26 de julho de 2017

Nanã Buruquê - Por Ednay Melo


SALVE O DIA 26 DE JULHO!
SALUBA NANÃ!

Nanã Buruquê - Por Ednay Melo

(...) Nanã é Orixá que tem como reinos ou pontos de força as águas paradas e naturais do planeta, como os lagos. O lago remete ao arquétipo de calmaria, principal característica desta Orixá. Por ser Orixá que representa a idade avançada e ser Orixá das águas, água que na terra é o princípio, o planeta iniciou a sua formação na água, bem como a formação do ser humano e outros animais, água que é imprescindível para a manutenção da vida, por estes e outros motivos aliados à sabedoria típica dos mais velhos onde se constata a majestade de Mãe Nanã, ela é respeitada e a ela cabe o lugar de Matrona da Umbanda. Mãe amorosa e paciente, benevolente, que transmuta energias dinâmicas e agitadas em energias lentas e muito equilibradas, levando à paz, ao equilíbrio e à mansuetude (...)

Trecho retirado do livro "Umbanda Luz e Caridade - Ednay Melo" - Cap. 3

À venda no Clube de Autores









24 de julho de 2017

Comprometimento no Terreiro

Comprometimento no Terreiro


Todo dirigente deseja ter uma corrente fiel, harmônica e cúmplice. E de fato para que isso aconteça, devem ser valorizados os ensinamentos através de sua doutrina, além de incentivadas virtudes como compromisso e comprometimento.

Compromisso e comprometimento é a mesma coisa?

Não, mas é verdade que ambos nos levam a tomar uma posição.

Compromisso significa assumir deveres, respeito, horário, atividades e regras. Assim ao assumir o compromisso de ingressar em uma gira, concordamos em assumir integralmente suas normas e regras.

Comprometimento é a identificação e motivação, é um laço moral com um trabalho, uma causa ou um ideal. Estar comprometidos com uma gira nos levará a despender esforços imensos em prol dela, sem maiores queixas, pois haverá sempre fortes motivos para fazê-lo.
Médiuns comprometidos terão muito mais facilidade em assumir e honrar seus compromissos perante a Umbanda e seus dirigentes.

Que tal nos comprometermos mais ainda com nossa Religião, honrando e respeitando seus dirigentes e guias, seus irmãos de fé, assistência e principalmente o compromisso assumido com seu Pai de Cabeça e Dirigente na feitura do Amací?

Pai Jussaro


***

Dia desses ouvi um papo muito interessante sobre nós, integrantes de um terreiro ou centro espírita. O senhor que tecia o monólogo o estava utilizando para dar uma pequena bronca nos trabalhadores do centro, mas vou escrever aqui o que me tocou e o que acho que tem tudo a ver com quem está caminhando dentro dessa vida de contato com a espiritualidade.

Ele falava sobre comprometimento. Falava, na verdade, sobre a responsabilidade que temos que adquirir do momento em que assumimos a farda, ou do momento em que passamos a entender a vida por esse aspecto. Comprometimento com as pequenas coisas, com tudo que nos cerca e que, na maioria das vezes, tendemos a deixar de lado.

O centro funciona devido a várias coisas que fazemos acontecer. O trabalho é aberto depois de estar com vários pormenores prontos, dando condições a todos trabalharem. E um desses pormenores é a limpeza do local. Sei que, para nós, parece mais importante estar lá, cuidando dos apetrechos dos guias, das firmezas, das tronqueiras. Claro, isso também é muito importante, mas para o terreiro funcionar corretamente, cumprir sua função, é preciso que tenhamos assistentes, pessoas que vão até lá para serem ajudados. Dependemos tanto deles quanto dos guias e não é à toa que um centro sério sempre vive cheio. Agora, imaginem vocês recepcionar essas pessoas tão especiais, que estão lá para encontrar um auxílio, em uma casa suja, desorganizada. Esse é o primeiro comprometimento que devemos ter: deixar o local o mais organizado, limpo e bem apresentável possível. Tendemos a esquecer disso e, no afã do início, onde tudo é bonito, nos responsabilizarmos com essa pequena coisa e, depois, quando a empolgação passa, simplesmente deixamos de lado. A magia está nos pequenos fazeres e esse é um deles. Um altar mal tradado só pode atrair más forças. E esse altar é você mesmo.

