Janeiro 2014 - Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

30/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Fazer o Bem sem Olhar a Quem , Umbanda ,

Fazer o Bem sem Olhar a Quem

Fazer o Bem sem Olhar a Quem

O Terreiro também é uma escola, sim! E aprendemos mais com os desafios e ensinamos mais com os exemplos! A espiritualidade nunca nos deixa sem resposta: hoje me deparei com o texto abaixo do Marco Boeing e só tenho a acrescentar diante de uma conclusão bem particular que, vale a pena acreditar na dignidade humana mesmo quando todas as evidências mostram o contrário, porque no final, a consciência do dever cumprido supera todas as decepções! (Ednay Melo)

***


FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM.... 

Quantas vezes já ouvimos isto no terreiro, provavelmente nós mesmos já falamos.
Mas alguém já parou para pensar o quanto isto é difícil??
Muitas vezes recebemos nos terreiros pessoas que “não batem com o nosso santo”, ou que nos fizeram algo, que nos desagradaram em algum momento, e aí?

Como Umbandistas devemos fazer por elas nosso melhor, assim como faríamos com qualquer pessoa, pelo menos esta é a teoria, mas na pratica isto é difícil, somos humanos, temos qualidades e defeitos.

Penso que nestas horas deveríamos lembrar das palavras do Caboclo da 7 Encruzilhadas:

“ A UMBANDA É A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO PARA A PRÁTICA DA CARIDADE”,

E neste caso tenho um entendimento particular:
É o nosso espírito quem deve se manifestar desta maneira, uma vez que nossos mentores, estão sempre a postos, sou eu quem deve deixar de lado naquele momento, sentimentos e aversões por aquela pessoa, e me doar intensa e completamente por ela, tal como faria por qualquer outra.

Acredito que quando nos deparamos com um caso assim, é a espiritualidade nos dando uma chance de entendermos e nos libertarmos de sentimentos nocivos.

Ao falar sobre isto estou assumindo que a prática é muito mais difícil que a teoria, estou entendendo que tenho muito que crescer, pois muitas vezes tenho dificuldade ainda em seguir a máxima do “FAZER O BEM, SEM OLHAR A QUEM...”

Marco Boeing




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29/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Médiuns Curadores , A Cura , Estudos da Doutrina Espírita ,

Médiuns Curadores


Eis um assunto sempre alvo de polêmicas e em última análise também sempre beneficiando muita gente: os enfermos que são os maiores beneficiados. As polêmicas surgem em virtude do endeusamento de médiuns ou explorações de que são vítimas ou se permitem. O fato, porém, é que a faculdade de curar pela mediunidade existe e deve ser alvo de atento e cuidadoso estudo para evitar-se fraudes e uso indevido da notável capacidade de curar enfermidades através da intervenção dos espíritos.



E também há a questão das cirurgias espirituais sem anestesia, sem dor ou sangue e muitas vezes com cicatrização imediata. Ou o tema dos “benzimentos”, “leitura” das linhas das mãos, etc., etc. Assuntos interessantes estes. Mas o que a Doutrina diz destes fatos?

Busquemos algumas definições e transcrições das obras da Codificação:

a) “(...) Todos os fenômenos espíritas tem por princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo e suas manifestações. Sendo tais fenômenos baseados numa lei da natureza, nada têm de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar destes vocábulos. Muitos fatos só são considerados sobrenaturais porque se lhes desconhece as causas; assinando-lhe uma causa, o Espiritismo os faz entrar no domínio dos fenômenos naturais. Entre os fatos qualificados como sobrenaturais, há muitos cuja impossibilidade é demonstrada pelo Espiritismo, que os coloca entre as crenças supersticiosas. Posto que o Espiritismo reconheça em muitas crenças populares um fundo de verdade, de modo algum aceita a solidariedade de todas as histórias fantásticas, criadas pela imaginação. (...) (1)

b) “(...) O poder da fé recebe uma aplicação direta e especial na ação magnética; por ela o homem age sobre o fluido, agente universal, lhe modifica as qualidades e lhe dá uma impulsão, por assim dizer, irresistível. Por isso aquele que, a um grande poder fluídico normal junta uma fé ardente, pode, apenas pela vontade dirigida para o bem, operar esses fenômenos estranhos de cura e outros que, outrora, passariam por prodígios e que não são, todavia, senão as consequências de uma lei natural. (...) Mas o Cristo (...) mostrou (...) o que pode o homem quando tem fé, quer dizer, a vontade de querer(...) Ora, que eram esses milagres senão efeitos naturais cuja causa era desconhecida dos homens de então, mas que se explica em grande parte hoje, e que se compreenderá completamente pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo? (...) (2)

c) “(...) O Espiritismo e o Magnetismo nos dão a chave de uma infinidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu muitas fábulas, em que os fatos são exagerados pela imaginação. O conhecimento esclarecido dessas duas ciências, que se resumem numa só, mostrando a realidade das coisas e sua verdadeira causa, é o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de crença ridícula. (...)”(3)

E qual a definição de Magnetismo?

Magnetismo: designação comum às propriedades características dos campos de influência magnética das pessoas, dos animais e das coisas. Considera-se magnetismo a influência exercida por um indivíduo ou grupo de indivíduos na vontade ou na organização de outrem. Chamamos também magnetismo ao fenômeno oficialmente aceito e utilizado pela Ciência, que pertence à Física e se define como sendo a propriedade essencial do imã.(*)

Sem adentrar no domínio das leis materiais do magnetismo – que deixamos ao estudo da Física – pensemos na questão espiritual, baseando-nos nas transcrições acima.

O princípio é o mesmo: há uma atração, uma concentração de forças. Em curas e cirurgias sem anestesia, curas ou salvamentos inesperados em situações de extremo perigo ou nos inúmeros casos relatados ou não no início do artigo, existe a formação do que podemos designar de campo magnético. Trata-se da concentração de forças para determinado fim, alcançado de maneira consciente ou não, induzido ou assessorado por espíritos ou pela própria capacidade humana individual ou coletiva. Assim é que por força magnética, médiuns curam

Os fenômenos de origem mediúnica ou anímica prendem-se às qualidades da alma, esteja encarnada ou desencarnada. A potencialidade na produção de fenômenos conscientes ou inconscientes está no espírito, que alcançou este estágio através de seu esforço nas sucessivas reencarnações. Não há, portanto, nada de sobrenatural em fatos aparentemente inexplicáveis. Ficamos apenas na pendência de conhecer para julgar melhor. E neste caso considere-se que muitos fatos e fenômenos ainda escapam à compreensão humana.

O fato final, porém, é que os pensamentos, a potencialidade da alma alcançada pelo esforço e experiência determinam o ambiente próprio em que o ser se movimenta. Sua própria vontade persistente, suas conquistas anteriores possibilitam-lhe realizar ações ou provocar fenômenos – e aqui é importante repetir, consciente ou inconscientemente – nem sempre compreendidos, mas perfeitamente enquadrados nas Leis Naturais.

É pela aplicação desta fabulosa possibilidade que agem os espíritos protetores – na manipulação fluídica em favor do homem – utilizando-se dos próprios homens na produção de fenômenos inesperados ou direcionando inúmeros fatos que despertem o homem dessa sonolência espiritual em que muitos ainda nos vinculamos. É por esta lei que os afins se atraem, que um ambiente onde se reúnam pessoas amigas e simpáticas entre si provoca grande bem estar ou o oposto; é por ele que os sonhos se concretizam – cria-se um campo magnético que é alimentado pelo esforço diário e continuado para alcance desse sonho; é também, infelizmente, onde se engendram grandes tragédias – justamente pela força direcionada. Mas é também por ele, finalmente, entre tantas outras situações, que há permanente solidariedade entre os seres e os mundos, pois estamos todos ligados entre si – mesmo que a distâncias incomensuráveis – pois que filhos do mesmo Bondoso Pai de Amor, caminhamos para a felicidade e o progresso.

Allan Kardec na Revista Espírita (4) citou: “O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e os rápidos progressos desta última Doutrina são devidos, incontestavelmente, à vulgarização dos conhecimentos sobre o primeiro. Dos fenômenos do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas não há mais que um passo; sua conexão é tal que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro.”

Isto tudo porque estamos imersos num permanente campo de forças que se concentram, atraem ou se dispersam por influência do pensamento, mas também regido pelas leis físicas do Universo, determinantes do equilíbrio deste em todas as áreas e conhecimentos. Basta ao homem aprofundar esse conhecimento. O leitor poderá encontrar muitas referências do Codificador em tão empolgante assunto. Em todas as obras da Codificação, bem como na Revista Espírita, há estudos e citações. É um assunto para vasta pesquisa que não se resume apenas nas leis físicas, mas tem alcance moral pelo uso que permite. São forças da alma que concentradas ou atraídas permitem a formação de um campo magnético que envolve lugares ou pessoas, com poder de ação nas diversas situações da vida humana.

Observemos o pensamento do Codificador, referindo-se aos fluidos espirituais: "(...) Quem quer que traga os pensamentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, animosidade, cupidez, falsidade, hipocrisia, murmuração, malevolência, numa palavra, pensamentos colhidos das más paixões, espalha em torno de si eflúvios fluídicos que reagem sobre os que o cercam. Ao contrário, na mesma assembléia em cada um só trouxe sentimentos de bondade, caridade, humildade, devotamento desinteressado, benevolência e amor ao próximo, o ar é impregnado de emanações salutares em meio às quais sente viver mais à vontade (...) Os fluidos espirituais representam um importante papel em todos os fenômenos espíritas, ou melhor, são o princípio mesmo desses fenômenos (...)" (5).

Sobre fluido magnético, expõe Kardec (6) "(...) Sabe-se que o fluido magnético ordinário pode dar a certas substâncias propriedades particulares ativas. (...) não há, pois, nada de admirar que possa modificar o estado de certos órgãos; mas compreendam igualmente que sua ação, mais ou menos salutar, deve depender de sua qualidade; daí as expressões ‘bom ou mau fluido; fluido agradável ou penoso’(...)".

