26 de dezembro de 2012

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Ética Mediúnica

Ética Mediúnica
Por que certos médiuns em terreiros de cultos afro-brasileiros, após ingerir, quando incorporados, grande quantidade de bebida alcoólica, findo o transe mediúnico não apresentam sintomatologia de embriaguez?

Nos terreiros que adotam este tipo de comportamento por parte dos médiuns, é comum observar a ignorância total ou quase total das leis que regulam o equilíbrio energético, tanto no que tange ao delicado momento de intercâmbio mediúnico, quanto a respeito da estrutura do duplo etérico e do perispírito.

Quando há ingestão de álcool e a aproximação de espíritos que são vinculados a tal prática, em geral ocorre o fenômeno do vampirismo.

Nesse caso a vítima, isto é, o médium, pode ser preservado temporariamente de certos efeitos pela própria entidade que o vampiriza; afinal, ela não tem interesse de perder seu" copo vivo", que a mantém abastecida com certo teor de ectoplasma alterado pelas emanações etílicas.

O interesse do espírito que rouba as energias do médium deve-se ao fato de que tais emanações lhe proporcionam sensações semelhantes ás que tinha quando encarnado, ao fazer uso de substâncias tóxicas ou alcoólicas.

No entanto, convém observar que, se o médium não sente as conseqüências imediatas ou os efeitos tóxicos da bebida ingerida, é que seu duplo etérico, já viciado em tais emanações, sofreu um rompimento abrupto .

Também ocorre que, durante esse tipo de transe, o duplo se afasta da linha de equilíbrio que demarca os limites de sua atuação junto ao corpo físico- afastamento que acontece mais por impositivo de uma ação antinatural e forçada por parte da entidade , que deseja fazer uso dos fluidos do médium.

Seja como for, em qualquer situação, mesmo disfarçada com máscara de bondade ou de realização da caridade, o médium sofrerá as conseqüências desse tipo de intercâmbio, que, de acordo com a persistência do hábito, poderá se danificar de forma definitiva.

Ocorrendo o rompimento da tela etérica devido ao uso de substâncias tóxicas que a violentam, dificilmente se poderá reconstituí-la na mesma encarnação.

Texto retirado do livro "Consciência " de Robson Pinheiro, ditado pelo espírito de Joseph Gleber.




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24 de dezembro de 2012

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Natal no Reino de Olorum





Natal no Reino de Olorum



A humanidade estava perdendo a fé, o amor ao próximo estava cada vez mais distante, a natureza estava em total desiquilíbrio, o Divino Criador estava muito preocupado...

Decretou então que todos os Orixás viessem a sua presença urgente.

-O que faremos para que a harmonia, a paz, o amor, a fé sejam novamente morada nos corações de todo mundo?

Cada Orixá deu uma ideia magnânima, eu faço isso eu faço aquilo todas de impossível realização, e assim ficaram horas e horas discutindo, cada um falando que a sua ideia era melhor do que a do outro que o seu poder era maior e assim o tempo foi passando...

De repente a reunião foi interrompida por algazarras, gritos e risadas, acabavam de chegar várias divindades mágicas todas regidas por algum dos Orixás presentes, os Erês.

E foram logo dando a sua ideia - Pai Olorum que tal montarmos uma árvore de Natal.

Com vários presentes, brinquedo, doces, todos ficariam muito felizes...

Olorum pensou, pensou...- É essas crianças tem muita sabedoria mesmo, vamos enfeitar o Natal da humanidade, esta é uma ótima ideia.

O alvoroço voltou a predominar, os Orixás não concordavam, e indagavam entre si.

- Imaginem os seres humanos não sabem mais qual é o motivo da comemoração do dia 25 de dezembro, Papai Noel, então, nem se fala, árvore de Natal... todos riam muito...

Mas Olorum não se intimidou, e logo decretou que Odé, fosse buscar em suas matas, o mais lindo Pinheiro Natalino que encontrasse. Xangô muito desconfiado foi junto, usaria seus machados se fosse preciso. E assim foi feito.

Enfeitaram o pinheiro com laços, bolas coloridas, as mais lindas que já se viu. Fios de ouro, prata, diamantes... - Mas,,, a árvore de Natal lindíssima, imensa, brilhava muito, e sua beleza ofuscava os olhares de todos,,, mas,,, mesmo assim faltava algo...

Olorum conversou novamente com todos e decretou que todos se despojassem de algo bem precioso e colocassem aos pés do gigantesco pinheiro.

Bará deixou sua chave, Ogum, sua espada, Iansã deixou a tempestade, Xangô de pronto deixou seus machados, Odé e Otim deixaram seu arco e flecha, Obá, deixou suas navalhas, Ossanhe deixou sua cabaça que continha o segredo de todas as folhas, Xapanã seu xaxará, Oxum seu espelho, Yemanjá, seu abebé, e assim foi, várias nações de Orixás conhecidos, cultuados ou não, seres mágicos da natureza, deixaram também alguns presentes.

-Agora sim a árvore ficou bela!!!.- Falaram todos em conjunto.

Olorum por sua vez olhou,,, olhou,,, e reuniu todos mais uma vez

-Vocês só tem isso para dar? Olhem para dentro de si mesmos, e doem o melhor de cada um, com amor, carinho é disso que realmente a humanidade precisa.

Os Erês logo correram e subiram na árvore, colocaram várias bolas coloridas com alegria, brincadeiras e felicidade.

O Bará também não perdeu tempo, com a sua chave foi abrindo vários caminhos e pendurou na árvore.

Ogum pegou sua espada e imediatamente cortou vários males e também pendurou na árvore.

Iansã, com seus ventos, foi logo levando toda a maldade, injustiças, inimigos, egoísmos. E seus raios iluminavam a árvore como estrelas brilhantes.

Xangô, não quis ficar para traz, e logo foi fazendo vários decretos para que a justiça prevaleça sempre.

Odé e Otim trouxeram muita fartura, moradias, saúde, abertura de bons negócios.

Obá, por sua vez cortou todas as maldades e maus pensamentos.

Ossãem abriu a cabaça dos poderes e as ervas medicinais espalharam-se como uma magia divina.

Xapanâ deixou o poder de cura da alma e do espírito.

Oxum trouxe o amor, comunhão, a afetividade e o dom da recepção.

Yemanjá, teve um pouco de trabalho, mas conseguiu trazer toda a essência de seu mar e ondas, por segundos a árvore ficou completamente iluminada e coberta de pérolas de paz e harmonia, suas águas emanavam o mais puro carinho de mãe.

Oxalá estava em missão importante, pois Olorum havia solicitado que ele fosse muito longe. lá nos fundos dos corações de toda a humanidade e procurasse a fé, que está sendo perdida.

Vencedor Oxalá veio com os presentes mais pesados e raros para a árvore, todos os Orixás o ajudaram a carregar e energizar tudo.

Ele trouxe a fé, a religiosidade, o otimismo e a perseverança.

Olorum logo colocou a fé no pico mais alto da árvore, e, então o pai da criação lançou sobre a árvore, todo o seu poder mágico, energizando e abençoando todos os seus filhos.

Agora sim, o Natal voltará a ser o mesmo, temos tudo que precisamos, se não tivermos procure dentro do seu coração e com certeza sua árvore de Natal brilhará como nunca e estará bem iluminada por todas as Divindades do Grande Pai Olorum..

Quando for enfeitar a sua árvore, faça como os Orixás, procure dentro de si, o melhor, e, realmente entendam, qual o sentido e o significado do dia 25 de dezembro.


Um Feliz Natal e muito Axé para todos!


Autor desconhecido



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13 de dezembro de 2012

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Pai Oxalá - Por Ednay Melo




Pai Oxalá

Dia da semana: domingo – dia do Astro Sol

Data comemorativa: 25 de dezembro

Sincretismo: Jesus Cristo

Cor: branco

Ervas: mirra, tapete de oxalá, alecrim e outras.

Frutas: pera, melão, coco verde e outras.

Flores: Lírios brancos e todas as flores brancas, exceto rosas.

Pontos de Força: Campos abertos

Elemento: ar

Pedra: quartzo transparente

Símbolo: cajado de alumínio

Saudação: Epa Babá! – Significa: Salve a honrosa presença do Pai!

Astro: Sol – Astro Rei. O Sol está ligado ao arquétipo de realeza, grandeza, luz, equilíbrio de todos os planetas e sustentação da vida.

Deuses na mitologia greco-romana: Hélio para os gregos e Apolo para os romanos.


Oxalá na Umbanda é sincretizado com Jesus Cristo, mas não é o próprio Jesus Cristo. Assemelha-se a Ele devido a força energética altamente sutil e sagrada que O caracteriza, bem como devido ao arquétipo de perfeição e de realeza que Ele representa. A diferença principal entre ambos é que Jesus é espírito altamente evoluído e Oxalá não é espírito, é uma das qualidades de Deus, assim como são todos os Orixás. O cérebro humano é treinado para entender a linguagem dos sinais e das formas, como o uso das palavras e imagens, daí pode-se entender Oxalá utilizando a imagem de Jesus que a Igreja Católica introduziu, ou a que nós mesmos possamos ter criado, o que importa é nos ligarmos a Ele através da fé. Na Umbanda ele é o segundo a ser louvado, mas que isto não seja uma regra, pois Ele é a mais perfeita representação de Deus, podendo-se louvar somente a Ele e naturalmente as emanações energéticas da prece são encaminhadas também ao Pai Olorum (...)

