26 de junho de 2014

A Ética e a Moral nos Cultos Afro-Brasileiros


Ao contrário do que muitos pensam, a ética e a moral são de importância substancial no pensamento e na vida dos africanos, que são baseadas nos costumes, em leis tradicionais, tabus e tradições de cada um dos povos da África. Deus é visto como o derradeiro sancionador e sustentador da moralidade. O relacionamento humano pelo parentesco e vizinhança é extremamente importante e a ética e moral tradicionais são construídas, largamente, através das relações humanas. 



Moralidade pode ser resumida, em Yorùbá, pela palavra Ìwà - caráter. Caráter é a essência da ética africana e sobre ele se estabelece a vida de uma pessoa. Deus exige que o homem seja puro eticamente. Deus é o buscador de corações, que a tudo vê e sabe e cujo julgamento é correto e inevitável. Deus julga os homens por seu comportamento aqui e agora, bem como no porvir. Dessa forma a paz na vida após a morte é decidida de acordo com a moral exercida, pelo ser humano, sobre a terra. Mau comportamento pode destruir o destino de uma pessoa, enquanto bom caráter é uma armadura suficiente contra o mal e a desgraça.


Os costumes regulam o que deve e o que não deve ser feito. De acordo com Mbiti: "Roubar, agredir as pessoas, mostrar desrespeito aos mais velhos, mentir, praticar feitiçaria, dormir com a mulher de alguém, matar, caluniar as pessoas e assim por diante são consideradas grandes ofensas, que podem ser severamente punidas pela sociedade através do degredo, indenização, pagamento de multas, espancamento, apedrejamento e até mesmo a morte. Por outro lado, a bondade, a cortesia, a generosidade, a hospitalidade, o respeito, a diligência, a frugalidade e o trabalho duro são aspectos da moral ensinadas às crianças em várias comunidade africanas, como princípio básico de vida." (Mbiti, John. Introduction to African Religion. London:Heinemann, 1961)


Os Yorùbá e, na verdade, os africanos têm a moralidade como a essência que torna a vida alegre e agradável. Para os Yorùbá, segundo Bólájí Ìdòwú, o bom caráter (ìwà rere) deve ser a mola mestra na vida das pessoas. De fato é isso que distingue o ser humano dos animais. Quando os Yorùbá dizem de alguém O şe Ènìyàn (os atos da pessoa), querem dizer que ela se comporta como deve, ou seja, ela mostra que sua vida e suas relações com os outros são regrados pelas suas melhores características. A descrição contrária kìí şe ènìyàn, n şe lof’awon ènìyàn bora (Ele não é uma pessoa, ele assumiu a pele de uma pessoa). Isso significa que a pessoa é socialmente indigna; em consequência de sua característica, não está apta a ser chamada de pessoa, embora tenha a aparência de uma.


Em geral, deve-se dar ênfase a que Deus, as divindades e os antepassados requerem um bom comportamento dos seres humanos.


Mas podemos perguntar por que as pessoas que seguem a Religião Tradicional Africana, assim como os seguidores de outras religiões (cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo etc), praticam atos imorais? A resposta é simples: hoje, muitas pessoas professam uma determinada religião, porém deixam de agir de acordo com os princípios e os ditames dessa mesma religião, que é a principal causa para os atos de corrupção, violação dos Direitos Humanos, péssimas práticas eleitorais, etnicismo, bem como outras práticas imorais e aéticas.


No entanto, esses problemas não são insuperáveis, basta que as pessoas façam valer aquilo que aprenderam e unam a religião à moralidade, que são coisas indissociáveis. Um adágio Yorùbá diz Ìwà l’èsìn, Èsìn ni Ìwà (religião é uma exibição de moralidade, moralidade é o maior ato de adoração). Por isso é que os adeptos das diversas religiões devem saber e acatar que nossos atos de adoração só se tornarão dignos e significativos ao Criador, se eles forem acompanhados pela ética e pela moral. 

Mário Filho




 

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23 de junho de 2014

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Decálogo para Médiuns

Decálogo para Médiuns


Não afastar-se dos deveres e compromissos que abraçou na vida, reconhecendo que é impossível manter intercâmbio espiritual claro e constante com o Plano Superior, sem base na consciência tranquila.