A verdade é que os espíritos atuam sobre os fluidos, não manipulando-os como os homens, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Neste processo, eles imprimem direção, aglomeram ou combinam, ou dispersam; organizam aparências, formas, coloração. Isto tudo pela intenção ou pensamento, de forma consciente ou inconsciente. Aí está a origem das regiões umbralinas ou trevosas, das colônicas espirituais e a ação dos construtores celestes – na formação dos mundos ou na condução dos seres vivos –, das ocorrências de imagens plasmadas em reuniões mediúnicas para socorro de espíritos em desequilíbrio; também da proteção fluídica superior ou de verdadeiros cercos fluídicos organizados por obsessores. Também está aí a atmosfera espiritual de encarnados, a ocorrência do processo obsessivo ou os benefícios da fluidoterapia, etc. Como também as sensações de paz, harmonia, entusiasmo ou desânimo, mal estar, causados por influências espirituais. E até as modificações causadas no períspirito, como num espelho, das imagens criadas pela força do pensamento. Enquadram-se neles também as reflexões sobre vibrações à distância, curas, manifestações de fenômenos físicos (movimento de objetos e outros), vestuário dos espíritos e outros temas que se podem estudar inclusive no capítulo VIII de O Livro dos Médiuns: Laboratório do Mundo Invisível.

Especificamente sobre a mediunidade de cura, em O Livro dos Médiuns (capítulo XIV da segunda parte), nos itens 175 e 176, encontramos “(...) Diremos somente que esse gênero de mediunidade consiste principalmente no Dom que certas pessoas têm de curar pelo simples toque, pelo olhar, por um gesto mesmo, sem o socorro de nenhuma medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso não é outra coisa do que o magnetismo. É evidente que o fluido magnético desempenha aqui um grande papel; mas, quando se examina este fenômeno com cuidado, pode-se reconhecer sem esforço que há alguma coisa a mais. (...) Todos os magnetizadores estão mais ou menos aptos a curar, se sabem portar-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea , e alguns a possuem mesmo sem jamais ter ouvido falar do magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que constitui a mediunidade, torna-se evidente em certas circunstâncias, sobretudo quando se considera que a maioria das pessoas que se pode com razão qualificar de médiuns curadores, recorre à prece, que é uma verdadeira evocação. (...)”. E mais adiante, as indagações:

“Podem-se considerar as pessoas dotadas do poder magnético como formando uma variedade de médiuns?

Disso não podeis duvidar.”

Na seqüência das indagações, eis trechos interessantes das respostas dos espíritos:

a) “(...) a potência magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos espíritos que chama em sua ajuda. Se tu magnetizas para curar, por exemplo, e evocas um bom espírito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta tua força e tua vontade, dirige teu fluido e lhe dá qualidades necessárias”.

b) “(...) Os que magnetizam pelo bem são secundados pelos bons Espíritos. Todo homem que tem o desejo do bem os chama sem disso desconfiar. (...)” (7).

Para concluir, deixemos a palavra, em transcrição parcial, com O Espírito de Verdade, em O Livro dos Médiuns (7), capítulo XXXI, da segunda parte, na coletânea que Kardec agrupou com o título Dissertações Espíritas, cuja mensagem (é a XV) está sob título Sobre os Médiuns: “Todos os médiuns são incontestavelmente chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida da sua faculdade, mas há bem poucos deles que não se deixam prender na armadilha do amor-próprio; é uma pedra de toque, que raramente não alcança seu efeito; do mesmo modo, com dificuldade encontrareis sobre cem médiuns, um, por ínfimo que seja, que não se tenha acreditado nos primeiros tempos de sua mediunidade, chamado a obter resultados superiores e predestinado a grandes missões. Os que sucumbem a essa vaidosa esperança, e seu número é grande, tornam-se presa inevitável de Espíritos obsessores, que não tardam em subjugá-los, adulando seu orgulho e prendendo-os pela sua fraqueza; (...) Que se persuadam de que, na esfera modesta e obscura onde estão colocados, podem prestar grandes serviços, ajudando a conversão dos incrédulos, ou dando consolações aos aflitos (...)”.

A última frase do parágrafo parcialmente transcrito define bem o papel dos médiuns curadores, instrumentos a serviço da grande obra de regeneração da humanidade, pois que a Providência Divina, ciente das fragilidades humanas, estando sempre atenta, envia com constância os Benfeitores e autênticos Missionários para amenizar tais fragilidades. Dentre eles, os médiuns curadores, que, para bem cumprirem seu mandato, necessitam dos instrumentos da prudência, do conhecimento e especialmente do amor ao próximo, razão maior da evolução.

Orson Peter Carrara

*Do livro Léxico Kardequiano, de L. Palhano Jr., editora CELD.; grifos nossos.

(1) Revista Espírita, de setembro de 1860 (vol. 9, ano III), Edit. Edicel, tradução de Júlio Abreu Filho. O mesmo artigo foi transcrito pelo Codificador para composição do capítulo II de O Livro dos Mëdiuns

(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIX, itens 5 e 12 (páginas 245 e 250 da 107ª edição IDE-Araras-SP, tradução Salvador Gentile.

(3) O Livro dos Espíritos, comentário de Kardec à questão 555, 3ª edição FEESP, tradução J. Herculano Pires;

(4) Revista Espírita, de março de 1858 (ano I, vol. 3), Edit. Edicel, tradução de Júlio Abreu Filho.

(5) Revista Espírita, ano 1867, página 133, edição Edicel.

(6) Revista Espírita, ano 1864, página 8, edição Edicel

(7) 49a edição IDE, tradução Salvador Gentile, junho de 1999, Araras-SP.



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26/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Os Animais no Plano Espiritual , Artigos Interessantes ,

Os Animais no Plano Espiritual

Os Animais no Plano Espiritual

Uma análise sobre como ocorre o processo evolutivo e reencarnatório no reino animal.

Por Dra. Irvênia Prada

Na literatura espírita, encontramos com bastante freqüência alusões a figuras de animais no plano espiritual. Por exemplo, Hermínio C. Miranda, em Diálogo com as Sombras, descreve o "dirigente das trevas" como sendo visto quase sempre montado em animais. Brota imediatamente em nossa mente a pergunta: Qual a natureza desses animais?

Também André Luiz refere-se, em suas obras, a cães puxando espécies de "trenós" (livro Nosso Lar), aves de monstruosa configuração (Obreiros da Vida Eterna), e assim por diante.

Realmente, identificar a natureza dessas figuras de animais no plano espiritual não é tarefa fácil. Alguns casos são de mais direto entendimento.

Assim, em A Gênese lê-se que "o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos dos quais tem o hábito de se servir; um avaro manejará o ouro..., um trabalhador o seu arado e seus bois... "

Esses bois, portanto, não são animais propriamente ditos, mas, criações fluídicas, formas-pensamento.

Em outras situações, em que são vistos animais ou sentido a sua presença, existe também a possibilidade de que sejam, mesmo, perispíritos de animais ou, se quisermos assim dizer, animais desencarnados.

Digo animais desencarnados mas, haveria ainda a hipótese de serem também animais encarnados, em "desdobramento" (viagem astral), estando então seu espírito e perispírito desprendidos do corpo físico, por exemplo, durante o sono. Mas, o espírito Alvaro esclareceu-nos, dentre muitas outras questões, que "os animais quando encarnados possuem raros desprendimentos espirituais, isso acontecendo apenas em casos de doenças, fase terminal da existência ou em casos excepcionais com a atuação dos espíritos, pois geralmente permanecem fortemente ligados à matéria". Esta possibilidade de explicação da presença de animais no plano espiritual, de modo particular os animais desencarnados, me parece lógica e portanto, aceitável.

O nosso prezado confrade Divaldo Pereira Franco contou-me, certa feita, que há alguns anos, esteve em determinada cidade brasileira, para uma conferência e, ao ser recebido na casa que iria hospedá-lo, assustou-se com um cachorro grande, que lhe pulou no peito. A anfitriã percebeu-lhe a reação:

- O que foi, Divaldo?

Foi o cachorro, mas está tudo bem!

Que cachorro, Divaldo, aqui não tem cachorro nenhum!

- Tem sim, esse pastor aí!

- Divaldo, eu tive um cão da raça pastor alemão, mas ele morreu há um ano e meio!

E Divaldo concluiu: - era um cão espiritual!

Segundo o meu entendimento, é possível e até muito provável que esse cão desencarnado ainda estivesse por ali, no ambiente doméstico que o acolheu por muitos anos, tendo sua presença sido detectada pela mediunidade de Divaldo Franco.

Não posso deixar de referir, novamente, a obra magnífica Os Animais tem Alma?, de Ernesto Bozzano, que recomendo para leitura e aprendizado sobre o assunto, porque dos 130 casos descritos, de manifestações metapsíquicas envolvendo animais, muitos estão inseridos nesta categoria de fenômenos, ou seja, em que animais, pela atuação de seu perispírito são vistos e ouvidos ou sentido sua presença.

Herculano Pires também comenta a respeito de "casos impressionantes de materialização de animais, em sessões experimentais", em seu livro Mediunidade. Vida e Comunicação, do que se presume que esses animais se encontravam previamente na dimensão espiritual.

Uma terceira possibilidade que vejo, em relação à presença de figuras animais no plano espiritual é a de perispíritos humanos se encontrarem metamorfoseados em formas animais, sem contudo, perderem a sua condição de espíritos humanos, é claro! E o fenômeno que se conhece com o nome de zoantropia (zôo = animal e antropos, do grego = homen), do qual uma variedade é a licantropia (tycos, do grego = lobo).

Temos o relato de um caso de licantropia no livro Libertação, de André Luiz. O obsessor, desencarnado, encontra a sua "vítima", uma mulher, e conhecendo-lhe a fragilidade sustentada por um complexo de culpa, passa a acusá-la cruelmente, e conclui " - A sentença está lavrada por si mesma! Não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba... ". E assim, induzida hipnoticamente, sua própria mente vai comandando a metamorfose de seu perispírito que, aos poucos e gradativamente se modifica, assumindo por fim, a figura de uma loba. Diga-se de passagem, não foi o obsessor que diretamente transformou a sua figura humana, em loba. Foi ela mesma, ao aceitar a sugestão mental que partiu dele.

