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Andanças de um Preto Velho - Pai Tomé / Ednay Melo


Andanças de um Preto Velho

Certa vez em uma das andanças desse nego véio pelos terreiros que trabalham com a Bandeira de Pai Oxalá, fiquei a observar os movimentos dos filhos de fé antes do início dos trabalhos. Uns se lembravam de problemas não resolvidos com os familiares, outros não esqueciam aquele desaforo ouvido quando caminhavam para o terreiro e por pouco não revidaram a ofensa, outros ainda arquitetavam na mente como se defender de provável comentário malicioso que talvez aquele irmão de fé tenha para com ele. Ainda outros fazem suas obrigações não por amor, mas para mostrar (véio não sabe a quem) que é o melhor, o mais dedicado e o que merece boas recompensas. Outros sorriem forçosamente enquanto o coração destila fel. Em uma pequena roda de irmãos, véio ficou de boca aberta com os comentários: falava-se de todos, menos dos que estavam na roda, é claro. E em outra roda, véio ficou mais perplexo ainda: não se falava diretamente dos irmãos, mas apimentava-se o verbo: "-é alguém daqui... mas, quem???", e todos se entreolhavam, num mistério profundo... Cada irmão que passava o pensamento fluía: "será este, ou aquele???"

E assim, tristemente, véio presenciou a formação de uma névoa escura que envolvia muitos filhos, que não sabiam porquê, na hora da gira, estavam sentindo-se mal, ou porquê não sentia a vibração do seu guia, ou pior, porque está sendo vítima de uma obsessão... Esta última é palavra da moda, muitas vezes usada para disfarçar os próprios "dragões" interiores!

Numa corrida quase mágica, os trabalhadores do astral trabalhavam para amenizar aquela corrente negativa que se formara, isola-se um, esforça-se para vibrar pelo menos próximo do outro, faz-se o socorro aqueles irmãos que foram atraídos pela vibração de desarmonia, compartilha a prece sincera emanada de poucos e, assim, há muito custo a luz se faz!

Afinal, muitos dos que buscam ali consolo e renovação merecem ser protegidos dos irmãos invigilantes, e serem atendidos de forma harmoniosa, de acordo com o merecimento de cada um.

Quero pedir, humildemente, que os filhos de fé nos ajudem a ajudar quem precisa, se a semente plantada da Umbanda ainda não germinou em seu coração, não desanime, faça um pequeno esforço para deixar os problemas lá fora do terreiro, vibre positivo para todos a sua volta, não se preocupe com o reconhecimento de suas atitudes, porque quando sua recompensa chegar, ela nem será percebida como tal. Que o branco vestido com orgulho e dedicação represente a paz do seu coração, para realmente "refletir a Luz Divina" entoada no Sagrado Hino da Umbanda.

E com as bênçãos de Pai Oxalá cresçamos unidos, porque a fé, o amor e a caridade está ao alcance de todos.

Pai Tomé de Angola
Médium: Ednay Melo





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