2020 - Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

25/06/2020

A Mediunidade de um Criminoso

A Mediunidade de um Criminoso

Mais de um ano se passou da prisão de um homem, médium conhecido como de cura, acusado de praticar vários crimes, como abusos sexuais, falsidade ideológica, corrupção de testemunha, coação, posse ilegal de armas, condenado a 60 anos de prisão, com mais 10 processos em andamento.*

Este texto surge de uma pergunta que não quer calar: como um médium desvirtuoso e criminoso pode favorecer a cura de milhares de pessoas, segundo depoimentos dos que alcançaram a cura ou dos que conhecem alguém próximo que foi favorecido pela intervenção deste médium?

Na população mundial não falta sugestões:

Uns simplesmente não acreditam em cura. 

Outros acreditam, desde que separem o médium do homem criminoso, como se um pudesse sobreviver sem o outro em um mesmo contexto de serviço mediúnico. 

A medicina explica, sem pesquisa de campo comprovada, que os que alcançaram a cura não tinham doença física de fato e sim doença psicológica, que é mais fácil de apresentar resposta favorável por sugestão e indução.

Vamos primeiro entender o que é mediunidade:

Mediunidade é a capacidade de ser intermediário entre dois planos, o material e o espiritual, é uma faculdade inerente ao ser humano, tão natural quanto os seus cinco sentidos conhecidos, sendo que em algumas pessoas apresenta-se de forma mais ostensiva do que em outras, porém todos são médiuns em diferentes graus e tipos de mediunidade, independente da religião que professa ou conduta moral.

Diante do conceito acima, se todos são médiuns, entende-se que existem médiuns moralmente decaídos, mau caráter, charlatões, bandidos, etc. Como existem médiuns de conduta ilibada, virtuosos e confiáveis. As pessoas são diferentes, os médiuns são diferentes, todos carregam a mesma essência como pessoa e como médium, por isto não podemos, como pensam alguns, separar o médium do homem criminoso, para justificar as suas curas.

Então, ainda insistimos na pergunta que não quer calar: como um médium com conduta criminosa pode efetuar curas milagrosas?

Já sabemos o que é mediunidade, agora vamos refletir quem são os espíritos  que se utilizam desta mediunidade:

Os espíritos, quando desencarnam, carregam a mesma bagagem moral de quando encarnados. Existem os espíritos bons, da luz e também os maus, das trevas. Eles vão se ligar aos médiuns de acordo com a sua semelhança, questão de sintonia. É impossível para um espírito da luz sintonizar-se com um médium com condutas trevosas, da mesma forma, é impossível a um espírito trevoso sintonizar-se com um médium do bem.

Diante do exposto acima, concluímos que os espíritos que assistem o médium criminoso são espíritos do mal. Como assim??? Um espírito do mal pode fazer um bem, uma cura? Pode. 

No mundo astral existem verdadeiras organizações trevosas, composta por espíritos comprometidos em dominar o mundo, são espíritos altamente inteligentes, dentre eles também existem os que na terra foram cientistas, médicos, filósofos e toda uma gama de atribuições para desenvolver um plano de domínio e de poder sobre a maioria. A organização criminosa do astral se sintoniza com a organização criminosa terrena através dos seus médiuns.

Os trevosos para iludir os menos atentos, se passam por espíritos bem conceituados e da luz, usam o seu nome e operam "milagres" com os seus conhecimentos de medicina. A cura aparente existe, enfatizo "aparente" porque não é uma cura real e sim momentânea, somente para iludir e angariar adeptos.

A cura verdadeira proporcionada por intercessão dos espíritos da luz e que não necessita do toque no corpo físico, muito menos que os médiuns fiquem a sós com o paciente, são curas que foram permitidas por Deus, diante do merecimento de cada um, que somente a Sua Justiça pode avaliar quem é merecedor. Portanto os espíritos da luz seguem uma Lei Maior, a Lei da Ação e Reação ou de Causa e Efeito, logo não é qualquer um que tem o merecimento da cura, muito menos multidões como vemos entre os que fanatizam o médium criminoso. Os espíritos da luz não compactuam com o sensacionalismo, fanatismo e com tudo que favoreça a ascensão do ego de qualquer médium. 

Já respondemos como um médium criminoso pode efetuar curas. Agora vamos refletir porque os espíritos de luz permitem. Eles permitem a intervenção de trevosos na Terra de diversas formas, não apenas no caso específico de curas espirituais, para que as pessoas aprendam com suas próprias experiências a discernir o bem do mal, pois muitos ensinamentos o ser humano só compreende com o sofrimento. Não estamos neste planeta a passeio, algo viemos aprender ou resgatar para evoluir.

Nossa sugestão para não cair nos planos de um médium trevoso ou mistificador: 

Sempre oriento aos meus filhos de santo que desconfiem de todo exagero. Tudo que ultrapassa a barreira da simplicidade, do anonimato e da caridade desinteressada é passível de alerta. Os espíritos da luz não precisam provar nada para ninguém, através de curas e intervenções sensacionalistas. Eles não têm a necessidade de provar a sua existência, pois sabem que cada um tem a sua hora de atingir a maturidade espiritual. Os espíritos da luz trabalham muitas vezes no anonimato, pois não querem se destacar por carregarem um nome louvável, abominam completamente o orgulho, a vaidade, a luxúria, o egocentrismo e qualquer tipo de sensacionalismo, abominam qualquer mal ao próximo. E como eles, são seus médiuns ou pelo menos são médiuns que tentam ser melhores a cada dia, pois não existe perfeição na Terra.

Que este texto, elaborado no dia de Xangô, Orixá da Justiça, possa contribuir para um melhor entendimento sobre os médiuns e suas práticas mediúnicas. Ele está em defesa das religiões, que muitas vezes são confundidas com as práticas indevidas de determinados médiuns. A religião existe não para resolver os problemas dos seus adeptos, mas para lhes dar sustentação e forças para superá-los da melhor forma possível e no momento certo, designado por Deus.

Ednay Melo - Sacerdotisa da Tulca
Recife, 24 de junho de 2020



*Corrigindo: tínhamos publicado 19 anos de prisão, mas são 60 anos (19 anos refere-se a apenas uma condenação), pedimos desculpas.





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19/06/2020

Médium Desmotivado com o Terreiro

Médium Desmotivado com o Terreiro

Acredito que quando nós decidimos entrar para corrente de um terreiro somos tomados por grande emoção, tudo é incrível, estamos entusiasmados em ajudar e participar daquilo, queremos praticar a caridade e devolver aos consulentes tudo aquilo que recebemos enquanto nós também estávamos do lado de fora do congá. Acontece que com o tempo aquelas “humanices” começam a aparecer e nós começamos a confundir nossa vaidade e o nosso egoísmo com “coisas erradas” que vemos dentro da umbanda.

Há pouco tempo atrás, em um dia desses que fui tomada pela minha vaidade e egoísmo, comecei a questionar algumas coisas que eu via dentro da minha própria casa. Eu me sentia desajustada e lendo um pouco mais sobre o assunto, encontrei uma passagem no livro “Corpo Fechado”. Ali o Pai João explicava que esse processo é bastante comum, em poucas palavras o Preto Velho dizia que o médium começa a se sentir incomodado, excluído e se afasta das atividades comuns do terreiro, em seguida ele se afasta da casa culpando todos por seu desconforto. Quando perguntado ao Pai velho de quem era a culpa disso tudo, ele respondia: do próprio médium.

Para me ajudar a entender um pouco mais sobre esse tipo de sentimento em um dia que eu estava totalmente confusa sobre o caminho a ser seguido, o Caboclo Ogum Rompe Mato disse:

- Tu lembras que a umbanda é a manifestação do espírito para a caridade, não é filha? Pois quando falamos da caridade, não estamos nos referindo apenas a caridade material, onde você doa aquilo que já tem excesso para aqueles que não tem nada, esse tipo de caridade é muito fácil, é bastante cômoda. Uma das manifestações do espírito para a caridade é a prática da caridade moral. A caridade moral é entender que cada pessoa tem um tempo nessa terra, que o tempo corre diferente para cada indivíduo. Ter caridade moral é tentar exercitar o amor ao próximo, mesmo que o próximo não partilhe dos mesmos ideais que você. Ter caridade moral é saber que cada médium dentro do terreiro é um espírito em desenvolvimento que muitas vezes está ali para errar, mas merece o perdão, pois o erro faz parte do aprendizado. Ter caridade moral é ter empatia pelo dirigente do seu solo sagrado, entendendo que muitas vezes aquela posição traz a necessidade de ter certas atitudes, e como seres humanos que são, os dirigentes também são espíritos em desenvolvimento, estão passíveis de erro e merecem o seu perdão.

O Caboclo deu uma volta pelo congá, olhou para os médiuns da corrente, para as pessoas que buscavam ajuda na casa durante aquela noite e continuou:

- Nesse tempo todo, quantas pessoas vocês viram sair daqui? Muitas! As pessoas vêm para a umbanda seguindo o seu próprio coração, mas em alguns casos quando se afastam é porque decidiram seguir a cabeça, e pior, muitas vezes não é nem a cabeça delas, mas a cabeça dos outros. Quando o médium começa a se sentir deslocado, achar erro em tudo que acontece naquela casa que lhe acolheu, lhe falta caridade moral! Ele acredita que ao vestir o branco e vir trabalhar já está fazendo um grande favor para o dirigente e os irmãos da corrente, grande engano, ele está fazendo um favor para ele mesmo. Muitas vezes ele acha que não precisa participar dos trabalhos, pois já fez muito pela casa, mas todos os dias na casa tem irmãos desesperados procurando um acalanto e uma luz nos caminhos, todos os dias e isso independe da vontade de vocês de querer trabalhar ou não! Enquanto por vezes vocês se sentem desmotivados e sem vontade de vir praticar a caridade, muitas pessoas que estão na assistência contaram os dias para que o trabalho acontecesse, contaram os dias para poder vir até o terreiro buscar auxílio para as dores da alma. Quando vocês chegaram aqui, vocês não sabiam nem andar direito, então com muito amor e caridade moral, Ogum Sete Ondas levantou vocês, ensinou como caminhar e ainda colocou luz no caminho de vocês e agora por gratidão, cabe a vocês a ajudar o sr. Sete Ondas a colocar a luz no caminho das outras pessoas.