Trecho retirado do Livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 2 - Ednay Melo

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8 de dezembro de 2012

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Dia 08 de dezembro - Salve Iemanjá



Odoiá!



Iemanjá na Umbanda




Oração à Iemanjá:

"Mãe Iemanjá, derramai vossos poderosos fluídos sobre todos nós. Que vossa misericórdia continue a se estender sobre todos os reinos. Que os fracos sejam protegidos pelos vossos braços e que os humildes sejam enaltecidos pelo ruído do mar. Que os orgulhosos percam a arrogância e sintam como é bom ser bom, porque a maldade só nos torna pequenos perante o vosso reino, Senhora. Que os doentes recebam de vós, minha Santa Rainha, a cura para todos os males, através das emanações e de vossas vibrações e que nós sejamos purificados em vossas sagradas águas. Que a força do vosso reino seja para nós um escudo contra as más influências dos seres inferiores, pois ainda somos crianças no reino em que vivemos e mal o conhecemos. Que o vosso sagrado manto agasalhe todos os necessitados e traga o vosso calor de Santa Mãe, que vós sois. Senhora, tende piedade de tantos que, como eu, vos invocamos neste momento sublime. Atendei-nos em nossos pedidos, Mamãe, e para tanto deixamos nossas suplicas na sétima onda do vosso mar." 
Assim seja.



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6 de dezembro de 2012

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Marinheiros na Umbanda - Por Ednay Melo

Marinheiros na Umbanda
Linha dos Marinheiros 

A linha auxiliar dos Marinheiros na Umbanda é composta por espíritos que trabalham pela caridade, que podem ter sido marinheiros ou não em outras encarnações. É o arquétipo do homem corajoso e destemido, que não se intimida com as tempestades sobre o seu campo de ação, que sabe utilizar de estratégias para controlar os maus tempos.

A Linha dos Marinheiros é regida pela Orixá Iemanjá, Rainha do Mar, que direciona, sustenta e ampara os espíritos que trabalham sob a irradiação da maior potência energética do planeta, considerando que este é composto mais de água do que de terra.

Esta Linha é também conhecida como "Povo da Água" porque pode ser regida também pelas Orixás Oxum e Nanã em menor proporção do que Iemanjá. Dependerá da necessidade do trabalho dos Marinheiros diante destas três forças (...)

Trecho retirado do Livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 4 - Ednay Melo

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30 de novembro de 2012

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O Grande Caldeirão da Umbanda


O Grande Caldeirão da Umbanda

É provável que todos já tenham ouvido a expressão: "O Brasil é um grande caldeirão". Talvez não tenhamos o mesmo requinte da culinária francesa, bastante tradicional, nem da japonesa, adaptada às suas condições regionais, mas no nosso "caldeirão" cabe uma grande feijoada, onde diversos elementos se misturam, ganhando um sabor especial - a digestão (entenda-se compreensão) desse prato pode ser um pouco pesada às vezes, mas certamente é apaixonante e paradoxalmente original ao mesmo tempo em que é universalista. No Brasil as coisas misturam-se tanto, que é possível estudar a culinária, a formação étnica e cultural, ao mesmo tempo em que tentamos entender a sua religiosidade. É um país onde as mais diversas denominações religiosas - desde a católica até a judaica - convivem numa paz quase absoluta. E curiosamente, a população, das mais variadas religiões existentes aqui acabam convergindo para um ponto: as crenças populares. Benzedeiras, mandingas, simpatias e patuás confundem-se com outras liturgias, que acabam recebendo o questionável rótulo de “autênticas” que a tradição histórica lhes permite. Pesquisas da Vox Populi mostram que 59% da população brasileira declara que acredita em reencarnação e que já viveu outras vidas, mas apenas 3% dessa mesma população se diz espírita. Paradoxo? Provavelmente não. Mais possivelmente trata-se de um traço cultural, fruto da miscigenação construída ao logo dos séculos. No entanto, tal constatação nos remete a outro questionamento. Esse espiritismo praticado no Brasil é realmente “puro” (no sentido de seguir de maneira ortodoxa a obra codificada por Kardec) ou apresenta também, em si, traços dessa nossa identidade cultural?

Não é novidade para ninguém que o espiritismo nasceu na França, onde possuía um caráter mais científico e filosófico do que religioso, mas hoje, ele é mais difundido aqui no Brasil do que em seu país de origem (sim, pesquisas mostram também que Alan Kardec é mais conhecido no Brasil do que no seu país de origem, e acredito que isso seja motivo de orgulho para nós). Mas por que então o espiritismo encontrou as portas abertas justamente no Brasil? Provavelmente o Brasil já possuía uma predisposição para as crenças reencarnacionistas (e espiritualistas em geral), já que uma gama dessa cultura foi trazida pelos negros que aqui aportaram como escravos. Encontramos então um ponto convergente aí. Certas ritualísticas, práticas como benzimentos, simpatias e similares, já tinham um campo no Brasil, o espiritismo veio então somar conhecimentos a uma cultura já bastante vasta e eclética. Isso significa que houve uma deturpação do espiritismo? Longe disso. O que houve foi um processo natural de adaptação cultural, que não somente as religiões, mas todos os hábitos, costumes, crenças, linguagem – cultura de um modo geral – passam dentro da construção de uma nova identidade sócio-cultural (lembremos que o Brasil ainda era jovem como país independente e mais ainda como República, portanto ainda estava “se conhecendo” como nação, e o positivismo – berço filosófico do espiritismo – era a palavra de ordem). Percebe-se então outro fenômeno que também ocorreu naturalmente: a universalização.

Hoje as coisas misturam-se nesse grande caldeirão. É muito comum seguidores da Umbanda definirem-se como espíritas. Trata-se de um erro conceitual? Cada qual terá a sua resposta e a partir dela saberá dizer se é ou não um erro, mas como mais uma manifestação dessa miscigenação, muitos insistirão naquela que melhor lhe aprouver e esse não é o tema da discussão. O que importa é a influência entre (e não sobre) o espiritismo e os cultos populares que já eram difundidos no Brasil. No início do século XX era muito comum se falar em “macumbas”, especialmente no Rio de Janeiro. Esses rituais que muitas vezes consistiam em oferendas entregues ao ar livre, já eram um protótipo do que viria a ser o que hoje chamamos de Umbanda. Paralelamente a isso, em 1908, dentro de uma casa espírita, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que oficializou a Umbanda (se ele “fundou” a Umbanda já é tema para outro debate).

Podemos encontrar mais uma constatação da existência desse caldeirão em um trecho do livro AFRICANISMO E ESPIRITISMO, de Deolindo Amorin em que ele diz que a Umbanda é muito mais parecida com o catolicismo do que com o Espiritismo, devido aos rituais, que segundo ele, não existem no Espiritismo. Percebe-se nas palavras do autor a tentativa clara de afastar a prática da Umbanda da Doutrina Espírita, mas é importante ler esse trecho sem emitir juízo de valores principalmente sobre nossos amigos espíritas, que são merecedores de todo nosso respeito. Deixemos os preconceitos de lado, fazendo uma análise onde se leva em conta o momento histórico no qual o documento foi escrito e a mentalidade da época – em especial da classe social e intelectual em que se encontra o autor, caso contrário toda forma de tentativa de estudo irá por água abaixo:

"Quando falamos em Espiritismo, saibam os leitores que nos referimos à codificação CIENTÍFICA, FILOSÓFICA e MORAL, de Allan Kardec, - a única com o privilégio de ostentar semelhante título! – que o mestre expôs numa série de obras notáveis, editoradas na França, no período de 1857 a 1869, e não a esse conglomerado de pajelanças e de rituais espalhafatosos, onde preponderam o mediunismo abastardado; em suma – ao carnaval de UMBANDA, difundido e praticado por aí em fora, sob o rótulo daquela luminosa esquematização espiritualista." (AMORIM, 1949: 5-7).

É fundamental ressaltar que esse trecho reflete a opinião de UM AUTOR EM ESPECIAL e jamais de toda a comunidade espírita. Mas percebe-se claramente que há uma tentativa de não identificar o Espiritismo com a Umbanda, e sim com o catolicismo (assim como os católicos se esforçam para identificar a Umbanda com o espiritismo – haja caldeirão). Por outro lado, não podemos esquecer a influência dos cultos indígenas, que foram preservados principalmente em algumas partes das regiões Norte e Nordeste do Brasil e que acabaram incorporados aos rituais de Umbanda e à própria identidade nacional (o uso terapêutico e magístico de ervas é o exemplo mais clássico da existência dessa tradição). Embora menos falados, não há como desprezar também o Catimbó, o Xangô (não o orixá, mas o culto) de Pernambuco, o Batuque do Sul – e isso porque nem citei o Candomblé e sua gigantesca influência. Somos então uma nação caldeirão, ou, para ser mais modernos, um liquidificador, onde ritos, crenças e filosofias se uniram e se misturaram, formando, no imaginário coletivo, uma unidade, que na teoria não existe, mas é praticada constantemente (quem nunca viu um católico procurando uma benzedeira?).

