através das quais ela é irradiada pelos Orixás, a mesma energia original assume funções diferentes e, quando os signos ou símbolos são riscados, eles as trazem para o lado material da Criação, as elementarizam, tanto no pó mineral utilizado na fabricação das pembas, quanto nas chamas das velas e nos demais elementos colocados dentro do ponto riscado, dando à energia original e única emitida por Olorum novas formas de atuação em benefício das pessoas necessitadas.

A energia original e única emitida por Olorum é captada pelos mentais dos Orixás e, a partir deles, ela é irradiada em todos os comprimentos de ondas existentes, que são tantos, que até hoje nem nos planos espirituais mais elevados foi possível identificar e classificar todas as vibrações mentais emitidas por um único Orixá. Então, agora, sabendo que o AXÉ de um Orixá é formado pelo conjunto de funções exercidas simultaneamente por Ele e que essas funções são realizadas na Criação através de suas vibrações mentais e que através delas flui continuamente a energia original, viva e divina emitida por Olorum, que, devido os comprimentos de ondas serem diferentes e a mesma energia realizar trabalhos diferentes, então a Magia da Pemba usada pelos Guias está fundamentada nos Orixás, que são seus irradiadores para toda a Criação e para tudo e todos que nela vivem e evoluem.

Portanto, o ponto riscado de Umbanda vibra em acordo com Olorum, com os Orixás e com toda a Criação, tornando-o um ponto de forças extremamente realizador, controlado e direcionado pelos Guias que o riscam. Justamente por isso, o ponto riscado por um Guia deve ser olhado com respeito, porque através dos símbolos e signos inscritos nele está fluindo o poder de Olorum irradiado através dos Orixás, que, por meio deles, têm uma forma de auxiliar as pessoas e até os espíritos necessitados de auxílio que chegarem diante do Guia que o riscou.

Então que fique claro e entendido para todos que o poder divino chega até nós através de muitos meios, e os Guias de Umbanda, por conhecerem vários desses meios, se servem dos mais fáceis de serem utilizados, e que, entre eles, se encontra a Magia do Ponto Riscado de Umbanda.

Rubens Saraceni



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22 de setembro de 2013

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Um Pouco da História das Religiões - Pesquisado por Ednay Melo


 história das religiões


O culto às forças da natureza, que na atualidade define parcialmente os Orixás, característica básica das religiões afro-brasileiras, não surgiu na África e sim na civilização árias, que se instalou no Vale do Rio Ganges na Índia, entre 2000 a.C. e 1500 a.C. Esta civilização cultuava as tempestades, ventos, etc e os deuses que as representavam. Para agradar os deuses, faziam oferendas de ouro ou de bebidas e sacrificavam animais.

A lei da reencarnação e do carma, não foi anunciada com o surgimento da Doutrina Espírita, mas sim no período védico, com o surgimento do bramanismo, religião predominante na Índia desde meados do segundo milênio a. C. até o início da Era Cristã. Por volta do século VII a.C., o bramanismo incorporou a ideia da existência de um deus total que abrangia todo o universo e estava acima dos outros deuses; e a reencarnação, que justificava o sistema de castas.

Segundo a teoria brâmane da reencarnação, com a morte, a alma renascia em outro corpo. O ciclo de morte e renascimento repetia-se até a alma se purificar e se libertar do corpo, alcançando a vida eterna. Se a alma iria renascer em outra pessoa, em um animal, vegetal ou mineral, assim como quantas vezes seria necessário repetir o ciclo eram fatos determinados pelo carma.

O hinduísmo é visto como uma fase do bramanismo, que começou a se desenvolver por volta do século V a.C. e abrange uma grande variedade de credos e práticas. É uma religião politeísta, cujas principais divindades são: Brahma, o criador; Vishnu, o conservador; e Shiva, o destruidor e transformador. O deus mais popular é o Ganesha, o deus da cabeça de elefante, que ajuda a superar todos os obstáculos. O hinduísmo é hoje a terceira maior religião do mundo em número de seguidores, atrás do cristianismo e do islamismo.

No século VI a.C., antes do florescimento do hinduísmo, surgiu na Índia outra doutrina: o budismo, que foi formulada por Sidarta Gautama, chamado de Buda, que quer dizer "o Iluminado". Segundo os ensinamentos de Buda, a origem do sofrimento do ser humano são os desejos, porque eles nunca podem ser totalmente satisfeitos. Por isso, só as pessoas que conseguirem levar uma vida simples e humilde, livre dos desejos, podem atingir a iluminação, ou nirvana, que é o estado de paz e felicidade plena.


Ednay Melo

Fonte de Pesquisa: História das cavernas ao terceiro milênio - Autores: Patrícia Ramos e Myriam Becho.



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19 de setembro de 2013

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Salve a Jurema Sagrada


jurema sagrada


O culto da Jurema na Paraíba



Marinaldo José da Silva e Maria Ignez Novais Ayala
- Universidade Federal da Paraíba



Seu Zé de Nana meu nêgo
Você não é camarada
No meio de tanta moça
Roubou minha namorada
O que é que eu faço da vida
Par Paraíba eu não vou
A namorada que eu tinha
Seu Zé de Nana roubou



“Salve a Jurema Sagrada, salve eu, salve vói, salve minha tronqueira e salve minha cachaça, salve meu cachimbo e salve minhas encruza! E quem pode mais do que Deus? Só Deus e mais ninguém, né nêgo? Agora me daí meu chapéu, meu cachimbo e minha cachaça par eu molhar a guela e dançar aquele coco com uma nêga bem boa!”




O pau pendeu não caiu
Zé de Nana chegou
E ninguém viu


É característico dos Mestres juremeiros quando chegam em terra saudarem a Jurema Sagrada, a sua tronqueira1, e tudo que a eles pertence e a Deus. E pedem para cantar o seu ponto, que pode ser um coco ou não.