As responsabilidades adquiridas, mesmo com a contribuição mensal, com a compra de materiais, com a aquisição de flores, ervas ou qualquer outra coisa, faz parte do ritual. E como poderemos ser bons médiuns se nem isso conseguirmos cumprir?

Vale lembrar que a magia é uma reunião de pequenos atos. Atos esses que devem estar em nosso inconsciente como marcas de nascença e isso só acontece com a prática, com a observação das pequenas coisas. E a magia só acontece quando o material está em ordem. Se não conseguimos nem nos responsabilizar com o material, quem dirá com o mágico, com o espiritual?

Artefolk






20 de julho de 2017

Gratidão

Gratidão
O homem, por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e apertou o narizinho contra o vidro da vitrine.

Os olhos da cor do céu brilharam quando ela viu determinado objeto.

Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis.

É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou: Quanto dinheiro você tem?

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse: Isto dá, não dá?

Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa.

Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É seu aniversário e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos olhos dela.

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.

Tome, leve com cuidado.

Ela saiu feliz, saltitando rua abaixo.

Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem, de cabelos loiros e longos e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja.

Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e perguntou: Este colar foi comprado aqui?

Sim, senhora.

E quanto custou?

Ah!, falou o homem, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.

A moça continuou: Mas minha irmã tinha somente algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem dizendo: Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo o que tinha.

O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces jovens, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada.

Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.

E gratidão é sempre manifestação dos Espíritos que têm riqueza de emoções e altruísmo.

Sê sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém.

A gratidão é dever que não aquece apenas quem a recebe, mas também reconforta quem a oferece.


(Por Redação do Momento Espírita com base no texto O colar de turquesas azuis, do livro Remotos cânticos de Belém, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim).




16 de julho de 2017

Homenagem à Oxum 2017


SALVE O DIA 16 DE JULHO!
ORAYEYÊO!

Homenagem à Oxum 2017

 Homenagem à Oxum 2017

 Homenagem à Oxum 2017

Homenagem à Oxum 2017

Homenagem à Oxum 2017

 Família Tulca no saravá à Mamãe Oxum e no aniversário de 06 anos da nossa Tenda, em 15/07/17 na sede da Tulca, que venham mais 06 anos com muita luz e caridade! Agradecidos pela presença carinhosa de todos! 



Oração à Mãe Oxum

Mãe das águas doces e cristalinas, Mamãe Oxum, tens o amor de mãe e a pureza das meninas...

Bela Orixá da luz dourada, que ilumina o meu caminho e aquieta o meu coração para que eu alcance a serenidade da tua vibração divina...

O criador a ti confiou a propagação da virtude mais perfeita: o Amor que é o princípio das conquistas santas que engrandecem a alma...

O teu canto através da cachoeira nos induz a reflexão de que tudo é passageiro, como tuas águas que passam, mas que deixam pelo caminho o benefício de matar a sede da terra, fazendo crescer as mais belas flores...

Que saibamos seguir o teu exemplo, doce mãezinha, para que nossa rápida passagem por este mundo deixe a marca do amor que tu nos ensina, acolhendo a todos que de nós necessite, doar pela felicidade íntima de doar sempre e jamais fazer uma troca, pelo que tudo se perderia...

Agradeço-te todo o amor que me cerca, de todas as dimensões e auxilia-me para que os olhos do meu espírito reconheçam todos os seres como irmãos da nossa família universal, que Oxalá abençoa através dos teus gestos!

(Trecho retirado do livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 3 - Ednay Melo)




12 de julho de 2017

Proselitismo de Arrastamento

Proselitismo de Arrastamento
Virgulino Rocha era médium de qualidades apreciáveis no serviço do bem, no entanto, não conseguia furtar-se à preocupação de insistir com os amigos para que lhe seguissem os passos na interpretação religiosa.