Afinidade e sintonia são o elementos básicos para o estabelecimento do "pensamento de aceitação ou adesão", conforme explica André Luiz em Mecanismos da Mediunidade.

E por falar em perispírito de animais, em A Evolução Anímica, Gabriel Delanne comenta (resumidamente), que na formação da criatura vivente, a vida não fornece como contingente senão a matéria irritável do protoplasma e nada se lhe encontra que indique o nascimento de um ser ou outro, de vez que a sua composição é sempre uma e única para todos. É o perispírito, que contém o desenho prévio e que conduzirá o novo organismo ao lugar na escala morfológica, segundo o grau de sua evolução.

A REENCARNAÇÃO

Em O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte questão que Kardec coloca aos espíritos: - O que é a alma (entenda-se humana) nos intervalos das encarnações?

R - "Espírito errante, que aspira a um novo destino e o espera".

Nas questões que se seguem, lemos também a expressão "estado errante".

Um dos significados da palavra errante, no dicionário de Caldas Aulete é "nômade, sem domicílio fixo", e de errar, é "vaguear" (errando ao acaso... ). Por sua vez, erraticidade, o mesmo que erratibilidade, quer dizer: "caráter do que é errático. (Espir.) Estado dos espíritos durante os intervalos de suas encarnações".

Bem, chegando aos animais, surge a natural curiosidade de se saber como o seu espírito se comporta na erraticidade, se é que para eles existe erraticidade.

No Livro dos Espíritos lemos "- A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica num estado errante, como a do homem após a morte?

R - "Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um espírito errante. O espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. É a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do espírito. O espírito do animal é classificado após a morte, pelos espíritos incumbidos disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Bem, vamos por partes!

Algumas pessoas entendem, a partir desse texto, que os animais, assim que desencarnam, são prontamente reconduzidos à reencarnação.

A expressão "utilizado quase imediatamente" não necessariamente deve ter esse significado. O espírito do animal pode ser prontamente "utilizado "para uma infinidade de situações, dentre elas, inclusive, o reencarne, e então, em todas elas, "não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas".

Entendo que os animais, sendo conduzidos por espíritos humanos, não dispõem de tempo livre, digamos assim, para se relacionarem com outras criaturas, ou fazer o que quiserem, a seu bel-prazer mas, sim da maneira como decidiram seus orientadores. Aliás, é o que sugere o texto em foco "O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade".

Em O Livro dos Médiuns, Kardec trata da possibilidade da evocação de animais e pergunta aos espíritos: "- Pode-se evocar o Espírito de um animal?". R: "- O princípio inteligente, que animava um animal, fica em estado latente após a sua morte. Os espíritos encarregados deste trabalho, imediatamente o utilizam para animar outros seres, através das quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos espíritos, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos..." Herculano Pires, tradutor da obra, faz a seguinte chamada em rodapé: Espíritos errantes são os que aguardavam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados. São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo fixado ainda em plano superior. Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita n° 7 de julho/ 1860, as comunicações do espírito Charlet e a crítica de Kardec a respeito.

Apesar da colocação dos espíritos ter sido taxativa, de que não há espíritos errantes de animais, os fatos falam ao contrário. Se assim fosse, isto é, se não existissem animais (desencarnados) no plano espiritual, como explicaríamos tantos relatos? Como explicaríamos a existência dos chamados "espíritos da natureza?".

Ernesto Bozzano, em Os animais têm alma? refere, dentre os 130 casos de fenômenos supranormais com animais, dezenas de episódios com aparição de bichos em lugares assombrados, com materialização e visão com identificação de fantasmas de animais mortos.

Novamente, em O Livro dos Espíritos, lemos "Nos mundos superiores, a reencarnação é quase imediata". Se é assim a reencarnação dos espíritos mais evoluídos, seria até de se esperar que os espíritos de animais, sendo mais primitivos, demorassem mais tempo para voltar à matéria. Entretanto, nada conheço de conclusivo sobre esta questão.

ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

Muito mais do que supomos, os animais são assistidos em seu desencarne por espíritos zoófilos que os recebem no plano espiritual e cuidam deles.

Notícias pela Folha Espírita (dez. 1992) nos dão conta de que Konrad Lorenz - zoólogo e sociólogo austríaco, nascido em 1903 -, o pai da Etologia (ciência do comportamento animal, que enfoca também aspectos do comportamento humano a ele eventualmente vinculados) continua trabalhando, no plano espiritual, recebendo com carinho e atenção, animais desencarnados.

Também temos informações que nos foram transmitidas, pelo espírito Álvaro, de que há vários tipos de atendimento para os animais desencarnados, dependendo da situação, especialmente para os casos de morte brusca ou violenta, possibilitando melhor recuperação de seu perispírito. Existem ainda instalações e construções adequadas para o atendimento das diferentes necessidades, onde os animais são tratados.

Tendo sido perguntado se os animais têm "anjo da guarda", Álvaro respondeu que sim; alguns espíritos cuidam de grupos de animais e, à medida que eles vão evoluindo, o atendimento vai tendendo à individualização.

Concluindo, podemos dizer que para os animais é discutível se existe o estado errante ou de erraticidade. Eu, particularmente, estou propensa a aceitar que esse estado existe, sim, para os animais, se o entendermos como "o estado dos espíritos durante os intervalos das encarnações".

Se esses intervalos são curtos ou longos, não se sabe exatamente. Penso que existem situações das mais variadas possíveis, face à grandeza da biodiversidade animal, devendo, portanto, acontecer tanto reencarnes imediatos, quanto mais ou menos tardios.

Por outro lado, existe ainda, a consideração feita de que o espírito errante pensa e age por sua livre vontade, além de ter consciência de si mesmo, o que não aconteceria em relação aos animais.

Mas, isso não aconteceria até mesmo com espíritos humanos em determinadas e graves condições de alienação mental, como é o caso dos "ovóides", a exemplo do que refere André Luiz, no livro Libertação.

A rigor, nesta abordagem, teríamos que condicionar o conceito de erraticidade, não apenas ao fato do espírito (humano ou animal) estar desencarnado - vivenciando, portanto, o intervalo entre duas encarnações - como também às suas condições mentais do momento.

Quanto ao reencarne dos animais, perguntou-se ao espírito Álvaro se os animais estabelecem laços duradouros entre si." - Sim, existe uma atração entre os animais, tanto naqueles que formam grupos como naqueles que reencarnam domesticados. Procuramos colocar juntos espíritos que já conviveram, o que facilita o aparecimento e a elaboração de sentimentos".

E qual é a finalidade da reencarnação para os animais? Conforme os espíritos da codificação, a finalidade é sempre a da oportunidade de progresso.

Extraído do livro: A questão espiritual dos animais

TODOS OS ANIMAIS MERECEM O CÉU

Este foi o título escolhido pelo autor e veterinário Marcel Benedeti para o livro que relata a reencarnação dos animais, a eutanásia, o sofrimento como forma de evolução desses seres, a existência de colônias que cuidam dos animais no plano espiritual e outras questões importantes.

A obra foi uma das premiadas no Concurso Literário Espírita João Castardelli 2003-2004, promovido pela Fundação Espírita André Luiz. Esse foi o primeiro livro do autor que se especializou em homeopatia para animais e conheceu a doutrina espírita na época em que cursava a faculdade, apesar de sua mediunidade ter se manifestado muito antes desse período. Marcel relata que quando trabalhava em uma livraria e se preparava para prestar vestibular, em um dia de pouco movimento, foi para a parte de baixo da loja estudar e notou que estava sendo observado por um senhor. Resolveu perguntar se o senhor desejava alguma coisa e ele lhe respondeu que só estava achando interessante ele estudar, então explicou que queria passar no vestibular de veterinária e o velhinho disse que não se preocupasse porque passaria. Previu também outros fatos que aconteceriam.

Em seguida se despediu dizendo que se veriam depois. Após alguns instantes comentou com seu colega de trabalho que tinha achado aquele homem esquisito por fazer previsões do futuro. O colega disse que não havia entrado ninguém na livraria, foi então que se deu conta de que se tratava de um espírito. Este mais tarde é que lhe ditaria o livro.

O tema da obra fez tanto sucesso que se transformou também em programa de rádio. Nossos irmãos animais vai ao ar toda quarta-feira, às 13h na Rede Boa Nova. Com apresentação de Ana Gaspar, Maria Tereza Soberanski e Marnel Benedeti.

Como o livro foi escrito?

Escrevi o livro em menos de um mês, durante os intervalos das consultas, mas o espírito que ditou não quis se identificar.

As cenas foram surgindo em uma tela mental e ao mesmo tempo um espírito narrava os episódios. Outras vezes, não havia imagem, apenas a narrativa; nesses momentos se tornava mais difícil. Apesar de achar o livro maravilhoso, não acreditava que alguma editora pudesse se interessar pelo assunto. Mas certo dia estava ouvindo a rádio Boa Nova quando anunciaram o concurso literário espírita. Resolvi participar e acabei ganhando o concurso 2003-2004 e editando o livro pela editora Mundo Maior.

O que o livro acrescentar para os veterinários e pessoas que possuem animais?

Se as pessoas não tiverem a visão espiritual em relação aos animais, que eles tem espírito e sentimentos vão continuar tratando esses seres como objetos, como era há pouco tempo atrás. Essa onda de conscientização é recente.

Entramos na questão também de comer carne; cada um tem que perceber o que está fazendo. Eu mesmo comia carne e parei para pensar porque comia, se meu corpo recusava, me fazia mal... Mas quando comecei a lembrar as descrições feitas no livro a respeito do matadouro, passei a sentir repugnância da carne.

Sendo veterinário e espírita, como analisa a questão da eutanásia?

O ser humano tem o carma, o animal não. O animal tem consciência, mas muito mais restrita, em relação ao ser humano. Ele segue muito mais os seus instintos.

Então, como não tem carma, a eutanásia deve ser o último recurso utilizado; o veterinário deve fazer todo o possível para salvá-lo.

