Outubro 2020 - Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

28/10/2020

A Mediunidade Consciente

Mediunidade Consciente

A mediunidade desta época, a que está sendo mais aflorada, é a semiconsciente. Isso ocorre a fim de que o veículo utilizado pela entidade não passe em brancas nuvens aquela experiência única daquela incorporação específica, sem dela retirar proveitos práticos para sua evolução pessoal. O médium ouve a Entidade e o consulente, mas não deve interferir. Ouve, como um acadêmico de medicina em fase de estágio, onde o professor/médico e o seu paciente mantêm diálogo aberto sobre os problemas enfrentados, as soluções possíveis, o caminho mais adequado à cura; cabendo-lhe tão somente realizar suas anotações e aprender para a sua vida pessoal a indicação mais certa para não cair (ele mesmo, o aluno) naquela enfermidade e, estando acometido de mal semelhante, receber luzes para encontrar o caminho mais promissor à sua própria libertação.

Como um sacerdote, canal da comunicação divina aos homens, ouve o confidente e silencia para, em prece, interceder para que a luz atinja aquele ser que se debate em seus conflitos íntimos e o restaure.
Essa forma específica de mediunidade constitui, também, uma grande prova e motivo de valiosa expiação quando bem vivida, pois diversos fatores acercam-se do filho, aparelho para os imortais:

1º) A Confiança – O médium enfrenta o dilema de confiar sem ver com os olhos da carne. Aqui ele é lapidado para “acreditar”, independente da substância, da forma, das cores, para além da matéria densa;

2º) A Entrega – O processo de harmonização entre a entidade e o médium; é momento de ajuste, onde os fios tênues de amor de um e do outro se conectam, dissipando as arestas que impedem tal comunicação. Quanto maior a entrega do médium, mais rápido a entidade encontra canais para essa união; mais intenso e tranquilo o ajuste ou justaposição dos corpos da entidade e do médium;

3º) A Vitória sobre a resistência – É comum aos encarnados o cultivo dos seus diversos “achismos”, de suas ideias pré-concebidas, de seus interesses pessoais, de suas doenças invisíveis. Tudo isso precisa ser purificado para que o médium mergulhe nas certezas de quem veio trabalhar;

4º) A Disciplina – Ao médium é ofertada a oportunidade do rompimento com as “facilidades” de um tempo provisório e consigo mesmo, quando da retirada dos escombros que não lhe pertencem, mas que teimam em se instalar em seu coração. A estrada é a da evolução, da disciplina e da coragem;

5º) A Lapidação – Ser canal da Luz Divina é trabalho sério. Daí a necessidade da limpeza diária dos canais dessa luz – audição, aparelho fonador, visão, órgãos sinestésicos, mente, etc., afim de que as mensagens recebidas fiquem livres das filigranas da “temporalidade” e o trabalho realizado surta o efeito necessário sem acumular energias outras que venham produzir mais desequilíbrios. Lapidar é um verbo de presença efetiva no dia-a-dia daquele que se dispõe a esse serviço;

6º) O Abandono da timidez e do “amor próprio” doentio – Cabe aos que abraçaram esse trajeto se despirem de si e deixarem cada entidade trabalhar do seu jeito, sem a preocupação com o que os outros dele pensarão, pois as entidades que militam na seara da Luz sempre vêm com um propósito, com uma moral elevada, com atitudes que exalam o infinito do amor;

7º) A Libertação da vaidade - O médium deve estar vigilante para não “dramatizar” as sessões ou giras; não é aconselhável nem justo “se fazer passar pela Entidade”, a fim de que esta não o deixe ao sabor de suas próprias temeridades.

O médium, independente de seu grau de entrega, é canal de bênçãos. Ele, em si mesmo, não é a bênção! É antes canal e manifestação dela na vida dos que estão na mortalidade. Daí a sua responsabilidade. Daí a necessidade da sua vigilância e coerência pessoal. Daí precisar estar em intimidade com os seus Guias, com a Luz e a Verdade do Cristo, em evolução perene.

Francimary Figueiredo



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07/10/2020

Guia Chefe



A mediunidade serve para que possamos crescer e ajudar outros a crescerem também, porque nos permite aliviar, através de nossa intermediação, (comunicações com os espíritos) as dores daqueles que nos procuram nas casas espíritas. A umbanda trabalha para caridade a fim de auxiliar a evolução espiritual própria e de outrem. A mediunidade deve se desenvolver adequadamente a fim de que nos tornemos aparelhos mais capazes para que os espíritos, na umbanda denominados de entidades ou guias espirituais, possam praticar os seus trabalhos espirituais.

Há diversas maneiras de se entender o tipo e a condição de trabalho da mediunidade e, consequentemente, do médium. Tais maneiras dependem sobremaneira da doutrina aplicada, no entanto, é fato que, por mais capacitado e mais estudado que seja o médium, ele sempre será um intermediário. A essência do trabalho caberá sempre ao espírito, à Entidade, ao Guia.

E uma das perguntas comuns recebidas é COMO SABER MEU GUIA CHEFE?

Cada médium tem sempre um espírito que é líder em seus trabalhos.

