2020 - Tenda de Umbanda Luz e Caridade - Tulca

07/10/2020

Guia Chefe



A mediunidade serve para que possamos crescer e ajudar outros a crescerem também, porque nos permite aliviar, através de nossa intermediação, (comunicações com os espíritos) as dores daqueles que nos procuram nas casas espíritas. A umbanda trabalha para caridade a fim de auxiliar a evolução espiritual própria e de outrem. A mediunidade deve se desenvolver adequadamente a fim de que nos tornemos aparelhos mais capazes para que os espíritos, na umbanda denominados de entidades ou guias espirituais, possam praticar os seus trabalhos espirituais.

Há diversas maneiras de se entender o tipo e a condição de trabalho da mediunidade e, consequentemente, do médium. Tais maneiras dependem sobremaneira da doutrina aplicada, no entanto, é fato que, por mais capacitado e mais estudado que seja o médium, ele sempre será um intermediário. A essência do trabalho caberá sempre ao espírito, à Entidade, ao Guia.

E uma das perguntas comuns recebidas é COMO SABER MEU GUIA CHEFE?

Cada médium tem sempre um espírito que é líder em seus trabalhos.

Que se apresenta mais e que responde mais vezes quando solicitado pelo médium. Todas as falanges de trabalhadores ligadas àquele médium estão “subordinadas” a ele. Este é o chamado “guia chefe”, “guia de frente” ou “chefe de cabeça”.

Em geral, é um caboclo ou preto velho, mas pode também pertencer a outras linhas em casos específicos.

O Próprio guia de frente deverá se apresentar. É um erro comum tentar prever isso em algum momento, ou o médium ou zelador tentar “forçar” que seja esta ou aquela entidade, por questões de afinidade.

Percorrendo nossa caminhada espiritual enquanto médiuns iremos nos encontrar com vários espíritos trabalhadores que influenciarão muito em nossas vidas. Todos os guias em que vibramos, incorporamos e/ou conhecemos são com certezas muito importantes pra nós, mas quase todos os médiuns em iniciação ou desenvolvimento buscam encontrar o que seria o guia chefe ou o mentor, que nos acompanha desde o dia de nosso nascimento e o espírito que nos acolherá em nosso desenlace.

Mas o que seria um GUIA CHEFE? Todos nós nascemos completos e viemos a Terra com missão pré-determinada pela espiritualidade superior. Somos escolhidos por nossos ORIXÁS (pai e mãe de cabeça e Orixá ancestral).

Nossos ORIXÁS são força vital que mora em nossa essência e em nossa genética espiritual está presente em todas as nossas encarnações. Somos energia em movimento. Somos a água das senhoras Yemanjá, Oxum, Nanã ou somos o fogo de Xangô, ou a força dos ventos e tempestades de Oya, ou o firmamento de Oxalá e essa força reside em nós influenciando nossa personalidade, nossas características físicas, etc...

Nossos guias chefes são espíritos que, ao contrário de nossos orixás, já foram seres encarnados, viveram nesse plano de existência, para a partir das experiências obtidas em suas passagens terrenas por evolução espiritual ocupam hoje a posição de mestres ou mentores. Esses mestres ou mentores esgotaram suas necessidades de encarnação e hoje divinizados tem missão maior. Dirigem a espiritualidade dos encarnados que escolheram para guiar. Nossos guias chefes podem ser caboclos ( de couro e de pena) , pretos e pretas velhas, e em alguns casos inclusive ibejis (crianças do astral). O que determina a possibilidade de um espirito se tornar um GUIA CHEFE é a filiação desse espirito a uma falange de trabalho espiritual, alcançar a evolução necessária e receber da espiritualidade a missão de conduzir um médium. Essa condução começa na Infância e acontece através de sonhos e não é incomum que o médium lembre de instruções ou intuições passadas pelos seus mentores enquanto criança.

Chico Xavier fala da missão de nossos mentores/guias chefes: “O mentor é um espírito que se comprometeu com o trabalho espiritual do médium, dedicando parte do seu tempo para preparar o médium para sua tarefa, trabalhar ao seu lado e fazer o possível para protegê-lo do contato com as energias degradantes do astral inferior.”

Em algumas casas, os médiuns trabalham somente com os guias chefes. Mas é perfeitamente possível que um médium trabalhe com entidades de todas as falanges.