No mesmo dia, naquelas "coincidências" que a Umbanda nos proporciona, o amado Pai Miguel de Angola arriou no terreiro e chamou os filhos para uma conversa. Entre tragos no cigarro de palha e goles de café, com uma voz suave e um olhar amoroso ele disse:

- Sabe, filhos, é preciso vigiar muito o pensamento de vocês dentro do terreiro. Quando vocês vem pra essa casa trabalhar, nós aqui na espiritualidade contamos com a força e a união de vocês, é por isso que o grupo é chamado de corrente. Cada elo da corrente é necessário para manter a força e a harmonia dos trabalhos. Quando um elo se quebra, ou quando um filho tenta repelir essa união por conta de pensamentos obscuros, nossa harmonia é prejudicada, a prática da caridade é prejudicada.

Então eu refleti sobre tudo que o Sr. Rompe Mato e o Pai Miguel disseram, pedi perdão para Oxalá pela minha conduta que muitas vezes foi desapropriada, mas que de certa forma também fazia parte do meu processo de aprendizado. E nessa reflexão eu concluí que ser umbandista é muito mais do que praticar uma religião e estar em contato com minha raiz, ser umbandista foi uma forma que Pai Oxalá, misericordioso que é, encontrou para dar ao meu espírito a oportunidade de aprender, evoluir e cumprir meu carma.

“Por entre mares, por entre matas e terras eu entendi o que meu Pai quis dizer”

Autoria desconhecida




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24/05/2020

Salve o Povo Cigano!

Salve o Povo Cigano


Salve o dia 24 de maio!
Saravá o Povo Cigano! Optchá!

Homenagem Tulca ao Povo Cigano na Umbanda! Sem gira, sem festa, pois ainda estamos respeitando o isolamento social diante da pandemia. Rogamos aos Guias que militam esta magnífica linha, cujo arquétipo de liberdade, alegria e prosperidade nos ensinam que ser feliz é o nosso objetivo, que apaziguem este momento de sofrimento global, rogando a Olorum Sua misericórdia e Suas bênçãos. Que o Povo Cigano estacione suas carruagens de luz no lar de todos nós ❤️ Optchá! ❤️



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13/05/2020

Saravá os Pretos Velhos



Salve o dia 13 de maio

Hoje é o dia deles! Como gostaríamos de Saravá Preeeeto no nosso centro, como todos os anos... Mas esse ano é diferente por estarmos em isolamento social imposto por uma pandemia, porém a homenagem é a mesma porque brota do sentimento profundo de gratidão por eles estarem sempre ao nosso lado e neste momento Mundial de incertezas e medos eles nos convidam à reflexão de que todo acontecimento tem um propósito divino, nada é por acaso e, se atravessarmos as vicissitudes com resignação e fé em Deus, um dia teremos as respostas diante de nosso espírito fortalecido e mais iluminado. Que aprendamos com os pretinhos e pretinhas a paciência, a sabedoria e o amor incondicional, para colaborarmos na construção de um mundo mais feliz e mais justo.

Saravá Preeeeto... Eu adorei as almas...

Mãe Ednay
13/05/2020




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22/03/2020

Médium de quê?

Muitas vezes nos deixamos levar por estados de tensão deliberada e sucumbimos a forças violentas que nos envolvem mental e emocionalmente, formando um barril de pólvora psíquica que pode a qualquer momento explodir em atos de cólera avassaladora, agressão interna e fazer com que nos tornemos médiuns de atitudes pecaminosas e sejamos arrastados nas ondas psíquicas* e emocionais de agentes extrafísicos** da mesma natureza, tornando-se parte de uma reação em cadeia na qual já não se consegue mais distinguir quem é o obsessor e quem é o obsidiado.

Assim podemos nos tornar médiuns da desarmonia e da infelicidade, tornando-nos loucos temporários, permitimos-nos vivenciar as conseqüências de nossos próprios condicionamentos viciosos e diários, conscientes e inconscientes.

Depois nos permitimos chorar como crianças perdidas na noite escura, culpando uma vida que julgamos injusta, sentindo a dor dos sentimentos e emoções densas extravasadas e tentando se adequar à uma realidade agora arrasada pelo ódio e sofrendo as conseqüências do teor dos atos que praticamos.

Somos sempre influenciados e sugestionados uns pelos outros. Mas, no final, a decisão à vontade da prática de qualquer ato é sempre da própria pessoa. Mesmo que tenhamos em nossa companhia os piores tipos, a decisão final de qualquer ato que se pratique é da própria pessoa.

O quanto tentamos nos esconder atrás de nossas máscaras*** de “anjos” sem nos darmos conta de nossos defeitos escondidos em baixo do “manto da espiritualidade oca e vazia?”.

O quanto somos médiuns da nossa turbulência interna que não encontra paz na “Terra de nós mesmos?****”

Para o verdadeiro trabalho espiritual, devemos encontrar força em nossa “herança cósmica”*****, muita determinação e vontade inabalável para vencer os nossos fantasmas do passado, nossas formas mentais oriundas de um passado mal resolvido, de muitas vidas manchadas pelo que chamávamos de “justiça”, feita através da espada banhada a sangue, onde as feridas abertas na Terra permanecem como cicatrizes espirituais de um passado cheio de dor, sem lucidez.
Hoje encontramos possibilidade de renovação, de limpar essas manchas com a luz do discernimento e do amor aos mesmos próximos de outrora!

Somos seres condicionados a atos violentos, explosões emocionais variadas. Temos nossas emoções e pensamentos moldados pelo ódio, pela vaidade, pela ganância, pela arrogância durante milhares de anos, mas hoje recebemos vinhas de luz que nos permitem trabalhar a cada dia para dissolver gradativamente nossos desvios, tornando-nos um caminho direto para a luz espiritual de fraternidade e compaixão.

Não deixemos nosso paiol se encher com a mesma pólvora que nos faz explodir vida após vida, e que cada ser espiritual que se aproximar seja tocado pela força e coragem de mudar, pela esperança de se tornar algo melhor a cada dia mudando assim a realidade a nossa volta.

Que nossos encontros espirituais se tornem comemorações extrafísicas****** de pessoas que olham para um passado longínquo e sentem no brilho do olhar a beleza da esperança de uma nova vida livre da dor do ódio e da discórdia. Com um abraço fraterno e um caminhar de mãos dadas onde o único risco é o de ser atingido pelas flechas do amor e do discernimento no caminho da evolução espiritual.

Vanderlei Oliveira


Notas:

* Ondas psíquicas: Ondas mentais criadas por grupos de pessoas com idéias afins.

** Agentes extrafísicos: Seres espirituais que se manifestam sem serem vistos por não possuírem o corpo físico mais denso.

*** Máscaras de Anjos, ou Máscaras espirituais: São nossas “capas”, em ambientes espirituais. Tentamos passar a imagem de anjinhos escondendo e sem dar conta de que o ego camufla nossos verdadeiros defeitos, escondendo-os até de nós mesmos.

**** Terra de nós mesmos: Termo utilizado pelo amparador Emmanuel, através de Chico Xavier, para designar o nosso próprio interior, nossos próprios pensamentos, sentimentos e emoções.

***** Herança cósmica: O potencial divino existente em todos os seres. A luz espiritual que reside e sustenta todas as formas de vida.

******Comemorações extrafísicas: Encontros de grupo de desencarnados que viveram momentos em conjunto em encarnações na Terra e se encontram para matar saudade e relembrar passagens de vidas que ficaram para trás.




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21/02/2020

Mensalidade e Ajuda ao Terreiro

Mensalidade e Ajuda ao Terreiro

Enquanto que na maioria das religiões, como a Católica, a Evangélica, a Kardecista, entre outras, o entendimento de que todos os participantes que tenham condições financeiras devem ajudar na manutenção da Casa religiosa, ainda na Umbanda há um enorme preconceito quando o assunto é o dinheiro ou pedir dinheiro, fruto da ignorância e da arrogância humana.

É certo de que o exercício da mediunidade é um dom do Altíssimo e como o recebemos de graça, de graça os médiuns devem transmiti-lo. Contudo, não devemos confundir as coisas – o passe (gratuito) com todas as despesas de um Centro (devem ser pagas obrigatoriamente).

É muito comum as pessoas, tanto consulentes como médiuns, afastarem-se do Centro que frequentam quando o dirigente espiritual pede uma contribuição através do pagamento de mensalidade ou para alguma obra. Sentem-se insultados, acham um absurdo que se cobre alguma coisa e já rotulam o dirigente como impostor ou alguém que deseja viver à custa do dinheiro deles. Ora, que pessoas de pouca fé e tão vazias de coração! Todos gostam de entrar em um Centro e notar que as cadeiras, o chão e tudo mais estão limpos, que há água para beber e dar descarga no banheiro, que há papel higiênico, toalha e sabonete, que as velas e demais instrumentos já estão preparados para a firmação dos Guias, que as luzes estão acesas, entre outras coisas. Todavia, poucas são as pessoas que param para pensar que tudo isso gera uma despesa muito grande com materiais de limpeza e higiene, pagamento de contas de água e luz, material para firmamento dos Orixás e da Tronqueira etc. Se pensassem em tudo isso, as pessoas iriam se dar contar de que, se cada um ajudar um pouco, o dirigente do Centro não ficará sobrecarregado com o “dever” de pagar todas essas despesas sozinho ou com a ajuda de poucos. 

E para aqueles que se preocupam em saber se o dirigente está se apropriando indevidamente do dinheiro arrecadado no Centro para o seu uso pessoal, basta fazer uma investigação mais honesta acerca de como é a vida do dirigente, a sua moral, a sua família, como são as condições de que o Centro está – ao avaliarem tudo isso, certamente terão uma ideia límpida acerca da honradez do dirigente.