Na oficina do ganha-pão, era trabalhador corretíssimo, considerando o caráter sagrado de suas responsabilidades e obrigações, mas, na vida comum, discutia a mais não poder, no intuito de intensificar o proselitismo. Quando surgiam conhecimentos novos, nas atividades diárias, revelava imediatamente a posição extremista. Tratava-se de alguém com opinião igual à dele, em matéria de fé? Estava disposto a todos os favores. Caso contrário, porém, Virgulino se retraía. Não odiava, mas também não dispensava às novas relações o menor interesse fraternal. Em se aproximando de alguém estranho aos seus pontos de vista, deixava-se dominar firmemente pelo espírito de discussão e disputa. Nesse capítulo, não esclarecia, nem convidava. Preferia arrastar, Em vão os amigos espirituais ofereciam-lhe novas diretrizes. Por vezes, contra todas as suas expectativas, o orientador invisível tornava-lhe a mão e escrevia sem rebuços:

«Virgulino, meu amigo, cada árvore tem condições diferentes para produzir. No que se refere à fé religiosa, procede à maneira do agricultor inteligente. Fornece adubos, protege as plantas tenras, não olvides a irrigação, mas não exijas fruto antes da época adequada. Será justo insistamos pela obtenção de pêssegos, de um pessegueiro mirrado, em terrenos desertos? Antes da colheita substanciosa e perfumada, não será razoável ministrar à planta elementos de vida, concedendo-se-lhe tempo indispensável, a fim de que se verifique a produção?»

Recebia o médium a mensagem sem esconder a própria admiração e inquiria naturalmente:

– Como pode ser isso?

Replicava a entidade generosa:

«O nobre cumprimento do dever com Jesus e com os homens é a melhor pregação. O discípulo que execute semelhante programa é o cultivador previdente e amigo da Natureza.»

– Mas o Divino Mestre – observava Virgulino, contrafeito –, no próprio Evangelho, não determina que se deve pregar as verdades do Céu a todas as criaturas?

«Sim – tornava o benfeitor amorável –, mas o Cristo expôs o ensinamento sem violentar a ninguém, convidou ao banquete da Boa-Nova, mas não arrastou a quem quer que fosse. Além disso, deixou bem claro que a prédica eficiente não é problema de palavras apenas e sim de exemplificação. O aprendiz leal do Evangelho é uma carta viva do Mestre. Todos poderão ler-lhe os caracteres e afeiçoar a experiência própria pelo padrão da conduta dele. Por isso mesmo, o homem honesto e trabalhador, em todos os gestos do dia, está pregando a criaturas que o vêem.»

O companheiro inquieto anotava ligeiramente as considerações recebidas, mas, certa vez, quando os conselhos se repetiam, Virgulino acentuou:

– Afinal de contas, não sei como proceder. Sinto-me animado das melhores intenções. Se encontrasse uma lição mais explícita ao menos...

O bondoso amigo espiritual não o deixou terminar e traçou no papel levemente: – «Tê-la-ás.»

O médium manifestou estranheza, em face da resposta lacônica e continuou nos mesmos hábitos, sem emprestar maior atenção ao prometido. Passou um ano e as observações criteriosas não se repetiram. Em razão disso, o nosso amigo prosseguia mais ardoroso no trabalho de arrastamento ao proselitismo doutrinário.

Os antigos conselhos já estavam quase integralmente esquecidos, quando Virgulino conseguiu o que representava para ele uma vitória de apreciável importância. O Jerônimo Castro, seu vizinho, com quem discutira durante dez anos, rendera-se-lhe às opiniões. A cura dum garoto doente inclinara-o ao Espiritismo, afinal. E o antigo companheiro, seguido da mulher e nove filhos, colocou-se à inteira disposição do médium, para o que desse e viesse, submetendo-se-lhe completamente aos pontos de vista. Virgulino não cabia em si de contentamento. Humilde operário em cidade grande, cooperando no seu grupo de realizações doutrinárias, ao lado de outros inúmeros trabalhadores, não saboreara ainda alegria igual àquela, trazendo às suas idéias mais de dez pessoas de uma só vez. Não pudera perceber que semelhante satisfação era fogo-fátuo de vaidade mal dissimulada, e que o triunfo fictício era somente agravo de responsabilidades na bagagem de deveres a lhe pesarem nos ombros. Incapaz de compreender o que reputava agradável sucesso, dava largas ao júbilo infantil e comentava:

– Ah! o Jerônimo, vocês hão de ver. A Doutrina efetuou notável conquista. Recordemos que por trás de sua figura existe enorme bloco de criaturas a considerar. Os filhos, os parentes todos, enfim, serão chamados à luz da verdade e do bem!