Como conhecemos nosso GUIA CHEFE? Isso vai depender da sua casa Umbandista. O mentor já interage em nossa vida espiritual como explicado anteriormente, mas é no processo de desenvolvimento mediúnico que vão surgindo as primeiras manifestações desse guia que por serem ou muito intensas, ou muito brandas destoam totalmente das manifestações dos outros guias. Nessa fase eles se comportam de forma diferenciada, cuidando muito mais de sintonizar a energia do médium. No momento apropriado esse médium irá passar por rituais internos que preparam o físico, o mental e o espiritual para esse primeiro contato pleno onde o GUIA CHEFE traz seu nome , seu ponto riscado e cantado para a partir desse momento ser reconhecido pelo médium e por todos como o responsável junto com os ORIXÁS e a egrégora da casa escolhida pelo médium para conduzir sua caminhada espiritual.

A maioria dos médiuns gosta mais de trabalhar com seu guia chefe, devido a essa afinidade. Isso é muito comum. Errado é impedir que outras entidades trabalhem só porque você gosta mais de uma delas. Quase todo médium tem mais afinidade com alguma falange específica de trabalhadores, ou com um determinado guia espiritual. O que não pode acontecer é deixar a vaidade sobressair as questões da espiritualidade.

A entidade Guia Chefe de Cabeça é responsável pela nossa evolução espiritual, cuidando de nos ensinar, doutrinar e guiar dentro da espiritualidade, sempre que buscamos tais atributos. Sendo também o ordenador de toda a nossa trama de guias, pois as demais entidades – “de direita e de esquerda” – submetem-se à sua autoridade que é exercida de forma totalmente pacífica e serena, sem conflitos. Cabe esclarecer ainda que podem não ser necessariamente da mesma linhagem desses Orixás, ou seja: um filho de Xangô com Oxum pode ter como guia chefe de cabeça um caboclo de Oxóssi ou um Preto Velho de Ogum. Isso não interfere em nada.

Autoria desconhecida




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13/09/2020

Amar e Ser Amado pelo Divino





Eu vou contar a historia
De minha avó, que é algo 
Que sempre me tocou muito.


Quando eu era pequena 
Minha avó era mãe de Santo
E todos sabiam que era filha de Oyá,
Porém eu sempre reparava
Que ela nunca tirava o fio
De contas douradas do pescoço,
Usava Idés e tudo mais,
Então um dia enquanto ela 
Se arrumava eu perguntei:


🌼— Vó, porque a senhora sempre usa fio de Oxum e idé dourado? Ela não é sua santa, então porque disso?


Ela, uma negra retinta
De baixa estatura
E de feições delicadas como 
As de uma boneca 
Mesmo ja sendo idosa 
Sacudiu os pulsos e as pulseiras douradas
Que usava tilintaram,
Sorriu para mim e se sentou
Do meu lado, ali contou a historia.