Para ajudar na limpeza do centro, as pessoas ou se esquivam dessa responsabilidade ou não cumprem corretamente com aquilo a que se propõem, transferindo aos outros o encargo que deveria ser deles.  A maioria das pessoas dizem não ter tempo para ir realizar a faxina no Terreiro e, as poucas que se propõem, acabam sempre chegando com horas de atraso, dando sempre desculpas como dizendo que chegou alguém em casa e não puderam sair ou escusas de todos os tipos, o que acaba deixando o dirigente do Centro sozinho e sobrecarregado, pois todos podem escusar-se em se atrasar ou faltar, mas o dirigente não tem essa faculdade, o dirigente sempre sai de seu lar na hora em que precisa ir ao Centro, haja o que houver, esteja nas condições físicas e psíquicas que estiver. 

Esse parece ser um assunto sempre muito delicado de ser tratado. Na maioria das vezes, o que ocorre é que o dirigente acaba arcando com o pagamento de oitenta ou noventa por cento das despesas do Centro e só consegue a pouca ajuda restante à custa de pedir com exaustão pela colaboração dos participantes. E o que temos percebido é que não são raras as vezes em que o dirigente acaba se sentindo muito solitário e sobrecarregado em manter abertas as portas para o exercício de seu mister sagrado e, com a idade pesando e o tempo passando, muitos acabam fechando as suas portas, com a certeza de já haverem cumprido os seus deveres cármicos, passando a praticar a caridade de outras formas, onde não terão em suas costas o peso de tantas obrigações, de tantos aborrecimentos, de tanta ingratidão.

Com certeza, seria muito menos estressante para os dirigentes se as pessoas passassem a se oferecer para ajudar financeiramente no Centro, pois de nada adianta as pessoas dizerem que amam o Centro, ou amam o dirigente se, na hora em que o Centro precisa da ajuda, a pessoa simplesmente abstém-se ou oferece muito menos do que poderia ofertar.
Nesse mesmo sentido, seguem as palavras de Mãe Mônica Caraccio:

“O problema é que este consulente esquece que ele lavou as mãos, que deu descarga no banheiro, que o chão está limpo, que as luzes estão acesas, que há velas no altar, que ele é defumado, que existe um imóvel pelo qual se paga impostos, aluguel, contador, faxineira… Nossa, uma infinidade de coisas!
E na próxima semana o Centro estará lá: novamente de portas abertas com o chão limpo, as luzes acesas, velas no altar…

Não se percebe que há necessidades básicas para se realizar um trabalho espiritual e que o consulente também tem o dever de colaborar e não de julgar, afinal de contas ele se aproveita também materialmente do local. O entendimento de que a ajuda financeira também é obrigação da assistência, e não somente do corpo mediúnico, é necessário e deve ser encarado naturalmente sem nenhum tipo de constrangimento, tanto por parte dos dirigentes espirituais, que devem pedir, pois se não pedirem poucos colaboram, quanto por parte do corpo mediúnico e da assistência.”

Ainda nesse diapasão, segue o entendimento da Federação Brasileira de Umbanda,
em texto escrito por Manoel A. de Souza:

"O Terreiro é prolongamento de sua casa, ajude-o!

Deve haver dentro de cada um de nós, a consciência de que a nossa responsabilidade espiritual não se limita a “vestir o branco” e participar das Sessões Espíritas. Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro - nosso Chão. O Chão que o acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério o pagamento de nossa contribuição financeira.

Sem dinheiro, mal podemos nos locomover, não conseguimos pegar um ônibus, comer, ou fazer parte de qualquer atividade social, a menos que essa entidade se auto mantenha, mas mesmo assim, para o Terreiro se manter de pé, alguém estará custeando as suas atividades e as nossas presenças. Quando um Terreiro nos abre as portas para uma sessão religiosa ou uma reunião festiva em louvação aos Orixás, ou mesmo para uma simples consulta espiritual, por mais humilde que seja o Templo, esteja certo de que está havendo uma despesa para que essa atividade se realize! E, se somos recebidos gratuitamente, alguém está custeando as despesas para a realização dessa empreitada espiritual. 

Alguém irá pagar a conta.
Será que o Dirigente Espiritual, o Diretor ou a Diretora deve arcar com essas despesas a fim de fazer valer sua condição de “proprietário” do Terreiro”? Serão, os Diretores, os maiores beneficiados nos trabalhos espirituais realizados nos Terreiros? Não! Não são! O Terreiro é um espaço nosso e sagrado, ele é um prolongamento da nossa casa. O Dirigente Espiritual, literalmente com os pés no chão”, humildemente, cumpre a sua nobre Missão Espiritual, ao mesmo tempo, trabalhando em prol de seu crescimento espiritual e de todo o grupo de médiuns e consulentes, paciente e generosamente, nos dedicando a maior parte do seu tempo. Por tudo isso e por todo o seu desprendimento, nos impõe o salutar dever Moral e Espiritual de ajudá-lo na condução e manutenção do nosso Templo.

Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro - nosso Chão. O Chão que nos acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério também a nossa contribuição financeira.

Na verdade, o Terreiro é uma grande família. O sentimento de irmandade, fraternidade, amor e respeito reinante no seio do Terreiro constitui a base de um grande elo de corrente espiritual. Por outro lado, todos nós temos Direitos e Deveres, temos responsabilidades e obrigações uns com os outros, essa consciência grupal faz parte de nosso trabalho espiritual. A generosidade faz parte de nossa elevada missão.”

Em suma, espero que em um dia muito próximo, também na nossa sagrada Umbanda, as pessoas (médiuns e consulentes) entendam tudo isso e se sintam felizes em ajudar o dirigente na manutenção do lar espiritualista para que, da mesma forma que o dirigente se desdobra com o fim de que todos se sintam acolhidos, ele próprio – o dirigente – possa também sentir-se abraçado e protegido por todos que frequentam a Casa de Umbanda. Afinal, a Casa de Umbanda é preparada pelo Astral e pelos dirigentes para ser um desdobramento do lar de cada um de seus frequentadores, pois o que se almeja é que cada participante do Centro saia de lá mais forte, com a certeza de que está com suas energias recarregadas, com o coração mais leve e mais apto para enfrentar e vencer as provas cotidianas necessárias para o seu engrandecimento físico e espiritual.

Autoria desconhecida


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12/02/2020

A Umbanda não Merece

Há bastante tempo que não escrevo, estava só a observar e refletir a umbanda nos dias atuais, dias de conexão fácil com o mundo pelos meios virtuais. O Caboclo, o Preto Velho, o Exu e todos os Guias estão lá nos terreiros ainda, incorporados em seus médiuns ou apenas intuindo, abençoando e ajudando cada filho que chega em busca de consolo, lenitivo ou esperança.

A busca frenética por respostas prontas na internet está acomodando e iludindo muita gente. Há oferta online para tudo: jogos de cartas, búzios, magias que prometem resolver todos os problemas, entre os ganhos fáceis até as vinganças mais escabrosas. Ofertas de cursos pagos para todos os gostos, daí a imaginação fértil dos seus idealizadores a inventar teorias complicadas e rituais fantásticos para angariar mais e mais pagadores. Sacerdotes que não cansam de promover a própria imagem, apelando para os títulos terrenos que possuem, com a necessidade efêmera de ser aplaudido. Usam o nome da Umbanda e falam de caridade como um cartão de visita, por trás apenas a ganância e a vaidade imperam.

Cada vez mais raro informações com o intuito apenas de esclarecer as pessoas sobre a religião, com o compromisso de enaltecer a Umbanda e mostrar o seu real valor, sem querer nada em troca. Ainda existem terreiros com este compromisso, portanto não é fácil encontrar no meio de tantos convites e induções promovidos pela internet. Mas não desista, siga firme ponderando sempre e usando o bom senso, lembre-se que a Umbanda é caridade no sentido amplo de ser e, acima de tudo, humildade e simplicidade. A Umbanda não merece tantos absurdos em seu nome.

Ednay Melo




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03/02/2020

Médiuns e as Dificuldades da Vida

Médiuns e as Dificuldades da Vida

A sua fé vai ser sempre testada, não tenha medo, confie.

Vivemos num planeta, ou num plano espiritual de expiações e provas.

Existe uma Lei Maior que regula todas as reações da vida[1], e não existe como anulá-la, neutralizá-la de forma mágica ou milagrosa. Ninguém vai conseguir limpar o seu karma, nem isentar você dos seus aprendizados, ou mesmo, se assim preferir, das suas lições de vida.

A única forma que eu conheço para diminuir as dificuldades existentes nos caminhos, sejam elas materiais, financeiras, profissionais, sentimentais, espirituais, energéticas, etc. é realizar um trabalho de investimento interior, de reeducação interna, procurando desenvolver um maior equilíbrio psíquico, emocional, comportamental, ético e espiritual.

Ninguém pode fazer um curso, um tratamento, um trabalho espiritual acreditando que ficará livre de seus aprendizados na vida, alguns até mesmo dolorosos.

A espiritualidade não opera milagres sem nós criarmos a ambiência (condições) interna e externa necessária para isso. Ela “apenas” nos instrumentaliza para que nós possamos nos capacitar cada vez mais a nível psíquico, mental, emocional, espiritual e energético para assim estarmos mais preparados para enfrentarmos os nossos desafios. Eles favorecem, geram as condições necessárias[2] para nos auto-superarmos e superarmos as dificuldades ou as provações (consequências) da vida.

Lembre-se que não estamos sozinhos no universo e todas as ações que tomamos gera consequências, positivas ou negativas na nossa vida, assim como na vida dos outros. Isso se dá para atitudes dos outros também, sofremos em nossa vida consequências das atitudes alheias.