No universo da literatura oral, a própria criação se nutre da imaginação que se ancora na realidade daqueles que fazem da cultura popular uma circundante poética onde transitam mitos, narrativas, religiões e vários costumes afro-brasileiros. São evidentes as marcas da diáspora negra nessas variações populares, cabendo à Jurema e ao coco, elementos de estudo deste trabalho, a contemplação do afro-brasileiro-mágico-religioso, considerados fazedores de cultura. É no sentido de “trânsito” entre as atividades diversas pertencentes ao mundo da oralidade que nos propusemos a mostrar os vários pontos em comum da Jurema Sagrada e do coco de roda.

O caráter religioso desta dança tem despertado nossa atenção, levando-nos, inicialmente, a reunir os cocos que se referem a santos católicos e às práticas do catolicismo popular. Recentemente, em meio a uma das religiões brasileiras, que tem muitos adeptos na Paraíba – a Jurema Sagrada ” encontramos vários cocos, que aparecem como pontos de gira. A Jurema Sagrada é um dos vários cultos com fortes marcas indígenas que se mesclam com traços do catolicismo popular, do espiritismo e das religiões negras do Brasil ” candomblé e Umbanda.

Difícil dizer hoje a origem ou o que predomina nesse culto afro-brasileiro, fundamentado em ervas, raízes e casacas de árvore usadas com função mágica para acura ou para afastar males e recuperar as energias dos fiéis e de todos aqueles que procuram o auxílio dos Mestres juremeiros. Muitas vezes essas ervas são utilizadas em forma de fumo, que serve para a defumação da casa, e de amaci, fusão de ervas que serve para o batismo do iniciado na Jurema, além da semente e do vinho extraído da árvore sagrada num sentido mágico-religioso.

Nos estudos que compõem a bibliografia sobre as religiões afro-brasileiras, são muitos os títulos dedicados ao candomblé, ao catimbó, ao xangô e à Umbanda; aparecem referências à Jurema como uma linha da Umbanda. O culto da Jurema era elemento principal do catimbó, conforme os estudos de Câmara Cascudo, Roger Bastide e Oneyda Alvarenga. Essa última publicou em 1949 Catimbó, a partir da bibliografia então existente e da farta documentação reunida em 1938, pela Missão de Pesquisas Folclóricas, da Discoteca Municipal de São Paulo, por meio da pesquisa de campo no Nordeste.

Na década de 30 houve grande perseguição policial aos catimbós e aos catimbozeiros, com prisões, fechamento, destruição das casas e apreensão de objetos utilizados no culto. Até hoje, os termos catimbó e catimbozeiro têm conotação pejorativa no Nordeste, comportando forte carga de preconceito.

Na Paraíba, atualmente, o culto da Jurema se encontra ajustado à Umbanda. Nas casas por nós visitadas, as cerimônias ocorrem no mesmo salão em que são desenvolvidos os cultos aos orixás da Umbanda, diferindo apenas os pejis e as camarinhas, ou em espaço contíguo, dedicado exclusivamente à Jurema.
Como linha da Umbanda ou como culto independente que se abriga no mesmo teto, mas que reconhece Alhandra como a cidade da Paraíba tida como local de onde se irradiou o ritual religioso, a Jurema tem muitos adeptos que ressaltam os poderes de cura dos Mestres juremeiros.

Além da cidade de Alhandra, existe a “cidade encantada de Tambaba”, local de muitos mistérios dos senhores Mestres encantados. Citando René Vandezande:


“A tradição diz unanimemente que no alto da praia de Tambaba houve uma Cidade da Jurema de igual nome, anos passados: porém, esta cidade foi “devorada” pelo mar, e de lá teria origem o culto que ainda hoje os juremeiros prestam ocasionalmente nesta praia. Una juremeiros que foram lá em nossa companhia demonstraram o máximo respeito para o lugar. Diversas vezes fomos a essa praia solitária, encontrando, cada vez, objetos de culto e velas. O barulho que as ondas produzem nas rochas de formas fantásticas é interpretado como a voz dos Mestres.”2

E hoje Tambaba é uma praia de nudismo muito visitada pelos turistas.
Mestres são as entidades principais desse culto que aparecem nas sessões semanais das casas destinadas à Jurema e nas festas periódicas dedicadas a eles. São Exus, índios, caboclos, reis de iorubá, caboquinhas de pena, boiadeiros, baianas, pretos velhos, marinheiros, pescadores e também ciganas, Pomba-gira, Zé Pelintra, Maria Padilha e toda sua companhia. E como se não bastasse, a Cumade Fulozinha e a figura do cangaceiro, Também personagens das narrativas e contos populares, transitando na Jurema Sagrada. Segundo a fala de um dos depoentes umbandistas: “Cumade Fulozinha é uma identidade muito perigosa: ela tanto trabalha pro bem, como trabalha pro mal.”

Todos animadíssimos com seus pontos cantados e com o som dos elus, gaitas e maracás, a cachaça, o vinho da Jurema e a fumaça dos cachimbos de Jurema ou de angico, de um ou de sete canudos de fumaça (e em raros casos de charutos), constantemente fumados ao contrário, com o lado da brasa dentro da boca.

A Jurema tem vários tipos de ritual: Jurema de chão, Jurema traçada, Jurema de meia-noite armada.

A Jurema de chão é um ritual em que os juremeiros ficam sentados no chão em frente ao gongá (altar de Jurema) com imagens de Mestres , índios, pretos-velhos, caboclos e até mesmo Padre Cícero. A tronqueira do mestre da casa com um cachimbo de sete-fumaças, uma cumbuca com fumo de várias ervas: alecrim do campo, liamba, erva-doce, fumo-de-rolo, abre-caminho; e muitos cachimbos. Invocam as entidades para darem passes e fazerem consultas. Nessa sessão também são invocadas, sem obedecer a uma seqüência, todas as entidades ao mesmo tempo e pode Ter batuque dos elus (tambores) ou não. Há ponto cantado. 