Era o ano de 1945
Quando minha bisavó, dona Cleuza,
Veio da Bahia para trabalhar 
Em uma fabrica em São Paulo.
Hoje a fabrica já é extinta
Mas na época todos conheciam
A grande tecelagem
Mariângela do bairro Brás,
E lá ela trabalhou muito.
Na mesmo epoca
Conheceu meu bisavô,
Seu Jarbas, ele era de Pernambuco
Mas estava em São Paulo
Para trabalhar na construção Civil.
Ele se casaram e
Em 1948 ela ficou gravida,
A fábrica deu-lhe uma licença
E ela foi ter o bebê.
Naquela época não havia SUS,
E minha bisavó acabou não tendo
Nenhum tratamento pré Natal,
Na época isso nem existia
E mesmo se existisse
Não estaria disponível a uma mulher
Preta e pobre. 
O jeito foi ir parir na 
Santa Casa de Misericórdia,
As freiras não eram racistas o suficiente 
Para negar atendimento 
A uma parturiente,
Então lá nasceu minha avó.
Nasceu quieta, flácida,
Não chorava nem se mexia
E nem sequer consegui mamar,
Ficava imóvel e de olhos fechados
Como se fosse morta.
Minha bisavó se desesperou 
E perguntou aos médicos 
O que a criança tinha
Mas eles não deram muita bola,
Fizeram alguns exames básicos e disseram
Que ela não sobreviveria.
Um bebe preto e filho de nordestinos
Não trazia aos doutores interesse.
Vovó ainda estava viva mas 
Eles já tinham dado a ela a
Sentença de morte. 
Minha bisavó, uma baiana muito arretada
Não aceitou ver a filha morrer 
Naquele hospital sujo,
Então pediu para ir embora com o bebê.
As Freiras disseram que não podia
Tinha a restrição medica de ficar 
Pelo menos mais um dia internada,
Mas minha vó fez pé firme,
Então elas disseram que "tanto fazia".
Foi assim que minha bisavó 
Saiu do hospital poucas horas depois do parto.
Como ela teve forças pra sair correndo 
Logo depois de parir?
Eu não sei, mas aquela mulher 
Era fantástica e fez isso.
Minha bisavó era do santo 
Na Bahia foi iniciada para Oxum,
Era uma Ekeji,
Então assim que saiu do hospital 
Disse a meu bisavô que precisava 
Levar o bebê para um terreiro.
Mas que terreiro?
Vocês hoje em dia jogam na internet 
E ficam sabendo onde estão as coisas
Mas naquela época nem celular existia,
E os terreiros era tão poucos na cidade 
De São Paulo
Que ela não conhecia nenhum.
Pegaram o ônibus para a Zona Norte 
Ele fazia sua parada final na perto 
Do Tucuruvi.
E ela veio rezando o caminho todo,
Embalava a filha nos braços, 
Um bebe semi morto.
Desceram no Tucuruvi 
E tomaram um carro de aluguel 
Pois moravam pro fim do Tremembé
La pra aqueles lados que eram 
Fazenda de japoneses.
No meio do caminho minha bisavó 
Fechou os olhos e com toda a fé 
Que tinha rezou.


"Minha mãe Oxum me ajude, salve me meu bebê, eu sei que a senhora pode, só a senhora pode... me ajude minha mãe, me de um sinal... eu não posso enterrar minha filha, eu preciso que ela viva..."


Meu bisavô nao era da religião
Mas ainda assim cutucou o ombro
Dela e apontou para a janela do carro 


👤— Cleuza olhe ali, aquilo não é gente de macumba? 