Muitas vezes vemos médiuns espiritualistas indignados pelas dificuldades que vivenciam em sua vida, justamente por acharem que por estarem envolvidos na e com a espiritualidade, deveriam ser eximidos das dificuldades da vida, conseguirem conquistar tudo que querem, ou mesmo não ter que passar pelos entrechoques emocionais, energéticos, comportamentais e espirituais tão comuns e naturais a nossa realidade dual e humana.

Infelizmente, não é bem assim que a vida funciona.

Muitas vezes, devido a ideia fantasiosa, acabam por se achar missionários[3] e não apenas um simples trabalhador da espiritualidade, muitas vezes endividados com as leis da vida, acabam por isso a não se acharem protegidos, ou mesmo desprivilegiados por seus Guias e Mentores. Esquecem-se que a dívida persegue sempre o endividado, ou como é dito na Lei de Umbanda: quem deve paga, quem merece recebe! E todos nós temos sempre algo a equilibrar, ou a resolver connosco mesmo ou com a vida. E a vida, mestra em sua ação, acaba por criar, gerar as condições necessárias para que possamos aprender o que precisamos, assim com a nos fortalecer psíquico, emocional, espiritual e energeticamente.

Não descredite nos seus Guias, nos seus mentores, nos Poderes e Mistérios Divinos por a vida não corresponder aos seus intentos, as suas vontades. Tenha a certeza que talvez seria muito mais complicado se você não pudesse contar com o auxílio, com a intervenção deles na sua vida. Todos fazem o melhor que podem de acordo com suas condições e programação de vida.

Deixo aqui uma reflexão: Pegadas na areia de “Mary Stevenson”

“Uma noite eu tive um sonho…

Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e no céu passavam cenas de minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era meu e o outro do Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiantes da minha vida.

Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao meu Senhor:

– Senhor, tu não me disseste que, tendo eu resolvido te seguir, tu andarias sempre comigo, em todo o caminho?

Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia.

Não compreendo por que nas horas em que eu mais necessitava de ti, tu me deixaste sozinho.

O Senhor me respondeu:

– Meu querido filho.

Jamais te deixaria nas horas de prova e de sofrimento.

Quando viste na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas.

Foi exatamente aí, que te carreguei nos braços”.


Heldney Cals

[1] Lei de causa e Efeito. A lei de causa e efeito não pune nada nem ninguém, apenas cria as condições necessárias aos reajustes e ao reequilíbrio.

[2] Realizando sua Magia, empregando seu conhecimento, seu magnetismo no campo energético e espiritual do assistido.

[3] Por ajudarem os outros, mas na grande maioria das vezes não ajudam a si próprios, mas sim complicam a si próprios com ideias, comportamentos, emoções que deveriam ser revistas e trabalhadas.






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29/01/2020

Entendendo o Carma

Entendendo o Carma

Dona Isabel caminhava em direção a Pai Antônio. Chegara a hora de seu atendimento e ela estava para comunicar-lhe sua decisão: pediria afastamento do terreiro.
− Oi zifia! Como vai suncê? Ah quanto tempo hein?!?
− Boa noite Pai Antônio! O senhor já sabe o que eu vim fazer aqui hoje, não sabe?
− Filha se este preto-velho tivesse este poder ele não seria Pai Antônio: seria o próprio Deus, pois só Ele sabe de todas as coisas.
− Como assim vovô?
− Nós não somos advinhos zifia! Se suncê veio aqui é porque tem algo a dizer e este nêgo velho aqui se encontra, de coração aberto, só para te escutar!
− Então acho que tenho que dizer de uma vez, não é vovô?
− Da forma que suncê achar melhor, minha filha!
− É que eu vou pedir desligamento do terreiro! O que o senhor acha disto?
− Filha toda decisão sinaliza um caminho que envolve pensamentos e sentimentos. Onde este caminho vai dar, abaixo de Deus, só teu pensar e sentir é que poderão dizer.
− Como assim Pai Antônio?
− Bom senso minha filha! Toda decisão, de todo ser humano, deve ser pautada pelo bom senso!
− O senhor está dizendo que esta minha decisão não está baseada no bom senso?
− Longe de mim zifia, pois este preto-velho não faz julgamento de valor! Só estou tentando explicar para a filha que a ilusão obscurece o bom senso.
− Ilusão? Como assim?
− Só um instantinho minha filha!
A entidade solicitou que seu cambone lhe trouxesse água gelada. Somente quando ele retornou foi que Pai Antônio disse a Isabel:
− Filha, por caridade, estique sua mão direita e diga se este líquido está quente ou frio.
A entidade derramou um pouco de água mineral, que estava em temperatura ambiente, na mão dela que respondeu-lhe:
− Nem quente, nem fria: está em temperatura ambiente!
− Continue com sua mão esticada.
Pai Antônio derramou a água gelada, que seu cambone trouxera, na destra de sua consulente que falou-lhe:
− Este líquido está gelado!
− Permaneça com sua mão esticada!
O preto-velho tornou a derramar a água mineral em temperatura ambiente na mão de Isabel que disse:
− Esta água está quente!
− Suncê viu de onde nêgo tirou esta água que suncê falou que estava quente?
− Vi sim senhor. O senhor a tirou da garrafa de água mineral!
− E como a mesma água que suncê respondeu que estava em temperatura ambiente, de repente ficou quente?
− É que a água que o senhor jogou na minha mão antes dela estava muito gelada.
− Muito bem minha filha! Suncê é muito sabida! Percebe o que a ilusão dos sentidos pode fazer com seu julgamento? Seu pensamento? Seu sentimento?
− Não totalmente.
− Não se preocupe minha filha! Continue a prosear com este velho que Deus, em sua infinita misericórdia, há de fazê-la compreender certas coisas!
− Vovô eu não consigo mais ver sentido em ficar aqui: o senhor sabe que minha filha, que assim como eu era médium desta casa, acabou de desencarnar fulminantemente por conta de uma enfermidade que ninguém pôde diagnosticar a tempo de salvá-la.
− Salvá-la de que zifia?
− Da morte!
− Mas não existe morte zifia: só existe vida, ainda que em outro plano da existência!
− Nenhuma entidade contou nada para mim ou para ela que só foi saber da doença quando passou mal e os médicos a diagnosticaram como enferma após realização de vários exames.
− Suncê se sentiu traída por nós, minha filha?
− Vocês sabiam da doença?
− Sim minha filha!
− Então, eu me senti traída, porque vocês não me alertaram!
− Filha, e de que adiantaria nosso alerta se a doença começara a se desenvolver em sua filha há dez meses? Se a situação da saúde de sua filha era irreversível há cinco meses e se vocês entraram para corrente mediúnica do terreiro há três meses?
− Mas vocês poderiam ter nos alertado, nos preparado!
− Preparar? Desculpe a franqueza zifia, mas a preparação, a ser realizada com sabedoria e humildade, para a verdade imutável que é o desencarne deve acontecer todo dia e a todo o momento, pois só Deus sabe a hora de cada um.
− Eu vou sair por que acho que vocês podiam ter nos preparado!
− Filha há muito tempo, quando suncê tinha dezesseis anos, seu pai faleceu da mesma moléstia que sua filha apresentou!
− É verdade.
− Seu pai lutou contra a moléstia por quase treze meses!
− Isto também é verdade!
− E foi justamente durante estes treze meses que suncê, somatizando todo o sofrimento pela condição de saúde de seu paizinho, desenvolveu uma úlcera gástrica que tanto lhe incomoda até os dias de hoje!
− É verdade!
− Agora minha filha, abrindo seu coração com honestidade, responda:
− Em que lhe ajudou saber sobre a doença do seu pai à época em que ele estava doente?
− Acho que começo a entender o senhor!
− Zifia Isabel, este nêgo véio fala a suncê que nós, que suncês chamam de entidades, não somos advinhos! Somos falangeiros que militam pela Lei Maior e pela Justiça Divina!
− Eu entendo.
− Para Deus o bem maior está acima das individualidades dos seus humanos filhos e foi por isso que ao mundo Ele enviou Jesus.
Isabel chorou sentidamente ao lembrar-se do sofrimento a que Jesus fora submetido quando encarnado e reconheceu que o sofrimento de sua filha nada foi em comparação ao dele.
Pai Antônio esperou o estado emocional de Isabel tornar a normalidade e disse-lhe:
− Nêgo-velho gostou da sinceridade do seu coração, mas aqui no dia de hoje nós não estamos trabalhando o sofrimento de sua filha; até mesmo porque ela não sofre mais onde se encontra, já que está disposta em repouso e recebendo tratamento adequado para que venha a despertar em momento oportuno!
− Verdade?
− Sim zifia! No dia de hoje trabalhamos o seu sofrimento!
− É vovô! Cada um com seu karma!
− Filha karma não é sofrimento: é libertação!
− Como assim?
− Karma, zifia Isabel, é ter humildade de clamar sabedoria a Deus diante dos desafios que são apresentados na vida de cada um, pois uma vez aprendido o ensinamento, com fé e resignação, evolui-se em direção a Deus-Nosso-Pai!
− Como assim?
− A vida é um karma não pelos sofrimentos que surgem na jornada, mas pela possibilidade de libertação que proporciona se tivermos sabedoria para vencer os desafios no caminho.
− Creio que entendi! A morte de um ente querido é um desafio natural da existência humana. O karma não é sofrer com a perda, uma vez que o sofrimento é natural nesses casos, mas sim alcançar a liberdade incondicional ao vencermos tal desafio.
− Filha tempos atrás suncê contou que a entidade que lhe assiste nas incorporações, o Caboclo Araribóia, apareceu duas vezes em sonho para você e pedia-lhe que continuasse a andar numa estrada, não é verdade?
− Isto vovô! Ele aparecia e me mostrava uma estrada em que eu devia voltar a caminhar!
− Pois então zifia saiba que tal estrada não é necessariamente este terreiro, mas sim a Umbanda Sagrada!
− Verdade?
− Certamente zifia! Se suncê quiser sair do terreiro as portas vão estar abertas assim como se encontravam quando você por elas adentrou neste terreiro pela primeira vez. O importante na sua vida não é o terreiro zifia, seja ele qual for, o importante é a Umbanda!
− Isto é verdade mesmo Pai Antônio porque antes de entrar neste terreiro há três meses, eu fiquei cinco anos afastada da umbanda.
− Nêgo velho entende zifia! Foi quando seu esposo faleceu, não foi?
− Foi isto mesmo vovô!
− Após vinte e cinco anos de casados o seu esposo desencarnou pelo câncer e você, como forma de homenagear o amor que sempre houve entre vocês, decidiu prestar trabalho voluntário em alas hospitalares onde se encontram crianças que possuem câncer, não é verdade?
− Como o senhor sabe disto vovô? Eu nunca contei para ninguém!
− Foi o Caboclo Araribóia zifia!
− Ah é? E porque vovô?
− Por que para Deus o bem maior está acima da individualidade do ser humano.
− Como assim? O senhor poderia explicar?
− Filha o câncer em sua história familiar não é sofrimento apenas: é karma! Possibilidade de libertação em direção a Deus!
− Isto eu estou entendendo!
− Karma é cumprimento da Lei Maior e da Justiça Divina na vida de suas humanas criaturas! Quando estas se envolvem consistentemente em labores caritativos o Pai envia sua Misericórdia como um bálsamo na vida na vida destes Seus filhos.
− Entendo!
− O teu trabalho voluntário em favor das criancinhas fez com que você recebesse a oportunidade de ter a tua filha tratada e assistida pelos médicos do astral a fim de que viesse a ter um desencarne sereno e indolor!
− Meu Deus eu jamais poderá imaginar!
− Posso lhe dizer ainda mais zifia: sabendo que você somatiza com muita facilidade o sofrimento dos que lhe são muito próximos, foi que o Caboclo Araribóia providenciou formas para lhe resgatar de volta para a Umbanda, como um modo de evitar que isto ocorresse!
− Meu Pai Deus é muito bom!
− Até mesmo por que se isto ocorresse as crianças assistidas por você voluntariamente ficariam sem ter como receber o lenitivo que você mais consegue lhes proporcionar: o sorriso!
Dona Isabel chorava copiosamente a cada vez que dizia:
− Deus é bom! Obrigada meu Deus! Obrigada!
Pai Antônio aguardou sua consulente serenar as emoções e, para encerrar aquele atendimento, disse-lhe:
− Foi o que este preto-velho lhe disse zifia: Para Deus o bem maior está acima das individualidades dos seus humanos filhos, mas a misericórdia Dele é, de fato, infinita! Suncê não está sozinha minha filha, nunca se esqueça disto! Vá com a força e a luz de Deus-Nosso-Pai!