A Jurema de meia-noite armada ocorre realmente à meia-noite, também no chão; é arriada no centro do terreiro a tronqueira do mestre da casa, que é responsável pela sessão; jarros com ervas da Jurema (pinhão roxo, comigo-ninguém-pode, pé da felicidade, aroeira), sete qualidades de cachaça, champanha, vinho tinto, vinho branco, cerveja, mel, uma garrafada de Jurema “preparada”, um cruzeiro de velas brancas, alguidares com frutas, três alguidares com fumos preparados (fumo de queda, fumo de descarrego e fumo de levanta), cachimbos cruzados, charutos e cigarros, palitos de fósforo cruzados, velas coloridas cruzadas e uma garrafa de plástico com Jurema para passar no corpo como descarrego.
Nessa Jurema não há elu, pois é apenas cantada para a realização de “trabalhos” em hora grande, horário especial dos Mestres fazerem as coisas funcionarem melhor, com mais força, pois só com o canto e a concentração no silêncio da madrugada fazem render resultados positivos, trabalhando com o que eles mais gostam: cachaça, cachimbo e os cocos ” daqui e de lá do outro mundo.



Mas eu pisei na rama
A rama estremeceu
Não beba dessa água, oi morena
Quem bebeu morreu
Esse coco é meu
É da Paraíba
É de Catolé
É de macaíba
Meu avião de alumínio
Que voa de norte a sul
Mulher que rapa o cangote
Do céu não vê o azul
Ô Lili, minha Lili
A mulher que eu mais amava
Nas tranças dos seus cabelos
Aonde eu me balançava


Ganham sentido de pontos cantados, louvações e orações. Cocos que remetem a vários sentidos além do “sagrado” e da “brincadeira”, que se fundem independentemente de temas específicos para prenunciar a alegria e a força do trabalho na Jurema encantada.
Nos próprios pontos cantados de Jurema, podemos perceber vários elementos informativos do culto, encontrados em uma das Juremas da Torre:


Era uma mesa branca
Toda enfeitada de flores
E hoje é uma tenda de Jurema
De paz, de luz e de amor
(…)3

Zum, zum, zum ô Jurema
Vamo trabalhar ô Jurema
Desmanchar macumba ô Jurema
Catimbó e azar ô Jurema4

Jurema minha Jurema
Meu tesouro rico
E olha o tombo da Jurema
Que ela vale ouro
(…)5

A Jurema é minha madrinha
Jesus é o meu protetor
A Jurema é pau sagrado
Deu sombra a Nosso Senhor6




NA PANCADA DOS COCOS

Os instrumentos da Jurema são basicamente os mesmos da brincadeira do coco. Os instrumentos utilizados são todos de percussão. Na brincadeira é usado um zabumba e na Jurema um elu, tocado pelo ogã. Ambos são cobertos por um couro de bode, existindo uma pequena diferença no zabumba, que é coberto por dois couros: um couro de bode e outro de “boda”.
Nos rituais de Jurema, o mestre aceita qualquer batida do elu; o mais importante é o coco cantado, que tem força para “seus trabalho”, com sua cachaça e com suas namoradas. Ainda temos o ganzá, que está presente nas duas manifestações, muitas vezes improvisado com uma lata vazia, com pedrinhas ou sementes dentro. Maracás, espécie de chocalho, com som semelhante ao do ganzá, também fazem parte. O triângulo, instrumento apenas da Jurema tem o formato correspondente ao nome, feito artesanalmente, a partir de restos de ferros utilizados na construção civil, batido com um bastão do mesmo material. Também pode aparecer gaitas feitas de bambu, semelhantes a uma pequena flauta, como asa tocadas pelos participantes das tribos indígenas do carnaval.

Os pontos são acompanhados por palmas e batidas de pés. O espaço para o ritual tanto pode ser fechado (o interior dos terreiros), quanto aberto (a rua, a encruzilhada, o mato).
Os cocos cantados como pontos de Jurema foram encontrados em espaços abertos e fechados, nos diferentes tipos de ritual. Também encontramos o que parece ser ponto de Umbanda ou Jurema, cantado como coco em festas de São João nas ruas do bairro da Torre. Os limites da cultura popular são muito tênues.

No bairro da Torre, em João Pessoa (PB), são encontradas muitas casa de Umbanda e Jurema. O bairro também se caracteriza pela riqueza de manifestações populares, dentre as quais a malhação de Judas em várias ruas, palhoças e quadrilhas, cocos e cirandas, blocos de carnaval, tribos (o nome que se dá na Paraíba à dança conhecida como caboclinhos em Pernambuco), escolas de samba.
Em 1938, integrantes da MPF (Missão de Pesquisas Folclóricas), fizeram diferentes registros da cultuar popular na então Torrelândia: narrativas populares, sessões de catimbó, tribo dos índios africanos, barca.
Em vista desses argumentos mencionados, vimos através das manifestações populares afro-brasileiras, a presença de vários cocos de roda cantados como canto religioso no sentido de trânsito entre atividades diversas pertencentes ao grande universo da literatura oral.


E SALVE A JUREMA SAGRADA!

Marinaldo José da Silva e Maria Ignez Novais Ayala 

NOTAS
1. Parte de um tronco de Jurema aonde fica “assentado” o mestre. Morada do mestre.
2. VANDEZANDE, René. Catimbó. Pesquisa exploratória sobre uma forma de religião mediúnica. Recife: PIMES do IFCH da UFPE, 1975, p.44. Apud CABRAL, Elisa Maria. A Jurema Sagrada. João Pessoa: PPGS-UFPB, 1997, p.23-24.
3. Lembranças da mesa branca do espiritismo
4. Desfeitura de trabalhos pesados
5. Mistérios e encantos da Jurema
6. Sobre a árvore sagrada





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17 de setembro de 2013

O que é Mediunidade?


Mediunidade é a faculdade humana pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos. É uma faculdade natural, inerente a todo ser humano, por isso, não é privilégio de ninguém. Em diferentes graus e tipos, todos a possuímos. O que ocorre é que, em certos indivíduos mais sensíveis à influência espiritual, a mediunidade se apresenta de forma mais ostensiva, enquanto que, em outros, ela se manifesta em níveis mais sutis.