Na verdade esse é um texto que mais confunde do que explica – e essa é a intenção, pois da dúvida pode nascer um bom debate – mas construir a nossa própria história (nesse caso, em especial da Umbanda) é entender um pouco de si mesmo, de seu povo, de sua nação e formação. É um trabalho árduo, para o qual eu talvez não tenha competência e preparo, mas creio ser importante lançar uma primeira semente para uma troca de idéias amigável, onde cada qual pode contribuir com a informação que possui, concordando, discordando, acrescentando e corrigindo.

Saravá a Umbanda.

Douglas Fersan







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28 de novembro de 2012

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Os Elementais


Os Elementais

A existência dos elementais, segundo os antigos anciãos e sábios do passado, explicava a dinâmica do universo. Como seres reais, eram responsabilizados pelas mudanças climáticas e correntes marítimas, pela precipitação da chuva ou pelo fato de haver fogo, entre muitos outros fenômenos da natureza. Apesar de ser uma explicação mitológica, própria da maneira pela qual se estruturava o conhecimento na época, eles não estavam enganados. Tanto assim que, apesar de a investigação científica não haver diagnosticado a existência concreta desses seres através de seus métodos, as explicações dadas a tais fenômenos não excluem a ação dos elementais. Pelo contrário.

Os sábios da Antiguidade acreditavam que o mundo era formado por quatro elementos básicos: terra, água, ar e fogo. Não obstante, com o transcorrer do tempo, a ciência viesse a contribuir com maiores informações a respeito da constituição da matéria, não tornou o conhecimento antigo obsoleto. A medicina milenar da China, por exemplo, que já começa a ser endossada pelas pesquisas científicas atuais, igualmente identifica os quatro elementos. Sob o ponto de vista da magia, os quatro elementos ainda permanecem, sem entrar em conflito com as explicações científicas modernas. Os magistas e ocultistas estabeleceram uma classificação dos elementais sob o ponto de vista desses elementos, considerando-os como forças da natureza ou tipos de energia.

Então os elementais não possuem consciência de si mesmos? São apenas energia? Não. Os seres elementais, irmãos nossos na criação divina, têm uma espécie de consciência instintiva. Podemos dizer que sua consciência está em elaboração. Apesar disso, eles se agrupam em famílias, assim como os elementos de uma tabela periódica.

Os elementais são entidades espirituais relacionadas com os elementos da natureza. Lá, em meio aos elementos, desempenham tarefas muito importantes. Na verdade, não seria exagero dizer inclusive que são essenciais à totalidade da vida no mundo. Através dos elementais e de sua ação direta nos elementos é que chegam às mãos do homem as ervas, flores e frutos, bem como o oxigênio, a água e tudo o mais que a ciência denomina como sendo forças ou produtos naturais. Na natureza, esses seres se agrupam segundo suas afinidades.

Seriam então esses agrupamentos aquilo que se chama de família? Isso mesmo! Essas famílias elementais, como as denominamos, estão profundamente ligadas a este ou aquele elemento: fogo, terra, água e ar, conforme a especialidade, a natureza e a procedência de cada uma delas.

Os elementais já estiveram encarnados na Terra ou em outros mundos? Encarnações humanas, ainda não. Eles procedem de uma larga experiência evolutiva nos chamados reinos inferiores e, como princípios inteligentes, estão a caminho de uma humanização no futuro, que somente Deus conhece. Hoje, eles desempenham um papel muito importante junto à natureza como um todo, inclusive auxiliando os encarnados nas reuniões mediúnicas e os desencarnados sob cuja ordem servem.

Como podem auxiliar em reuniões mediúnicas? Como expliquei, podem-se classificar as famílias dos elementais de acordo com os respectivos elementos. Junto ao ar, por exemplo, temos a atuação dos silfos ou das sílfides, que se apresentam em estatura pequena, dotados de intensa percepção psíquica. Eles diferem de outros espíritos da natureza por não se apresentarem sempre com a mesma forma definida, permanente. São constituídos de uma substância etérea, absorvida dos elementos da atmosfera terrestre. Muitas vezes apresentam-se como sendo feitos de luz e lembram pirilampos ou raios. Também conseguem se manifestar, em conjunto, com um aspecto que remete aos efeitos da aurora boreal ou do arco-íris.

Disso se depreende, então, que os silfos são os mais evoluídos entre todas as famílias de elementais? Eu diria apenas que os silfos são, entre todos os elementais, os que mais se assemelham às concepções que os homens geralmente fazem a respeito de anjos ou fadas. Correspondem às forças criadoras do ar, que são uma fonte de energia vital poderosa.

Então eles vivem unicamente na atmosfera? Nem todos. Muitos elementais da família dos silfos possuem uma inteligência avançada e, devido ao grau de sua consciência, oferecem sua contribuição para criar as correntes atmosféricas, tão preciosas para a vida na Terra. Especializaram-se na purificação do ar terrestre e coordenam agrupamentos inteiros de outros elementais. Quanto à sua contribuição nos trabalhos práticos da mediunidade, pode-se ressaltar que os silfos auxiliam na criação e manutenção de formas-pensamento, bem como na estruturação de imagens mentais. Nos trabalhos de ectoplasmia, são auxiliares diretos, quando há a necessidade de reeducação de espíritos endurecidos.

E os outros elementais? Duas classes de elementais que merecem atenção são as ondinas e as ninfas, ambas relacionadas ao elemento água. Geralmente são entidades que desenvolvem um sentimento de amor muito intenso. Vivem no mar, nos lagos e lagoas, nos rios e cachoeiras e, na umbanda, são associadas ao orixá Oxum. As ondinas estão ligadas mais especificamente aos riachos, às fontes e nascentes, bem como ao orvalho, que se manifesta próximo a esses locais. Não podemos deixar de mencionar também sua relação com a chuva, pois trabalham de maneira mais intensa com a água doce. As ninfas, elementais que se parecem com as ondinas, apresentam-se com a forma espiritual envolvida numa aura azul e irradiam intensa luminosidade.

Sendo assim, qual é a diferença entre as ondinas e as ninfas, já que ambas são elementais das águas? A diferença básica entre elas é suavidade e a doçura das ninfas, que voam sobre as águas, deslizando harmoniosamente, como se estivessem desempenhando uma coreografia aquática. Para completar, temos ainda as sereias, personagens mitológicos que ilustraram por séculos as histórias dos marinheiros. Na realidade, sereias e tritões são elementais ligados diretamente às profundezas das águas salgadas. Possuem conotação feminina e masculina, respectivamente. Nas atividades mediúnicas, são utilizados para a limpeza de ambientes, da aura das pessoas e de regiões astrais poluídas por espíritos do mal.

Você pensou que tudo isso não passasse de lenda. Mas devo lhe afirmar que, em sua grande maioria, as lendas e histórias consideradas como folclore apenas encobrem uma realidade do mundo astral, com maior ou menor grau de fidelidade. É que os homens ainda não estão preparados para conhecer ou confrontar determinadas questões.

E as fadas? Bem, podemos dizer que as fadas sejam seres de transição entre os elementos terra e ar. Note-se que, embora tenham como função cuidar das flores e dos frutos, ligados à terra, elas se apresentam com asas. Pequenas e ágeis, irradiam luz branca e, em virtude de sua extrema delicadeza, realizam tarefas minuciosas junto à natureza. Seu trabalho também compreende a interferência direta na cor e nos matizes de tudo quanto existe no planeta Terra. Como tarefa espiritual, adoram auxiliar na limpeza de ambientes de instituições religiosas, templos e casas espíritas. Especializaram-se em emitir determinada substância capaz de manter por tempo indeterminado as formas mentais de ordem superior. Do mesmo modo, auxiliam os espíritos superiores na elaboração de ambientes extra-físicos com aparências belas e paradisíacas. E, ainda, quando espíritos perversos são resgatados de seus antros e bases sombrias, são as fadas, sob a supervisão de seres mais elevados, que auxiliam na reconstrução desses ambientes. Transmutam a matéria astral impregnada de fluidos tóxicos e daninhos em castelos de luz e esplendor.

Temos ainda as salamandras, que são elementais associados ao fogo. Vivem ligados àquilo que os ocultistas denominaram éter e que os espíritas conhecem como fluido cósmico universal. Sem a ação das salamandras o fogo material definitivamente não existiria. Como o fogo foi, entre os quatro elementos, o primeiro manipulado livremente pelo homem, e é parte de sua história desde o início da escalada evolutiva, as salamandras acompanham o progresso humano há eras. Devido a essa relação mais íntima e antiga com o reino hominal, esses elementais adquiriram o poder de desencadear ou transformar emoções, isto é, podem absorvê-las ou inspirá-las. São hábeis ao desenvolver emoções muito semelhantes às humanas e, em virtude de sua ligação estreita com o elemento fogo, possuem a capacidade de bloquear vibrações negativas, possibilitando que o homem usufrua de um clima psíquico mais tranqüilo.