Autoria desconhecida



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27/01/2020

Surra dos Guias?

Surra dos Guias?

Muitos são os mitos que surgem dentro da Umbanda e a “surra” dos Guias é um deles. Infelizmente esse mito insiste em perdurar no meio umbandista.

Várias são as pessoas que nos procuram porque “alguém” disse que sua vida não está correndo bem (falta de trabalho, saúde, relacionamento, clientes, etc.) porque os Guias estão lhe dando uma surra pelos mais variados motivos: não fez sua obrigação, não desenvolveu sua mediunidade, etc.

Bom, vamos entender isso: os Guias de Lei da Umbanda, tanto os de Direita como os da Esquerda são espíritos altamente evoluídos, são espíritos de luz a serviço da Luz.

Possuem um grau de compreensão e conhecimento muito acima do nosso, por isso tem a missão de nos guiar, conduzir, nos ensinar, nos amparar e nos fortalecer para que possamos fazer nossa caminhada.

Isso quer dizer que ninguém pode caminhar e evoluir por nós.

Se essa não for a ação do “guia” que você esteja se aconselhando, preste atenção!

Muitas vezes, os Guias nos cobram atitudes e padrões de comportamento que deveríamos tomar para o nosso crescimento e desenvolvimento, e automaticamente para melhoria de nossa qualidade de vida. Pois muitas vezes nos acomodação a processos internos ou externos e estagnamos em nossa jornada.

Mas nunca um Guia irá criar problemas na vida de alguém que esteja querendo se melhorar, crescer, aprender e evoluir. Ele está lá para nos ajudar e nos orientar, não para decidir por nós e de forma nenhuma serem causadores de intrigas, confusões e discórdias.

Se essa não for a ação do espírito que você esteja se aconselhando, preste atenção!

Acontece que muitos médiuns por falta de conhecimento, vaidade, etc. … Se desvirtuam em seus padrões de comportamento, tanto espiritual como material. Com isso começam a negativar seu campo vibratório e mediúnico e começam a perder o amparo e a proteção espiritual dos Guias de luz. Não porque eles se afastam, mas sim por não conseguirem manter uma linha de ressonância e afinidade com seus tutelados.

Quando isso começa a acontecer os Guias muitas vezes nos chamam a luz da razão, nos alertando para o nosso comportamento. Mas se são ignorados, pois temos o direito livre de escolha, tentam nos mostrar de outras forma que nossas atitudes não são ou não estão coerentes.

Mas, se mesmo assim teimamos em não perceber, nos permitem ficar a mercê das consequências de nossas próprias ações.

Entendam, não são os Guias que se afastam de nós, somos nós que nos afastamos deles!

Com isso, podemos criar um linha de afinidade com espíritos negativos que se afinizam com nosso padrão espiritual, consciencial e energético.

Muitas vezes esses espíritos, se aproveitam da leviandade dos médiuns e se fazem passar por seus Guias, criando muitas vezes grandes confusões na vida tanto do próprio médium como daqueles que se “aconselham” com ele.

Porém isso nada mais são do que consequências de uma postura leviana.

A cada um suas obras, já dizia o Divino Mestre.

Sabemos que toda a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

Caso você esteja tendo algum problema de ordem espiritual ou mediúnica, procure ajuda e esclarecimento, mas saiba que a causa muitas vezes pode estar numa atitude que você insiste em não querer mudar.

Autor desconhecido



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24/01/2020

Homens que Recebem Entidades Femininas

Homens que Recebem Entidades Femininas

Ao chegarmos no terreiro é normal nos depararmos com caboclos, pretos velhos, baianos, erês, boiadeiros e muitas outras entidades masculinas fazendo uso de uma matéria/médium feminina para trabalhar e isso não nos causa o menor espanto, não achamos que aquela mulher por estar cedendo sua matéria a um espirito masculino em seu íntimo queira ser homem, não falamos que na verdade é uma lésbica enrustida e nem que o guia vai deixar ela masculinizada, pelo contrário, é normal, não nos desperta indignação.

Então por que imaginar um médium homem recebendo uma entidade feminina causa tamanho reboliço, indignação e espanto??? Inúmeras são as frases e pensamentos preconceituosos ditas como: “É um gay/homossexual enrustido”, “Homem que recebe pombo gira quer ser mulher na verdade”, “Não existe homem receber pombo gira, isso é desculpa para soltar a franga”, “Homem que recebe pombo gira fica efeminado”

HOMENS PODEM RECEBER ESPÍRITOS FEMININOS, ASSIM COMO MULHERES DÃO PASSAGEM A ESPÍRITOS MASCULINOS.

O que não quer dizer que o homem ao receber uma pombo gira precise ou seja obrigado a permitir que a entidade use saias, brincos, pulseiras, batom e etc, ou que fique dançando e gargalhando, o homem pode dar passagem a entidade feminina de forma contida, ela irá trabalhar da mesma maneira, tem o mesmo axé e força mesmo sem estar usando uma saia, mas se mesmo sendo homem sente-se à vontade com a entidade usando adereços, sem problemas também, desde que se mantenha uma postura adequada, o guia seja ele masculino ou feminino, exu ou pombo gira, não devem expor seu médium ao ridículo, os guias são entidades evoluídas, e devem agir como tal, então em certas situações descabidas que vemos e que são visivelmente inadequadas e contrarias a postura aceitável, não pensemos que aquilo é o guia, pois são atitudes que o próprio médium quem está fazendo.

A falta de postura é um desvio de conduta do médium e não do guia.

Em resumo, homem que recebe pombo gira ou outras entidades femininas continuarão sendo homens, assim como mulheres que recebem Exu, Caboclo e quaisquer outro espirito masculino após a desincorporação continuam sendo mulheres, o que realmente importa é a postura e boa conduta que o médium deve ter para com seus guias quando estiver incorporado, não use da incorporação para extravasar vontades, atitudes e condutas que gostaria de ter, não use do guia para falar o que você gostaria de dizer a alguém.

O MÉDIUM, TENDO CARÁTER, POSTURA E DISCERNIMENTO, NÃO IMPORTA SE TRABALHA COM ENTIDADE MASCULINA OU FEMININA O GUIA IRÁ IMPOR RESPEITO E SE PORTAR ADEQUADAMENTE.

Autor desconhecido





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19/01/2020

Homenagem a Oxóssi 2020

Família Tulca sentindo-se abençoada, agradecida e plena no seu 9° ano em homenagem ao Rei das Matas e a todos os Caboclos e Caboclas da nossa Umbanda!
Saravá Oxóssi!
Okê Arô!

Homenagem a Oxóssi 2020

Homenagem a Oxóssi 2020

Homenagem a Oxóssi 2020

Homenagem a Oxóssi 2020

Homenagem a Oxóssi 2020

Agradecidos pela presença, participação e carinho de todos, especialmente aos filhos da Tulca que mostram a cada ano que um Guerreiro de Umbanda não se faz, se é.

Gira festiva em 18/01/2020, em nossa sede.






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13/01/2020

Desmistificando o Fumo e a Bebida na Umbanda

Desmistificando o Fumo e a Bebida na Umbanda

Um Exu, uma Pombogira, um Caboclo ou um Preto Velho podem beber água quando incorporados no médium, ou água de coco. Ficar cerca de 4 horas incorporados sem se hidratar é prejudicial à saúde do médium.