A mediunidade é, pois, a faculdade natural que permite sentir e transmitir a influência dos espíritos, ensejando o intercâmbio e a comunicação entre o mundo físico e o espiritual. Trata-se de uma sintonia entre os encarnados (vivos) e os desencarnados (mortos), permitindo uma percepção de pensamentos, vontades e sentimentos. O Espiritismo vê a mediunidade como uma oportunidade de servir, de praticar a caridade, sendo uma benção de Deus que faculta manter o contato com a vida espiritual. Graças ao intercâmbio, podemos ter aqui não apenas a certeza da sobrevivência da vida após a morte, mas também o equilíbrio para resgatarmos com proficiência os “débitos”, ou seja, desajustes adquiridos em encarnações anteriores.

É graças à mediunidade que o homem tem a antevisão de seu futuro espiritual e, ao mesmo tempo, o relato daqueles que o precederam na viagem de volta à erraticidade, trazendo informes de segurança, diretrizes de equilíbrio e a oportunidade de refazer o caminho pelas lições que absorve do contato mantido com os desencarnados. Assim, possui uma finalidade de alta importância, porque é graças a ela que o homem se conscientiza de suas responsabilidades de espírito imortal.

Sendo inerente ao ser humano, a mediunidade pode aparecer em qualquer pessoa, independentemente da doutrina religiosa que abrace. A história revela grandes médiuns em todas as épocas e todos os credos. Além disso, a mediunidade não depende de lugar, idade, sexo ou condição social e moral.

A ação dos espíritos

Diz a questão 459 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações? A este respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes, são eles que vos dirigem”.

A idéia da ação dos espíritos não nasceu com o Espiritismo, já que sempre existiu desde as épocas mais remotas da vida humana na Terra. Todas as religiões pregam sobre a ação dos espíritos de forma direta ou indireta e nenhuma nega completamente estas intervenções. Inclusive, criaram dogmas e cerimônias relativas a elas, como promessas (pedir alguma forma de ajuda para um espírito em troca de um sacrifício) e exorcismos (cerimônia religiosa para afastar o “demônio” ou os espíritos maus).

A ação mediúnica não está limitada às sessões, vivemos mediunicamente entre dois mundos e em relação permanente com entidades espirituais. Isto se dá porque muitos espíritos povoam os mesmos espaços em que vivemos, muitas vezes nos acompanhando em nossas atividades e ocupações, indo conosco aos lugares que freqüentamos, seguindo-nos ou evitando-nos conforme os atraimos ou repelimos.

Estamos cercados por espíritos e sua influência oculta sobre os nossos pensamentos e atos se faz sentir pelo grau de afinidade que mantivermos com eles. Inúmeros espíritos benfeitores também se comunicam conosco, por via inspirativa ou intuitiva, todas as vezes em que nos dispomos a ser úteis aos nossos irmãos em nossa vida social. Quantas vezes um conselho sensato e oportuno que damos sob a intuição de um benfeitor espiritual consegue mudar o rumo de uma vida e até, em certos casos, salvar ou evitar que uma família inteira seja precipitada no abismo de uma desgraça? O amor verdadeiro e desinteressado não requer lugar nem hora especial para ser praticado, pois o nosso mundo, com o sofrimento da humanidade torturada, é igualmente um vasto campo de serviço redentor.

Entretanto, não julguemos que a mediunidade nos foi concedida para um simples passatempo ou para a satisfação de nossos caprichos. Ela é coisa séria e, possuindo-a, devemos procurar suavizar os sofrimentos alheios. Ao desenvolvermos a mediunidade, lembremo-nos de que ela nos é dada como um arrimo para conseguirmos mais facilmente a perfeição, para liquidarmos mais suavemente os pesados “débitos” que contraímos em existências passadas e para servirmos de guia aos irmãos que se encontram mais desajustados espiritualmente.

Mediunidade em desarmonia

Existem alguns sinais mais freqüentes do aparecimento da mediunidade em desarmonia, que são: cérebro perturbado, sensação de peso na cabeça e ombros, nervosismo (ficamos irritados por motivos sem importância), desassossego, insônia, arrepios (como se percebêssemos passar alguma coisa fria), sensação de cansaço geral, calor (como se encostássemos em algo quente), falta de ânimo para o trabalho e profunda tristeza. Precisamos usar nosso bom senso para percebermos com clareza se os sintomas acima citados são frutos de uma obsessão espiritual, indicando uma mediunidade desequilibrada, ou o resultado de uma auto-obsessão, um desequilíbrio nosso mesmo, gerando neuroses e outros tipos de distúrbios. Muitas vezes, a ajuda de um psicólogo, de preferência espírita ou espiritualista, é necessária.

Mas o que o médium deve fazer nestes momentos de alterações emocionais? Todo iniciante, a fim de evitar inconvenientes na prática mediúnica, primeiramente deve se dedicar ao indispensável estudo prévio da teoria e jamais se considerar dispensado de qualquer instrução, já que poderá ser vítima de mil ciladas que os espíritos mentirosos preparam para lhe explorar a presunção.

Junto com o conhecimento teórico, o médium deve procurar desdobrar a percepção psíquica sem qualquer receio ou temor. Na orientação do desenvolvimento mediúnico, é importante que ele procure as instruções espíritas, para evitar percalços e dissabores. É aconselhável o desenvolvimento mediúnico em grupos especialmente formados para isto, pois pessoas bem orientadas, que se reúnem com uma intenção comum, formam um ambiente coletivo bem favorável ao intercâmbio. É importante também que o médium jamais abuse da mediunidade, empregando-a para a satisfação da curiosidade.

Reforma Íntima – o fundamental

Educar e desenvolver a mediunidade é aprender a usá-la. Para que sejamos bem-sucedidos, devemos cultivar virtudes como a bondade, a paciência, a perseverança, a boa vontade, a humildade e a sinceridade. A mediunidade não se desenvolve de um dia para o outro, por isso, devemos ter muita paciência. Sem perseverança, nada se alcança, pois o desenvolvimento exige que sejamos sempre persistentes. Ter boa vontade é comparecer às sessões espíritas com alegria e muita satisfação. A humildade é a virtude pela qual reconhecemos que tudo vem de Deus e, se faltarmos com a sinceridade no desempenho de nossas funções mediúnicas, mais cedo ou mais tarde sofreremos decepções.