Nas tarefas mediúnicas e em contato com o comando mental de médiuns experientes, as salamandras são potentes transmutadores e condensadores de energia. Auxiliam sobremaneira na queima de objetos e criações mentais originadas ou associadas à magia negra. Os espíritos superiores as utilizam tanto para a limpeza quanto para a destruição de bases e laboratórios das trevas. Habitados por inteligências do mal, são locais-chave em processos obsessivos complexos, onde, entre diversas coisas, são forjados aparelhos parasitas e outros artefatos. Objetos que, do mesmo modo, são destruídos graças à atuação das salamandras.

E os duendes e gnomos? Também existem ou são obras da imaginação popular? Sem dúvida que existem! Os duendes e gnomos são elementais ligados às florestas e, muitos deles, a lugares desertos. Possuem forma anã, que lembra o aspecto humano. Gostam de transitar pelas matas e bosques, dando sinais de sua presença através de cobras e aves, como o melro, a graúna e também o chamado pai-do-mato. Excelentes colaboradores nas reuniões de tratamento espiritual, são eles que trazem os elementos extraídos das plantas, o chamado bioplasma. Auxiliam assim os espíritos superiores com elementos curativos, de fundamental importância em reuniões de ectoplasmia e de fluidificação das águas.

Temos ainda os elementais que se relacionam à terra, os quais chamamos de avissais. Geralmente estão associados a rochas, cavernas subterrâneas e, vez ou outra, vêm à superfície. Atuam como transformadores, convertendo elementos materiais em energia. Também são preciosos coadjuvantes no trabalho dos bons espíritos, notadamente quando há a necessidade de criar roupas e indumentárias para espíritos materializados. Como estão ligados à terra, trazem uma cota de energia primária essencial para a re-constituição da aparência perispiritual de entidades materializadas, inclusive quando perderam a forma humana ou sentem-se com os membros e órgãos dilacerados.

Não podia imaginar que esses seres tivessem uma ação tão ampla e intensa.

Os elementais são seres que ainda não passaram pela fase de humanidade. Oriundos dos reinos inferiores da natureza e mais especificamente do reino animal, ainda não ingressaram na espécie humana. Por essa razão trazem um conteúdo instintivo e primário muito intenso. Para eles, o homem é um deus. É habitual, e até natural, que obedeçam ao ser humano e, nesse processo, ligam-se â ele intensamente. Portanto, meu filho, todo médium é responsável pelo bom ou mau uso que faz dessas potências e seres da natureza.

Ondinas, sereias, gnomos e fadas são apenas denominações de um vocabulário humano, que tão-somente disfarçam a verdadeira face da natureza extrafísica, bem mais ampla que as percepções ordinárias dos simples mortais. Em meio à vida física, às experiências cotidianas do ser humano, enxameiam seres vivos, atuantes e conscientes. O universo todo está repleto de vida, e todos os seres colaboram para o equilíbrio do mundo. A surpresa com a revelação dessa realidade apenas exprime nossa profunda ignorância quanto aos “mistérios” da criação.

As questões relativas aos seres elementais levantam, ainda, novo questionamento. Os elementais — sejam gnomos, duendes, salamandras ou quaisquer outros — são seres que advêm de um longo processo evolutivo e que estagiaram no reino animal em sua fase imediatamente anterior de desenvolvimento. Portanto, devem ter uma espécie de consciência fragmentária. Onde e em que momento está o elo de ligação desses seres com a humanidade? Quer dizer, em que etapa da cadeia cósmica de evolução esses seres se humanizarão e passarão a ser espíritos, dotados de razão? Até hoje os cientistas da Terra procuram o chamado “elo perdido”. Estão atrás de provas concretas, materiais da união entre o animal e o ser humano e buscam localizar o exato momento em que isso teria ocorrido. Em vão. Os espíritos da natureza, seres que concluíram seu processo evolutivo nos reinos inferiores à espécie humana, vivem na fase de transição que denominamos elemental.

Entretanto, o processo de humanização, ou, mais precisamente, o instante sideral em que adquirem a luz da razão e passam a ser espíritos humanos, apenas o Cristo conhece. Jesus, como representante máximo do Pai no âmbito do planeta Terra, é o único que possui a ciência e o poder de conceder a esses seres a luz da razão. E isso não se passa na Terra, mas em mundos especiais, preparados para esse tipo de transição. Quando soar a hora certa no calendário da eternidade, esses seres serão conduzidos aos mundos de transição, adormecidos e, sob a interferência direta do Cristo, acordarão em sua presença, possuidores da chama eterna da razão. A partir de então, encaminhados aos mundos primitivos, vivenciarão suas primeiras encarnações junto às humanidades desses orbes. Esse é o motivo que ocasiona o fracasso da busca dos cientistas: procuram, na Terra, o elo de ligação, o elo perdido entre o mundo animal e o humano. Não o encontrarão jamais. As evidências não estão no planeta Terra, mas pertencem exclusivamente ao plano cósmico, administrado pelo Cristo.

O plano da criação é verdadeiramente grandioso, e a compreensão desses aspectos desperta em nós uma reverencia profunda ao autor da vida.

Fonte: Aruanda. Robson Pinheiro, ditado pelo espírito Ângelo Inácio. Casa dos Espíritos Editora, 1ª ed. 2004.





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19 de novembro de 2012

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Pra fazer a caridade!


Pra fazer a caridade!

Uma breve lição sobre a relação médium x mediunidade praticada

É praxe! Semanalmente abarcam centenas de pessoas nos terreiros com a intenção de desenvolver a mediunidade.

Dia destes um indivíduo em consulta perguntou ao Caboclo que lhe atendia:

- “Caboclo, preciso desenvolver a mediunidade, posso fazer isso aqui?”

O rapaz não conhecia o terreiro, era sua primeira visita, o Sr. Caboclo retrucou:

- Sim filho, pode sim, antes nos responda algumas perguntas simples e saberemos quando e onde iniciará seu desenvolvimento mediúnico.

- Pois sim Caboclo, qual a dúvida?

- Filho, sabe o que é mediunidade?

O rapaz esboçou surpresa em suas feições, pensou rapidamente e prosseguiu:

- Sei Caboclo, é a capacidade de incorporar os guias espirituais.

- Ah sim meu filho, entendo, mas devo dizer que isso não é mediunidade, ao menos não é bem isso que o Caboclo está perguntando, vou tentar ser mais claro. Você sabe para que serve a mediunidade?

- Sei sim, para fazer a caridade!

- Hmmm, e o filho quer desenvolver a mediunidade pra quê?

- Para fazer a caridade, ajudar as pessoas.

- Sei, sei… E porque o filho quer ajudar as pessoas?

O rapaz ficou pálido e sem graça arriscou:

- Para evoluir meu pai, porque esse é o caminho da luz.

- Que luz meu filho?

- Oras meu pai! A luz espiritual, como a vossa!

- Hmmm, como o filho imagina que seja o desenvolvimento mediúnico?

- Bem, já vi algumas vezes, vou vir de branco e vou girar até incorporar, mas já aproveitando, quero dizer que tenho receio de girar, não vou conseguir me concentrar, então prefiro que me deixem concentrando, assim será mais fácil.

O rapaz já falava como se fosse parte do grupo. O Caboclo interrompeu e disparou:

- Meu filho, que tipo de problemas você imagina que pode ter ao desenvolver a mediunidade?

- Acho que nenhum!? Por quê? Terei problemas?

- Depende.

- Como assim?

- Depende do que o filho escolher.

- Não estou entendendo.

O Caboclo silenciou, olhou para o Congá, baforou do seu charuto no corpo do rapaz, fechou os olhos, parecia estar orando, respirou fundo, olhou fundo nos olhos do rapaz e ensinou:

- Meu filho, você é mais um dentre milhares que se utilizam de discursos prontos, respostas decoradas, ambições estranhas e ansiedade para sentir-se melhor que os outros, o que é pior, via mediunidade.

Chegará o inevitável dia do seu desenvolvimento mediúnico, e Caboclo deseja que chegue, onde quer que seja.

Mas este Caboclo deseja mais ainda: que o filho tenha respostas verdadeiras, que encontre de uma forma pessoal o motivo real para o exercício mediúnico.

O filho precisa saber que mediunidade não é entretenimento, não é uma atividade que preenche apenas um espaço vazio da sua agenda.

O primeiro passo para o desenvolvimento mediúnico é o compromisso em buscar o autoconhecimento, é meditar muito, orar mais um tanto e ter a certeza de que quer assumir um compromisso do qual todos os demais compromissos na vida sejam secundários diante seus compromissos espirituais.

É preciso que saiba muito bem o que significa comprometimento, dedicação e respeito á tudo e a todos.

Estude bastante sobre esta religião que quer seguir, pois se não a compreender, jamais sentir-se-á compreendido pelos diferentes.

Considere que caridade não é dar passe, descarregar ou qualquer coisa que seja feito incorporado, saiba que esta é a nossa caridade, não sua, você médium e religioso tem nas incorporações e o que acontece a partir dela apenas uma consequência da fé e da mediunidade. Sua caridade deverá ser outras iniciativas e não ocultas em nossas incorporações.