Não descuidar-se do autodomínio, a fim de controlar as próprias faculdades.

Não ignorar que desenvolvimento mediúnico, antes de tudo significa educar-se o médium a si mesmo para ser mais útil.

Não desejar fazer tudo, mas fazer o que deve e possa no auxílio aos outros.

Não recusar críticas ou discussões e sim aceitá-las de boa vontade por testes de melhoria e aperfeiçoamento dos próprios recursos.

Não guardar ressentimentos.

Não fugir do estudo, nem da disciplina para discernir e agir com segurança.

Não relaxar a pontualidade, somente faltando às tarefas que lhe caibam por motivo de reconhecida necessidade.

Não olvidar pessoas nos benefícios que preste.

Não olvidar que o melhor médium para o mundo espiritual, em qualquer tempo e em qualquer circunstância, será sempre aquele que estiver resolvido a burilar-se, decidido a instruir-se, disposto a esquecer-se e pronto a servir.

Fonte: "Paz e Renovação" Albino Teixeira - Chico Xavier 



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22 de junho de 2014

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HOMENAGEM TULCA AO ORIXÁ XANGÔ


KAÔ KABECILÊ!!!

Homenagem a Xangô


Obrigado meu pai por mais um ano de luzes e bençãos em nossos caminhos!


Homenagem a Xangô


Que a vossa justiça persevere sempre em benefício dos humildes e pacíficos!

Homenagem a Xangô


Homenagem a Xangô


Que a nossa fé seja sempre firme como a vossa rocha, para que a maldade dos tolos jamais nos alcance! 


Homenagem a Xangô

                           
E sobre vossa luz e de todos os Orixás, levaremos a bandeira de Pai Oxalá adiante!


Homenagem a Xangô


Homenagem a Xangô

Que sejamos merecedores das dádivas divinas do nosso Pai Xangô, seja ele Abomi, Agodô, Alufam, Alafim ou Aganju! São todos sempre uma só vibração e qualidade do nosso Criador Pai Olorum, a "refletir a Sua luz com todo o seu esplendor!!!" 



SARAVÁ UMBANDAAAA!!!

Família Tulca, em 21/06/2014



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21 de junho de 2014

Características Gerais de Algumas Ervas

Para banhos e (ou) defumações com várias finalidades 

Arruda – Ótimo protetor astral, desagrega larvas astrais e energias enfermiças. Quebra as formações energéticas negativas resultantes de acúmulos de pensamentos negativos e de atuações do baixo astral.

Alecrim– Desagrega energias enfermiças, limpa e purifica o ambiente, criando uma “esfera” de proteção; boa contra obsessão; afasta a tristeza.

Alfazema – Ajuda a equilibrar nossas energias, limpa e purifica o ambiente trazendo a paz e harmonia.

Anis-estrelado – Atua melhorando nosso humor; desperta a intuição; torna o ambiente agradável e desagrega energias negativas.

Absinto – Losna – Em banhos,ela desagrega fluidos negativos. Na defumação, afasta influência negativa.

Alho (casca) – Desagrega as energias negativas de ordem sexual, protege contra influências negativas e purifica o ambiente.

Artemísia – Quebra as correntes de pensamentos negativos e traz proteção.

Bambu – Contra influências negativas.

Botões de flor de laranjeira – Para o amor.

Camomila– Calmante, contra depressão e ansiedade.

Cana-de-açúcar (palha e bagaço) – Dá força e vigor para enfrentar as situações do dia a dia.

Canela– Condensador de fluidos benéficos, destrói miasmas astrais; afrodisíaco; atrai a prosperidade.

Cebola (casca) – Desagrega energias negativas de ordem sexual; afasta fluidos indesejados.

Capim limão / Capim Santo – Bom para acalmar e trazer bons fluidos.

Cravo – Afrodisíaco, estimulante, aumenta o magnetismo pessoal e atrai a prosperidade.

Eucalipto– Desagrega as energias negativas e enfermiças, renova nossas energias, equilibra o emocional.