Ensinamentos é que não faltam em todas as circunstâncias de manifestações da vida. A faculdade mediúnica em harmonia pode fazer grandes coisas. A educação pode começar no simples modo de falar aos outros, transmitindo brandura, alegria, amor e caridade em todos os atos da vida.

A mediunidade se desenvolve naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca, o qual nos afeta com suas vibrações psíquicas e afetivas. Da mesma forma que a inteligência e as demais faculdades humanas, a mediunidade se desenvolve no processo de relação.

Quando a mediunidade aflorar sem um preparo prévio do médium, é preciso orientá-lo para que os fenômenos se disciplinem e ele empregue acertadamente sua faculdade. Não se deve colocar em trabalho mediúnico aqueles que apresentam perturbações ou que possuam desconhecimento sobre o assunto. Primeiramente, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar no aspecto psíquico, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários.

É fundamental que o médium busque sua reforma íntima com sinceridade. Através de uma compreensão maior acerca da vida, despertando sentimentos como compaixão, respeito, humildade etc, e da prática da caridade, seremos, com certeza, instrumentos do Amor Universal. O médium também precisa ser amigo do estudo e da boa leitura, além de moderado. Por fim, deve sempre cultivar a oração diária, pois ela é um poderoso fortificante espiritual e um benéfico exercício de higiene mental.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 05.


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16 de setembro de 2013

Candidato ao Mediunato


É muito bonito reconhecer e admirar as qualidades espirituais dos outros: a inteligência, a generosidade, a delicadeza, a nobreza de sentimentos.

Mas, quase sempre, fica uma pontinha de despeito em quem falta uma ou outra, principalmente os talentos intelectuais para a arte, a música, a poesia, a oratória, a liderança.

Minha gente, tudo isto tem um preço. Quem traz hoje estas facilidades pagou o preço do esforço e da dedicação, do empenho, muitas vezes, até do sacrifício. E estes dons estão disponíveis pra todos que resolvam encarar os mesmos desafios.

Não tem milagre, nem mágica, só tem estudo e prática, estudo e prática, estudo e prática.

Quantas pessoas sonham com uma mediunidade frutífera, produtiva. Isto também, teve um preço, pago em seguidas reencarnações, porque só a vida cai do céu e é dada de presente. O tempo dentro da vida é nossa dádiva divina. O resto é conquista, resultado do desenvolvimento de si mesmo nos campos da virtude e do conhecimento.

Da mesma forma, se vocês vivem hoje neste planeta, tiveram as oportunidades que tiveram, estudaram ou não, cada uma destas coisas é merecimento particular de cada um.

Se você tem possibilidade de se abrigar sob um teto, desfrutar de uma série de confortos e praticidades, foram conquistas suadas. Se, graças a Deus, você não está num leito de dor, é porque na justiça de Deus, você não está precisando disto. O que não significa que não venha a precisar... E, se você precisa disto, neste momento, tenha paciência, que não é para sempre.

Se vocês moram num país que não tem vulcão nem terremoto, é merecimento de vocês, o que não significa que vocês não possam merecer estar nestas condições, no futuro, dependendo das suas ações e dos seus pensamentos.

Tudo é muito flexível nas leis divinas, os acontecimentos se moldam de acordo com as suas atitudes. Então, antes de querer ser artista, músico ou orador, visualize a estrada de trabalho e esforço pessoal que conduzem até lá.

Se você deseja uma mediunidade produtiva, comece a usar bem aquilo que já possui, que assim, você se candidata a maior responsabilidade. Não despreze a vereda do estudo, das leituras esclarecedoras. E acima de tudo, não invente faculdades que não existem, apenas siga com boa intenção as inspirações superiores dos Amigos Espirituais, que a sua sinceridade e desejo verdadeiro representam o ponto de partida para que, algum dia, esteja apto a realmente prestar serviços à Humanidade encarnada e desencarnada.

A mediunidade bem dirigida não é uma senda de glórias, mas sim a opção pelo trabalho árduo e nobilitante.

No entanto, seja o que for, nas áreas da cultura ou das potencialidades da alma, só tenha bem claro que nada, nada nos vem de graça, como nada na vida dos sábios e dos santos que hoje reverenciamos apareceu de uma hora pra outra como obra da sorte ou do acaso.

Rita Foelker


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15 de setembro de 2013

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Como Agradar um Orixá


Como Agradar um Orixá


Certa vez, um homem foi se consultar com um Babalawo. Queria saber por que não dava nada certo em sua vida.

Ao receber a mensagem de Ifá, descobriu qual era o problema. O Babalawo lhe disse:

- Meu filho, sua vida não vai pra frente porque você não fez as oferendas que deveria.

Surpreso o homem indagou:

- Fiz oferendas a todos os Orixás. Como posso não ter feito as oferendas que deveria?! Fui à cachoeira, agradei mamãe Oxum com Ipetê. Fui até o mar, a Yemanjá ofertei flores e perfumes. Nos campos, ofereci a Ogum um cará regado com muito dendê. A Yansã, arriei nos pés de um bambuzal nove acarajés. Em um lindo bosque, oferendei um sarapatel à Nanã e na Calunga deixei junto ao cruzeiro um alguidar com pipocas à Obaluayê. Xangô comeu um saboroso amalá que arriei na pedreira e a Oxossi, levei até as matas um banquete com abóbora, milho, côco e muito mais. E ao glorioso pai Oxalá, oferendei, em um lindo jardim, uma saborosa canjica coberta com muito mel. Agora pergunto: - Ainda faltou alguma coisa?!

- Faltou o principal, meu filho!

Quando você foi à cachoeira agradar a Oxum, pediu-lhe amor e lhe deu um Ipetê. Mas não ofertou o amor que ela esperava que tivesse pela sua religião, pelos seus antepassados e pelo seu semelhante.

