Novembro 2019 - Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

27/11/2019

Soberana Lei de Ogum

Soberana Lei de Ogum
Na Criação Divina, tudo segue obedecendo à Ordenação. E qualquer intenção ou atitude que pretenda contrariar isto, mais cedo ou mais tarde será apanhada pela Tela da Lei, para a devida correção, em benefício do bem comum e do próprio infrator.

Mas como seguir a Lei Divina, em meio ao caos aparente da vida humana? Como fazer isto, se de quando em quando alguém que merecia a nossa confiança e amizade nos surpreende com atos de traição, escondendo-se em “pele de cordeiro” para nos atacar covardemente? Como sobreviver em paz e segurança, em meio a essas “quintas colunas”?

Uma coisa é certa: esses “inimigos” estão muito próximos de nós. Justamente porque têm pouca ou nenhuma capacidade espiritual. São medíocres. E os medíocres só alcançam― e quando alcançam― aquilo que está perto das suas garras... Não se capacitaram a atingir metas de médio e de longo prazo, de longo alcance. Por isso, mortificam-se na inveja contra aqueles que vencem as próprias limitações, trabalhando e trabalhando, até atingirem objetivos maiores e mais elevados.

Enfermos da alma, os invejosos não compreendem que também poderão alçar voos mais altos, a partir do momento em que a isto se dediquem. Porém, como não se empenham, querem destruir e macular os trabalhadores do Bem. Mas tal possibilidade não existe dentro da Criação Divina. O que muito acontece é que “o vento da maldade” sopre e, por momentos, pareça tirar tudo do lugar.

Porém, vamos recordar que o elemento Ar pertence ao Trono da Lei Maior! Então, no final das contas, aquela “ventania” vai acabar colocando a descoberto os autores da maldade. O caos aparente é “a faxina do Astral” e, enquanto está sendo feita, tudo parece meio que perdido. Mas a Ordenação Divina está presidindo este trabalho, que terminará banindo e levando para o seu lugar de origem e merecimento tudo o que não pertence à Lei. E a maldade voltará para os infratores, que são os seus criadores e, portanto, merecem tal “prêmio”...

Quando tudo à nossa volta pareça desordenado, varrido por um “tufão”, fiquemos atentos: a Lei Maior está realizando um trabalho de “faxina Astral”, limpando de nossas vidas tudo o que é daninho, tudo o que estava oculto, para nos poupar de um dano maior, e já preparando caminhos de realizações mais altas.

Bendito seja o Divino Pai Ogum, que sempre esteve e estará à nossa frente, e atrás, e à direita, e à esquerda, e no centro, bem como em torno de nós, abrindo caminhos na Lei e pela Lei! Bendita seja a Sua Espada de Luz, que nos protege da maldade! Benditas sejam as Suas Armas, que combatem por nós, por todo o sempre!

Que nos momentos mais difíceis, saibamos nos entregar à proteção do Divino Senhor da Lei, perseverando no Bem e confiando na Sua Guarda Soberana.

Aqueles que agem com honra serão abençoados e amparados; e os que assim não procedem serão encaminhados pela Divina Mãe Iansã para um caminho de regeneração.

Autoria desconhecida




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20/11/2019

A Necessidade da Fé

Não basta os filhos simplesmente frequentarem uma casa de Umbanda se não acreditarem e entenderem o que ali esta se passando.

A Fé não é para os outros, mas para a própria alma. Não basta os filhos se dizerem Umbandistas se nela efetivamente não acreditarem. Ser Umbandista é antes de tudo crer na Umbanda.

Aqueles que a praticam e não creem, estão apenas indo a um templo, sem que ocorra a mudança que a Umbanda traz a vida dos filhos, que na prática é trazida ao dia a dia daqueles que são, realmente, Umbandistas.

É preciso ter fé. Não uma Fé cega e não esclarecida, mas a verdadeira Fé que realiza perguntas e quando obtêm as respostas as toma como certeza.

A Fé que é mais forte do que qualquer dissabor da vida, problema e dificuldade. A Fé que leva a prosseguir, mesmo que contra tudo e todos na certeza do caminho correto.

É necessário, pois, a existência da fé, para a prática da Umbanda.