Que se apresenta mais e que responde mais vezes quando solicitado pelo médium. Todas as falanges de trabalhadores ligadas àquele médium estão “subordinadas” a ele. Este é o chamado “guia chefe”, “guia de frente” ou “chefe de cabeça”.

Em geral, é um caboclo ou preto velho, mas pode também pertencer a outras linhas em casos específicos.

O Próprio guia de frente deverá se apresentar. É um erro comum tentar prever isso em algum momento, ou o médium ou zelador tentar “forçar” que seja esta ou aquela entidade, por questões de afinidade.

Percorrendo nossa caminhada espiritual enquanto médiuns iremos nos encontrar com vários espíritos trabalhadores que influenciarão muito em nossas vidas. Todos os guias em que vibramos, incorporamos e/ou conhecemos são com certezas muito importantes pra nós, mas quase todos os médiuns em iniciação ou desenvolvimento buscam encontrar o que seria o guia chefe ou o mentor, que nos acompanha desde o dia de nosso nascimento e o espírito que nos acolherá em nosso desenlace.

Mas o que seria um GUIA CHEFE? Todos nós nascemos completos e viemos a Terra com missão pré-determinada pela espiritualidade superior. Somos escolhidos por nossos ORIXÁS (pai e mãe de cabeça e Orixá ancestral).

Nossos ORIXÁS são força vital que mora em nossa essência e em nossa genética espiritual está presente em todas as nossas encarnações. Somos energia em movimento. Somos a água das senhoras Yemanjá, Oxum, Nanã ou somos o fogo de Xangô, ou a força dos ventos e tempestades de Oya, ou o firmamento de Oxalá e essa força reside em nós influenciando nossa personalidade, nossas características físicas, etc...

Nossos guias chefes são espíritos que, ao contrário de nossos orixás, já foram seres encarnados, viveram nesse plano de existência, para a partir das experiências obtidas em suas passagens terrenas por evolução espiritual ocupam hoje a posição de mestres ou mentores. Esses mestres ou mentores esgotaram suas necessidades de encarnação e hoje divinizados tem missão maior. Dirigem a espiritualidade dos encarnados que escolheram para guiar. Nossos guias chefes podem ser caboclos ( de couro e de pena) , pretos e pretas velhas, e em alguns casos inclusive ibejis (crianças do astral). O que determina a possibilidade de um espirito se tornar um GUIA CHEFE é a filiação desse espirito a uma falange de trabalho espiritual, alcançar a evolução necessária e receber da espiritualidade a missão de conduzir um médium. Essa condução começa na Infância e acontece através de sonhos e não é incomum que o médium lembre de instruções ou intuições passadas pelos seus mentores enquanto criança.

Chico Xavier fala da missão de nossos mentores/guias chefes: “O mentor é um espírito que se comprometeu com o trabalho espiritual do médium, dedicando parte do seu tempo para preparar o médium para sua tarefa, trabalhar ao seu lado e fazer o possível para protegê-lo do contato com as energias degradantes do astral inferior.”

Em algumas casas, os médiuns trabalham somente com os guias chefes. Mas é perfeitamente possível que um médium trabalhe com entidades de todas as falanges.

Como conhecemos nosso GUIA CHEFE? Isso vai depender da sua casa Umbandista. O mentor já interage em nossa vida espiritual como explicado anteriormente, mas é no processo de desenvolvimento mediúnico que vão surgindo as primeiras manifestações desse guia que por serem ou muito intensas, ou muito brandas destoam totalmente das manifestações dos outros guias. Nessa fase eles se comportam de forma diferenciada, cuidando muito mais de sintonizar a energia do médium. No momento apropriado esse médium irá passar por rituais internos que preparam o físico, o mental e o espiritual para esse primeiro contato pleno onde o GUIA CHEFE traz seu nome , seu ponto riscado e cantado para a partir desse momento ser reconhecido pelo médium e por todos como o responsável junto com os ORIXÁS e a egrégora da casa escolhida pelo médium para conduzir sua caminhada espiritual.

A maioria dos médiuns gosta mais de trabalhar com seu guia chefe, devido a essa afinidade. Isso é muito comum. Errado é impedir que outras entidades trabalhem só porque você gosta mais de uma delas. Quase todo médium tem mais afinidade com alguma falange específica de trabalhadores, ou com um determinado guia espiritual. O que não pode acontecer é deixar a vaidade sobressair as questões da espiritualidade.

A entidade Guia Chefe de Cabeça é responsável pela nossa evolução espiritual, cuidando de nos ensinar, doutrinar e guiar dentro da espiritualidade, sempre que buscamos tais atributos. Sendo também o ordenador de toda a nossa trama de guias, pois as demais entidades – “de direita e de esquerda” – submetem-se à sua autoridade que é exercida de forma totalmente pacífica e serena, sem conflitos. Cabe esclarecer ainda que podem não ser necessariamente da mesma linhagem desses Orixás, ou seja: um filho de Xangô com Oxum pode ter como guia chefe de cabeça um caboclo de Oxóssi ou um Preto Velho de Ogum. Isso não interfere em nada.

Autoria desconhecida




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