Se o animal estiver sofrendo muito e não existir outra maneira, o plano espiritual não condena, porque é um aprendizado tanto para o animal quanto para o dono que precisa tomar a decisão.

Os animais reencarnam?

Há um capítulo no livro que explica como ocorre a reencarnação dos animais. Este descreve que cada espécie de animal leva um tempo para reencarnar, mas por possuírem o livre-arbítrio ainda muito restrito, uma comissão avalia as fichas dos animais e estabelece o ambiente que deverão nascer e a espécie.

Como o conhecimento espiritual pode ajudar o veterinário no trato com os animais?

O veterinário, em geral, por natureza, mesmo não sabendo já é espiritualizado, pelo fato de gostar de animais e querer salvar a vida deles. Quando o veterinário adquire consciência de que o animal não é um objeto e sim um ser espiritual, que possui inteligência e sentimento, muda o seu ponto de visa, passa a enxergar os fatos de uma forma mais ampla. Com certeza se mais veterinários tivessem um conhecimento espiritual, o tratamento em relação aos animais seria melhor.

Como é aplicada a homeopatia para animais?

No Brasil, a homeopatia ainda é pouco aplicada nos animais porque muitos acham que não funciona. Só utilizo a homeopatia quando o dono do animal permite e, em casos mais graves, a homeopatia entra como terapia complementar, porque demora um pouco mais para trazer resultado e alguns casos são urgentes.

O uso da homeopatia é igual tanto para pessoas quanto para animais. A única diferença é que o animal não fala, então o dono precisa ser um bom observador para relatar a personalidade do animal para o veterinário, e muitas vezes, não possui as informações necessárias para um diagnóstico mais preciso.

Pergunto, por exemplo, se o animal gosta de quente ou frio, do verão ou do inverno, a posição em que dorme, entre outras perguntas do gênero.

Tive o caso, de um gato com câncer e que em decorrência da doença estava com o rosto deformado. Como tratamento ele melhorou 70%. Só não foi melhor porque esse gato saia e demorava a voltar e com isso interrompia o tratamento.

Cuidei também de um cachorro com problema de comportamento muito; agressivo. O animal, depois de 10 dias, parecia outro, muito mais calmo. Utilizo também florais para animais em casos emocionais. Se nós equilibramos emocional, o organismo ganha condições combater as bactérias.

E os próximos livros?

Já tenho na editora outro livro em análise que tem o título: Todos os animais são nossos irmãos. E já estou escrevendo o terceiro. Pelas informações que recebi do plano espiritual, serão seis livros.

Entrevista realizada por Érika Silveira

(Extraído da Revista Cristã de espiritismo nº 29, páginas 54-59)

Vídeo com história emocionante de Chico e sua cadela Boneca:


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24/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Conselhos aos Médiuns , Mediunidade ,

Conselhos aos Médiuns


1º - Conserve sua saúde psíquica, vigiando seu aspecto moral:

a) não alimente vibrações negativas de ódio, rancor, inveja, ciúme, etc.;
b) não fale mal de ninguém, pois não é juiz e, via de regra, não se pode chegar às causas pelo aspecto grosseiro dos efeitos;
c) não julgue que o seu guia ou protetor é o mais forte, o mais sabido, mais, muito mais do que o de seu irmão, aparelho também;
d) não viva querendo impor seus dons mediúnicos, comentando, insistentemente, os feitos do seu guia ou protetor. Tudo isso pode ser bem problemático e não se esqueça de que você pode ser testado por outrem e toda a sua conversa vaidosa ruir fragorosamente...
Dê paz ao seu protetor, no astral, deixando de falar tanto no seu nome...
Assim você está se fanatizando e aborrecendo a Entidade, pois, fique sabendo, ele, o Protetor, se tiver mesmo “ordens e direito de trabalho” sobre você, tem ordens amplas e pode discipliná-lo, cassando-lhe as ligações mediúnicas;
e) quando for para a sua sessão, não vá aborrecido e quando lá chegar, não procure conversas fúteis. Recolha-se a seus pensamentos de fé, de paz e sobretudo, de caridade pura, para com o próximo.

2º - Não mantenha convivência com pessoas más, viciadas ou invejosas, maldizentes, etc. Isso é importante para o equilíbrio de sua aura, dos seus próprios pensamentos. Tolerar a ignorância não é partilhar dela. Assim:

a) faça todo o bem que puder, sem visar recompensa;
b) tenha ânimo forte, através de qualquer prova ou sofrimento: confie e espere;
c) faça recolhimentos diários, pelo menos de meia hora, a fim de meditar sobre suas ações;
d) não conte seus “segredos” a ninguém, pois sua consciência é o templo onde deverá levá-los à análise;
e) não tema a ninguém, pois o medo é uma prova de que está em débito com sua consciência;
f) lembre-se de que todos nós erramos, pois o erro é humano e fator ligado à dor, ao sofrimento e conseqüentemente, às lições com suas experiências. Sem dor, lições, experiência, não há carma, não há humanização nem polimento íntimo — o importante é que não erre mais, ou melhor, que não caia nos mesmos erros. Passe uma esponja no passado, erga a cabeça e procure a senda da reabilitação: para isso, “mate” a sua vaidade e não se importe, de maneira alguma, com o que os outros disserem ou pensarem a seu respeito. Faça tudo para ser tolerante, compreensivo, humilde, pois assim só poderão dizer boas coisas de você.

3º - Zele por sua saúde física com uma alimentação racional e equilibrada:

a) não abuse de carnes, fumo, álcool ou quaisquer excitantes;
b) no dia da sessão, não use carne, café ou qualquer excitante mais de uma vez;
c) de véspera e após a sessão, não tenha contato sexual;
d) todo mês deve escolher um dia para ficar em contato com a natureza, especialmente uma mata, uma cachoeira, um jardim silencioso, etc. Ali deve ficar lendo ou meditando... pois assim ficará a sós com sua própria consciência, fazendo revisão de tudo que lhe pareça ter sido positivo ou não, em sua vida material, sentimental e espiritual.


Fonte: "Lições de Umbanda" / W.W. da Matta e Silva



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23/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , O Sabor da Caminhada , Linhas de Trabalho na Umbanda ,

O Sabor da Caminhada


O Sabor da Caminhada


A vida parece muitas vezes difícil.


Eu sei! E você ainda diz, meu filho, que a vida é dura...

Pai-velho lhe fala com todo o carinho que essa dureza da vida é só aparência, pois, se a vida lhe parece dura, é porque você é mole.

O vencedor na vida é aquele que não abandona a jornada e prossegue confiante, superando os obstáculos.

Numa corrida, o atleta encontra naturalmente os desafios a vencer e muitas barreiras que exigem mais disposição, firmeza e coragem.

Nenhuma vitória é conquistada sem lutas.

Se você adotou uma ideia, uma doutrina ou filosofia, não espere que as coisas sejam fáceis para você.

Surgirão dificuldades, que servirão de teste para averiguar sua competência e seus valores.

Se você empreende um negócio, não seja imaturo a ponto de pensar que tudo será como um mar de rosas.

Como todo ser humano, você só atingirá a tranquilidade após o esforço da conquista.

Sem aqueles espinhos, sem as pedras e desafios ou as sinuosidades do caminho, não aprenderíamos o valor das experiências, nem teríamos noção da grandeza da vitória.

Enfim, sem os obstáculos, meu filho, ninguém conseguiria saborear a vida e o viver.

Aprenda a viver e caminhar, a sentir o sabor do percurso, e quem sabe você não perceberá a beleza da paisagem?

Não espere a vitória plena a fim de se alegrar, de se descontrair ou usufruir as coisas boas.

Aproveite a caminhada e aprecie a beleza ao seu redor durante a jornada.

A viagem rumo à vitória é mais saborosa em seu percurso que na linha de chegada.

Se lhe parecem difíceis os dias e você se encontra ligado ao trabalho nobre e ao compromisso com o Alto, imagine como seria, então, caso você estivesse desligado da fonte sublime que alimenta sua alma.

Honre, portanto, a oportunidade que Deus lhe concedeu e, aprendendo a ampliar seus próprios limites, prossiga fiel ao chamado divino.

A sua felicidade é permanecer conectado à seiva viva do amor.

Pense nisso e reavalie suas decisões.

Pai João de Aruanda / Robson Pinheiro



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22/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , A Umbanda é de Todos, Nem Todos São da Umbanda , Livros de Umbanda , Umbanda ,

A Umbanda é de Todos, Nem Todos São da Umbanda

A Umbanda é de Todos, Nem Todos São da Umbanda

Esta obra de Ytaçuan, discípulo do Grande Mestre W. W. da Matta e Silva, traz sábias mensagens dos grandes enviados do astral, que, utilizando as roupagens de caboclo, pais-velhos e crianças nos abençoam com raios de paz, harmonia e sabedoria. Cada uma dessas maravilhosas mensagens nos envolve e serena o nosso mental, tal qual bálsamo de alegria para os nossos espíritos angustiados pelo dia-a-dia das lides terrenas. São essas mesmas entidades que, nas giras de caridade, reconfortam-nos através do passe fluídico ou de uma palavra amiga, que vem, por seu médium, trazer-nos os ensinamentos da umbanda, a Senhora da Luz Velada, mostrando um outro ângulo da proto-síntese cósmica que abrange os quatro pilares do conhecimento humano, que são a religião, a filosofia, a ciência e a arte.

***

Um dia, hão de chegar, altivos e de peito impune, pessoas a dizer-lhes: sou umbandista, tenho fé em Oxalá, tenho mediunidade… com altivez e força tal que chegarão a lhe impressionar.

Mas quando olhar bem seu semblante, você o verá opaco, translúcido e sem o calor de um verdadeiro entusiasta e batalhador em prol da mediunidade umbandista.

A Umbanda é uma corrente para todos, mas nem todos se dedicam a ela como deveriam. O verdadeiro umbandista sente, vive, respira, se alimenta espiritualmente nela. Não com fanatismo, mas sim com dedicação aflorada no fundo d’alma.

Ser umbandista é difícil por ser muito fácil; é só ser simples, honesto e verdadeiro.