E as esperanças lhe brilhavam nos olhos claros e ingênuos.

Em breve tempo, contudo, a realidade surgia diversamente. Jerônimo Castro e os seus não se interessaram pelos ensinamentos que a Doutrina lhes oferecia, qual manancial abundante e inestancável. Em vão, Virgulino Rocha trazia livros, anotações e esclarecimentos. Os neófitos não queriam saber senão de vantagens. Não desejavam certificar-se de que haviam chegado à zona espiritual de trabalho e realização pelo esforço individual, apenas saboreavam gostosamente a perspectiva de haverem encontrado Guias invisíveis para a solução de todos os problemas do caminho humano.

À noite, quando o médium visitava a família, a conversação era quase sempre a mesma:

– Jerônimo – indagava Virgulino, curioso –, leu você aquelas apreciações evangélicas que mandei?

– Ainda não consegui – esclarecia o vizinho –, não posso saber o que ocorre. Tão logo tomo a leitura, sobrevém o sono imediatamente. As letras baralham-se diante dos meus olhos e as pálpebras se fecham, sem que eu possa atinar com a causa. Um verdadeiro fenômeno!

A essa altura, a esposa intervinha:

– Estou convicta de que se trata de influenciarão dos maus Espíritos. Jerônimo não era assim. Antes das noções espiritistas, estava bem disposto para divertir-se, sem esquecer o cinema e o teatro. Mas agora...

E antes que a mulher terminasse, voltava Jerônimo exibindo expressão de vítima:

– São coisas da vida!...

Virgulino compreendia bem a ausência de atenção sincera e, tentando imprimir novo aspecto ao quadro de impressões, perguntava, afetuoso, à dona da casa:

– E a senhora, Dona Ernestina? qual é a sua opinião referente à leitura?

– Oh! quem me dera tempo ao menos para rezar – respondia a interpelada, evidenciando dificuldades íntimas –, quanto mais para ler! Então o senhor julga que a casa me concede ocasião? Quando não é a cozinha que me requisita, é a sala que me pede atenção. Dum lado, está Jerônimo cheio de exigências ; do outro, os meninos cheios de caprichos. Ah! estes pirralhos!... quanto sofrem as mães neste mundo! já não sei como resistir.

E cruzava os braços, dando mostras de esgotamento.

Ante a paisagem sentimental, repleta de sombras e obstáculos, com desapontamento ensaiava o médium outro gênero de conversação. Comentavam-se as notas do dia. Todos haviam lido os jornais. As crianças aproximavam-se. Estavam a par do suicídio na vizinhança, do crime que se verificara no bairro, relacionavam amarguras de famílias diversas. Conheciam detalhes ignorados do repórter sagaz. A palestra vibrava. Nem Jerônimo sentia sono, nem Dona Ernestina experimentava angústia de tempo. E Virgulino, computando a bagagem de suas boas intenções, retirava-se entristecido. A situação, todavia, apresentava complicações crescentes. Na residência dos Castros, Espiritismo era recurso para aplicações de menor esforço. Guardava-se mesmo a impressão de que a família vagava em plano de profunda indiferença, no que dizia respeito à fé religiosa. Se um filho se tornava desatento, pela ausência de governo doméstico, chamavam o Virgulino; se Jerônimo atritava com os chefes de serviço pela própria ociosidade, buscavam o Virgulino; se uma das jovens da casa se excedia nas festas sociais, recorriam ao Virgulino. O médium não ocultava o doloroso abatimento. Não se passava um dia sequer, sem que os supostos convertidos apresentassem indagações intempestivas e inconvenientes, Dona Ernestina queria conhecer a intenção dos noivos que surgiam para as filhas, esclarecer intrigas da vizinhança, assinalar as pessoas defeituosas que lhe freqüentavam o ambiente doméstico, enquanto Jerônimo se interessava pelas promoções fáceis, pelos favores da sorte e condescendência dos seus chefes de serviço. De quando em quando, reclamavam do Rocha certas explicações, como se Virgulino fosse obrigado a se responsabilizar por todos os assuntos e questões da família.