Também lembre-se que ninguém ajuda ninguém se ao menos não esteja preocupado em se ajudar primeiro, em lapidar-se e aprimorar-se, antes de pretender ser fonte é preciso ser abastecido.

Você terá preceitos a seguir, então sua rotina de hoje já não será a mesma, o que você comeu hoje, se estivesse do lado de cá já não seria permitido.

Observe seus vícios e aceite que se ensina e ajuda mais pelo exemplo do que por boa vontade, se és um indivíduo rendido aos vícios da matéria, mesmo tendo plena consciência dos males, então busque livrar-se destes grilhões antes de pretender ser alguém que vá libertar os outros.

Ter mediunidade prática não te faz melhor do que ninguém, apenas reforça que você tem mais responsabilidade com o mundo, então não será por meio da mediunidade que poderá extravasar questões de carências mal resolvidas na infância.

Este caboclo poderia prosseguir com muitas outras considerações, mas vejo que o filho já entendeu, então Caboclo pergunta:

- O filho quer começar o desenvolvimento quando mesmo?!

Desconcertado, pensativo e visivelmente desapontado o rapaz responde:

- Meu Pai, desenvolverei quando ao menos conseguir praticar uma de suas ponderações, desculpe-me pelo tempo que lhe tomei, vou pensar sobre isso tudo.

- Não se desculpe meu filho, isso é o que o Caboclo veio fazer, amamos isso que fazemos, esta é a nossa oportunidade de fazer a caridade, se consigo te ajudar, isso me alegra. Mas meu médium não, ele apenas está no transe aprendendo com isso tudo e exercitando sua religiosidade, entendeu?

- Sim meu pai, acho que entendi!

- Então fique em paz e na luz meu filho, se for da sua vontade e dos Orixás, nos veremos mais adiante.

O rapaz agradeceu o Caboclo e emocionado retirou-se do terreiro, voltaria nas próximas semanas e talvez em alguns meses ou anos, ele sentiria o chamado, pela vontade Maior e não pessoal.

Este breve relato, é um fato e nos traz um alerta importante sobre a maneira que nos relacionamos com a mediunidade, então responda: qual é a sua maneira???

Rodrigo Queiroz



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Você pratica uma "boa Umbanda"?


Você pratica uma "boa Umbanda"?


No dia em que são realizadas as giras na sua casa de Umbanda, você procura, horas antes, amenizar seus pensamentos, afastando os negativos e todas as mágoas e rancores, ou dá valor a esses sentimentos, como faz no dia-a-dia?

Horas antes, você procura alimentar-se de maneira mais frugal e sadia ou entrega-se aos prazeres do exagero da comida e da bebida, afinal ainda faltam algumas horas para a gira começar?

Antes de sair de casa você cuida de seu corpo e de seu espírito, higienizando a ambos, ou vai de qualquer forma? Tem uma roupa branca que usa exclusivamente para essa ocasião ou faz uso dela durante a semana também?

Ao cruzar a porta do terreiro deixa para trás os problemas que o afligiram durante a semana, afinal esse é seu momento de doação, ou carrega esses problemas e sentimentos inerentes a eles para dividir, ainda que involuntariamente, com os seus irmãos-de-fé, que fatalmente terão que dividir esse fardo com você (afinal numa gira de Umbanda as energias são compartilhadas)?

Você adentra o terreiro preocupado em solucionar os seus problemas pessoais ou pensando em praticar a caridade àqueles que esperam pacientemente na assistência?

Você entende que, numa gira de Umbanda, mesmo que não lhe sobre tempo para pedir ajuda às entidades para solucionar as suas questões particulares, você está colaborando com a sua própria evolução pelo simples fato de estar presente e servindo ao Divino e aos necessitados?

No congá você enxerga meras imagens de gesso ou pontos que emanam energias que você deve absorver a fim de realizar um bom trabalho?

Enquanto são tocados os pontos, você fecha seus olhos concentrando-se nos orixás e entidades que estão sendo chamados ou fica preocupado com o tempo que está correndo e os afazeres ou prazeres materiais que teve que deixar para participar da gira?

Você presta atenção nas roupas dos seus irmãos-de-fé, se elas são curtas ou extravagantes demais, ou cuida para que a sua alma esteja alva como deveria para aquele momento?

Em contrapartida, faz proveito da incorporação das entidades para extravasar seu ego, usando roupas esdrúxulas e exageradas, bem como para ingerir álcool e fumo em demasia, que no lugar de agradar as entidades, as expõem ao ridículo (bem como a si mesmo)?

Você faz do silêncio uma prece ou aproveita os momentos em que ele deveria reinar para conversar com os irmãos-de-fé sobre assuntos corriqueiros ou até mesmo fofocas e maledicências? Permite que a sua língua seja maior que a sua fé ou a sua dedicação à Umbanda?

Costuma dizer que as entidades ou orixás são seus – “meu Ogun”, “meu caboclo” – e acredita que você é quem realiza o auxílio aos necessitados ou tem consciência de que é um mero instrumento da espiritualidade a serviço do bem?

Olha os consulentes com certo desdém quando eles relatam um problema que para você é banal, mas que para eles pode ser o mais grave do mundo?

Diz a todos que não lembra de absolutamente nada enquanto cede seu corpo às entidades, quando na verdade possui a chamada “mediunidade consciente”?

Usa o bom nome da Umbanda e das entidades para amedrontar seus desafetos, denegrindo a imagem de nossa religião, já tão injustiçada perante a sociedade?

Alguma vez já simulou estar incorporando uma determinada entidade para dizer a alguém coisas que não teria coragem de dizer sem usar esse subterfúgio?

Já usou a sua mediunidade para obter favores pessoais, materiais e financeiros?

O que você sente quando a gira termina e você vai para casa?

A satisfação por ter cumprido o seu dever auxiliando a sua própria evolução e ao próximo, ou sente-se revoltado porque algum médium brilhou mais que você ou demorou demais atendendo aos consulentes, atrasando o encerramento dos trabalhos?

Responda a essas perguntas com sinceridade e saberá se você pratica uma “boa Umbanda”. Lembre-se que nenhum de nós é perfeito, mas trilhamos o caminho da Umbanda a fim de minimizar as nossas imperfeições, e não para acentuá-las.

Douglas Fersan




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14 de novembro de 2012

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Egrégora - Por Ednay Melo

Egrégora


Egrégora

Egrégora é o conjunto de formas-pensamento direcionados para um determinado objetivo. No plano astral, mais próximo do plano material, vibram pensamentos e emoções de encarnados e desencarnados e através dos nossos chakras, que são transmissores e receptores eletromagnéticos, estamos em constante ressonância com as vibrações do nosso exterior. Então, pensamentos, emoções e intenções afetam diretamente as pessoas através desta ressonância. Podemos interagir no plano espiritual através da vontade e do pensamento, da mesma forma que interagimos no mundo físico através dos sentidos.

As formas-pensamento tornam-se mais poderosas quando duas ou mais pessoas se reúnem em torno de um único objetivo e quanto maior a concentração, maior a atuação da egrégora. Na Umbanda, esta concentração pode ser adquirida através do ritual, isto é, através da repetição de um comportamento direcionado para um objetivo.

A egrégora estabelecida dá vazão à mente intuitiva, é comum, por exemplo, mais de uma pessoa ter o mesmo pensamento ou a mesma ideia sem terem trocado palavras. Quanto maior a ritualística, a concentração e a emoção, maior e mais forte é a egrégora. A energia da egrégora auxilia a causa para a qual o grupo trabalha (...)

Trecho retirado do Livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 1 - Ednay Melo

À venda no Clube de Autores







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11 de novembro de 2012

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Ciganos na Umbanda

ciganos na umbanda

“Eu vi um formoso Cigano
Sentado na beira do Rio
Com seus cabelos negros
E os olhos cor de anil
Quando eu me aproximava o cigano me chamou
Com seus dados nas mãos 
O cigano me falou 
Seus caminhos estão abertos 
Na saúde, na paz e amor, 
Foi se despedindo e me abençoou 
Eu não sou daqui, mas vou levar saudades, 
Eu sou o Cigano Pablo, lá das Três Trindades.”

Esta linha de trabalhos espirituais já é muito antiga dentro da Umbanda, e “carregam as falanges ciganas juntamente com as falanges orientais uma importância muito elevada, sendo cultuadas por todo um seguimento espírita e que se explica por suas próprias razões, elegendo a prioridade de trabalho dentro da ordem natural das coisas em suas próprias tendências e especialidades.

Assim, numerosas correntes ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem de aprendizado, confundindo-se muitas vezes pela repetição dos nomes comuns apresentados para melhor reconhecimento, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo astral seu paradeiro, como ocorre com todas as outras correntes do espaço.


O povo cigano designado ao encarne na Terra, através dos tempos e de todo o trabalho desenvolvido até então, conseguiu conquistar um lugar de razoável importância dentro deste contexto espiritual, tendo muitos deles alçado a graça de seguirem para outros espaços de maior evolução espiritual, juntamente com outros grupos de espíritos, também de longa data de reencarnações repetidas na Terra e de grande contribuição, caridade e aprendizado no plano imaterial.