Muitos acham que Exu não bebe água. Sim Exu bebe água. Água é elemento de trabalho. Na tronqueira de Exu também tem água.

O médium não morre durante o processo de incorporação, ele continua com todas as suas necessidades biológicas. Incorporação não é possessão.

O Uso do fumo e do álcool não são obrigatórios durante o processo de incorporação em uma gira.

Não há necessidade de um "Caboclo" consumir 10 charutos. Assim como não há necessidade de uma "Pombogira" fumar 3 maços de cigarros e tomar 3 garrafas de cachaça. Como Não há necessidade de um "Preto Velho" utilizar 1 garrafa de vinho.

Tudo é equilíbrio. Todo excesso esconde uma falta. Seja de disciplina ou conhecimento.

O fumo é utilizado para o descarrego não por vício da entidade.

Vale lembrar que ao invés de utilizar o cigarro comum que as Pombogiras usam, é recomendando utilizar cigarrilhas ou mini charutos. Pois eles são menos agressivos e não contém o excesso de substâncias químicas que o cigarro comum têm.

O charuto quando feito de ervas específicas se torna menos agressivo que o tradicional. Importante falar que a entidade ela não traga charuto, ou cigarro. Elas puxam e soltam a fumaça. É bom orientar que e totalmente errado a "entidade" jogar fumaça no rosto do consulente.

Também não e ético a "entidade" servi bebida alcoólica a assistência. O álcool é elemento de trabalho.

Sobre o elemento álcool já vi entidades apenas passar cachaça na mão do médium e descarregar sem ao menos beber um gole do seu marafo. Como já vi entidades manipularem água junto com elemento marafo, tornando um elemento forte de trabalho.

Existem médiuns que não utilizam de fumo ou bebidas alcoólicas por escolha própria que é um direito ou por algum problema de saúde e durante a gira as entidades trabalham da mesma maneira, respeitando sempre o seu médium. Pois incorporação é uma troca uma parceria entre médium e guia.

A entidade trabalha com ou sem fumo ou alguma bebida. Quem sabe trabalhar espiritualmente a entidade descarrega com um copo de água, com uma vela, com uma erva ou apenas com um passe magnético.

Entidades não carregam vícios. Não caiam nessa ah meu malandro só vem se tiver a Brahma dele hum..... Será mesmo o malandro? Meu tranca Ruas só vem se tiver o whisky dele.... Hum será mesmo o tranca Ruas?

Vamos buscar aprender, a Umbanda Caminha evoluindo, mas alguns médiuns insistem em regredir. Nunca um espírito de luz irá prejudicar seu médium porque ele não tem um charuto ou uma bebida ou por escolher não utilizar esses elementos em conjunto com sua entidade de trabalho. O guia respeita o médium e suas limitações, assim como o médium deve respeitar o guia. A incorporação é uma parceria entre médium e guia. Havendo sempre uma sintonia de lealdade e respeito.

Jefferson Santana.



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05/01/2020

As Fases da Maturidade Espiritual do Médium Umbandista

As Fases da Maturidade Espiritual do Médium Umbandista

Se descobrir médium nem sempre é algo tranquilo, na grande maioria dos casos a pessoa começa a se sentir a cereja no cesto de laranjas, tudo começa com o despertar consciencial, a pessoa começa a se sentir diferente em alguns ambientes, no contato com algumas pessoas, uns começam a ouvir vozes como se alguém tivesse murmurando no seu ouvido, outros começam a ver espíritos que vem e vão, outros a pressentir acontecimentos bem antes mesmo de acontecerem, poderia aqui numerar vários sintomas.

Quando esses sintomas vão se tornando mais ostensivos, a pessoa se nasceu em um berço espírita tudo fica mais fácil se não vai ter que ir buscar ajuda, uma dose de eletricidade acima do normal e descontrolada queima tudo dentro de casa, e uma mediunidade desequilibrada, sem acompanhamento provoca um estrago semelhante. Vários caminhos podem conduzir esse médium até que chegue numa casa espírita ou Umbandista, mas aqui vamos focar no médium Umbandista.

Lembremos que a mediunidade nos foi dada, como lenitivo, aprendizado e reforma, uma oportunidade para que através da prática da caridade e amor ao próximo poderemos nos curar a nós mesmos de nossas mazelas e resgates a serem cumpridos. Que essa trajetória seja antes de mais nada um auto descobrimento de nosso próprio EU.

A ANSIEDADE: Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração, e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso autônomo .

O médium quando chega na casa espírita no terreiro, fica ali na assistência muitas vezes fica angustiado, olha para um lado, olha para o outro, cruza as mãos, as pernas, não tem posição que o acomode, os médiuns vão passando por ele, o coração dele parece que vai sair pela boca, ele está tão ansioso que não quer perder um detalhe, observa tudo no terreiro, se perguntarem a ele quem pintou tal quadro no terreiro é capaz de dar o nome do pintor e até a data (rsrsrs), quando começa a gira então seu coração não está mais dentro do seu peito está ali pulando no chão como uma bolinha.
Nessa ansiedade toda, no transcorrer da gira, começa a se sentir estranho, mãos que suam, uns sentem um pouco de sonolência, tontura, o corpo que não para de tremer, arrepios que gelam, e ai vem o medo do desconhecido, e fica pensando o que vai acontecer agora comigo?

Logo é direcionado a estar passando para o passe onde poderá entrar em contato direto com o guia, suas pernas tremem, o guia já sabe o que ele está sentindo, já pega em suas mãos e o conforta, e as sensações vão se acalmando, na realidade se equilibrando entrando na frequência da energia do guia atuante, e começa a vir uma sensação confortável de paz.

É muito importante que o médium relaxe sua mente e corpo nesse momento, enquanto o guia está na aplicação do passe o consulente pode tranquilamente ir fazendo suas preces, ajudando ainda mais em toda troca energética, não se cobre tanto nesse processo, tenha tranquilidade, se concentre nas preces e orações, entrando na sintonia energética.

Infelizmente alguns processos não estão sendo realizados de forma adequada em alguns terreiros, muitos médiuns estão sendo introduzidos dentro de uma corrente espiritual sem antes passar por tratamentos e preparos adequados, e essa fase de equilíbrio é extremamente necessária para quando ele for de fato começar seu despertar consciencial (desenvolvimento mediúnico), um médium, eu costumo falar que ele deve passar por processos de higienização mental e corporal, assistir algumas palestras doutrinadoras, fazer limpezas energéticas com banhos e passes, para que ele fique o máximo em equilíbrio quando de fato for colocar sua roupa branca.

Equilíbrio gera harmonização e sintonia.

Passando por esse processo, ele futuramente será convidado pelo guia chefe a estar ingressando na corrente espiritual daquela egrégora.

Na minha humilde opinião como sacerdotisa acho de suma importância conscientizá-lo primeiramente de sua posição dentro da casa. Dentre doutrinas e regras frisaremos as três questões abaixo:
Ele será um instrumento da caridade dos espíritos na terra, e não o próprio guia encarnado. Essa colocação vocês irão entender mais a frente o porque dela.
Ser médium não implica ter comunicação num estalar de dedos, com os espíritos quando bem entender e como entender, os espíritos superiores não estarão a sua disposição para o café da manhã se é que me entendem. Lembrando que nossos guias e mentores tem tarefas importantes e cruciais espirituais e não estarão a nossa disposição para motivos fúteis.
O bom médium não é aquele que tem maior facilidade com os espíritos, mas sim aquele que trabalha sua reforma moral e se sintoniza com os bons espíritos. Isso é primordial, um trabalho diário de conscientização e harmonização consciencial que todo médium deveria ter.

Lembremos também que no transcorrer de nossa trajetória mediúnica passaremos por processos que irão nos transformar como pessoas, porque estaremos em estágios de aprendizado contínuo de reforma íntima e espiritual.

Então vejam que o trabalho mediúnico não é para o outro somente, é principalmente para nós mesmos, nos enriquecendo com os ensinamentos e experiências e nos tornando pessoas melhores. O MÉDIUM SERÁ O GRANDE INSTRUMENTO DE RESGATE DE ALMAS, MAS A ALMA MAIOR A SER RESGATA É A SUA PRÓPRIA. FRISE-SE.

O DESLUMBRAMENTO: Tenho observado esse aspecto como um grande problema hoje em dia, porque muitas vezes vem associado com a fantasia. O médium deslumbrado é aquele que não fala de outra coisa a não ser sobre os “seus” guias (SEUS?), sobre o terreiro, tudo para ele é algo fantástico, paranormal, se ouve um barulho diferente é o guia caminhando pela casa, se sonha é aviso, se acontece alguma coisa no serviço de errado, são espíritos nefastos querendo obsediá-lo, alguns médiuns nesse estágio inventam histórias que realmente acabam se tornando engraçadas de tão fantasiosas que são, já vi médiuns dizendo que foi plantar uma planta e seu caboclo estava ali todo sujo de terra escolhendo as sementes, outros que seu cosme vinha acordá-lo para trabalhar, outro que sua pombogira escolhia quem a pessoa deveria ou não namorar e ter um relacionamento, fora as supostas vidências, sensacionalistas, eu vi meu Ogum cavalgando com seu cavalo no meu quintal, você caro irmão (ã), poderá pensar … brincadeira né, infelizmente não é não, e se for alimentado tais deslumbramentos e ilusões o médium pode se caminhar para um fanatismo religioso, então o assunto é sério. Grande partes dessas supostas histórias são falsas, mas o médium acredita tão piamente no que criou em sua mente que para ele são reais.