Por que o Espiritismo era doutrina tão perseguida das demais confissões religiosas? Por que se restringia às reuniões, sem espetáculos para demonstrações públicas? Segundo os Castros, as procissões e outros ajuntamentos populares faziam falta. Via-se o médium em apuros na elucidação daqueles Espíritos preguiçosos.

Decorreram quatro anos. A situação, entretanto, piorava gradativamente. Jerônimo e os seus começaram a buscar Virgulino em sua oficina de trabalho.

– Agora, não posso – explicava-se o rapaz muito pálido, tentando desvencilhar-se.

– Oh! não foi o senhor quem nos levou para a Doutrina? – interrogava a jovem mais inquieta.

E lá se ia o nosso amigo para atividades mediúnicas sem propósito sério. Finalmente, certo dia, o chefe imediato de trabalho chamou-o, com bondade, para admoestação justa:

- Virgulino – disse, em tom grave –, sempre estimei em você o auxiliar competente e honesto. Jamais interferi nas crenças religiosas de meus subordinados, mas a sua ficha de serviço vem sendo prejudicada pelas saídas sem justificação. Desde muitos meses, suas obrigações passaram a ser olvidadas, na maior parte do dia.

Acredito chegado o tempo do reajuste. Sempre ensinei a todos que esta é uma casa de trabalho e realização.

O médium baixou os olhos, envergonhado, e respondeu tímido:

– O senhor tem razão.

Nessa noite chegou a casa, humilde, trancou-se no quarto e chorou, em longo desabafo.

Implorou sincera mente o socorro dos amigos espirituais. Foi quando reapareceu o antigo benfeitor invisível, exclamando:

– Por que choras, meu amigo? Cada qual recebe o que pede. Não desejavas uma lição prática?

Respondeu o médium, mentalmente, em lágrimas:

– Sempre fiz a propaganda da Verdade com sincera intenção de fazer o bem.

– Sim, Virgulino – voltava a dizer a amorosa entidade –, ensinar exemplificando é seguir os passos do Cristo, mas arrastar é perigoso. Além disso, Nosso Pai Celestial concedeu pés a todos os homens. Não será indispensável que cada um caminhe por si mesmo? Quem espalha a verdade, amando como Jesus amou, edifica na vida eterna ; mas quem arrasta uma criatura suportará naturalmente a carga pesada. Continua adubando e amparando as plantas que vicejam nos teus caminhos, mas não cometas o disparate de arrancá-las com violência!...

No dia seguinte, muito cedo, antes que Jerônimo se dirigisse à repartição, Virgulino bateu à porta dos Castros e, valendo-se do ensejo que reunia a família para o café matinal, explicou resoluto, em voz muito firme:

– Meus amigos, venho solicitar-lhes grande favor.

Não me procurem, doravante, na oficina do meu ganha-pão. Tenho ordens terminantes para não relaxar o serviço.

E antes que os ouvintes voltassem a si do espanto enorme, prosseguiu serenamente:

Não é só isso. Valho-me da oportunidade para apresentar-lhes minhas despedidas.

Circunstâncias imperiosas obrigam-me a transferir a residência.

– Que é isso, homem? – respondeu Jerônimo, pasmado – não podemos dispensar-lhe a companhia.

– Não é possível! – exclamava a filha mais velha – que será de nós todos doravante? Não foi o senhor quem nos levou para a doutrina dos Espíritos?