A argumentação de que espíritos ciganos não deveriam falar por não ciganos ou por médiuns não ciganos e que se assim o fizessem deveriam faze-lo no idioma próprio de seu povo, é totalmente descabida e está em desarranjo total com os ensinamentos da espiritualidade sua doutrina evangélica, até as impossíveis limitações que se pretende implantar com essa afirmação na evolução do espírito humano e na lei de causa e efeito, pretendendo alterar a obra divina do Criador e da justiça divina como se possível fosse, pretendendo questionar os desígnios da criação e carregar para o universo espiritual nossas diminutas limitações e desinformação, fato que nos levaria a inviabilização doutrinária. Bem como a eleger nossa estada na Terra como mera passagem e de grande prepotência discriminatória, destituindo lamentavelmente de legitimidade as obras divinas.


Outrossim, mantêm-se as falanges ciganas, tanto quanto todas as outras, organizadas dentro dos quadros ocidentais e dos mistérios que não nos é possível relatar. Obras existem, que dão conta de suas atuações dentro de seu plano de trabalho, chegando mesmo a divulgar passagens de suas encarnações terrenas. Agem no plano da saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e tem um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e falanges.

Ao contrário do que se pensa os espíritos ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo, não trabalhando a serviço do mau e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus pares, claro que dentro do critério de merecimento, tanto quanto qualquer outro espírito teremos aqueles que não agem dentro desse contexto e se encontram espalhados pela escuridão e a seus serviços, por não serem diferentes de nenhum outro espírito humano.

Trabalham preferencialmente na vibração da direita e aqueles que trabalham na vibração da esquerda, não são os mesmo espíritos de ex ciganos, que mantêm-se na direita, como não poderia deixar de ser, e, ostentam a condição de Guardiões e Guardiãs. O que existe são os Exus Ciganos e as Moças Ciganas, que são verdadeiros Guardiões à serviço da luz nas trevas, como todo Guardião e Guardiã dentro de seus reinos de atuação, cada um com seu próprio nome de identificação dentro do nome de força coletivo, trabalhando na atuação do plano negativo à serviço da justiça divina, com suas falanges e trabalhadores, levando seus nomes de mistérios coletivos e individuais de identificação, assunto este que levaria uma obra inteira para se abordar e não se esgotaria.


Contudo, encontramos no plano positivo falanges diversas chefiadas por ciganos diversos em planos de atuação diversos, porém, o tratamento religioso não se difere muito e se mantêm dentro de algumas características gerais. Imenso é o número de espíritos ciganos que alcançaram lugar de destaque no plano espiritual e são responsáveis pela regência e atuação em mistérios do plano de luz e seus serviços, carregando a mística de seu povo como característica e identificação.

Dentro os mais conhecidos, podemos citar os ciganos Pablo, Wlademir, Ramirez, Juan, Pedrovick, Artemio, Hiago, Igor, Vitor e tantos outros, da mesma forma as ciganas, como Esmeralda, Carme, Salomé, Carmensita, Rosita, Madalena, Yasmin, Maria Dolores, Zaira, Sunakana, Sulamita, Wlavira, Iiarin, Sarita e muitas outras também. É imprescindível que se afirme que na ordem elencada dos nomes não existe hierarquia, apenas lembrança e critério de notoriedade, sem contudo, contrariar a notoriedade de todos os outros ciganos e ciganas, que são muitos e com o mesmo valor e importância.

Por sua própria razão diferenciada, também diferenciado como dissemos é a forma de cultuá-los, sem pretender em tempo algum estabelecer regras ou esgotar o assunto, o que jamais foi nossa pretensão, mesmo porque não possuímos conhecimento de para tanto. A razão é que a respeito sofremos de uma carência muito grande de informação sobre o assunto e a intenção é dividir o que conseguimos aprender a respeito deste seguimento e tratamento. Somos sabedores que muitas outras forças também existem e o que passamos neste trabalho são maneiras simples a respeito, sem entrar em fundamentos mais aprofundados, o que é bom deixar induvidosamente claro.


É importante que se esclareça, que a vinculação vibratória é de axé dos espíritos ciganos, tem relação estreita com as cores estilizadas no culto e também com os incensos, pratica muito utilizada entre ciganos. Os ciganos usam muitas cores em seus trabalhos, mas cada cigano tem sua cor de vibração no plano espiritual e uma outra cor de identificação é utilizada para velas em seu louvor. Uma das cores, a de vinculação raramente se torna conhecida, mas a de trabalho deve sempre ser conhecida para prática votiva das velas, roupas, etc.

Os incensos são sempre utilizados em seus trabalhos e de acordo com o que se pretende fazer ou alcançar.




Para o cigano de trabalho se possível deve-se manter um altar separado do altar geral, o que não quer dizer que não se possa cultua-lo no altar normal. Devendo esse altar manter sua imagem, o incenso apropriado, uma taça com água e outra com vinho, mantendo a pedra da cor de preferencia do cigano em um suporte de alumínio, fazendo oferendas periódicas para ciganos, mantendo-o iluminado sempre com vela branca e outra da cor referenciada. Da mesma forma quando se tratar de ciganas, apenas alterando a bebida para licor doce. E sempre que possível derramar algumas gotas de azeite doce na pedra, deixando por três dias e depois limpá-la.

Os espíritos ciganos gostam muito de festas e todas elas devem acontecer com bastante fruta, todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo se encher jarras de vinho tinto com um pouco de mel. Podendo ainda fatiar pães do tipo broa, passando em um de seus lados molho de tomate com algumas pitadas de sal e leva-los ao forno, por alguns minutos, muitas flores silvestres, rosas, velas de todas as cores e se possível incenso de lótus.

As saias das ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas, medalhas, são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos ciganos em geral. Os ciganos trabalham com seus encantamentos e magias e os fazem por força de seus próprios mistérios, olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos.


Uma das lendas ciganas, diz que existia um povo que vivia nas profundezas da terra, com a obrigação de estar na escuridão, sem conhecer a liberdade e a beleza. Um dia alguém resolveu sair e ousou subir às alturas e descobriu o mundo da luz e suas belezas. Feliz, festejou, mas ao mesmo tempo ficou atormentado e preocupado em dar conta de sua lealdade para com seu povo, retornou à escuridão e contou o que aconteceu. Foi então reprovado e orientado que lá era o lugar do seu povo e dele também. Contudo, aquele fato gerou um inconformismo em todos eles e acreditando merecerem a luz e viver bem, foram aos pés de Deus e pediram a subida ao mundo dos livres, da beleza e da natureza. Deus então, preocupado em atende-los, concedeu e concordou com o pedido, determinando então, que poderiam subir à luz e viver com toda liberdade, mas não possuiriam terra e nem poder e em troca concedia-lhes o Dom da adivinhação, para que pudessem ver o futuro das pessoas e aconselha-las para o bem.

É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua…”

Trecho extraído do livro “Rituais e Mistérios do Povo Cigano" / Nelson Pires Filho


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2 de novembro de 2012

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Posturas e Gestos Ritualísticos - Por Ednay Melo

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Posturas e Gestos Ritualísticos

A comunicação não verbal do corpo humano inclui gestos e atos corporais que, de modo característico, expressam sentimentos, emoções e posicionamentos que demonstram a natureza interna do indivíduo, exprimem sua realidade sem as barreiras da censura e o libera na sua relação com o mundo que o cerca. "O corpo fala" é expressão decisiva no estudo da psicologia, porque aliada à comunicação verbal, ou mesmo sem ela, é poderosa ferramenta para a leitura do inconsciente e para o entendimento de diversos distúrbios psicossomáticos.

É importante que o umbandista perceba a riqueza da linguagem não verbal presente nos atos litúrgicos da religião que professa, o corpo que exprime o sentimento em um gesto por vezes vale mais do que muitas palavras. Quando não se conhece o fundamento existente nos rituais, pode-se ter a falsa ideia de uma repetição mecânica e desnecessária. Importante se faz conhecer para aquisição da fé racionalizada e para desmistificar conceitos e preconceitos indevidos sobre a nossa Umbanda (...)

Trecho retirado do Livro Umbanda Luz e Caridade - Cap. 5 - Ednay Melo

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À venda no Clube de Autores








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22 de outubro de 2012

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Datas Festivas, Sincretismos e Saudações na Umbanda


Datas Festivas, Sincretismos e Saudações na Umbanda

Oxalá 
25 de dezembro
Sincretismo: Jesus Cristo
Saudação: Epa Babá! ("Salve a honrosa presença do Pai")

Omulu 
16 de agosto
Sincretismo: São Roque
Saudação: Atotô! ("Silêncio! O senhor está em terra!")

Oxossi 
20 de janeiro
Sincretismo: São Sebastião
Okê arô! ("Salve o brado do caboclo!")

Oxum 
16 de julho 
Sincretismo: Nossa Senhora do Carmo 
Saudação: Orayeyêo! ("Salve benevolente mãezinha!")

Ogum 
23 de abril 
Sincretismo: São Jorge 
Pata kori Ogum, ou ainda, Ogunhê! ("Salve o supremo da minha cabeça!")

Iemanjá 
08 de dezembro 
Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição 
Saudação: Odôyá / Odôfiaba / Odôcy Yabá ("Salve a grande mãe!")