Ela olhou para fora 
E lá estava um pequeno grupo 
De pessoas vestindo roupas brancas,
Eles iam levando um balaio de pipocas,
Era um Sabajé.
Minha bisa gritou para o motorista parar
E desceu do carro correndo
Deixando meu bisavô para trás para 
Pagar o motorista.
Ela chegou esbaforida
Até aquelas pessoas e perguntou
Se eram de algum terreiro,
Elas a olharam torto, 
Tinha muito preconceito
Com candomblé na época
Então eram arredios em dar endereços,
Mas ela Mostrou o bebê que 
Trazia nos braços 
E depois mostrou as marcas de cura
Que tinha nos ombros
E contou que precisava da ajuda 
De mãe Oxum.
Aquelas Iyawos estavam passando ali
Por um acaso,
Havia uma comunidade de baianos
Do outro lado do bairro 
E elas so estavam pra aquele lado
Porque uma delas sentiu no coração 
De ir para la, para aquelas ruas de terra
Onde o povo as olhava feio
Como se elas fossem o próprio diabo.
Quando ouviram a história 
Que minha bisavó contou
Nem perguntaram muito mais,
Depois de ver a criança 
Entenderam que era tudo providencia 
Do Orixá.
Elas e meus bisavós saíram correndo
E dois quarteirões a frente
Entraram em uma vielinha,
Chegaram na porta do terreiro,
Uma casinha pequena sem nem reboco.
Quando chegaram chamaram
Pela mãe de Santo 
E logo uma mulher corpulenta
Com roupas de baiana
Apareceu na porta.
Minha bisavó rapidamente
Desatou a falar contando a historia,
Esperava receber da mãe de santo
Alguma palavra de auxílio
Ou pelo menos de conforto,
Porém imediatamente se calou
Quando a gritaria começou.
Vocês devem estar se perguntando
Que gritaria foi essa,
Mas o que acontece foi que
Todas as pessoas da casa incorporaram
Seus Orixás de uma só vez
E os Orixás gritaram seus "ilás",
Isso só acontece quando a 
Sacerdotisa lider d casa incorpora,
Os Orixás de seus filhos vem em respeito 
Ao Orixá dela, que é mais velho,
Então minha mãe ergueu a cabeça
E olhou para a mãe de Santo,
Ela estava ali com uma expressão 
Serena, os olhos fechados e 
Estendeu as mãos pedindo
Para segurar o bebê.
Nesse momento minha bisa 
Não conseguiu dizer
Nenhuma palavra compreensível,
Ao ver o fio de contas no pescoço 
Da mãe de santo ela soube 
Que Orixá era aquele,
A própria Oxum estava ali.
Minha bisavó foi tomada por
Uma emoção tão grande
Que apenas tentava falar 
Mas chorava demais para ser entendida.
Oxum deu um passo a frente 
E tomou os bebês nos braços,
Segurou com um e com o outro 
Abraçou a minha bisavó.
Coitada, estava tão abalada
Que apenas deixou Oxum a guiar
Para dentro da casa.
Uma outra mulher chegou apressada,
Era uma Ekeji, ela foi desvirando o povo
E depois foi ajudar Oxum.
A Orixá pediu para entrar 
No quarto dos assentamentos,
E quem é do santo sabe que esse 
Quarto é sagrado no terreiro,
Nao é aberto a qualquer um
Mas ainda assim 
Oxum mandou abrir o quarto 
E todo mundo Daquela casa
Entrou naquele pequeno cubículo,
Era pelo menos uma dúzia de pessoas e
Até meu bisavô que não fazia 
Idéia do que estava acontecendo 
Se enfiou lá.
Ali haviam prateleiras com 
Varios assentamentos 
Mas o maior era um de louça Branca,
O assentamento da própria Oxum.
Ela mexeu nas louças e tirou 
Uma tina que ficava sob elas,
Colocou no meio do quarto 
E então cochichou algo para a ekeji,
Logo a mulher voltou com uma moringa 
E encheu a tina de água.
Todas as pessoas observaram em silêncio,
Oxum se ajoelhou,
Desenrolou o bebe da manta
E o colocou dentro da água fria.
O bebê parecia morto,
Roxo e mole.
Oxum fez sinal para minha bisavó,
Levou uma mão a própria boca 
E minha bisa entendeu que ela dizia "cante".
Sim, quem é do santo sabe
Que o cantar é o mesmo que rezar.
Minha bisavó com voz embargada
Começou:


"Oro mi má, oro mi má ó, oro mi má ó abado o ieiê ô"


Sim eu sei que ela cantava errado,
O Yoruba estava torto, mas ela cantava 
Com toda a fé que tinha no peito.
O povo ali juntinho no quarto 
Começou a cantar junto
E logo como um coral eles
Entoavam esta e várias outras cantigas
De louvação a senhora das águas doces.
Oxum mantinha o bebé na água,
Com uma mão apoiava a cabecinha,
Com a outra ia molhando o corpinho
Com toda a delicadeza.
A cantoria continuou por algum tempo 
Até que foi interrompida por um som,
O choro do bebê.
Minha bisavó ficou tão emocionada
Que acabou tendo um desmaio,
Mas logo que se recobrou
Oxum entregou para ela a criança,
Um bebê firme, de olhos abertos 
E sedendo por leite.
Ela desabotoou a camisa 
E pôs o peito pra fora,
Na hora o bebê pegou e mamou.
Estava viva, a criança 
Estava viva e bem.
Oxum tirou um de seus colares 
Do pescoço e dando várias voltas
O colocou no pescocinho 
Do bebê, beijou aquela
Cabecinha frágil e então partiu.


Minha bisavó nomeou minha avó 
De "Conceição" para homenagear Oxum,
Ela na época achava que Oxum
Era o mesmo que Nossa Senhora da Conceição,
Sabe como é, coisas de gente antiga
Sem muita compreensão.
Mas uma coisa é certa, 
Oxum deu a vida a minha avó,
Ela nasceu realmente naquela 
Tina de água,
Nas mãos de Oxum.