Não batam no peito e digam ser umbandistas de verdade, mas procurem demonstrar com trabalho, luta, dedicação e, principalmente, emoção de estar trabalhando nessa corrente.

Eu lhe garanto que a recompensa será só sua.

Falange Protetora

(Trecho do livro “Umbanda é Luz” de Wilson T. Rivas)






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20/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Salve o Dia 20 de Janeiro: Okê Arô Oxossi! , Orixás na Umbanda ,

Salve o Dia 20 de Janeiro: Okê Arô Oxossi!



Oxossi na Umbanda

Quem manda na mata é Oxossi
Oxossi é caçador
Oxossi é caçador
Ouvi meu Pai assobiar
Ele mandou chamar
É na Aruanda êêê
É na Aruanda aaa
Seu caçador da Umbanda
Este Caçador do dia e da noite, esse Amado Pai, muitas moradas assim Ele têm, essas são os corações de seus filhos. Guerreiro de uma única Flecha, que provém o Alimento a seus Filhos, um verdadeiro Caçador de Almas, e com sua única flecha alcança todos os corações de uma só vez, reúne seus Filhos e os Filhos de seus Irmãos Orixás em uma só homenagem, esta não direcionada a Ele próprio, nem a seus Irmãos, nem a seus Filhos e Filhos de seus Irmãos, e sim à Umbanda.
Nesse momento Sagrado todos os Terreiros estão em Festa, falam uma só Língua, um só Culto, apenas a louvar o nome do Caçador, este Orixá que mais traduz a nossa Querida Umbanda, através de suas Matas, este Orixá que de seus Filhos e dos Filhos de seus Irmãos só nos roga um único pedido, PROTEGEI A MÃE NATUREZA, pensai-vos da forma para ser pensado, pois a Mãe Natureza, é a Morada desse e de todos Orixás. Que a Flecha do Caçador possa atingir seu objetivo, que essa Flecha possa chegar aos corações de todos Umbandistas, No clamor desse dia possamos nós entender o que é o Habitat de cada Orixá, e que esses sem a Mãe Natureza, deixarão de existir, tal como a vida humana e todas as criaturas desse lindo Planeta.
Oxossi das Matas nos manda toda sua glória, seu amor e paz, e mais uma vez roga a todos Filhos de Umbanda, Proteção a MÃE NATUREZA, tal como Ele vos protege, sejamos todos nós agradecidos pelas glórias alcançadas, zelando apenas pelo que Deus em sua Infinita Bondade, nos doou, sejamos caridosos para com nossa Mãe Natureza, sejamos felizes pela proteção dos Orixás, sejamos apenas Filhos de Umbanda, dentro todas as suas Leis. Levemos a todos a mensagem dos Orixás de Umbanda.
Rufem os Tambores, pois hoje é dia do Caçador de Almas, alegria em seus corações, hoje é o dia do Caçador de uma única Flecha, o Caçador do dia e da noite, Pai de todos os Caboclos, hoje é o dia de nosso PAI OXÓSSI!
Okê Arô Meu Pai!
Bambi o Clime!
Okê Arô todos os Caboclos, a Macaia está em Festa, Aruanda rende-se ao verde, para homenagear o grande Guerreiro de Zambí!
Deus Salve a Umbanda!
Deus Salve a Mãe Natureza!
Deus Salve Oxossi!
Deus Salve todos os Filhos de Umbanda!
Apenas mais um filho de Oxossi
Alex de Oxóssi




PRECE A OXOSSI

Oh caçador! Guerreiro de uma única flecha. Rei das Matas, Rei da Umbanda. Pai da Inspiração e da Esperança, dai-me as bênçãos da prosperidade e inspira-me os pensamentos do bem.
Ajuda-me no sustento da minha fé; a fim que possa cumprir com minhas obrigações e meus deveres neste mundo.
Indica-me com sua flecha sagrada os verdadeiros caminhos da prosperidade.

OKÊ, ARÔ!
BAMBI Ô CLIM
OXOSSI.


***


Oração a São Sebastião



Deus onipotente, que conheceis a nossa enfermidade, fraqueza, agonia, ânsia e tribulações desta vida, fazei que a todos nos valha a intercessão de São Sebastião seu glorioso mártir e protetor dos cristãos. 

Oração Saúde:

São Sebastião, meu intercessor ,vós que sofrestes os ferimentos e recebestes no corpo as flechas da indiferença e da vingança ,sofrendo vil e infamante processo, pela gloria de Nosso Senhor Jesus Cristo, dignai-vos a interceder para que possa obter do Altíssimo a graça de (citar aqui a graça desejada), e ainda a graça da salvação da minha alma para vossa maior gloria. 
Honra e gloria vos renderei em todos os dias de minha vida Amem. 
Saravá Oxossi, Salve meu pai!









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15/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Qual a Diferença Entre Perispírito, Aura e Duplo Etérico? , Estudos da Doutrina Espírita ,

Qual a Diferença Entre Perispírito, Aura e Duplo Etérico?

Qual a Diferença Entre Perispírito, Aura e Duplo Etérico?


Este é um assunto amplo, uma vez que estes termos sofrem interpretações diferentes, dependendo do autor e do contexto. Buscaremos dar uma resposta simplificada:



Perispírito: é o conjunto energético (fluídico) que atua como intermediário entre o espírito (o ser inteligente e imaterial) e a matéria grosseira e pesada (corpo físico). É tido, pela sua composição e funções, como um "corpo espiritual" ou seja, um envoltório semi-material do espirito (pois as energias são mais sutis que a matéria). Dentre suas principais funções destaca-se a ligação com o corpo físico e a morfologia espiritual.




Duplo etérico: Denominado por alguns como corpo vital, ou campo vital, é um conjunto de energias mais materializadas, cuja função básica é a ligação do perispírito ao corpo físico, provendo vitalidade a este. Na literatura espírita muitas vezes é citado e confundido com o fluido vital ou principio vital, quando na realidade o fluido vital é um dos componentes do duplo etérico.


Aura: é um nome genérico para as irradiações energéticas que ocorrem a partir do espirito. O perispírito irradia, o duplo etérico irradia e o corpo físico também irradia. Este conjunto de irradiações é geralmente denominado aura. Alguns autores acreditam que a aura captada pelas fotos Kirlian se referem as irradiações do duplo etérico+corpo físico e não do perispírito. Os clarividentes geralmente conseguem perceber a aura dos indivíduos, que aparecem na forma de irradiações coloridas variáveis e em movimento incessante (como uma chama acesa, numa analogia). O espirito Andre Luiz em algumas obras denomina a aura de "halo vital".

Fonte: CVDEE

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12/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Cooperar é Preciso , Umbanda ,

Cooperar é Preciso

A palavra de ordem para que nós, Umbandistas de fato e de direito, e que tanto amamos nossa religião, possamos vê-la materialmente estruturada é cooperação.

Cooperar significa operar em conjunto, coletivamente, a fim de se alcançar um ideal ou interesse em comum, no presente caso o progresso do Movimento Umbandista.

E como os Umbandistas sérios e comprometidos com as diretrizes do Astral Superior, podem colaborar para o engrandecimento de nossa religião de fé ?

Falemos especificamente do sistema de mensalidades implantado nos vários terreiros existentes.

É público e notório que, embora os Templos de Umbanda (os sérios, é claro!!) sejam locais sagrados onde o binômio caridade-amor sempre se faz presente, difundindo os sublimes valores do Mestre Jesus, a fim de se minorar ou solucionar problemas de ordem espírito-psico-fisiológica, estes lugares, a terreno físico, funcionam como verdadeiras pessoas jurídicas (Instituição), assumindo uma série de deveres para com os que a eles, os terreiros, prestam algum labor.

Assim, as Casas de Umbanda também contraem despesas com água, luz, telefone, taxas, material litúrgico e outros mais. E baseado nisto, temos nas mensalidades uma fonte legal, legítima e moralmente correta de se arrecadar fundos para o cumprimento dos compromissos retrocitados.

A partir daí, é crucial que médiuns e assistentes, microcélulas humanas que constituem as macrocélulas nominados terreiros, que por sua vez formam, este grande corpo religioso chamado Umbanda, tenham consciência de seu real papel como veículos dinamizadores da organização e progresso da religião que amorosamente abraçaram.

Devemos observar que, ao contrário de alguns segmentos ditos religiosos que através de famigado dízimo coagem pessoas por meio de promessa e terror psicológico a darem dinheiro, proveniente do suor do trabalho, a Umbanda, que não adota esta prática de espoliação financeira, depende basicamente das mensalidades e, em alguns casos, de cantina, para ver os templos funcionarem a bom termo.

Infelizmente, assim como uns todos os outros setores da sociedade, um número razoável de agrupamentos umbandistas também são constituídos de algumas pessoas que não têm o mínimo compromisso com a religião. São de opinião que caridade é caridade, e que não precisam contribuir financeiramente para as atividades do terreiro. Possuem ponto-de-vista de que, já emprestando seu corpo para a manifestação da Espiritualidade Superior, é um absurdo ainda ter que auxiliarem na manutenção da casa.

Há assistentes que vivem negando as entidades espirituais à resolução de seus problemas, mas quando são solicitados a contribuírem, simplesmente, podendo, dizem que não têm como ajudar.

Médiuns, assistentes e simpatizantes, avaliem suas condutas, visualizem se a relação que frequentam é de sinceridade e fraternidade. Perguntem a vocês mesmos, num profundo exame de consciência, se estão sendo, corretos e sinceros para com a Umbanda.

Façamos um valoroso esforço de coesão, no sentido de juntos, lutarmos por uma religião mais estruturada, mais unida. Que possamos, a par disto, deixarmos aos nossos descendentes, que são o futuro da Umbanda, um segmento religioso harmonizado, forte e em integral comunhão com nosso Pai Oxalá.

Umbandistas, colaborem !!!

Fonte: Jornal Umbanda Hoje











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10/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Casamento na Umbanda , Ritualísticas ,

Casamento na Umbanda

Casamento na Umbanda

Sem preocupação de incorrermos em equivocado juízo de valor que possa suscitar discussões dentro de nossa religião, asseveramos que um dos sacramentos (atos religiosos de caráter especial, extraordinário) que quase não é utilizado por médiuns e assistentes nos Templos Umbandistas, é o Casamento.