Erva Doce– Acalma e harmoniza o ambiente, desagregando energias enfermiças e nocivas.

Girassol (folhas) – Excelente condensador de fluidos positivos; ajuda a aguçar a intuição.

Guiné – Quebra formas-pensamento baixas e ajuda na comunicação com os bons espíritos. Bom contra obsessões de natureza sexual.

Hortelã – Bom para proteção e contra o desânimo.

Ipê amarelo – Para harmonizar ambientes.

Laranja (flor, folhas e casca) – Estimula o amor nos tornando mais atraentes; também torna o ambiente mais agradável e “leve”.

Levante – Bom para proteção e abertura de caminhos.

Limão (casca) – Queima os fluidos negativos e enfermiços.

Lírio – Bom para nos tornar mais puros, simples e humildes; estimula nosso lado compreensivo e amoroso.

Louro (“a folha do sacerdote”) – Excelente para aguçar a intuição e para a prosperidade.

Maçã (folhas, flores e casca) – Desperta nossa sensibilidade ao amor e aumenta nosso poder magnético de atrair o que nos agrada.

Malva – Acalma e desperta a sensibilidade.

Manjericão – Ótimo para tirar as energias negativas, trazer vida ao ambiente e às pessoas; aumenta o magnetismo pessoal; atua contra a depressão e ansiedade.

Maracujá (flor) – Para fortalecer nossos laços de amizade.

Melissa – Acalma os ânimos e nos torna mais alegres; limpa e sutiliza o corpo astral.

Morango (folhas e fruto) – Desperta o prazer em todos os sentidos.

Noz moscada – Aguça a intuição, ajuda na comunicação astral e é boa para a prosperidade.

Poejo – Ótima para proteção e para acalmar os ânimos.

Pitanga (folhas) – Prosperidade e proteção.

Patchuli – Bom para o amor, a prosperidade e a intuição, fortalecendo o magnetismo pessoal.

Salsa – Usada para a proteção, afasta a negatividade.

Sálvia– Considerada a erva da saúde, serve para limpeza, proteção e intuição.

Rosa branca – Desperta o amor à espiritualidade.

Rosa vermelha - Desperta a paixão.

Rosa cor-de-rosa – Desperta o amor maternal, filial e fraternal.

Romã (casca e flores) – Utilizada para a prosperidade, protege contra as emanações provindas da inveja e do ódio.

Orquídea – Desperta a libido.


Observação de Adriano Camargo: Ao trabalhar com as essências das ervas, banhos ou defumação, estamos entrando em um universo vegetal que vai além da matéria. Assim como não somos apenas carne e as divindades não são apenas arquétipos, as plantas também possuem um “espírito vegetal” que as anima e têm seus respectivos gênios e divindades guardiãs responsáveis pela força vegetal. Portanto, ao trabalhar com ervas, entre em contato com estes espíritos, gênios e guardiões vegetais pedindo sua licença e sua força para realizarmos nossa tarefa. Dentro do conceito de divindades podemos recorrer a Oxóssi como Guardião do reino vegetal e a Ossain como gênio deste reino e da cura pelas ervas.


Receitas de Banhos e Defumação

Para depressão e purificar a aura: Salsinha, anis-estrelado e alecrim

Acabar com os males e desagregar energias negativas: Banho de cerveja

Prosperidade financeira: Salsinha com noz-moscada

Para ajudar no comércio: Alecrim, abre-caminho, hortelã, levante, girassol, cana, açúcar mascavo. (Fazer banho, defumação e passar no chão do escritório ou loja.)

Para o amor: Anis-estrelado, calêndula, rosa vermelha, patchuli, malva branca e jasmim.

Para atrair a sorte: Milho de galinha, abre-caminho, café e açúcar mascavo.

Purificar o espírito e fortalecer o mental: Levante, alecrim e hortelã.

Para a saúde, ajuda a fortalecer pessoas debilitadas: Banho de leite com levante (feito às terças e quintas feiras).

Para prosperidade: Pó de café, açúcar, louro, manjericão, folha de pitanga, hortelã.

Para descarga forte: Folhas de eucalipto, casca de alho, palha ou bagaço de cana (seco), folha de bambu, folha de pinhão roxo.