O médium quando começa a dar tais sinais comportamentais, o dirigente responsável deve trazê-lo de volta a realidade, com doutrina e um bom diálogo, porque muitas vezes o médium age assim porque quer se sentir especial, isso é muito típico de médiuns novos, que querem mostrar aos irmãos de santo e ao dirigente o quanto seus guias são fortes e quanto sua mediunidade está aflorada e ostensiva. Um dirigente experiente lida com essas posturas com propriedade, mas deve tomar cuidado para que esse médium não se torne um problema perante seus outros irmãos de corrente, virando uma onda de fatos inusitados onde um tem algo mais sensacionalista para contar que o outro ou até mesmo virando motivo de chacota e piada. Nossos guias estão muitas vezes a nosso redor sim, mas cuidado para que a realidade não ceda lugar a histórias fantasiosas.

Uma outra observação, não utilizem o nome de seus guias para pendengas pessoais, não é bacana nem no mundo físico tais posturas imagina perante o mundo espiritual. Vamos ter condutas mais amadurecidas e responsáveis quando formos usar o nome de nossos guias e entidades. Eles merecem esse RESPEITO.

AMADURECIMENTO ESPIRITUAL, é extremamente necessário, para que esse médium também não vire motivo de chacota, deboche, não passe a ser desacreditado. Porque esse deslumbramento quando não coibido de forma correta, gera aqueles médiuns que não podem estar em um momento social, que acabam por fantasiar presenças espirituais onde não existem e pior alguns extremamente sugestionados acabam fingindo estar acoplados com espíritos em momentos não propícios como festas e eventos, é muito triste ver um médium se comportando assim, mas triste ainda é trazê-lo a realidade e perceber o desapontamento e a vergonha quando a ficha cai e o médium percebe que não fez um papel muito bacana. Detalhe, um guia sabe perfeitamente onde trabalhar e quando acoplar em seu médium não subestimem a INTELIGÊNCIA E SABEDORIA DE UM GUIA IDÔNEO.

O médium com o tempo ele vai se centrando, vai se amadurecendo, e com o tempo passa a se sintonizar com mais perfeição com seus guias, até chegar numa etapa que já pode ser trabalhado mais efetivamente como um médium de trabalho ou médium passista.

Neste momento, emoções controversas começam a surgir.

Quando é dado ao médium essa passagem de estágio mediúnico, logo vem outro sentimento A INSEGURANÇA, e o médium começa a pensar será que estou pronto? Será que não vou fazer asneira ou alguma bobagem? E se o meu guia falar algo que não acontecer e a pessoa vir e desacreditar nele e em mim? E se alguém desafiar meu guia? Perguntas compreensíveis de um médium RESPONSÁVEL, que tem muito medo de errar e falhar com seus guias e com seu terreiro.

Porque um médium irresponsável, alienado, daqueles que não tem nem dois meses na corrente e já colocaram como passista, não se preocupa com isso em momento algum, para ele o importante é aparecer dar ibope. Vergonha alheia.

Essas e muitas outras perguntas caem na cabeça do médium como marretas, o dirigente vai trabalhando o médium nessa fase, quanto a segurança, motivando sempre o médium estar se preparando quanto a estudos, limpezas, energizações para que o instrumento esteja o mais afinado possível para que o bom músico possa tocá-lo.

Sabemos perfeitamente que todo esse preparo é de suma importância para um bom acoplamento, esse preparo facilita a junção energética com o espírito do guia, para que essa terceira energia seja a mais perfeita possível, sendo forte o suficiente para que o assistido tenha o melhor atendimento.

A palavra chave para essa etapa fora é claro maturidade é CONFIANÇA, em si mesmo e em seu guia, SERIEDADE E RESPONSABILIDADE tendo plena consciência que estaremos lidando com sentimentos, vidas, e principalmente com a espiritualidade do outro, e isso é algo seríssimo. Uma palavra errada, mal colocada, pode desequilibrar a vida do consulente, então o médium deve ter muito cuidado e fazer de tudo possível para que seu acoplamento espiritual seja o mais perfeito possível.

Mas infelizmente alguns médiuns quando percebem que seus guias estão trabalhando bem, atendendo várias pessoas, começam a receber elogios quanto ao trabalho de seus guias, pessoas que vem e dizem que o guia a ajudou, que ela conseguiu uma benção etc, o médium se não se vigiar pode despertar A VAIDADE, ARROGÂNCIA, ORGULHO – o ego exacerbado pode levá-lo a achar que ele é quem está fazendo as graças acontecerem e não mais os seus guias, ou até mesmo enaltecer seus guias colocando os guias de outros irmãos e irmãs no terreiro como se tivessem abaixo dos seus, os desmerecendo, e isso é questão de tempo, gera conflitos, discórdias, fofocas, atritos, que poderiam ser facilmente evitados se tivessem sido observados por um olhar atento de um dirigente sensato e comprometido.

Outros simplesmente o fato de terem passado para passistas, se sentem SUPER IMPORTANTES, EGO INFLADO, e acabam voltando a estaca zero.

O Elogio ofertado para alguém que não tem sabedoria de o receber, é uma arma na mão do insensato.

Tais atitudes pode levar a queda desse médium, porque seus próprios guias vendo tal comportamento podem para lhe ensinar questões de HUMILDADE se afastar dele, e ele achando estar acoplado, passando até mesmo a mistificação, questão de tempo será desmascarado e desacreditado perante sua sociedade religiosa, mas essa e outras são as lições necessárias e duras que a espiritualidade proporciona a quem brinca com espíritos e mediunidade. E principalmente não sabe se colocar em seu devido lugar.

HUMILDADE, HUMILDADE, HUMILDADE esta palavrinha tão importante e essencial na vida de um médium deveria ser bordada em seu uniforme branco, como lembrete para que o médium nunca desviasse de seu propósito primordial FÉ, AMOR, CARIDADE.

Vamos agora falar do médium comprometido, sério, aquele que se dedica de corpo e alma no cumprimento de suas funções mediúnicas para o benefício de seu próximo, que toma seus cuidados diários para ser o melhor instrumento para seus guias.

Médiuns assim se dedicam em prol do amor ao seu próximo de corpo e alma.

Qual o médium que nunca sem querer acabou se envolvendo com o problema de um consulente? Ah… mas não pode fazer isso… Sim não pode, tem que ser evitado tal envolvimento. Mas sempre é possível? Não.

Qual foi o médium que nunca foi abordado após o trabalho por um consulente, sendo confundido até com o próprio guia? Muitos, ah mas não pode… MAS ACONTECE.

O MÉDIUM, ele não é um robô, uma máquina que não tem sentimentos, há casos que por mais que evite, ele acaba se envolvendo emocionalmente, se sensibilizando, e é nesse ponto que vamos tocar num problema muito comum, QUANDO OS MÉDIUNS SE SENTEM DEUS, o médium tem tanta fé, tanta crença em seus guias, que em algumas situações ele acha que pode consertar tudo, reformar tudo, salvar todo mundo, mas infelizmente quando isso não acontece, ELE SE FRUSTA aprendendo uma dura lição que por mais que seja um ótimo médium com excelentes guias, nem tudo ele vai conseguir ter um bom resultado, aprenderá que há leis espirituais que não podem ser rompidas, que mesmo que trabalhe muito, ore muito, nem sempre terá um bom resultado.

Aprenderá que terá situações que seus guias não irão poder intervir mesmo se tratando de si mesmo como seu instrumento, sim meus irmãos há situações que nossos guias não poderão intervir mesmo sendo para nós, porque mesmo o médium está sujeito as leis espirituais, ação e reação, causa e efeito, Semeadura, Merecimento, Retorno.

Nem sempre é fácil constatar isso não é mesmo? mas isso faz parte do trabalho de MATURIDADE ESPIRITUAL.

NÃO SOMOS DEUS, E NEM NOSSOS GUIAS O SÃO, E TODOS NÓS SOMOS INSTRUMENTOS DE UM PROPÓSITO MAIOR. MAS HÁ LIMITES ENTRE O CÉU E A TERRA, QUE SÓ DEUS PODE TRANSPOR.

Nem todas as pedras conseguiremos tirar do caminho do outro, algumas pedras serão pisadas, irão machucar os pés, mas só assim se aprende que elas podem machucar.

INGRATIDÃO: Alguns médiuns batem no peito e dizem: “…eu sei lidar com a ingratidão…” alguns aprendem com a experiência e a maturidade, porque é um fel amargo de se beber que o outro nos oferece, mas ele só é amargo se o engolirmos, não se esqueçam.

Ingratidão nada mais é que o amor que não retornou, que não foi retribuído, que foi ignorado e esquecido.

Está ai uma das lições mais difíceis para o médium aprender em sua trajetória e saber controlar seu emocional, o de aceitar que o outro oferece o que o seu coração está cheio. Simples assim. Perdoando, esquecendo, desapegando e seguindo em frente, há ingratos mas há pessoas justamente ao contrário que tem corações transbordantes de fé, amor, gratidão e por elas já basta para seguir em frente. Se policiem, se vigiem, é fácil quando vemos a ingratidão sendo dirigida ao outro, quando ela vem em nossa direção, é ai que entra e somos testados quanto a nossa maturidade espiritual.

RAIVA E VINGANÇA: aprendam essas duas não são boas conselheiras NUNCA, cuidado médiuns a quem muito foi dado a muito será cobrado, a magia é uma faca de dois gumes, se utilizardes de seus dons para o mal, irá pagar e irá sentir o gosto amargo da Lei do Retorno. Antes de fazer qualquer coisa contra seu semelhante, contra seu inimigo, pense e priorize sua alma primeiro, ela vale mais que seu inimigo então não a perca se sintonizando no mal. Pense nisso. Quando alguém lhe fizer muito mal entregue nas mãos do Pai Maior primeiramente e verá que sua defesa será sua fé, seus guias nunca deixaram descoberto em dias de frio. Mas haja de acordo com a Lei Sagrada de Umbanda.

Lembre-se que o maior escudo de um médium é ele se sintonizar nas forças da FÉ, DO AMOR E CARIDADE, se vistam com essas três roupagens, que vocês irão ver que seus inimigos nem o enxergarão, porque a luz do médium da luz cega quem está nas trevas.