Os filhos Umbandistas não devem seguir os fundamentos e as verdades da Umbanda apenas quando estão dentro das casas, mas sim em todos os atos de sua vida.

Ser Umbandista é fazer as escolhas dentro das verdades da Umbanda, respeitando as leis desta. É pedir auxilio sempre que preciso para as entidades. É entender que as dificuldades não são nunca em vão. É conseguir respeitar a crença dos outros sem deixar abalar a sua própria. Ser Umbandista é entender seus erros e o dos outros. É resgatar seus erros, dentro da grande Lei. Ser Umbandista é antes de tudo, crer.

A crença é absolutamente fundamental a qualquer filho Umbandista. Se não houver a Fé e a certeza nos conhecimentos Umbandistas e nas entidades a ela afeitas, não haverá a necessária firmeza quando os problemas se apresentarem mais difíceis e quando o caminho parecer se fechar.

Crer em momentos de felicidade e tranqüilidade é fácil, mas é preciso ter a certeza da fé. Porque se efetivamente ela não for forte poderá desaparecer quando as trilhas forem difíceis e os problemas, quase que completamente tomarem o futuro.

É então quando a Fé se fará mais necessária. E será tão fundamental quanto o ar que se respira, para que possa haver uma continuidade.

Porque somente aqueles que acreditam num todo maior, conseguem enxergar uma perda com maior facilidade, e perceber que , quando as tampas de caixões se fecham, outras já se abriram.

Somente aqueles que enxergam que acima de todos os interesses mesquinhos e mundanos existe um objetivo é que poderão se manter fiel a esse objetivo quando tudo mais parecer ruir à sua volta.

Filho, a Fé é a tabua que salva dos grandes desastres e que mantém corpo e alma na superfície. Portanto ela é não apenas necessária, mas fundamental para uma vida com tranquilidade e esperança.

Aqueles que em nada creem ou que não tem na força da Fé sua estrutura de vida, acabarão por serem derrotados pela visão de que nada, afinal, valerá à pena.

Que nem os melhores esforços serão recompensados se não com a morte. Porque cada dia de vida é um dia a menos na ampulheta do futuro. E se o futuro se encerrar em dificuldades, doença e velhice, então filhos em um momento ou em outro, inexistindo a fé, a tristeza e a falta de esperança se tornarão tão fortes e presentes que não haverá motivos para lutar.

Mas a Fé trará então, a percepção da necessidade das dificuldades ao ensinamento, a percepção da continuidade, da beleza da renovação que se fará presente em cada novo tombo e mais forte em cada dificuldade.

Porque filhos é quando então devem se socorrer das entidades e dos conhecimentos Umbandistas para poderem seguir em frente, e entender que não haverá outro meio de continuar se não ultrapassando os problemas e recomeçando a luta em cada amanhecer.

É isso que faz viva a esperança no amanha.

Importante, pois, que os filhos criem seus próprios filhos sob a luz e os ensinamentos da Umbanda desde a mais tenra idade.

Porque então para eles a Fé se fará tão natural quanto o dia amanhecer. Na força das entidades devem ser essas novas almas ensinadas, para que aprendam que se existe a dificuldade, também existe a recompensa.

Para que quando fatalmente enxergarem que a vida terá fim, que a velhice se fará presente, que aqueles que amam irão embora a algum momento, já saberão que tudo isso tem um motivo simples, que todos esses sofrimentos apenas renovam a esperança no amanhã.

Assim quando os filhos dos filhos precisarem buscar forças para continuar terão em seus conhecimentos a certeza da Fé e com ela a tranqüilidade de que toda a separação será apenas temporária, que toda a dor motivo possui e que toda a dificuldade deverá trazer aprendizado e crescimento.

Terão também a certeza de que poderão levantar de qualquer tombo, para recomeçar a caminhada, que haverá sempre uma entidade para ajudar aos que lutam e procuram o bem.

Então, mesmo na ausência dos pais terrenos, estarão confortados e em paz.

A Fé é a maior herança que se pode deixar. É necessário pois que as crianças possam frequentar as casas de Umbanda para aprenderem e para elas com a naturalidade da vida dada especial atenção porque, é nela que a certeza da Fé ira se fazer presente.