O médium não se deixou impressionar e esclareceu:

– Desfaçamos equívocos enquanto é tempo. Não precisam manter determinadas atitudes religiosas tão-somente para meu agrado. São livres para o caminho que melhor lhes pareça. Quanto a mim, devo conhecer minhas próprias necessidades. E nunca devemos esquecer que todos precisamos união cada vez mais intensa com o Cristo. Ele, sim, é a nossa companhia indispensável.

– Entretanto, são mais de quinze anos de vizinhança e convivência – aventurou Dona Ernestina, chorosa –, então isso não se levará em conta?

– Deus opera a mudança para o bem – esclareceu o visitante ao sopro de elevada inspiração.

E antes que os Castros acordassem do assombro, o vizinho esboçou um gesto de adeus e concluiu:

– Não tenho tempo a perder. Jesus os abençoe.

E depois de longas correrias pelos subúrbios, Virgulino Rocha contratou a cooperação de vários veículos de transporte e lá se foi com a família para os confins de Cascadura.


Pelo Espírito Irmão X - Do livro: Reportagens de Além Túmulo, Médium: Francisco Cândido Xavier.





10 de julho de 2017

Encontros e Despedidas

ENCONTROS E DESPEDIDAS 

Milton Nascimento, Fernando Brant 
Canta: Maria Rita



Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados 
Da mesma viagem
O trem que chega 
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro 
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

***



Interpretação da Letra:

Em “Encontros e Despedidas” a referência é o espiritismo de Chico Xavier.

Assim, os autores traçam uma engenhosa relação entre o vai-e-vem de uma estação e a doutrina espírita.

Para os artistas, as relações são claras: Quem perdeu um ente querido fica querendo ter notícias do outro, na outra dimensão da vida, ou seja, “do lado de lá”. E quem partiu pede um carinho, um abraço, uma lembrança boa, uma prece de quem ficou.

O melhor da vida é o esquecimento do passado e não saber quando, não ter plano para partir. E se o espírito for um pouco evoluído, poderá voltar e ver os entes queridos quando quiser.

Para os autores, a vida é uma estação e todos os dias é um vai e vem. Alguns renascendo e outros desencarnando. Tem aqueles que vêm pra ficar e cumprir o seu planejamento reencarnatório todo, tem outros que vão pra nunca mais porque já estão muito evoluídos e só voltarão se quiserem, em alguma missão. Têm aqueles que renascem porém estão com medo dos compromissos e das provas, por isso querem voltar. Tem outros, tão apegados à vida material que vão mas querem mesmo é ficar por aqui. Têm espíritos cuja prova é só vir, olhar e voltar, por isso tem espíritos a sorrir e a chorar. Os que sorriem à chegada de um bebê e os que choram a partida de um amor. Assim, renascer e desencarnar “são só dois lados da mesma viagem”. “O trem que chega” (o processo de justiça da reencarnação) é o mesmo da desencarnação.

Conclusão: A vida é a plataforma da estação de chegada e partida dos espíritos pela Lei de Justiça, Amor e Caridade…(Autor desconhecido)




7 de julho de 2017

Xamanismo

Xamanismo


Nos primórdios da humanidade, não havia fronteiras entre ciência, arte e religião. Tudo se fundia em uma única busca: conhecer as forças da natureza e saber usá-las em benefício do homem. Esse era o domínio do xamã, figura tribal que exercia múltiplas funções – de sacerdote e curandeiro, pesquisador do poder de cura das plantas, a músico e poeta, narrador e guardião dos mitos e histórias do seu povo. O termo original saman vem justamente do verbo “conhecer” na língua siberiana manchu-tungus, significando “aquele que conhece” ou, simplesmente, “feiticeiro”. Em português (ou melhor, tupi), o exato equivalente seria “pajé”. A definição clássica de xamanismo – “técnicas arcaicas de êxtase” – pertence ao filósofo romeno Mircea Eliade (1907-1986), especialista em História das Religiões e um dos vários estudiosos que ficaram impressionados com o modo como as práticas xamânicas se reproduziam identicamente entre nativos de regiões tão distantes quanto Sibéria, Austrália e Amazônia.