Xangô 
24 de junho 
Sincretismo: São João 
Saudação: Kawô Kabiesilê! ("Salve o Rei! Sr. de Oyó!")

Iansã 
04 de dezembro 
Sincretismo: Santa Bárbara 
Saudação: Eparrey ("Aquela que corta com o raio!")

Ibeji 
Dia 27 de setembro 
Sincretismo: São Cosme e Damião 
Saudação: Oni Beijada, ou ainda, Beji, Beijada! 
Ele é dois! 

Nanã 
26 de julho 
Sincretismo: Santa Ana 
Saudação: Saluba Nanã! ("Salve a soberana das águas!")

Preto Velho 
13 de maio 
Não há sincretismo. 
Saudação: Adorei as Almas! 

Caboclo 
20 de janeiro (dia de Oxossi) 
Não há sincretismo 
Saudação: Okê, Caboclo! 
"Salve o Caboclo" 

Exu 
24 de agosto 
Não há sincretismo 
Saudação: Laroyê Exu, ou ainda, Exu é mojubá! 
"Meu respeito ao Grande Mensageiro!" 

Ciganos 
24 de maio 
Não há sincretismo 
Saudação: Arriba (acima) e optchá (salve)


Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca


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18 de outubro de 2012

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O Médium Folgado


O Médium Folgado

Médium folgado aparece de vez em quando.


É o último a chegar e o primeiro a ir embora. Sempre com uma boa desculpa na ponta da língua. Chega no templo, troca de roupa, põe a fofoca em dia e vai para corrente.

Corpo físico e vaidade presentes, espírito e caridade ausentes.

Bate a cabeça diante do congá, mas a sua cabeça está em outro lugar... repete mecanicamente os pontos cantados feito robô ou papagaio, sem sentir a emoção sagrada que abre os portais do coração para as dimensões superiores da vida.

Durante os trabalhos, confunde as sábias intuições do Guia (que por um extremo de compaixão AINDA o acompanha, sabe Deus até quando...) com o lixo venenoso de seu subconsciente.

Resultado:
Passes energéticos precários, consultas e conselhos estúpidos... coitados dos consulentes!

Trabalho extra para os trabalhadores invisíveis da casa. Coitados também dos outros médiuns, esses sérios e responsáveis, que são obrigados a triplicar sua doação de energia na sustentação da corrente para compensar a negligência do médium folgado, insensato e leviano.

Terminada a sessão de atendimento, lá vai o médium para o vestiário se trocar rapidinho.

Varrer o chão do terreiro? Tirar o lixo dos banheiros? Ajudar os demais companheiros? Acertar as mensalidades em atraso?

Que nada! " Tem um montão de médium aí à toa para cuidar disso. Melhor sair de fininho, pois tenho outro compromisso!".

Ao sair para rua, sente uma coisa estranha: um peso desagradável nos ombros acompanhado de súbita confusão mental, uma sensação de vazio interior indefinível... lá vai o médium folgado arrastando atrás de si feito um imã humano vários " kiumbas folgados" barrados na triagem vibratória feita pelos guardiões astrais na "porteira" do templo.

Todos eles pegando carona em seu campo áurico totalmente desequilibrado e "folgado".

"Punição divina?" "Castigo de Orixá?"

Bobagem, meus caros!

É apenas aplicação pura e simples da Lei. Neste caso, a Lei das afinidades. Ao contrário do "médium folgado" e seus colegas astrais igualmente folgados, a Lei não folga.

A Lei não dorme. "Cada um recebe o que merece. E merece o que recebe"...

Não está longe o dia em que o médium folgado sairá deste templo de Umbanda falando mal de seu dirigente, do corpo mediúnico, dos consulentes, dos guias e protetores que lhe deram amorosa acolhida e oportunidade de serviço regenerador... ele logo partirá em busca de outro lugar, crença ou distração que lhe forneça apenas os benefícios passageiros do "entretenimento" em vez dos benefícios permanentes do "comprometimento".

Mensagem do Sr. Exú Marabô recebida pelo médium Vanderlei Alves




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17 de outubro de 2012

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Cristais

Os Orixás e os Cristais

Sabemos da importância dos elementos da natureza para trazer a energia de um Orixá até nós. Cultuar um Orixá é estar em contato com a própria natureza e reverenciá-la. Um dos elementos que podemos utilizar para atrairmos determinadas energias, ou padrões vibratórios específicos de cada Orixá, são os Cristais.

Sua vibração possui freqüência magnética e também um eixo energético, capaz de atrair, canalizar energias e concentrá-las. Cada pedra possui uma ligação vibratória com cada um destes campos. Um cristal é capaz de atuar em várias dimensões de existência, a cada um de nossos amados Orixás.

Como se pudéssemos trazer para junto de nós um canal da energia de Ogum, outro da energia de Iansã, e assim por diante, através de uma pedra. Portanto, os Cristais são pequenos presentes que recebemos da Mãe Natureza, que nos ensinam, nos acolhem e nos direcionam. Muito se avançou nos estudos destes elementos, que sempre foram parte integrante de vários sistemas religiosos em todos os tempos. Mas desde as pesquisas dos alquimistas, na Idade Média, foi possível começar a comprovar cientificamente a eficácia energética de sua atuação. E não se parou desde então, as comprovações daquilo que nossos Caboclos e Pretos Velhos já falam há muito. Seu efeito terapêutico navega por várias nuanças dos efeitos físicos do desequilíbrio energético.

Tratamos com Cristais não só o corpo físico, mas também todas as camadas áuricas, e principalmente os Chakras e o fluxo energético do corpo que corre entre eles. São 7 Chakras principais e muitos outros periféricos, que quando em desequilíbrio, podem ser a razão dos mais diversos problemas físicos, mentais, emocionais e espirituais. Mas temos muito mais a descobrir.

Na Umbanda, as entidades que dominam este conhecimento, podem trazer uma infinidade de informações, tanto no aspecto da cura, como a Atuação Mágica destes elementos tão vitais. Um Cristal é capaz de canalizar, conter, expandir a Luz Espiritual. Suas aplicações são infinitas .



Utilizamos para: 





Magnetita

Orixá Ogum – Utilizamos os metais ou pedras metálicas para defesa como: Magnetita, Hematita. Já para o outro papel que Ogum exerce que é o direcionamento, podemos utilizar a Sodalita, que contém em si este potencial.






Orixá Oxossi – Utilizamos as pedras verdes, mas em especial a Esmeralda, podemos usar o Quartzo Verde ou Amazonita, a que possui todos os poderes que abrangem a fartura, o equilíbrio mental e de consciência, a constância e o trabalho, mas principalmente a magia.

Já para Odé, energia que precedeu Oxossi no Panteão, podemos utilizar o Lápis Lázuli ou a Safira azul, ambas trabalham a abertura mental e a conexão espiritual. 







Quartzo Rosa

Orixá Oxum - A energia da riqueza pode ser canalizada através da Pirita e do Citrino, já a energia do Amor pode ser canalizada pelo Quartzo Rosa, Rodocrasita e também a




Lepdolita. 



Metal Cobre em Artefatos
Orixá Iansã – Para esta energia utilizamos o Metal Cobre em artefatos, ou podemos nos beneficiar também da energia do Citrino





Jaspe Marrom

Orixá Xangô – Utilizamos a energia do Rubi , que é entre outras coisas, canal da Justiça Divina. Podemos usar o Jaspe Marrom ou Mogno.









Ametista

Orixá Obaluayê – Poderosas energias de cura possuem as Ametistas, inclusive para tratar problemas de pele. O Quartzo Fumê também pode ser usado.









Água Marinha
Orixá Iemanjá – Podemos utilizar a sua principal pedra que é a Água Marinha, pois sua atuação é muito intensa, trazendo calma, paz interior, aproximando as entidades protetoras e limpando o emocional, o mental e o físico de energias nocivas. Mas a nobre pedra de Iemanjá é a Safira.








Cristal Branco


Orixá Oxalá – A Oxalá pertencem as pedras brancas, mas em especial o Cristal Branco que simboliza a Fé, a Harmonia, a Purificação.




Orixá Ossain – Também utilizamos para Ossain a Esmeralda, principalmente lapidada em forma de tartaruga.

Orixá Oiá – Para ela utilizamos o Quartzo Rutilado, Traz estabilidade.


Desenvolve o centro de energia no qual é usado.

Orixá Oxumaré – Para canalizar a sua energia a Fluorita, deve ser empregada.

Para Oba - a Senhora da terra, vamos usar a Madeira Petrificada. A pedra da transformação.

Orixá Egunitá - a forca da energia da Ágata de Fogo para envolver as forcas dessas radiação.

Para Nanã Buruquê - A Ametista por ser uma pedra de sabedoria e compreensão e que oferece confiança e paz . Transporta a energia transmutadora do raio violeta.








Ônix

Orixá Omulú – Para canalizar sua energia usamos Ônix ou Obsidiana, para favorecer a luz a tudo o que está no meio da escuridão.








Turmalina Preta

Exu – Em geral as pedras pretas, que possuem a capacidade de lidar com energias mais densas e pesadas. A Turmalina Preta é capaz de Transformar a energia negativa e dissolvê-la, nem que para isso ela se desfaça e vire pó. Sinal que cumpriu sua missão.