Antes de tecermos comentários sobre as razões determinantes para que tal ato solene, comum dentro de outras religiões, não esteja efetivamente inserido no rol de ritos religiosos de Umbanda, convém que apresentemos um breve relato histórico sobre o surgimento desta respeitável instituição.

O Casamento, tal qual o conhecemos, tem seu ponto de origem no antigo Império Romano, onde existiam três modalidades de união entre o homem e a mulher.

A primeira forma era a Confarreatio, união da nobreza romana, correspondendo ao matrimônio religioso. A segunda forma era a Coemptio, a união da plebe, do povo, correspondendo ao matrimônio civil. E finalmente a Usus, consistindo tal na aquisição da mulher pela posse, apreensão física.

A igreja cristã romana (católica), querendo expandir seu poder e área de influência, começou a reivindicar seus "direitos" sobre a instituição matrimonial, até então de base não cristã, incorporando tal ato como sacramento evangélico, e regulamentando-o no Concílio de Trento (1545-1563).

Pelo exposto, identificamos a primeira e principal causa, a causa-matriz, para que ainda hoje tal ato sacramental não tenha sido incorporado de maneira plena, implantado de forma integral por nossa religião: a reivindicação de propriedade da instituição casamento pela igreja cristã que, consoante seu poder de persuasão, induziu reis, rainhas, imperadores, governos, e principalmente o povo ignorante, a considerarem tal ato como divino e de exclusividade da mencionada religião.

Com o passar do tempo outras religiões reagiram ao repulsivo monopólio de celebração de casamentos pela citada igreja, que tentava de maneira vil desqualificar tal ato solene em outros segmentos religiosos, com justificativas tais como não ser "homologado por Deus". Felizmente as religiões pré-cristãs continuaram a celebrar as uniões, e as pós-cristãs implantaram a cerimônia em seus rituais.

No tocante ao Brasil, país colonizado por portugueses, povo essencialmente católico, a igreja passou a ter grande influência sobre a administração da nova colônia, impondo aos nativos e posteriormente aos escravos oriundos da África sua doutrina religiosa. Saliente-se que até o início do século XIX o catolicismo era considerada como a religião oficial do Brasil.

E é neste contexto que é formada a sociedade brasileira, onde seus féis professavam tal religião por devoção, tradição, ou imposição. Sob esta esfera de atuação da igreja papal, a sociedade brasileira foi compelida a ter como legítimo perante Deus e a sociedade os casamentos somente realizados pela igreja de Roma. Ao par disto, muitas pessoas não cristãs ou cristãs não católicas eram subjugadas pela tradição ou pressão social a se valerem dos préstimos dos sacerdotes católicos para concretizarem o matrimônio.

Os fiéis umbandistas também sofreram com o cenário descrito. Sendo em sua grande maioria ex-católicos (no início do século XX), louvavam a Espiritualidade de Umbanda; porém, na ocasião de convolarem núpcias recorriam ao expediente católico.

Aqui encontramos mais duas causas para a não utilização do casamento na Umbanda: *A ausência de conhecimentos doutrinários umbandistas e de ordenamentos ritualísticos que propiciassem aos presidentes e/ou diretores mediúnicos de culto transmitir a médiuns e assistentes os sacramentos a sua disposição, dentre os quais o matrimônio, fatos justificados pela recém chegada de nossa religião.


* A falta de consciência e convicção religiosa por parte dos fiéis umbandistas (médiuns e assistentes), em razão do desconhecimento das bases e diretrizes da Umbanda (ainda hoje muitos a consideram seita).


Por derradeiro e não esgotando o número de causas existentes, pontuamos como sendo mais um fator relevante para a não celebração de casamentos da Umbanda o despreparo intelectual, cultural e de oratória de muitos dirigentes, sem a devida capacidade para presidirem solenidade de grande significado, como o é o Casamento.

Passemos a direcionar nossas atenções para a importância que o casamento realizado nos Templos Umbandistas tem. E o faremos abordando os aspectos subjetivo, objetivo e de imagem. No que concerne a subjetividade e objetividade do ato solene, o foco será direcionado a médiuns e assistentes.

Subjetivamente falando, nada mais salutar, digno de orgulho e emocionante do que a possibilidade dos fiéis de nossa religião concretizarem o desejo de se unirem a outra pessoa, a fim de constituírem família, terem filhos, serem companheiros de jornada encarnatória e externarem o amor que no relacionamento existe, tendo como cenário o templo da religião que abraçaram com fé, respeito e dedicação, lugar em que recebem o consolo, a palavra amiga, o incentivo, o respeito como cidadãos, e o auxílio fraternal da Corrente Astral de Umbanda. Só quem já esteve presente em algum matrimônio realizado em um terreiro (são raros) pode atestar a alegria, a felicidade e a harmonia dos nubentes.

Não há quem não se contagie com a cerimônia, onde os noivos, corpo de médiuns e convidados são envolvidos por poderosas ondas vibratórias de paz, amor e vitalidade emanadas pela Espiritualidade.

A nível objetivo, é a oportunidade, é a ocasião dos noivos expressarem seu respeito, seu crédito e seu sentimento em relação à Umbanda. É uma mensagem de confiança para com nossa religião, que poderíamos traduzir em palavras, da seguinte forma: "estamos realizando nosso casamento na Umbanda para externarmos nossa convicção e consciência religiosa, nossa gratidão, nossa confiança nos Caboclos (as), Pretos (as) - Velhos (as), nos Ibejis (crianças), e nos Guardiões (Exus e Bombogiras). Não temos vergonha de sermos Umbandistas ! Aqui louvamos a Deus (Zambi, Tupã, Olorum), louvamos os espíritos de elevadíssima grandeza (Orixás). É aqui que procuramos resgatar nossas faltas, evoluirmos espiritualmente. Neste lugar encontramos um campo fértil em fraternidade, humildade, simplicidade e verdade!". É isto que verdadeiros e dedicados filhos de Umbanda transmitiriam aos presentes à solenidade.

No quesito Imagem, é a Umbanda-religião que será a principal "personagem" do ato matrimonial. Sim, companheiros! O casamento é um ato de repercussão social que possibilita a nossa religião se revelar a terceiros não umbandistas como segmento religioso de bases e diretrizes bem definidas, de identidade própria, de respeito, de seriedade, e de imaculada atividade mediúnico-espiritual. É a ocasião propícia para aqueles que têm uma visão distorcida de nosso Porto de Fé ficarem desapontados, surpresos e encantados. Desapontados, por não visualizarem naquele espaço religioso algo que justifique seu preconceito e discriminação; surpresos, na medida em que jamais imaginariam ver uma solenidade organizada, bonita, bem conduzida; encantados, por se sentirem energizados, vibrados, eletrizados pela atmosfera mágico-espiritual do Templo Umbandista.

Partindo para um outro ponto, pertinente também ao sacramento em pauta, asseveramos, assentados no bom senso e na lógica, que a cerimônia nupcial deve ser dirigida pelo presidente ou diretor de culto da Casa, vale dizer, por um encarnado. Talvez nossa posição, que reputamos firme e coerente, possa fazer surgir contrariedades em algumas mentes obtusas. Entretanto, não nos importa tais modos de pensar, e sim a preservação da imagem da Espiritualidade e da Umbanda, que são sagradas, não podendo de maneira alguma serem maculadas por ações humanas.

Seria um farto material de propaganda negativa do mundo espiritual e de nossa religião, e os adversários esperam sorrateiramente tal situação aflorar, se os espíritos mentores dos Templos Umbandistas oficiassem tal solenidade e, mais tarde, por fatos circunstanciais ou kármicos o casamento se desfizesse.

Com absoluta certeza muitos inimigos da Umbanda, ou mesmo parentes e amigos do ex-casal, iriam vincular a dissolução do matrimônio ao evento realizado por uma entidade espiritual, responsabilizando-a pelo fracasso do casamento. Alguns indivíduos maliciosos e/ou ignorantes diriam: "Também, casamento realizado por `encosto` só podia dar em tragédia, ruína". Outros diriam: "Onde está a força das entidades espirituais que deixaram isto acontecer!". Pronto!!, a mesa está posta. Em cima dela a Espiritualidade e a Umbanda se encontram como banquetes, a esperar os inimigos para "devora-las", através do escárnio, da depreciação, das ofensas, da publicidade difamatória. É isto que os verdadeiros umbandistas desejam para a Corrente Astral de Umbanda e para a Umbanda-Religião? É claro que não!

Deixemos de lado a excessiva dependência para com os espíritos. Assumamos a responsabilidade por ações que nos cabem realizar.

Eliminemos de nosso meio religioso colocações como: "Foi meu guia que realizou a cerimônia!; meu guia é muito bom!, sabe fazer um casamento!; meu mentor sabe das coisas!, só ele mesmo para efetivar uma linda cerimônia!". Tais afirmações só servem para atestarmos a vaidade de alguns e a ausência de preocupação com a Espiritualidade e a Umbanda.

Para robustecermos nossa opinião, convém esclarecermos que o casamento e ato de criação humana, uma formalidade legal (de Lei), se formando a partir de hábitos e convenções humanas, com direitos e deveres para os cônjuges, sendo coerente que tal ato solene seja presidido por um encarnado e não por um espírito.

Ademais, não devemos confundir união espiritual entre encarnados com casamento entre encarnados.

O fato é que, mesmo a solenidade sendo presidida pelo dirigente físico da Casa, portanto sem incorporação (acoplamento), os espíritos integrantes da corrente do Terreiro estarão alí, felizes e zelando pela normalidade e harmonia do ritual. Não devemos olvidar dos padrinhos. Semelhante ao acima mencionado, somos favoráveis a que sejam constituídos por pessoas, o que não impede que haja padrinhos espirituais, que por certo estarão presentes à solenidade, porém não incorporados em seus médiuns.
Avancemos um pouco mais no tema e falemos sobre o ato solene em si e todas as peculiaridades que o envolvem.