VELHICE, SOLIDÃO E DESAMPARO: Está ai uma fase difícil, quando o médium envelhece, muitas vezes já não está tão atuante, e acaba sendo esquecido pela sociedade religiosa que ele ajudou a construir. Muitos irmãos e irmãs acabam ali abandonados por seus filhos no santo, que se alimentaram de seus conhecimentos e doutrinas e hoje com seus terreiros abertos nem lembram mais de seus pais e mães no santo, e isso é muito triste. Na nossa sociedade religiosa Umbandista nossos velhos devem ser reverenciados, respeitados, mostrando seriedade e comprometimento, respeitando nossos anciões estaremos fortalecendo nossa história, nossa egrégora espiritual, nossas raízes. Não precisa de muito, eles não querem ostentação, apenas uma frase: A benção meu pai, A benção minha mãe, estava com saudades, hoje eu vim te dar um abraço e dizer o quanto Te Amo e quanto você foi importante na minha trajetória, na minha vida.

UM BOM FILHO SEMPRE SERÁ UM BOM PAI.

Espero que esse texto ajude a trazer maiores esclarecimentos aos nossos irmãos e irmãs, que os novos entendam que tudo na Umbanda são etapas, fases a serem percorridas e vencidas, não as pule, todas são necessárias e importantes, e que os mais velhos se encorajem e que tenham paciência e amor pelos mais novos.

QUANDO O MÉDIUM SE COLOCA APENAS EM SER ÚTIL A SEU PRÓXIMO, PRESTANDO A CARIDADE QUE A ESPIRITUALIDADE E MEDIUNIDADE LHE CONCEDE, SE TORNA SOLO FÉRTIL PARA A SEMEADURA E COLHEITA DE BONS FRUTOS.

Cristina Alves





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Para um Tratamento Espiritual dar Certo

Para um Tratamento Espiritual dar Certo

Acredito que todo mundo já se deparou com aquele médium que reclama de tudo, que a vida não está boa, que o dinheiro está curto, que não consegue trabalho, que o relacionamento está indo de mal a pior eteceteras.

O que muitas vezes acontece com esse médium? porque de um lado vemos um médium próspero e do outro um médium que parece uma tartaruga emborcada que não consegue sair do lugar?

Cada caso é um caso, e deve ser analisado com critério. Mas um dos fatores que observamos a respeito dessas pessoas é que elas simplesmente OUVEM mas não ESCUTAM o que os guias as aconselham.

Um outro fato é que elas querem ser ajudadas mas não querem se esforçar para que isso aconteça. A muito comodismo, conveniência.

Muitas vezes um médium está em desequilíbrio pelas suas próprias escolhas e posturas perante a vida e nesse caso é preciso que ele esteja disposto a fazer concessões, reformas.

Eu costumo dizer que o médium é um imã quando está em desequilíbrio, ele simplesmente se auto destrói, quando os guias chefes de um terreiro e mesmo os guias do próprio médium percebem tais declínios, lhe manda mensagens pela boca de outras pessoas, por sonhos, por intuições. Um bom guia chefe nesse momento começa a orientar seu pupilo de algumas posturas e mudanças que deverão ser tomadas.

Médiuns devemos deixar claro e frisar, NÃO SÃO PERFEITOS SÃO FALÍVEIS.

A princípio dependendo do caso podem iniciar com banhos purificadores, equilibradores e mesmo de descarrego, podem pedir que se faça algumas obrigações religiosas, que se volte a prece, a vigília dos pensamentos, médiuns entendam e tenham certeza que somos nossos maiores algozes, muito antes de chamarmos para nós os inimigos espirituais, nós somos a porta que ficou entreaberta, nós permitimos os ataques por questões de sintonia e chamamento pelos nossos atos e pensamentos, condutas morais duvidosas.

A grande dificuldade de nossos mentores é que muitos médiuns nesses estágios, sei lá por ego, orgulho, arrogância, se cegam e simplesmente não fazem o que está sendo pedido, negligenciam suas próprias necessidades espirituais.

Muitas vezes o guia chega e orienta: meu filho, você entrará em preceito e em resguardo, durante esse período de tratamento se abstenha de comer carnes, ir em bares, igrejas e cemitérios, você irá preparar um bom banho energético da seguinte forma, e irá tomar no seguinte horário conforme estou lhe orientando. O médium na frente do guia ou mesmo do dirigente concorda e se predispõe a fazer, só que nos BASTIDORES, faz justamente o contrário e quando faz… faz de qualquer jeito, não utiliza o que foi pedido, faz as pressas, quando pior, acabou de fazer o que lhe foi pedido, já está indo para lugares carregados de energia negativa (ex. bares), na primeira indisposição familiar, já surta, xinga, pragueja contra si mesmo e o mundo etc.

Será que ele irá obter o resultado tão esperado? claro que não, tempo perdido.

Muito pelo contrário, acaba por desequilibrar ainda mais, o que todos os médiuns e mesmo consulentes precisam entender é que um tratamento espiritual só tem um bom resultado quando estamos realmente abertos de coração a sua realização. Um tratamento espiritual não tem muita diferença de um tratamento médico aqui do mundo terreno, se uma pessoa vai num médico e não toma os remédios e não segue as orientações adequadas para o tratamento acaba por arruinar ainda mais seu estado de saúde, é como aquele antibiótico que se não tomado na hora certa as bactérias que estão sendo combatidas, se tornam mais resistentes e mais fortes, agravando ainda mais o estágio da doença.

Um tratamento que um guia receita é algo muito sério, tem as precauções corretas as ervas certas de acordo com aquele filho e o problema, caso contrário é a mesma coisa de ir ao médico e passar com um mal médico. Um tratamento médico realizado por um dirigente que não sabe o que está fazendo pode ser ainda mais danoso, principalmente se ele usar de métodos que vão contra as prescrições e orientações dos guias e mentores. Métodos errados, canalizando energias que no lugar de trazer o lenitivo irão desequilibrar ainda mais o assistido.

Fora esses detalhes tem outras situações, a do médium simplesmente achar que tudo é espiritual e que o espiritual tem que resolver tudo na sua vida. Tem pessoas que vão no terreiro passam com um guia a busca de trabalho, só que não fazem um bom currículo, não buscam cursos de aperfeiçoamento em suas carreiras, não saem a busca de trabalho, muitas nem mandam currículo, acham que o Exú tal ou o Preto Velho X, vai trazer o emprego batendo na porta do cidadão. Pessoal nossos guias e entidades não são garotos de recados.

Como diz uma velha e sábia frase bíblica: FAÇA A TUA PARTE QUE EU TE AJUDAREI.

Os guias não estão aqui para viver a nossa vida por nós, e muito menos correr atrás de trabalho, de amor para ninguém.

Vocês não acham que é um tremendo desconhecimento espiritual achar que um exú e uma pombogira de lei, com todo o trabalho espiritual que possuem no campo astral, vão ficar correndo atrás de trazer a pessoa amada para quem quer que seja? Pensem.

Nossas guardiãs Pombogiras adoram sim tratar da parte emocional, sentimental, trazer o equilíbrio que muitas vezes falta, mas usá-las para trazer a pessoa amada ai já é negligenciar sua forma de atuação. Elas podem sim dar conselhos, trazer mudanças e conscientizações,mas não são alcoviteiros. Entidades que se prestam a tais favores honestamente não se enquadram num patamar de um exú e pombogira de lei, e muitas dessas entidades não são idôneas e cobram bem caro seus serviços, os quais quando acontecem de fato, duram pouco, ou quando duram condenam a uma vida de infelicidades e amarras, estou falando daquelas que fazem principalmente trabalhos de feitiçaria e amarração.

Sim, nossos guias estarão presentes nos nossos piores momentos, como um amigo consolador que cede o ombro para chorarmos e nos protegermos. Nos intuirão, darão sinais, quem tenha olhos que veja. Tudo fica mais fácil de ser enfrentado.

Eu como dirigente fico pensando o que faz um médium ter tamanha displicência em relação a um bom conselho, a um bom tratamento? Em muitos casos lhes fata FÉ VERDADEIRA E LHES SOBRA EGOÍSMO E VAIDADE.

E onde foi falado que ser médium é fácil? pois é, ser médium não é fácil, devemos muitas vezes dar até o que não temos em prol do nosso semelhante. Mas para isso devemos fazer todo o esforço necessário para nos mantermos em equilíbrio.

É muito fácil se manter em equilíbrio quando tudo corre bem, mas quando as coisas começam a não dar tão certo, e as provas da vida nos apresenta muitas vezes nossa Fé fica frágil e duvidosa, e é nessas horas que devemos nos silenciar e ter com nossos guias e mentores, elevar nossos pensamentos ao Pai Maior, é nessas horas que a oração deve ser mais insistente e forte, ao ponto de romper nossas muralhas intimas, até que o caminho se apresente e a resposta venha.

Muitos se revoltam contra Deus, eu orei e Deus não me ouviu, os guias não me ajudaram. Tenham certeza que a oração quando feita com fé é ouvida, e algumas coisas não podem ser mudadas, mas com certeza o alento virá de uma forma ou de outra.

Por essas e outras meus irmãos, antes de cobrar a assistência espiritual, antes de reclamar que nada caminha na sua vida, observe suas condutas e reveja se você está realmente fazendo sua parte, se você realmente está seguindo as orientações prescritas pelos guias e mentores, nossos guias querem o nosso melhor, mas infelizmente não podem infringir ao livre arbítrio no que condiz as nossas próprias escolhas.

Quando um guia lhe der um conselho, escute e acate-o da melhor forma, para que dessa forma mais a frente não lamente e nem tenha que ouvir a frase dolorida de UM TE AVISEI.

Muitas vezes os médiuns me procuram e falam, Mãe Cristina na minha casa não tem explicações, não tem palestras, não temos tratamentos, infelizmente acontece, mas veja não se pode dar o que não se tem, e não podemos tratar quando estamos enfermos também, o que dizer: PROCUREM UM BOM TERREIRO DE UMBANDA. ABENÇOEM E DESAPEGUEM.

Cristina Alves





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