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O Perigo da Imaturidade Mediúnica - Fascinação

O Perigo da Imaturidade Mediúnica - Fascinação


“É comum o filho ainda iniciante na Umbanda, na espiritualidade, que ele confunda seus pensamentos, suas ideias e sua imaginação com uma comunicação espiritual. Isso se deve a imaturidade mediúnica em conjunto com uma grande pressa de se desenvolver. Ele começa a “escutar”, “ver” suas entidades muito antes delas se apresentarem e ele as senti-las de fato. Os Guias de Umbanda são Guias de Lei e não se manifestam a qualquer hora e muito menos em qualquer lugar sem um propósito realmente aceitável. É preciso ter atenção nesse tipo de comportamento por parte dos filhos da casa.”
Pai António


Como é difícil separar a mente, a imaginação de uma comunicação espiritual real. Eu mesmo levei anos para perceber essa diferença, e mesmo assim, foram os Guias da casa que frequentava na época que me ensinaram e confirmaram a diferença.

A inspiração, a intuição, o instinto e a imaginação são coisas diferentes.

Muitas vezes o iniciante na Umbanda, motivado pelo entusiasmo de querer logo incorporar, de ver, de escutar, de se comunicar com seus Guias, ou até mesmo atender a consulência, esquece-se de um ensinamento básico: “a presa é inimiga da perfeição.” E em vez de seguir a diretiva básica, estabelecida pela grande maioria dos Templos de Umbanda de não incorporar fora do seu terreiro, procura a seu modo buscar os meios de o fazê-lo.

Essa diretiva, ao contrário do que muitos pensam, não é uma forma de controle, mas sim um cuidado, uma responsabilidade do dirigente que lhe recomenda em outras palavras: “não force o seu desenvolvimento, não se apresse, tudo tem hora e lugar.”

Mas infelizmente é comum que de vez enquanto apareça um iniciante apressado e começa a forçar a comunicação, ou a incorporação dos seus Guias em sua casa e a qualquer hora, isso não quando em qualquer lugar.

Sua pressa, sua imaturidade, sua inexperiência, a sua falta de firmeza e de preparo adequado fazem com que se torne um alvo fácil de espíritos embusteiros que se divertem com a credulidade quase que infantil do médium, isso quando não são outros os interesses por de trás das ações.

Os espíritos Guias têm suas ocupações e não estão ao nosso lado como babás, governando nossos hábitos, atos e ações. Eles só se aproximam de nós e nos inspiram quando realmente se faz necessário.

Por isso é necessário o médium ter atenção quando essas comunicações começam a ocorrer fora de hora e de local adequado; assim como ao teor das comunicações, caso contrário o médium corre o risco de ficar fascinado[1].

A fascinação é um tipo de obsessão, vou até dizer que de certa forma é até natural e que todos nós estamos passíveis à ela. Normalmente esse processo faz com que o médium creia que tudo que ele faz, pensa, idealiza, imagina ou até mesmo escuta é inspirado por seus Guias é o mais certo ou o melhor. Gerando assim um grande obstáculo para o seu desenvolvimento e um possível desequilíbrio para o grupo.

Lembre-se que esse tipo de ação se sustenta por uma linha de afinidade, e é um aviso de que é algo está mal na consciência, no emocional, na crença do médium. O grande problema é que normalmente esse médium não está receptivo a nenhum tipo de ação que esteja contrária a sua crença e aos seus pensamentos.

Assim fica um aviso: dificilmente encontramos um Guia de Umbanda que determine o que você deve ou não fazer. Normalmente, eles o aconselham, mas não decidem por nós.

Muito cuidado quando você começa a “escutar” demais seus Guias. Não que eles não possam estar ao seu lado e lhe inspirarem, até podem, mas tenha atenção do que valeu de fato a comunicação.

Se o conselho foi realmente útil, ou serviu apenas para matar a sua curiosidade? Se serviu apenas para confirmar suas ideias, porque era isso que você realmente que queria escutar. Se serviu só para leva-lo a ficar orgulhoso, vaidoso com sua capacidade? Ou serviu apenas para inspira-lhe falsos saberes, desconfianças e até mesmo conflitos.
Estas são algumas ações bastante comuns nesse tipo de comunicação.

Esteja atento, pois não são apenas os médiuns iniciantes que são alvos desses espíritos embusteiros, mas também médiuns e dirigentes mais experientes, que se comprazem quando em momentos de desatenção envolvem suas vítimas com seus falsos poderes, saberes e ideias, muitas vezes fazendo-se passar por Guias de Lei.

Paz e Luz

Heldney Cals
[1] Fascinação é uma ilusão produzida pela ação direta de um espirito negativado sobre o pensamento de um médium e que de, de certa forma “paralisa” o seu raciocínio e acaba por manipular os seus pensamentos, sentimentos e emoções.

O médium fascinado não acredita que está a ser enganado, pois o espirito fascinador possui a arte de lhe inspirar total confiança. Com isso impede o médium de ver o embuste a qual foi envolvido e de compreender o absurdo do que muitas vezes fala ou escreve, por mais que esses absurdos saltem à vista de todos. Nessa ilusão o espirito pode levar o médium alvo de seu propósito nefasto a aceitar doutrinas e teorias falsas e até mesmo estranhas ao senso comum como se fossem a única expressão da verdade. Isso quando não fazem o médium sentir-se deslocado do corpo mediúnico, onde antes ele se sentia tão bem; a achar-se merecedor de atenção especial; a achar-se melhor que os outros; de se ver como um missionário; como alvo constante de magias; etc.

Fonte: Lendas de Aruanda



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