A Fé, filhos, também se pratica. Nos momentos de alegria ou de tristeza sempre devem questionar o motivo de tudo que se passa a volta e porque aqueles que estão ao lado ali se apresentam.

Também nas atitudes diárias, nas pequenas decisões a Fé igualmente deve se fazer presente. Sempre que houver uma escolha ela deverá ser tomada dentro da crença Umbandista na construção do bem.

E no dia a dia as entidades também estarão presente orientando os filhos, cabendo a esses se manterem sempre atentos as suas lições.

Pensem filhos quantas vezes as palavras sábias de um preto velho são ditas nos momentos mais difíceis? Quantas vezes os conselhos de um boiadeiro são fundamentais para desfazer às dúvidas no caminho?

E é assim que a Fé se constrói e se pratica, nas escolhas do dia a dia, no eco dos corações e na certeza que o final irá sempre ao encontro do bem.

Texto do livro "Umbanda para a Vida" - Roberto di Luca Melani e Samantha Sade






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18/11/2019

Como Melhor Aproveitar a Gira de Umbanda

No momento em que você entra no terreiro, a espiritualidade já está trabalhando por você. Um primeiro filtro de energia já é realizado: nem toda energia tem permissão para entrar. No plano astral, entre os diferentes seres que podem estar te acompanhando, acontece uma espécie de triagem. Alguns ficam do lado de fora, outros são encaminhados para tratamentos e, por fim, outra parcela te acompanhará para o atendimento com o guia.

Enquanto aguarda o início dos rituais, evite conversas desnecessárias e pensamentos negativos. Prefira o silêncio e a oração. Os guias já se fazem presentes. Muitas vezes, basta uma intuição para encontrar a solução de seus problemas. Porém, se estiver com a mente ocupada com futilidade e negatividade, dificilmente captará as inspirações da espiritualidade.

O descarrego e o passe já estão sendo ministrados, no próprio banco de espera. Esteja receptivo às vibrações elevadas. Lembre-se de que a espiritualidade é invisível aos olhos da carne, mas sentida no coração. E o terreiro é um espaço sagrado. Não é local para fofocas, intrigas, discussões, julgamentos e nem qualquer outro assunto de baixa moralidade.

Quando, enfim, iniciar-se os trabalhos, abra o coração. Vibre junto com os pontos cantados e o axé dos guias e Orixás. Cante, bata palma, dê a sua contribuição à energia da casa.

É verdadeiro o ditado “quem canta os males espantas". A música possui um alto poder de agir nas profundezas de nosso ser. É momento de prestigiar, agradecer, honrar a espiritualidade que nos ampara. Quando os pontos louvarem, por exemplo, a força de Ogum, permita que esta energia, através do toque dos tambores, do ritmo das palmas, e do axé das palavras, vibre em sua essência, trazendo todas as suas bênçãos. Ali mesmo as demandas podem ser quebradas, a força de vontade crescer e os caminhos se abrirem. O mesmo vale para todos os Orixás. Entenda que nenhum elemento do ritual está ali à toa, tudo possui o seu propósito e seu fundamento.

O bom atabaqueiro não é aquele que canta mais alto, nem o que bate mais forte nos tambores. Mas sim aquele que sabe, com harmonia, fazer o terreiro vibrar a força dos guias e Orixás. E o bom consulente e médium é aquele que sabe receber as bênçãos de toda esta espiritualidade.

Então vem a defumação. Através da queima de algumas ervas e resinas específicas, escolhidas pelo sacerdote da casa, as diferentes energias da natureza são liberadas do ambiente do terreiro. A defumação limpa, harmoniza e energiza nosso campo astral. Saiba que a força das folhas está na energia liberada, e não na fumaça que sai do turíbulo.

Digo isto pois vejo alguns que não se sentem satisfeito se a defumação não estiver em excesso e não tomarem um “banho” com a fumaça. É no plano astral que as bênçãos acontecem. Você não precisa fazer movimento nenhum, a não ser que este seja um fundamento da sua casa, basta apenas estar receptivo às boas energias. Como sempre dissemos, não se apegue àquilo que vê e toca, mas ao que sente.