Quando ficou adulta 
Vovó foi iniciada para Oyá Onira,
Era uma Iyansã belissima a dela,
Orixá que ela amava muito,
Mas sempre que perguntavam
De quem ela era filha ela dizia
"Sou de Oxum com Oyá"
Pois foi Oxum quem lhe deu
A graça de viver. 
Ela abriu casa e se tornou 
Iyalorixá, por toda a vida
Zelou pelo santo.
Em 2014 ela já era idosa
Quando foi diagnosticada com
Demência senil, que é quando 
O idoso começa a perder
A capacidade intelectual.
Por três anos lutamos atrás 
De uma cura
Mas essa condição é considerada
Algo natural, não é uma doença,
É simplesmente algo que pode acontecer.
No fim do ano de 2017
Os problemas mentais começaram 
A atingir o corpo em forma de síndromes,
Após tres AVC's e múltiplos 
Fatores recorrentes
Os médicos liberaram vovó 
Para passar seus últimos dias em casa.
Minha mãe não teve esse interesse
Em ser do santo
Mas eu sim, trilhei os caminhos de vovó 
E me tornei Iyalorixá, 
Aqui na mesma casa que foi dela,
Uma casinha pequena que alguns 
Até chamam de beco
Por ser humilde e por ainda
Ter alguns costumes referentes 
A crença de minha avó, dona Conceição.
Era Dezembro, época que eu toco 
A festa das Iyagbás,
E como sempre o pessoal do bairro veio,
E dessa vez vieram pessoas 
Que eu não conhecia, 
Um rapaz se destacava,
Um negro enorme, 
Lindo de olhos verdes.
No meio do Xirê ele recebeu seu Orixá
E para minha surpresa 
Aquele homenzarrão era
Filho de mãe Oxum.
Na hora que ele incorporou
Não se juntou aos outros Orixás na roda,
Não, ele simplesmente saiu do terreiro
Pela porta lateral.
Eu corri atrás, 
Pensei que Oxum estava procurando 
Um lugar para se trocar,
Me envergonho em dizer que até 
Suspeitei que o rapaz estava de ekê,
Mas não, Oxum simplesmente seguiu 
Para fora, atravessou o corredor 
Até chegar nos fundos 
Onde fica a minha casa
E ficou parada diante da porta 
Esperando que eu abrisse.
Eu estava achando estranho
E expliquei a Oxum que ali
Não era parte do terreiro,
Mas ela de modo impaciente 
Fez gestos para que eu abrisse logo
Aquela porta.
Assim eu fiz, abri e ela entrou,
Ali na sala de casa
Estava vovó sentada na cadeira de rodas
Vendo televisão com os olhos vidrados.
Sabe, vovó já não reconhecia a gente,
Era como se fosse uma casca vazia,
Mas quando Oxum se aproximou 
Ela ergueu a cabeça e sorriu, 
Com a voz fraquinha Disse "mãe..."
O rapaz era forte, com um único movimento 
Pegou minha avó no colo 
E caminhou de volta para o terreiro.
A Oxum dele dançou todo o rum 
Com vovó em seus braços,
A embalando como um bebê.
Foi uma alegria só,
Todo o povo a conhecia 
E lhe davam comprimentos,
Vovó estava tão bem 
Que até comeu o Ajeun conosco,
Oxum a sentou na cadeira 
De mãe de santo e ali vovó 
Riu e brincou,
Reconhecia cada pessoa de nossa
Comunidade como se nunca 
Houvesse ficado doente.
No fim da noite
Oxum levou vovó devolta para casa
E a colocou na cama,
Deu nela um abraço 
E depois partiu, então 
A Orixá deixou o corpo do rapaz.
Minha velha estava outra pessoa,
Estava lúcida e sorridente,
Conversou comigo como 
Nos tempos de outrora. 
A festa acabou, o povo se despediu
E eu e meus filhos colocamos 
O terreiro em ordem.
Passamos a madrugada na faxina,
Já estava amanhecendo quando
Eu voltei para casa
Para ver como estava vovó.
Ela estava com os olhos fechados
E uma expressão serena,
Havia falecido durante o sono.
Eu tenho muito orgulho 
De ser mãe de Santo como ela foi,
De reinar nessas paredes
E de saber que ali atrás 
No quarto dos assentamentos 
Tem até os dias de hoje
Dois Ibás gêmeos 
Um do lado do outro 
Montados da mesma maneira,
Do lado direto um de louça amarela 
E do esquerdo um de louça cor de rosa,
Os Orixás de minha avó.
É história de minha velha,
É a história de uma mulher 
Que amou e foi amada pelo divino.