A principal delas, como destaca Eliade, é entrar em transe – por meio de ritmos repetitivos tocados em tambores ou de substâncias psicoativas encontradas em fungos ou vegetais. Nesse estado alterado de consciência, o xamã seria capaz de realizar o chamado “vôo mágico”: desprender-se do próprio corpo para viajar a outros planos do universo, para o além. “Nesses mundos – alguns celestiais, outros subterrâneos –, ele vai resgatar almas perdidas. Isso porque, na crença desses povos, quando alguém está doente é porque sua alma está perdida”, diz o antropólogo Robin Wright, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outro traço comum às diversas tradições xamânicas é trabalhar com “espíritos aliados” – tanto de seus ancestrais, quanto de bichos selvagens e ervas medicinais. São os chamados animais e plantas de poder, que o ajudam a viajar por outras dimensões e a curar males físicos e psicológicos, além de conduzir rituais que propiciem a caça e a fertilidade da natureza.


O mistério das cavernas

Pinturas pré-históricas sinalizam o nascimento simultâneo da arte e do xamanismo

Muitos historiadores, arqueólogos e antropólogos acreditam que a origem do xamanismo está na Europa do final da Idade da Pedra, entre 30 000 e 20 000 anos atrás. A evidência principal estaria nas magníficas pinturas rupestres encontradas em cavernas da Espanha e da França. A maioria delas representa animais como cavalos, bisões e cervos, provavelmente com a intenção simbólica e ritualística de propiciar a caça, fazendo um pacto com os espíritos desses bichos. Mas a imagem mais enigmática de todas é a figura acima, pintada na parede da caverna de Trois Frères, no sul da França: uma criatura semi-humana, batizada de Feiticeiro Dançarino, com orelhas de lobo, chifres de veado, rabo de cavalo e patas de urso. Há duas interpretações para ela. Para alguns estudiosos, trata-se do registro mais antigo da união de um xamã com seus animais de poder.

Outros acreditam que seja uma entidade sobrenatural: o Grande Espírito da caça e da fertilidade animal. As primeiras esculturas e instrumentos musicais (tambores e flautas feitas de ossos), são da mesma época, reforçando a tese de que os xamãs foram os criadores não só das artes visuais, como da música e da poesia lírica.



Há crenças xamânicas em todas as culturas, da Sibéria à floresta Amazônica. Elas usam a natureza para abrir o caminho espiritual que leva a Deus


“Tome, caballero”, disse a velha índia ao jornalista americano Terence McKenna. Era 1981 e a cena se passava numa cidadezinha remota, em plena selva peruana. McKenna segurou o pequeno copo de barro, ignorou a aparência repugnante da bebida dentro dele e sorveu o líquido devagar. Em pouco tempo, seus lábios estavam adormecidos. Sentiu sono e cerrou os olhos. Depois de alguns minutos, uma luz se acendeu dentro do cérebro – e ele enxergou um caudaloso rio feito de fachos de luz. “Não sei o que vi, mas parecia Deus”, confessou o jornalista, que mais tarde escreveria o livro Food of the Gods – A Radical History of Drugs, Plants and Human Evolution (“Alimento dos Deuses – Uma História Radical de Drogas, Plantas e Evolução Humana”, inédito no Brasil).

A experiência mística descrita acima é típica de um ritual xamânico. Parece coisa de índio da Amazônia, não? E é mesmo, mas não só de índio. Segundo a Encyclopedia of Religion and Nature (“Enciclopédia de Religião e Natureza”, sem tradução para o português), o xamanismo está presente em todas as culturas. “Existem xamãs na África, na Sibéria, no Extremo Oriente, nas Américas… Em todo lugar”, diz o antropólogo americano Michael Harner, criador da Fundação para Estudos Xamânicos, na Califórnia, EUA.