Para descarga de energias sexuais densas: Cravo, canela, casca de alho roxo, erva-doce, casca de limão.

Para cansaço ou depressão: sementes de girassol, semente de imburana, anis-estrelado. (Exercícios respiratórios ajudam muito. Deixar no ambiente o preparado com essas ervas, de modo que o vapor fique no ar; respirar com calma, sem pressa e sem esforço.)

Contra a insônia: Pétalas de rosa, erva-sândalo, hortelã e cravo da Índia.

Para afastar a obsessão e alcoolismo: Alho, salsão, arruda, guiné, espada de São Jorge, folha de fumo, folha de mangueira, levante e cipó mil-homens

Para abrir caminhos: Açucena, agrião, angico, aroeira e espada de São Jorge

Para ajudar no desenvolver da espiritualidade: Jasmim, anis-estrelado e alfazema.

As ervas acima servem para banhos e defumações. Para defumar, as ervas precisam estar secas.

DEFUMAÇÃO para prosperidade: Noz moscada, cana, incenso (resina) , folha de louro, canela em pó, arroz com casca e alfazema

DEFUMAÇÃO para descarrego de energias pesadas: Manjericão, alecrim, mirra (resina), alfazema e arruda.

(Obs.: O incenso e a mirra são resinas e servem apenas para defumação. NÃO se usa resina para banhos.)


Fonte: Artigos de Adriano Camargo, publicados no Jornal de Umbanda Sagrada







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17 de junho de 2014

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O Uso dos Ponteiros nos Rituais de Umbanda


ponteiros na umbanda

Todos os tratados de magia fazem referência às pontas de aço como um dos meios mais eficazes de se desenvolver certas cargas ou aglomerações de larvas, maus fluídos e miasmas.

Os antigos iniciados usavam nas suas operações mágicas a espada e as pontas de aço, assim como atualmente se usa os ponteiros (punhal) nos trabalhos da Umbanda, pois a ação das pontas de aço, isto é, da espada e dos ponteiros em certos trabalhos de magia nada mais fazem do que faz um pára-raios em dias de trovoada.

Ponteiro é qualquer instrumento pontiagudo, de aço, punhal, espada ou pequena lança, utilizado em diversos rituais umbandistas. Em função do poder que tem o aço de captar as forças vivas da natureza, inclusive os fenômenos atmosféricos[1], o ponteiro representa a atração das forças espirituais, tal como um imã utilizado como força criadora de energia elétrica.

Quando fincado, ele firma a magia, ou seja, firma o ponto. Sendo o ponteiro imantado, capta as forças necessárias para o fechamento de um ponto nos trabalhos magísticos.

Quando ele penetra na matéria física,[2] aprofunda-se nos planos etéreo e astral, alterando constantemente a matéria propiciando um campo eletromagnético que podem desestruturar larvas astrais. Funciona como se fosse um fio terra para algumas cargas ou então como captador de energias movimentadas em determinados locais.

[1] Um exemplo disso é o pára-raios.
[2] Geralmente a madeira.

Diamantino Fernandes Trindade



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16 de junho de 2014

Tratamento Espiritual a Distância da Tulca


Caros irmãos

Diante da grande procura em nosso e-mail de pedidos de ajuda espiritual, disponibilizamos agora em nosso Blog o TED TULCA - Tratamento Espiritual a Distância da Tenda de Umbanda Luz e Caridade.

Acesse informações no link:




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15 de junho de 2014

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Independência Umbandista


Independência Umbandista




O Umbandista, em verdade, pode e deve:

Estimular as boas obras, mas saber com que meios;

Ler de tudo, mas saber para que;

Andar em qualquer parte, mas saber para onde;

Cooperar no bem de todos, mas saber com quem convive;

Prosperar, mas saber de que modo;

Guardar a fé, mas saber porquê;

Agir quanto deseje, mas saber o que faz;

Falar o que queira, mas saber o que diz;

Lutar corajosamente, mas saber com que fim;

Elevar-se, mas saber como;

O Umbandista pensa livremente, mas precisa discernir.