E depois disso, temos, enfim, a grande oportunidade de conversarmos com as entidades. Que nunca esqueçamos quão maravilhosa é esta oportunidade de nos encontrarmos com os guias da Umbanda. Eles que já experimentaram as mais diversas peripécias da vida e atingiram níveis de sabedoria e iluminação ainda tão distantes de nós e dispõem-se, regularmente, a vir em Terra para nos instruir, proteger, fortalecer. E apesar de todos os conselhos e paciência deles, quantas vezes os filhos de Umbanda insistem em errar, a vibrar no negativo, a se voltar contra seus irmãos. E depois estes “filhos" dizem-se esquecidos pela espiritualidade, sem fé, quando eles mesmos não fizeram as suas partes.

Não desperdicem a oportunidade que possuem, pois é pela misericórdia de Deus que a Umbanda pode existir e fazer seus milagres na Terra. Quem pode dizer-se verdadeiramente merecedor de suas graças? Mas os guias compreendem a extensão da missão que carregam e é por amor a todos nós que fazem-se presentes no terreiro. Pelo estágio de evolução que já alcançaram, hoje eles poderiam habitar outros planos tão mais felizes que a Terra, mas optaram por fazer essa missão grandiosa em nosso planeta.

E apesar de toda luz e conhecimento que querem nos passar, são tantos os que apenas buscam dinheiro, relacionamento, casa, emprego, e outras coisas apenas materiais, isto quando não pedem, inutilmente, o mal do próximo. É triste isto. Sábio é aquele que sabe agradecer em vez de pedir. E maduro o que escuta em vez de lamentar e reclamar.

Há muita sabedoria nas palavras dos guias. Há muita elevação nas energias que deles recebemos. Mais uma vez repetimos: não se apegue ao que vê. Nem sempre é preciso acender uma vela, ou realizar uma oferenda, acender um charuto, ou usar pólvora, ou qualquer outro elemento material. Muitas vezes, é suficiente um simples passe. Em outros momentos, uma simples conversa, ou uma simples oração.

É muito importante compreender que existem algumas dificuldades que somente podem ser superadas com a nossa transformação interior. E enquanto você não mudar, não vencer este defeito, o problema não se resolve, não importa quantos trabalhos você realizar. São as sombras que habitam nosso coração e bloqueiam nosso caminho. E para lidar com isso, não há atalhos. Deve-se encarar a si mesmo, aprofundar-se no autoconhecimento, e elevar o espírito.

Tugu Reis





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04/11/2019

Simplesmente Umbanda

A Umbanda não me proíbe de fazer nada, mas me instrui o porquê devo ou não fazer.

A Umbanda não abre meus caminhos, mas me mostra como posso abri-lo com minhas próprias forças.

A Umbanda não me deixa mais forte, Ela me mostra o quanto eu sou realmente forte.

A Umbanda não me consola, Ela me faz enxergar que sempre há irmãos mais necessitados de consolo do que eu.

A Umbanda não me purifica, Ela me ensina como andar sempre puro.

A Umbanda não me faz perfeito, mas me mostra como sou realmente para que eu possa melhorar como ser humano.

A Umbanda não me traz prosperidade, mas me mostra todas as ferramentas para que eu possa buscá-la.

A Umbanda não me faz uma pessoa melhor, mas me dá todas as condições para que eu possa melhorar por mim mesmo.

A Umbanda não faz muita coisa por mim, Ela me ensina que quando fazemos pelos outros, estamos fazendo a nós mesmos.

A Umbanda não tem vários deuses, o que ela tem são vários seres Divinos trabalhando a serviço de um só Deus.

A Umbanda não faz nada por ninguém, Ela ensina a muitos a fazerem o que puderem pelo bem de outros.

A Umbanda veio para ensinar à servir e não para se servirem Dela.

Simplesmente Umbanda!!

Autor desconhecido





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O Rito do Descalçamento

POR QUE TIRAMOS O CALÇADO AO ENTRARMOS NO TERREIRO???

O "rito de descalçamento" ou descalçar os pés ao aproximar-se de um lugar considerado santo tem registro em várias religiões ou filosofias iniciáticas.

A orientação de Pitágoras aos seus discípulos era expressa: que eles, ao realizarem as abluções (purificação por meio da água) e adorações no templo, o fizessem com os pés descalços para que o "pó mundano" não contaminasse o espaço sagrado, significando simbolicamente que as coisas mundanas não deviam ocupar a mente dos discípulos com preocupações. Os mulçumanos, ao executarem seus ritos devocionais, sempre deixam suas sandálias à porta das mesquitas.