Nas águas de Yemanjá, você pediu que abençoasse sua família, mas não é só com flores e perfumes que se agrada a rainha do mar. É preciso que trate a todos os seus irmãos com respeito, pois somos todos uma só família.

Nos campos de Ogum, não basta lhe dar um cará. Necessita-se ter a bravura de um guerreiro para suportar os desafios inerentes à vitória almejada.

Os ventos de Yansã, que sacodem o bambuzal, trazem os ares da certeza que põem em ordem os corações duvidosos, levando os eguns desorientados, desde que os acarajés ali arriados sejam regados com o fogo da coragem e do entusiasmo.

Nos bosques sagrados de Nanã, só se consegue adentrar com profundidade quem traz consigo não só o sarapatel, mas a sabedoria, pois sem ela não se pode se livrar do lamaçal da vida causado pela maledicência, geradora da falta de fé.

Na casa do velho Obaluayê, o senhor das passagens, não adianta arriar o deburu (pipoca) se não vivenciar o que isto representa. É necessário mergulhar no fogo da intolerância, deixar a casca dura da vingança e saltar como uma linda flor.

O amalá deixado na pedreira só agrada a Xangô se seu coração não estiver como uma pedra, pois assim não adianta pedir para ele aplicar a justiça sobre seus desafetos, porque você não evoluiu o suficiente para discernir justiça de vingança. Seria melhor ter pedido que o ensinasse a proceder com justiça para com o próximo.

Para Oxossi, não era necessário um banquete. A fartura em sua vida virá quando você repartir com os menos favorecidos aquilo que você tem em abundância, pois quem reparte aquilo que tem, nuca lhe faltará.

Quanto ao bondoso e cristalino pai Oxalá, requer-se muito mais que uma canjica para agradá-lo. Sua oferenda é o seu coração. Não basta que a canjica esteja cândida; seu coração é que deve estar tomado da mais pura brancura.

Você pediu paz, mas não agiu de forma pacífica durante toda a sua vida. E ainda disse que os trabalhos não deram certo.

Ora! Não foram os trabalhos, ebós, sacrifícios e oferendas que fracassaram. Avalie sua vida até os dias de hoje. Coloque um ponto final no modo egoísta de viver. Volte até o recanto dos Orixás e lhes peça todo o axé necessário para que suas mãos possam produzir neste mundo a paz, o amor, a fartura, a justiça, a coragem, a sabedoria e a força geradora das obras do bem. Somente após mudar sua própria maneira de agir, de modo a poder plantar e regar boas sementes, você poderá colher os frutos de um novo amanhecer. Até lá, faça com fé suas oferendas. Os guias espirituais estarão junto de você.

Mas não esqueça que a maior oferenda é o seu coração!

Ronaldo Figueira


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12 de setembro de 2013

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A Comunicação entre os Dois Planos

A Comunicação entre os Dois Planos

Temos recebido de várias pessoas, seguidoras de outras correntes religiosas, e-mails com textos ou mensagens, que apesar de alguns dos autores não admitirem, querem “abrir os nossos olhos” para a verdade, deles é claro. Alguns buscam realçar a questão dos “milagres” como base para sustentar que Deus escolheu a religião deles para os produzir. Isso não seria um privilégio?

Primeiro queremos dizer que não serão os “milagres” que irão nos convencer, já que não acreditamos neles. Acreditamos sim, que eles são na verdade fatos naturais cujas leis ainda desconhecemos, que acontecem desde os tempos primitivos, em todos os lugares a qualquer um. Não existe nenhum privilégio para quem quer que seja, já que “Deus não faz acepção de pessoas”, e principalmente, porque, como está livro Sabedoria (11, 24): “Tu amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que criastes. Se odiasse alguma coisa, não a terias criado”.

Mas queremos realçar um dos pontos fundamentais da Doutrina Espírita, inclusive por ter sido por ele que ela se formou, que é sobre a comunicação com os mortos e que eles possam interferir no mundo dos chamados “vivos”.

O caso que iremos contar agora, não está devidamente relatado como acontecido, pois infelizmente a memória nos trai não retendo tudo aquilo que queremos, mas é um fato real e relatado em reportagens televisivas, há pouco tempo atrás.

Um casal comemorando as bodas de ouro (ou seria de prata?), junto com familiares e amigos estavam numa Igreja participando de uma missa realizada em agradecimento a Deus pelo convívio mútuo dos cônjuges até aquela data, e nos dias de hoje, diga-se de passagem, isso se torna cada vez menos freqüente, já que a separação se tornou uma rotina para muitos casais. Para guardar aquele acontecimento, a belíssima cerimônia foi filmada já que no futuro a lembrança do que ocorreu naquele dia poderia se perder completamente.

Nos dias que se sucederam, todos os familiares se juntaram para assistir o que foi gravado em vídeo-cassete, mas ninguém tinha atentando para um pequeno detalhe. Até que, num determinado dia, um dos que assistiam chamou a atenção de todos para duas pessoas, que bem ao fundo da Igreja, estavam indo de um lado para outro. Conseguiram identificar uma delas. A surpresa foi geral, pois era a imagem de um parente que havia morrido, ou seja, voltou para o mundo espiritual de onde veio, assumindo a sua verdadeira condição de ser espiritual.

Reboliço muito grande, na época. Apareceram em vários canais de TV exibindo a fita, da qual o casal afirmava categoricamente reconhecer, entre aqueles dois que atravessavam de um lado para outro na Igreja, um de seus parentes desencarnado. Num determinado canal de TV, chamaram “especialistas” para opinar sobre o ocorrido, e entre eles estava um padre católico. Esse padre, que se diz especialista em parapsicologia, na verdade um reconhecido antiespírita, disse que tudo se tratava de fruto da imaginação. Que teria sido o inconsciente das pessoas que teriam produzido tal coisa. Desculpe-nos, mas foi bom ver, o casal partindo para cima deste dito padre, que se não fosse contido, talvez o esganasse ali diante de milhões de telespectadores.