O matrimônio é um evento marcante na vida das pessoas. É o momento que reflete e concretiza o desejo de duas pessoas em viverem juntas sob o mesmo teto, compartilharem momentos de alegria e felicidade, de estarem unidas em prol de um projeto de vida, de apoiarem-se mutuamente durante eventuais intempéries da vida, com amor, carinho, amizade, respeito e fraternidade. E é justamente por tais motivações que a cerimônia nupcial deverá ser cercada de preparação e cuidados especiais, consoante a justa importância que tem.

Em relação aos nubentes, se forem sacerdotes, deverão realizar alguns rituais preparatórios que não cabe aqui comentarmos. O mesmo para o caso dos noivos serem apenas assistentes, fiéis, somente variando os tipos de preceito. Em tais situações, a orientação e supervisão caberão ao mentor espiritual do Templo, ou ao presidente da Casa.

A vestimenta dos noivos poderá seguir os costumes dos casamentos em geral. Entretanto, somos favoráveis à utilização da cor branca, símbolo cromático da Umbanda. Os padrinhos utilizarão roupas com modelos e cores solicitados pelos futuros cônjuges.
Para o corpo de médiuns o vestuário será o sacerdotal.

No que diz respeito à decoração do salão onde se realizará a cerimônia, esta será de iniciativa dos interessados, sob a chancela do dirigente do terreiro.

Um outro detalhe que merece atenção especial das Instituições umbandistas que realizarem casamentos, fator que revelará a organização, a respeitabilidade e a seriedade do Templo, é a existência de um livro especial, o Livro de Casamentos, onde deverão ser registradas todas as informações pertinentes ao ato matrimonial, além das assinaturas do celebrante, dos noivos e dos padrinhos. Além disto, após o casamento, a competente certidão do ato realizado deverá ser expedida e entregue aos noivos, fazendo o documento prova do matrimônio religioso.

A legislação em vigor prevê três tipos ou modalidades de casamento: o Religioso, o Civil, e o Religioso com Efeitos Civis, cabendo aos noivos que desejarem se casar na Umbanda optar pela primeira ou terceira modalidades, conforme as circunstâncias.

Esperamos ter contribuído para estimularmos os irmãos de fé a realizar seu casamento dentro de nossa amada Religião.

E aí umbandistas, vamos casar na Umbanda !?

Fonte: Tenda de Umbanda Caboclo da Lua e Zé Pilintra




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09/01/2014

Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca , Quem Foi o Caboclo das Sete Encruzilhadas? , Umbanda ,

Quem Foi o Caboclo das Sete Encruzilhadas?


Caboclo das Sete Encruzilhadas


... E no entardecer :

E no entardecer do dia 21 de setembro de 1761, na Praça do Rossio, no centro de Lisboa, um santo foi queimado na fogueira dos hereges. Gabriel Malagrida entregou a alma a Deus e o corpo aos carrascos. Tinha 72 anos, 30 deles passados de pés descalços peregrinando pelo Norte e Nordeste brasileiros. Ergueu igrejas e mosteiros, protegeu índios e prostitutas, caminhou mais de dez mil quilômetros entre o Pará e a Bahia. Ganhou fama de taumaturgo, milagreiro. Por ordem e trama do primeiro-ministro Marquês de Pombal, Malagrida terminou acusado de blasfêmia e heresia. Ouviu a sentença de morte no alto de uma carroça, com um barrete de palhaço na cabeça, mãos amarradas para trás e batina pintada com figuras demoníacas. Quando Pombal, ao lado do rei d. José, ordenou a execução, o padre beijou as escadas do cadafalso, virou para o povo, jurou inocência e perdoou seus acusadores. Abaixou a cabeça, ajudou ao próprio algoz a colocar a corda em seu pescoço. Na primeira puxada, o laço se rompeu e a multidão gritou assombrada. A tragédia estava adiada por alguns minutos. Homens e mulheres começaram a prece dos agonizantes, mas não terminaram a oração. Foram impedidos pelos quatro mil soldados de prontidão. ‘‘Senhor, nas vossas mãos entrego minha alma’’. Derradeiras palavras. Em poucos segundos, o padre estava enforcado pela Santa Inquisição. O carrasco acendeu a fogueira, onde o corpo queimaria toda a madrugada, velado pelos milhares de fiéis. As cinzas foram jogadas nas águas do rio Tejo. Quando o dia amanheceu, os católicos de Lisboa espalharam uma mesma notícia: o fogo não queimara o coração do mártir. A tragédia de um peregrino Padre Severino ensina aos fiéis da Paraíba os feitos de Malagrida.



Gabriel Malagrida nasceu padre:
Ainda pequeno, na cidade de Menaggio, no Norte da Itália, aprendeu com o pai Giácomo, o dom da caridade. O patriarca era médico de renome, consultado até por príncipes, mas dedicava boa parte do trabalho ao cuidado de doentes pobres que visitava nas distantes montanhas. Gabriel ia junto. Adorava estudar religião e aproveitava as férias para ensinar catecismo aos irmãos e colegas da rua. Sua brincadeira predileta era montar altar no quintal. A mãe, Ângela, chamava o filho de ‘‘o anjo da casa’’. Era morada cheia de religiosidade. Na parte nobre da casa, havia o que os Malagridas apelidaram de o ‘‘quarto do santo‘‘ por conta do teto coberto de pinturas de Nossa Senhora. O sonho do casal era ver os filhos formados padre e rezando missa ali. O projeto deu certo. Dos onze herdeiros, três viraram sacerdotes. Aos 12 anos, o pequeno Gabriel foi estudar no colégio dos padres Somascos, na cidade de Como. Não era um aluno como os outros; tinha hábitos estranhos. Mordia os dedos até sangrar e quando lhe perguntavam a razão daquilo respondia: ‘‘é para a salvação dos infiéis’’. Nascia assim o costume das penitências físicas que o acompanhou até o fim da vida. Em 1713, no seminário, em Gênova, onde se formou jesuíta com 24 anos chegava a fazer jejuns três vezes por semana. Dizia que era para refrear a natureza e guerrear contra as tréguas do corpo. Era comum ele se açoitar publicamente. Uma vez, em Salvador, na Bahia, Malagrida rezava o sermão na Matriz quando lhe apontaram um homem pecador, cheio de vícios e de ‘‘ignóbeis costumes’’. Como não conseguia, com palavras, converter o cidadão, Malagrida, então, bateu-se com o chicote até o sangue espirrar de suas costas. Ao assistir à dolorida cena, o pecador não se conteve: em lágrimas, ajoelhou-se nos pés do padre, implorando com gemidos o perdão de seus crimes.

A Seguir... você vai conhecer um pouco da biográfia do peregrino que construiu abrigos para prostitutas, fez procissões imensas, criou a Ordem do Sagrado Coração de Jesus e denunciou padres e governadores corruptos. Para conhecer vestígios deixados pelo religioso no Brasil, A nossa equipe percorreu parte das trilhas de Malagrida no Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Junto com o ‘‘Aos povos de Itália não cansam meios de chegar à salvação; além-mar, pelo contrário, inúmeras nações jazem ainda nas trevas da idolatria: vamos acudir a essas almas desamparadas’’. Com esses argumentos, Gabriel Malagrida convenceu o Bispo Geral dos Jesuítas a virar missionário nas Américas. Trocava os estudos avançados de teologia e literatura pela catequese dos índios. Saiu de Lisboa e desembarcou em São Luís do Maranhão no final do ano de 1721, mas demorou dois anos até ser mandado para a primeira missão com os índios. Seus superiores preferiam o erudito religioso nas salas de aula dos seminários de jesuítas e achavam que Malagrida não estava preparado para o convívio com os arredios nativos. Depois de muitas súplicas, o padre conseguiu realizar o antigo sonho. Foi missionário indígena entre 1723 e 1729. Percorria as matas a pé, vestido com a batina preta típica dos jesuítas. Não era a melhor maneira de atravessar o interior maranhense. ‘‘Quem quer andar por essas terras tem que se proteger do mato com roupa de couro e andar sempre a cavalo ou num burro’’, ensina José Assunção e Silva, o Zé Doca, boiadeiro na região de Caxias, antiga Aldeias Altas. Nesse lugar, Malagrida passou em 1726 para catequizar os Guanarés, etnia desaparecida do Maranhão. No Século XVIII, esses índios eram numerosos e arredios ao contato com os brancos. Já haviam sofrido com os portugueses quando Malagrida iniciou o trabalho de catequese. Penou até conquistar a confiança dos Guanarés. Chegaram a decidir em assembléia que matariam o padre. Só conseguiu escapar porque na hora da excução, uma índia velha conteve o braço do nativo. ‘‘Suspende’’, gritou a mulher. Explicou que da última vez em que um índio matou um padre roupeta-negra, terminou devorado por vermes. Assustados, os Guanarés liberaram o jesuíta. ‘‘Dificilmente se reconhece o tipo humano nos índios moradores desta região. Abrigam-se em cavernas como as feras e alimentam-se unicamente de caça. As vezes travam-se em pelejas e então devoram os vencidos’’, descreveu Mathias Rodrigues, um dos companheiros de apostolado de Malagrida e que escreveu relatos do tempo em que os dois estiveram no Brasil. O manuscrito de Rodrigues está hoje na biblioteca dos padres boulandistas, em Bruxelas, na Bélgica, mas o professor Vitor Leonardi conseguiu cópia microfilmada da preciosidade. ‘‘É o documento mais importante sobre Malagrida’’, resume Vitor que nos próximos meses irá editar livro com a íntegra do texto. Pelas linhas escritas por Mathias Rodrigues, Malagrida ainda considerava os índios bárbaros selvagens, mas não aceitava sua escravidão. Durante os seis anos em que conviveu com tribos do Pará e do Maranhão, o jesuíta defendeu a tese de que as aldeias deveriam ficar longe do contato com os portugueses. Temia pela saúde moral e física dos nativos. Ou seja, combatia a tradição dos colonizadores que pegavam índios para trabalhar na lavoura de cana. 

Em 1729, Malagrida foi retirado da missão indígena e levado para São Luís. 