Adaptação do Livro "Caminho Espírita" / Albino Teixeira - Chico Xavier


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11 de junho de 2014

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Todo Sonho é um Desdobramento?


Desdobramento

Desdobramento é a projeção da consciência para fora do corpo físico, é uma capacidade inerente a todo ser humano. Ele se efetua durante o sono e durante o transe mediúnico, porém o sono é o principal mecanismo que desencadeia o desdobramento.

Há controvérsias na literatura sobre a seguinte questão: se todo sonho pode ser considerado um desdobramento. Diante dos nossos estudos e pesquisas chegamos a seguinte conclusão:

Para Freud, o sonho é a realização do desejo ou o encontro com os nossos traumas recalcados no inconsciente, daí os sonhos sem sentido aparente, que é a forma de burlar a censura do nosso superego aliviando tensões e renovando energias, o sonho seria o nosso arquivo mental o qual não temos acesso no estado de vigília, eis o inconsciente apresentado pelo pai da Psicanálise Sigmund Freud. Então, todo sonho é a representação do inconsciente.

Particularmente, temos formação em psicologia analítica e somos também estudiosa da Doutrina Espírita para percebermos, com mais clareza, o conceito dos sonhos de Freud intrinsecamente relacionado com o estudo do desdobramento pelo sonho explicado pela Doutrina Espírita; esta aponta "tipos" de sonhos, como a realização do desejo: sonhar com as vivências do seu estado de vigília; ou sonhos espirituais: viver e atuar como espírito livre do corpo físico; segundo alguns estudiosos da Doutrina Espírita, apenas os sonhos espirituais são considerados desdobramentos. No nosso entendimento, mesmo quando se sonha com suas experiências do estado de vigília, o espírito também se desprende do corpo físico para viver o seu inconsciente, iríamos mais longe e diríamos que o espírito é o próprio inconsciente, entendendo este desprendimento como um desdobramento, como uma experiência do espírito, logo, todo sonho é um desdobramento.

Trecho retirado do Livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 7 - Ednay Melo

umbanda-ednay
À venda no Clube de Autores









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5 de junho de 2014

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Saravá Iansã! Eparrê!

Saravá Iansã! Eparrê!

Sagrada Mãe Iansã, eu não sei rezar, não sei fazer clamores e muito menos escrever direito, mas eu venho aqui, de coração falar com a senhora... venho pedir... pra variar... isso eu sei fazer minha mãe, pedir... venho falar, reclamar, questionar... sou displicente, sou humano, e sei fazer tudo isso.

Eu queria trazer flores para a senhora, mas escolhi plantá-las e convidá-la para que venha me ver cuidar delas enquanto meu canto é levado pelo vento.


Como um filho rebelde, resolvi sair do caminho só pra chamar a atenção, e quando a senhora me colocar de volta nele, eu possa senti-la me tocando, mesmo que seja pelo fio da sua sagrada espada.


Peço mãe dos meus caminhos, que seus raios iluminem as estradas à minha volta, para que eu tome as melhores direções.


Peço que quando o escuro tomar conta dos meus olhos, a senhora me guie pelo som do brandir de sua espada. E nas batalhas onde eu não enxergar meus opositores, seus ventos assoprem nos meus ouvidos o que preciso saber, e me coloque no lugar certo para eu me esquivar dos seus golpes traiçoeiros.

Peço merecer seu amor de guerreira, o carinho de sua espada que extirpa o que não me serve para nada. E peço também entender os porquês do que me é bom ou não.
Mãe de um amor guerreiro, não precisa me responder nada em palavras, mesmo porque eu não aprendi a ouvi-las. 

Só me permita senti-la na força dos ventos, e tenha certeza, saberei que a senhora está comigo. Se eu merecer, eu peço minha mãe, que nunca me perca dos seus divinos olhos, porque sabendo que sou olhado pela senhora, não me sinto sozinho.

Eu não sei rezar minha mãe, eu só sei chamar.

Sou eu Mãe Iansã, sou eu que chamo a senhora no seu dia... sou eu que chamo a senhora nos meus dias. Salve o silêncio do raio, salve o estrondo do trovão... e salve o poder da ventania.

Adriano Camargo Erveiro







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