Só que este padre, travestido de cientista, não explicou como o inconsciente consegue produzir a imagem de uma pessoa, que ninguém poderia estar pensando naquele momento, e o contrário não se pode provar, passou a ter vida própria, para caminhar de um lado a outro na Igreja. Entretanto, este mesmo padre, aceita sem contestar que aqueles aos quais os católicos chamam de santos, aparecem. Citam a aparição de vários deles e em muitas ocasiões, fato, inclusive, que recorre aos anais da Igreja para comprovar. Aí perguntamos: somente os espíritos de santos católicos podem se manifestar?

Já que falamos em santos, podemos acrescentar: se não há nenhum tipo de comunicação com os mortos, qual o sentido de os católicos fazerem preces e pedido a eles? E mais, como esses santos atendem aos pedidos sem que haja uma via de comunicação entre o mundo espiritual e o material? Veja bem, podemos encontrar a maior prova de que os mortos se comunicam exatamente naquilo em que acreditam.

Mas não queremos ficar só nessa prova, vamos agora recorrer à Bíblia, Livro Sagrado, que segundo aceitam é a palavra de Deus, e tudo que nela contém não há erro.

Analisemos as seguintes passagens:

1 Samuel 10, 6: E o espírito do Senhor tomará conta de ti, de modo que entrarás em transe com eles, sendo transformado num outro homem.

Aqui percebemos claramente a ocorrência de uma pessoa em transe (mediúnico) recebendo a influência de um espírito. Ora, você irá dizer que se trata de “o” espírito e não “um” espírito? Segundo afirmam vários estudiosos da Bíblia quando em grego não aparece o artigo definido é porque a tradução correta deverá ser de “um” e não “o” como se costuma colocar em algumas traduções bíblicas. Ademais, perguntamos: se fosse realmente o espírito de Deus, ele iria “baixar” em alguém? Mais à frente você entenderá porque colocamos “baixar”. Será que existe um ser humano com tamanha elevação para poder receber no seu corpo a influência direta do Criador? Pode ser que alguém acredite nisso, mas nós não, já que não conseguimos enxergar Deus como o simples Criador da Terra, mas o Criador do Universo infinito, do qual não temos ainda capacidade de compreender a magnitude.

1 Samuel 11, 6: Quando Saul ouviu estas palavras, o espírito de Deus tomou conta dele, e foi possuído de violenta cólera.

Essa passagem é para comprovar que Deus não influência as pessoas, da forma que os espíritos fazem. Os que aceitam isso deverão admitir também que Deus ao influenciar alguém possa fazer com que a pessoa se tome de “violenta cólera”, conforme narrado nesta passagem. Somente fanático poderá aceitar um absurdo desse.

1 Samuel 16, 14-16.23: O espírito do Senhor se tinha retirado de Saul e cada vez mais freqüentemente o assaltava um mau espírito da parte do Senhor. Então os cortesãos de Saul lhe disseram: “Está bem claro que o espírito mau de Deus te assalta. Ordene nosso senhor – nós teus servos estamos às tuas ordens –que procuremos um homem que saiba tocar cítara. Quanto vier sobre ti o mau espírito de Deus, ele vai tocar com sua mão e te sentirás melhor”. Quando o mau espírito de Deus se apoderava de Saul, Davi tomava a cítara, sua mão dedilhava as cordas e Saul se sentia aliviado e melhorava, e o espírito mau se afastava dele.

Saul sendo ora influenciado por um espírito bom (espírito do Senhor), ora por um espírito mau (espírito mau de Deus) é perfeitamente aceitável, é o que realmente acontece. Não há como contestar, para aqueles que não possuem espírito sectário, de egoísmo eclesiástico ou fanatizados por seus líderes religiosos.

1 Samuel 19, 9-10: Um dia um espírito mau do Senhor baixou sobre Saul; ele estava sentado em casa com a lança na mão, enquanto Davi dedilhava a cítara. Em dado momento Saul quis espetar a Davi na parede com a lança, mas Davi conseguiu esquivar-se de Sal, de modo que este acertou a lança apenas na parede. Davi fugiu, escapando ileso.

1 Samuel 19, 19-20: Quando comunicaram a Saul que Davi estava em Naiote em Rama, ele enviou mensageiros para prender a Davi. Estes viram a comunidade dos profetas, presidida por Samuel, falando em transe profético. Então o espírito de Deus baixou sobre os mensageiros de Saul, de modo que também eles entraram em transe profético. Quando referiram isto a Saul, ele mandou outros mensageiros, mas também estes foram tomados de transe profético. Saul ainda mandou uma terceira vez outros mensageiros, os quais também entraram em transe. Então ele mesmo se pôs a caminho de Rama. Quando chegou à grande cisterna, situada em Soco, perguntou: “Onde estão Samuel e Davi?” Alguém respondeu: “Eles estão em Naiot em Ramá”. Quando se pôs a caminho para lá, para Naiote em Rama, baixou também sobre ele o espírito de Deus, de modo que durante todo o caminho até chegar a Naiot em Ramá, estava em transe profético. Também ele tirou a roupa e ficou em transe diante de Samuel; caiu no chão e ficou sem roupa todo este dia e toda a noite. Por isso dizem: “Então também Saul é do número dos profetas?’

Observar nessas duas narrativas acima, as expressões “um espírito mau do Senhor baixou” e “o espírito de Deus baixou” é tal e qual se fala normalmente quando, não conhecendo o fenômeno mediúnico, dizem: “o espírito baixou” em fulano ao verem alguém que está sob a influência de um espírito. Qual a diferença?

As duas provas mais incontestáveis da comunicação com os mortos, vamos encontrar uma no Antigo Testamento e outra no Novo Testamento.