Alucinógeno não: enteógeno

A neurologia e a psiquiatria, entre outros ramos da ciência moderna, são cautelosas – para dizer o mínimo – ao analisar a natureza dos efeitos provocados por substâncias como a ayahuasca (bebida preparada com plantas amazônicas) ou a mescalina (feita a partir de um cacto mexicano). Mas isso não tira o fascínio da coisa. Nas palavras do romeno Mircea Eliade, autor de Tratado de História das Religiões (Editora Martins Fontes), o xamanismo é a técnica arcaica da busca do êxtase. “Ao contemplar a natureza, o homem primordial perguntava-se se não havia um espírito sagrado por trás dela”, diz o inglês Phil Hine, especialista em práticas xamânicas e ocultismo. “Ele intuía a existência de um elo sagrado entre o exterior natural e o interior humano – uma face visível do espírito.”

Para criar uma ponte entre Deus e o ser humano, os xamãs se valem de diversos meios: jejuns, meditação, retiros espirituais , entre muitos outros. O mais poderoso, no entanto, sempre foi a ingestão de substâncias vegetais. Alucinógenas? A maioria dos usuários não gosta desse adjetivo. O termo correto seria “enteógeno”, já que a ingestão acontece em rituais religiosos e se presta a estabelecer uma conexão com o sagrado. O movimento ganhou nome – vegetalismo – e está representado no Brasil por várias organizações, entre as quais se destacam Santo Daime, União do Vegetal e Natureza Divina.

Revista Superinteressante




3 de julho de 2017

Azeite de Dendê


Azeite de Dendê


Muitos filhos perguntam - o que é o Azeite de Dendê? - Para que serve? segue um texto muito simples e objetivo que responde a estas perguntas.

Produzido a partir do fruto da palmeira conhecida como dendezeiro é originário da Costa Ocidental da África, mais precisamente do Golfo da Guiné, sendo encontrado desde Senegal até Angola. O dendezeiro é conhecido também como palmeira de óleo africana, aavora, palma de guiné, palmeira dendém, coqueiro de dendê e dendem (em Angola). Chega a 15 m de altura, seus frutos são de cor alaranjada e a semente ocupa totalmente o fruto.

As primeiras sementes de dendezeiro foram trazidas para o Brasil há mais de 3 séculos pelos escravos africanos e se adaptaram bem ao clima tropical. Câmara Cascudo afirma que “como era costume na África, rara seria a iguaria negra sem a participação do azeite de dendê”, assim, juntamente com outras iguarias importantes como as bananas, os quiabos, os inhames, o coco e as especiarias como a erva doce, o gergelim e algumas pimentas, veio o dendê, tornando-se indispensável na culinária afro-brasileira.

O óleo de dendê é fonte natural de vitamina E e é riquíssimo em vitamina A. Tem 21 vezes mais vitamina A que a laranja, 400 vezes mais que o tomate e 14 vezes mais que a cenoura, por isso é tão vermelho. Quando o azeite é aquecido a vitamina A é destruída e o óleo fica branco. O rendimento do dendê é muito grande, produz 10 vezes mais óleo que a soja, 4 vezes mais que o amendoim e 2 vezes mais que o coco. Faz muito bem à saúde, afirmam os especialistas. Da amêndoa de seu fruto se extrai um óleo usado em cosmética, na fabricação de chocolate substituindo a manteiga de cacau e ainda é utilizado na indústria de maioneses e margarinas.

No Candomblé a palmeira de dendê é uma árvore Sagrada, seu óleo é muito utilizado nas Comidas de Orixás e o coquinho é usado em um dos Oráculos de Ifá.

Na Umbanda representa a SABEDORIA ANCESTRAL trazida pelos negros da África. Representa FORÇA, ENERGIA , VIDA , SABOR e FEITIÇO. O azeite dendê tem a característica de “erva quente”, ou seja, tem energia agressiva , ativa e quando aquecido torna-se mais agitado, portanto precisa ser usado com critério.

Utilizamos o óleo de dendê nas oferendas, principalmente para a Esquerda, com a função de desagregar qualquer tipo de carga ou energia negativa. Com os coquinhos de dendê pode-se fazer guias que, após serem imantadas e consagradas pelos baianos, boiadeiros e até pelos caboclos, se tornarão fantásticos instrumentos de trabalho e de proteção, pois são símbolos da Sabedoria trazida dos negros africanos.

Mônica Caraccio





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