Os druídas assim procediam, bem como os antigos incas dos altos andinos deixavam sempre seus sapatos à porta ao entrarem no magnífico templo consagrado à adoração ao Sol.

Tal hábito é, portanto, um símbolo de reverência.

E na Umbanda??

Este ato litúrgico não deve ser compreendido como gesto de humilhação ou submissão, mas sim como um ato de reverência respeitosa e rogativa discreta que traz inúmeros benefícios ao indivíduo, se encarado com humildade sincera, auxiliando-o na saúde física e psicológica. Pisar descalço no terreiro DESCARREGA as energias negativas.

Tocar a testa no congá ou no chão absorve magnetismo positivo imantado nesses locais pela irradiação da aura das entidades espirituais que comparecem em auxílio aos filhos da Terra.

Autor desconhecido




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Exu Ensina o Perdão

O PERDÃO, OS ERROS, A CULPA E A LIBERDADE.

O Senhor Guardião, um Exu da Capa Preta já me mostrou certa vez que o perdão é uma chave que abre todas as portas.

Como seria isso, se eu perdoo o outro que me machuca, que me trai, que assalta, que me magoa, que me agride? Não seria o perdão a chave da prisão desse outro e não da minha? Se assim for, sou eu a dona da liberdade daquele que erra para comigo e ele depende de mim para libertar-se.

Pois examinando bem a minha consciência, percebo que o perdão que me dão pelos meus erros não é condição suficiente para me libertar das culpas que carrego.

Exu, que chave é essa? De onde vem? É uma chave quase mágica, de poderes ilimitados, diz ele. Então ele me faz ver ao longo de minha vida, a força e o poder de cada perdão sincero que concedi.

O perdão me liberta das lembranças de todo mal que me foi feito, me limpa a alma. Retira de mim todo ódio, todo rancor, todo desejo de vingança. Deixa-me leve como uma pluma que flutua.

Olha, filha, ele diz. E eu olho as manchas que carrego em decorrência de meus atos que atentaram contra as leis supremas. A cada perdão concedido elas vão se enfraquecendo e já não me consome tanto a culpa que antes me açoitava o coração. Um peso vai sendo retirado das minhas costas a cada vez que decido deixar as cobranças com aquele que tem poder e autorização para isso.

Agora veja, criança, observa ele mais uma vez. E vai me mostrando a fila de cobradores que atordoada vai fazendo meia volta e retornando. A lei suprema não permitiu que eles me cobrassem daqueles erros que eu já fui capaz de perdoar. Respiro aliviada ao sentir que aquilo que me ligava a eles já não existe mais, meus últimos sentimentos de rancor vão se evaporando e no lugar deles sinto uma profunda compaixão até mesmo por estes que estavam a me cobrar e que um dia prejudiquei. Mas, estranho, não sinto mais culpa. Ela se foi...

Olho para esse guardião da longa capa preta e ele me diz; filha estenda os braços agora. Estendo os dois braços e vejo algemas aprisionando meus pulsos. Ele pega a chave do perdão que me havia mostrado pouco antes e abre as algemas. Para sempre? Eu pergunto, já sem conter as lágrimas. E ele responde; enquanto você tiver merecimento para carregar essa chave do perdão que conquistou, não haverá algemas ou portas que possam lhe prender. Poderá transitar por todos os lugares sem medo de que alguém venha a lhe cobrar por dívidas que hoje você é capaz de perdoar. Entende agora, filha?

Entendi Senhor Guardião, naquele dia, que o perdão que eu penso que concedo ao outro é a mim mesma que eu concedo. Perdoando o outro daquilo que me faz hoje eu perdoo a mim mesma pelo que fui capaz de fazer aos meus irmãos em tempos remotos, dos quais não me lembro mais...

Possa eu carregar essa chave por longos dias.
E possa eu contar essa história a outras pessoas, para que possam refletir sobre a sabedoria que encerram as palavras do Senhor Exu da Capa Preta.
Salve o Senhor e a sua banda!
Laroyê Exu!

Autoria Desconhecida


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