A primeira é velha conhecida dos nossos adversários que querem de todas a maneiras buscar uma outra interpretação para ela, de modo que não fique evidenciado o fato de que houve uma comunicação com o espírito de uma pessoa que já havia falecido. Está narrado em 1 Samuel 28, que iremos resumir: Saul, cercado pelos filisteus, querendo saber o que ia acontecer ao povo no caso da guerra contra eles, busca a pitonisa de Endor para que ela lhe adivinhe o que estaria para acontecer no futuro. Pede à médium, no caso é uma mulher, para que evoque o espírito de Samuel, para que ele possa consultá-lo a respeito do que lhe afligia. O espírito Samuel aparece e, incorporado, ou seja, “baixou” na médium, diz a Saul que ele, seus filhos e o povo judeu, iriam morrer naquela guerra. O que de fato aconteceu posteriormente.

Na que encontramos no Novo Testamento, devemos realçar que o fato acontece, nada mais nada menos, de que com Jesus. Na ocasião, Ele, acompanhado de Pedro, Tiago e João, sobe ao Monte Tabor, lá se transfigura e aparecem os espíritos Moisés e Elias que conversam com Ele (Mateus 17, 1-9). Não há como a coisa ficar mais clara que isso. Repetimos, somente os fanáticos é que não vêem, ou não querem ver.

Poderíamos colocar várias pesquisas realizadas sobre a comunicação dos mortos, feitas por pessoas idôneas e de reconhecido saber científico. Mas não iremos colocar por dois motivos. O primeiro é porque certas coisas apesar de serem fatos reais não necessitam de comprovação, até mesmo porque, em algumas situações, as condições de provas são muito difíceis, a exemplo de Deus, que até hoje ninguém provou a existência, apesar de todos nós aceitarmos tranqüilamente a sua existência. Em segundo, é que sempre os atuais donos da verdade, que ao menos se propõem a fazer a pesquisa com o mesmo rigor científico desses pesquisadores, irão afirmar: as condições de época...; que Freud ainda não havia trazido a hipótese do inconsciente, etc. Aliás, essa tal hipótese do inconsciente é falada, mas nunca alguém provou a sua existência, como e em que condições esse inconsciente produz os fatos a ele atribuído. Já que ainda ninguém provou tudo isso, devem, por isso mesmo, ser tratado como hipótese.

Vamos falar de testemunhos de pessoas que não pertencem às hostes espíritas, para que não falem que estamos puxando a “brasa para a nossa sardinha”. Novamente citaremos dois casos.

O primeiro deles está relatado no livro “O Além Existe”, onde o autor relata o caso da comunicação que teve com seu filho já desencarnado. O autor chama-se Lino Sardos Albertini, de cuja biografia extraímos: advogado, profissional liberal, exerce atividade em Trieste, onde reside na Rua Piccardi, 43. Foi presidente da Academia de Estudos Jurídicos e Econômicos “Cenáculo Triestino” e presidente da Junta Diocesana de Ação Católica de Trieste. É (ou foi) vice-presidente nacional da União Pan-européia Italiana e presidente da Arqueoclube de Trieste. É autor de vários ensaios. Na contra-capa se diz:

“Este livro é a crônica de um diálogo incomum, entre duas diferentes dimensões, entre o aquém e o além, entre o pai que chama e um filho, morto em circunstâncias dramáticas, que responde. O diálogo ocorre através de uma sensitiva que categoricamente exclui qualquer recompensa e se recusa a desenvolver uma atividade pública”.

“Ela pratica um tipo de escrita automática por meio da qual desemaranha o fio que mantém unidos o advogado e seu filho, André”.

“Crítico e descrente no começo, Lino Sardos Albertini teve de resignar-se aos fatos inexplicáveis que André apresentava, a lógica severa das respostas, a sua coerência. Extraordinária é a maneira de transmissão das mensagens”.

“Envolvente como um romance, impregnado – mesmo na situação dolorosa – de fé e esperança, este livro há de induzir os seus leitores a uma meditação profunda”.

O livro de que dispomos, foi traduzido da 12ª edição italiana (um best-seller?), por uma editora de orientação estritamente católica que é a “Edições Loyola”, mas infelizmente quando depararam com o que realmente tinham editado, não se publicou mais nenhuma nova edição. Assim, a verdade mais uma vez, foi para debaixo do tapete.

O segundo livro é mais interessante porque o seu autor é um padre católico. Seu nome é Pe. François Brune. Do qual se diz:

“O Pe. François Charles Antoine Brune é bacharelado em Latim, Grego e Filosofia. Cursou seis anos de “Grand Seminaire”, sendo cinco no Instituto Católico de Paris e um na Universidade de Tubingen. Tem cinco anos de curso superior de Latim e Grego na Universidade de Sorbone. Estudou as línguas assírio-babilônico, hebreu e hierógrafos egípcios. Foi licenciado em Teologia no Instituto Católico de Paris em 1960, e em Escritura Sagrada, no Instituto Bíblico de Roma, em 1964. Foi professor de diversos “grands Seminaires” durante sete anos. Estudou a tradição dos cristãos do Oriente e dedica-se a estudos dos fenômenos paranormais”.

Segundo temos notícias o Pe. Brune é o representante do Vaticano para assuntos de Transcomunicação Instrumental (Comunicação dos mortos por aparelhos eletrônicos).

Em seu livro, diz o Pe. François Brune:

“Escrevi este livro para tentar derrubar o espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável”.

“Tomem este livro como um itinerário. Abandonem, tanto quanto possível, suas idéias preconcebidas. Não tenham medo; se este livro não os transformar, logo se aperceberão. Em todo caso, leiam esta obra como a história de uma descoberta fabulosa e verdadeira”.

“Progressivamente então, surgirão essas verdades essenciais que se tornarão, assim eu lhes desejo, a matéria de suas vidas. A morte é apenas uma passagem. Nossa vida continua, sem qualquer interrupção, até o fim dos tempos. Levaremos conosco para o além nossa personalidade, nossas lembranças, nosso caráter”.

“O após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles que chamamos de mortos”.

Fica aí como conclusão final a fala do Pe. Brune, cujo conteúdo sugerimos reflexão aos que tentam dizer que tudo no Espiritismo é superstição, fruto da imaginação, etc.

Paulo da Silva Neto Sobrinho





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