Os Elementais e os Cristais


Você tem cristais? Você sabia que seus cristais têm elementais aí mesmo dentro de sua casa? O que são elementais? São seres construtores da natureza e onde quer que seja, linda e exuberante natureza, eles estarão lá!

Esses seres são os responsáveis pela “vida”, pela “renovação”, pela “construção” de tudo o que há na natureza, portanto, estão ligados à energia dos cristais também. Embora muitos acreditem que apenas os gnomos, por serem os elementais da terra, têm a ver com os cristais, isto não é bem a verdade... Temos cristais ligados a todas as esferas elementais, pois eles também se conectam aos elementos, ou seja, trazem a energia dos elementos. Embora sejam variações das dimensões cristalinas, estes elementais se apresentam com suas formas originais, mesclados com seu poder cristalino.





Salamandra


Poderia dizer que as Pedras Vermelhas e Vermelho-escuro meio amarronzado, por exemplo, estão ligadas aos elementais do FOGO, as Salamandras. Elas possuem uma energia ligada à transmutação de padrões negativos que se opõem ao fogo da vida, podendo assim fazer bem a parte de energização, vitalidade, coragem, decisão.



Ondinas



As Pedras Azuis, principalmente as que possuem transparência, estão ligadas à energia do elemento ÁGUA e, portanto, aos seus elementais Ondinas, que são capazes de trazer leveza, acalmar, aliviar dores dalma e trabalhar a energia da fertilidade e fecundação. Também pertencem a esta energia as Pedras Multicoloridas que refletem cores como a Labradorita, por exemplo, e também as Amarelo mais claro.







Silfos

As Pedras Lilás bem claro e as Pedras Brancas são ligadas ao elemento AR, capazes de nos remeter às mais elevadas esferas da espiritualidade, de maneira muito sutil e calma. Os elementais ligados a elas são os Silfos, Fadas, Ninfas e também os Anjos. Trazem a paz interior, a calma, a certeza inabalável da continuidade através da eternidade, da fé.





Gnomo

Na energia da TERRA temos os Gnomos, trabalhando intensamente pela flora. As Pedras Verdes, as Pretas, as Roxas, as Índigo e as Amarelas são a morada dos Gnomos nos cristais. Temos nas verdes a ação equilibradora, criativa que traz a saúde. Nas pretas temos as transformações de energias pesadas e densas. Nas Roxas, transformações profundas. Nas pedras Índigo, direcionamento mental, introspecção. Nas Amarelas, criatividade, prosperidade, expansão e crescimento.

Os Cristais Fanton possuem cidades ou comunidades de elementais que podem ser de elementos múltiplos. São capazes de realizar grandes energizações ou mesmo ajudar pessoas a se recuperarem de prolongados períodos de doenças.

Agora que você sabe disso, não maltrate sua pedra colocando-a no fogo, por exemplo, ou em banhos fervidos, lembre-se que o estado natural de uma pedra é à temperatura ambiente. Não faça rituais que envolvam a queima de cristais ou de qualquer outro tipo de pedra, pois você atua principalmente sobre os elementais, prejudicando-os. Cuidar bem de um cristal é cuidar bem do canal da energia que pode trazer muito benefício em sua vida, portanto, lembre-se que mais do que uma simples “pedrinha”, um cristal é a morada dos elementais.

Por Angelica Lisanty



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15 de outubro de 2012

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O Mito: Homem e Entidade Feminina


O Mito: Homem e Entidade Feminina


Um dos grandes mitos dentro de nossa religião é que homem “não pode“ incorporar entidades femininas. Este é o conceito ultrapassado de uma visão machista e, infelizmente, nos dias de hoje alguns terreiros ainda tem essa visão.

Alguns, dos mais antigos, que ainda estão dentro do meio religioso e não acompanharam o processo de evolução cultural da religião, dirão: “é, realmente não podemos”; outros que estão de fora podem até dizer: “nossa, nunca ouvi falar nisso”; e os mais esclarecidos com certeza dirão: “que absurdo, não tem problema algum”. Com a opinião deste último grupo, acabamos de gerar um certo desconforto ou até mesmo uma briga, dependendo da estrutura em que o terreiro foi criado.


Vamos fazer uma pausa e inverter nosso cenário. Será que uma mulher não pode receber ou incorporar uma entidade de potencialidade masculina? Seguindo o raciocínio, será que ela não sofreria as mesmas “consequências”/ “ações” ou então a mesma “mudança” do homem?


Então uma mulher jamais poderá receber, por exemplo, um Exu? A mulher que receber Exu perderá a sua feminilidade? NÃO, CLARO QUE NÃO!

Por que a mulher pode incorporar um Exu e um homem não pode incorporar uma Pombagira ou qualquer força de potencialidade feminina?

Estamos falando de uma força, de uma potência, de uma estrutura energética que vem ajudar, agregar, ceder um potencial energético para realizações e não para trabalhar as SUAS escolhas ou opções sexuais. Não podemos confundir esta potencialidade energética com a nossa estrutura humana, com os nossos desejos ou vontades (carnais/materiais).

Quantas mulheres nós vemos nos terreiros recebendo Exu, Caboclo, Preto velho, etc, e quando terminam o seu trabalho “retomam seu corpo”, e continuam sendo a mesma pessoa de antes do início do trabalho espiritual? Elas continuam sendo a mesma mãe, esposa, tia, avó, etc., inúmeros são os casos que vemos nos terreiros.

AGORA, POR QUE COM O HOMEM SERIA DIFERENTE?

Se um homem receber uma Pombagira, uma Preta Velha, uma Cabocla, etc, ele deixará de ser o homem que sempre foi? NÃO, mil vezes NÃO! Essa é uma visão machista, recheada de falta de conhecimento.

Vivemos numa sociedade onde a figura do Homem é a aparência braba, semblante rude, gestos quadrados, cujas manifestações devem ser de pura brutalidade. ai, se essa figura apresenta uma manifestação mais “delicada” com gestos e, em alguns casos, formas mais “sutis”, recebe um rótulo pejorativo num pré-julgamento baseado simplesmente em sua apresentação, ou pela manifestação da força desta entidade feminina.

Agora, os memsos que acusam, apontam, criticam, ficam dando risadinhas, são os mesmos que quando chegam a casa, sentem-se o “dono do mundo”, onde podem tudo, em alguns casos inclusive, chegar em casa bêbados, maltratar mulher e filhos, achar que tem o direito ou até mesmo o dever de ter várias mulheres. Em resumo, são os chamados de “machões” dentro da sociedade, sentido-se o “dono” ou o “senhor da força”.

Pergunte para a sua Pombagira quem são os machões para ela? Com certeza uma terá resposta muito parecida com esta:

“Os machões para nós? São aqueles que tem a valentia de dizer a verdade sempre, de olhar dentro dos nossos olhos e assumir quem somos e como somos, de aceitar nossos defeitos e parabenizar nossas qualidades, nos dar condições e permissões para executarmos nosso trabalho da melhor forma possível. Estes são os verdadeiros machões para nós, em resumo, aqueles que nos respeitam”.

Após considerar tudo isso que foi dito aqui, permita-se a partir de agora, a pelo menos uma vez, dar passagem em sua vida às forças das entidades femininas SEM MEDO ou PRECONCEITO.

Deixe que a força das Entidades de Magnetismo feminino percorra sua aura, seu envoltório espiritual e até mesmo carnal. Deixe que a leveza, a serenidade e a doçura façam parte de você. Sinta as sensações desta força, veja o quanto poderá ser beneficiado, muitas vezes pela paz, pela serenidade, pelo desejo (de vencer, crescer, progredir, erguer-se, etc.), pois todos estes sentimentos são característicos daquelas que estão ao nosso lado.

Se fomos gerados e concebidos por mulheres, por que rejeitamos a nossa geração?

Na próxima manifestação de Pombagira, Preta Velha, Cabocla, Baiana, Mães Orixás, etc., permita que esta força passe por seu corpo e você verá que viveu um bom tempo de sua vida rejeitando 50% de uma potência espiritual.

Usamos apenas o que chamamos de “Força”, mas nem tudo é conquistado assim, há muitas conquistas que só conseguimos alcançar usando o “Jeitinho”.

Se antes você se sentia incompleto e não sabia por que, após estas incorporações e manifestações entenderá o que estava lhe faltando. Porém, a partir daí você estará trabalhando com 100% de um potência espiritual, e somará à “Força” que a estrutura mascunia carrega, a “Vontade”, e o “Desejo”, que a força feminina tem, fazendo assim acontecer e realizar as coisas em suas vidas.

Lembre-se que o único ser capaz de conceber ou gerar é do sexo feminino. Ao rejeitar esta força em sua vida estará rejeitando as possibilidades de “Geração” de tudo que lhe cerca.

Nem tudo em nossas vidas é conquistado na base da “Força” ou da “Brutalidade” (característica passada ao longo do tempo para o sexo masculino), às vezes um pouco da “doçura feminina” ou o famoso “Jeitinho”, serão capazes de lhe dar maiores resultados e conquistas.

Danilo Lopes





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