Primeiro Milagre...
A vida na capital não sossegou o padre. Em São Luís, iniciou nova etapa de sua jornada: a de missionário popular. Ao invés de índios, cuidava agora dos brancos, moradores da periferia. Dava aula de teologia durante a semana e aos sábados partia para os povoados vizinhos de São Luís. Era livro grosso com as rezas cotidianas que, por vezes, servia de travesseiro quando o religioso adormecia no mato. Para se proteger da floresta fechada, usava um cajado, até bem pouco tempo guardado na Itália como relíquia e apelidado de ‘‘o bordão do peregrino’’ ‘‘Malagrida era pregador carismático’’, explica Miguel Martins Filho, 39 anos, padre, professor de literatura e diretor do Instituto Gabriel Malagrida, em João Pessoa. É ali que se formam todos os jesuítas brasileiros. O que Miguel chama de carisma aparece no jeito de Malagrida atrair os ouvintes. Nos dias santos em São Luís juntava os fiéis em frente a igreja e com um estadandarte nas mãos, saíam todos em procissão cantada pelas ruas da cidade. Paravam nas praças e o padre reunia o povo em volta dele. Ali, dava aula de catecismo, representava teatralmente as principais passagens bíblicas e depois interrogava a platéia sobre o assunto. Foi numa dessas pregações interativas em São Luís que Malagrida fez o que os livros tratam como seu primeiro milagre. Falava aos fiéis sobre a importância da reconciliação entre inimigos quando um dos ouvintes contou que cometera injúria mortal contra um de seus parentes. Na frente do antigo desafeto, contou que estava disposto a pedir perdão, mas o homem não quis fazer as pazes. Malagrida, indignado interferiu. ‘‘Meu irmão, não quereis perdoar ao vosso próximo para que o Senhor vos perdoe?’’. Repetiu a pergunta várias vezes, mas como o indivíduo insistia na recusa, Malagrida gritou atordoado: ‘‘Pecador, recusas a escutar o teu Deus que te convida a perdoar, não tardará que prestes conta a teu juiz da tua dureza, e sofrerás então o castigo merecido’’. Pronto, em menos de 24 horas o infeliz morreu com tiro de mão desconhecida. O povo passou a tratar Malagrida como ‘‘o profeta’’. Carregou esta fama para sua grande viagem missionária, iniciada em julho de 1735 do Maranhão até a Bahia. Primeira longa parada: Piracuruca, no norte do Piauí. ‘‘Servia de igreja aí uma vil casa de farinha com quatro paredes mal pintados por cima, cheia de morcegos. Eu mesmo dei a idéia de construir grandiosa igreja. Todos ofereceram suas esmolas’’, conta Malagrida numa carta mandada ao Bisbo do Algarve, em Portugal. Passados 262 anos, o templo de Piracuruca está de pé. Seu padre, José da Silva Ribeiro, 37 anos, vive pedindo esmolas aos moradores da cidade. Para Malagrida, o Brasil parecia uma Babilônia de pecados. Reclamava dos casamentos fora da Igreja, se horrorizava com a luxúria dos padres e se impressionava com o número de prostitutas. Nos oito dias em que passava em cada cidade, o jesuíta pregava contra os amancebados, chegava a praguejá-los. Em fevereiro de 1744, fazia missão no povoado de Várzea Nova, no interior da Paraíba, quando descobriu homem e mulher que viviam juntos há anos sem oficializar a união. Malagrida foi até a casa dos dois. Tentou convencê-los a dar um ‘‘jeito cristão’’ à história. A mulher concordou, mas o homem achou bobagem aquele falatório do padre. Malagrida renovou seus pedidos, fez pregações públicas sobre o caso, até que num dos sermões avisou que se o cidadão não mudasse de idéia se perderia para sempre. Em 24 horas, o homem morreu com uma terrível dor de cabeça. Neste mesmo povoado de Várzea Nova, a fama milagreira de Malagrida resistiu ao tempo. ‘‘Desde menina, ouço os antigos contarem que o padre Malagrida encostou a mão numa criança que morria de febre e ela ficou logo boa’’, diz Maria Salete da Silva, 58 anos, nascida na região. Ali, não há mais as curas providenciais do padre, porém quem adoece é atendido no posto de saúde de nome Gabriel Malagrida. Na frente, há uma enorme estátua de cimento do jesuíta. 

Vigários do Prazer...
Durante suas expedições, Malagrida cruzou com muitos companheiros de batina fora da linha. Alguns chegavam a cobrar para rezar missa, outros conheciam os prazeres da carne. Tinham mulheres e filhos, o que para Malagrida era um escândalo sem precedentes. ‘‘Esbarrei num vigário que tinha três mancebas patentes e vinte filhos’’, denunciava o missionário em carta aos superiores. Se o barbudo Malagrida era exigente com os fiéis e religiosos, pior ainda era sua auto-cobrança. Tamanha austeridade impressionava até os poucos padres corretos das vilas por onde passava. ‘‘Depois de um sono brevíssimo, o santo padre começava a meditação. Recitadas as horas canônicas, dirigia-se ao confessional e daí por volta da hora décima da manhã, subia ao tablado e explicava a doutrina cristã. Permanecia em ação de graças até a primeira hora da tarde e até mais. Voltando a casa comia, ou poucas favas ou um pouco de leite’’, relatava em carta João Brewer, padre de Ibiapaba, cidade onde Malagrida ficou entre 5 e 17 de fevereiro de 1747. O lugar, chama-se hoje Viçosa do Ceará. Lá, no altar da igreja matriz ainda existe uma imagem de Gabriel Malagrida, de quatro palmos de altura. ‘‘Ele está vestido de São Francisco de Assis porque a imagem foi mandada para reforma e o artista adorava os franciscanos’’, explica o monsenhor Francisco das Chagas Martins, pároco da igreja há 50 anos. ‘‘Tudo aqui é antigo. Nossa igreja é a mais velha do Ceará. Foi fundada em 1602’’. 

Madalenas...
O maior tormento de Malagrida eram as ‘‘mulheres da vida’’. Considerava a prostituição um dos problemas mais graves da colônia. ‘‘Naquele tempo, se uma menina perdia a virgindade, caía em desgraça na sociedade e acabava entrando para a prostituição. Malagrida sonhava em fazer alguma coisa por essas mulheres’’, conta Ilário Govoni, jesuíta italiano, morador de Terezina e autor do único livro publicado no Brasil sobre Malagrida. Chama-se O Missionário Popular do Nordeste. O desafio de ‘‘endireitar’’ prostitutas perseguiu Malagrida até 1742, quando conseguiu financiamento para construir o Convento do Sagrado Coração de Jesus em Igarassu, em Pernambuco. Ali, abrigou 40 mulheres da vida, desejosas de conversão. Saíram em romaria de João Pessoa até a cidade pernambucana. ‘‘Este asilo de Madalenas arrependidas tinha âmbito regional. Às que não podiam casar, por causa de impedimentos ou delas próprias ou dos homens com quem viviam, por já serem casados, abriam-se-lhes as portas desta casa, onde ficavam ao abrigo da miséria e de recaídas’’, escreveu o historiador Serafim Leite, no livro a História Eclesiástica no Brasil. ‘‘Hoje só aceitamos donzelas. Todas nós somos donzelas’’, apressa-se em explicar Maria Medeiros de Paula, 48 anos, e atual diretora do Convento. É freira desde os 17 anos, nunca teve namorado e não gosta muito de falar do passado de pecado das fundadoras da instituição. ‘‘Hoje, só entra na Ordem do Coração de Jesus moça virgem’’. A 60 km dali, em João Pessoa, num outro endereço com placa de Malagrida, perder a virgindade é ganhar a vida. Na rua Gabriel Malagrida, no centro da capital paraibana, funciona o baixo meretrício da cidade. ‘‘Esse Malagrida era dos nossos. Nosso santo protetor’’, brinca dona Lucila Martins, 59 anos, dona de um dos bordéis da rua. 

O Triste Fim...
O triste fim do missionário em janeiro de 1754 Gabriel Malagrida embarcou para Lisboa certo de que conseguiria mais recursos para suas obras no Brasil. Enganou-se, embarcou para a morte. Famoso na corte por seu carisma de pregador, Malagrida era o confessor da rainha, o que despertava ciúmes de poderosos emergentes como Sebastião José de Carvalho, o Marquês de Pombal. Quando a rainha morreu, em 1754, Pombal virou primeiro ministro de Dom Jose I e iniciou perseguição sistemática contra Malagrida. Irritou-se profundamente quando, após o terrível terremoto de Lisboa de 1755, o religioso escreveu panfletos associando a tragédia às maldades da corte. Pombal não se conteve. Conseguiu que Malagrida fosse mandado para a cidade de Setúbal. Atentado em 3 de setembro de 1758, o rei D. José sofreu atentado quando voltava de uma farra noturna. Pombal arranjou testemunhas para envolver Malagrida no caso. No dia 9 de janeiro de 1759, Malagrida foi preso por crime de lesa majestade. Ficou numa cadeia imunda, onde usava tinta de paredes para escrever dois textos religiosos: um sobre a vida de Sant’Ana e outro sobre o retorno do Anti-Cristo. Malagrida acreditava que o apocalipse aconteceria em 1999. O incansável Pombal aproveitou para denunciar Malagrida à Inquisição como herege, mas os próprios juízes do Santo Ofício admitiram que não havia razões para condenar o religioso. Pombal, então, destituiu o presidente do Tribunal e nomeou seu próprio irmão, Paulo de Carvalho. A outra questão era a guerra guaranítica, travada no Sul do Brasil. Os jesuítas se aliaram aos índios contra os portugueses que queriam ampliar as fronteiras do país. Isso tudo não culminou apenas na morte da Malagrida. Em 1759, Pombal expulsou os jesuítas dos domínios portugueses. Foi mais longe. Em 1773, conseguiu do Papa Clemente XIV, a extinção da Companhia de Jesus em todo o mundo. A Companhia só voltou a existir em 1814 e os jesuítas só retornaram ao Brasil no final do século XIX.

Essa é a História de Gabriel Malagrida o nosso Saudoso Caboclo das 7 Encruzilhadas.

Fonte: http://umbandadepretovelho.blogspot.com.br


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