Contos de Terreiro, dramatização: Felipe Caprini




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30/07/2020

O Seu Pai de Santo Também Existe

O Seu Pai de Santo Também Existe

Então você quer abandonar o Terreiro porque o seu pai de santo não foi lhe visitar?
Quer sair porque ele não pode lhe atender?
Está chateado porque ele falou algumas verdades que doeram?
Falou mal do terreiro porque foi cobrado nas suas obrigações?
Falou mal do terreiro porque acha que o pai de santo deveria conduzir a casa de outra forma?  E somente depois de tanto tempo na casa você observou isto?
Falou mal do pai de santo porque ele manteve rédea curta para manter a ordem?
Está chateado porque seu pai de santo deu a um irmão função mais elevada do que a sua?
Hum! quer sair do Terreiro porque seu pai não pôde lhe atender ao telefone naquele dia?

Sim! mas por favor responda:

Quantas vezes você visitou o seu pai ou mãe de santo sem funções ou algo relacionado a sua vida espiritual?

Quantas vezes você, pelo menos, ligou ou mandou uma mensagem para saber como o seu pai ou mãe de santo está?

Quantas vezes você deu um abraço no seu pai ou mãe de santo e disse: Estamos juntos?

Quantas vezes você deixou o julgamento de lado para ajudar no que for preciso?

Você sabia que o seu/sua zelador(a) é tão humano quanto você?
E as vezes precisa de colo e apoio como você?

A diferença é que você se preocupa apenas com os seus problemas, e ele com os problemas de todos!
Ele também sente vontade de parar, de desistir! Quantas noites ele não deitou a cabeça no travesseiro e pediu para largar tudo, mas desistiu porque tinha você para cuidar?
Quantas vezes ele se pôs em frente ao Sagrado e disse não ter condições de continuar, mas não parou porque sabe que você precisa dele?
Quantas vezes ele se questionou se estava fazendo o certo?

Isso você não sabe.

Ele também sofre, também chora.
Ele também se sente desestimulado, desvalorizado.
Só que ele esconde as lágrimas quando senta a sua frente para abençoar e encorajar você! Ele engole as suas dores para ouvir as suas. Ele esquece seus problemas para aconselhar nos seus. Ele deixa a sua família, para cuidar da sua.

Ele esquece sua vontade de parar enquanto lhe direciona de forma entusiasmada, para que você não pare!

E ele fica feliz quando te vê andando no caminho certo. Ele se alegra com suas vitórias.
Mas você se lembra de ligar ou mandar mensagem falando o que conquistou? Você se lembra de dedicar a ele um momento de oração? Você se lembra de compartilhar suas alegrias com ele?

Ou ele só te serve como uma tábua de lamentações?

A verdade é que a maioria, assim como você, que está lendo essa mensagem, pensa que o seu Pai ou mãe de santo são superiores, super heróis. Mas não, eles não são.

Ame o seu Pai ou mãe de santo. Afinal, eles são a sua família espiritual e tal qual seus pais carnais, estão para ajudar você a caminhar. A seguir em frente.

Ajude o seu Pai ou Mãe de santo se eles precisarem. Se preocupe.

Seja amigo do seu Pai ou mãe de santo.

Seja um achador de soluções, não um criador de problemas. Ou se não puder achar soluções, seja um ombro amigo. Seja acolhedor.

Seu Pai ou Mãe de santo também precisa de você!

Um zelador tem suas obrigações espirituais, e precisa cumpri-las, mas cabe aos filhos de uma casa darem valor a quem cuida das vossas cabeças, cuida do seu espiritual, cuida do seu sagrado.

Autor desconhecido





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16/07/2020

Homenagem Tulca à Mamãe Oxum 2020

Salve o dia 16 de julho! Dia de louvar Mamãe Oxum e dia do aniversário de 9 anos de fundação da Tulca! Orayeyêo doce mãezinha...





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06/07/2020

Toques de Preto Velho

Toques de Preto Velho

Meu filho, com esses olhos, “que a terra não comeu”, pois são olhos espirituais, reais, já vi muita coisa. Algumas boas, outras nem tanto, e mais outras que não vale a pena contar. O que passou, passou mesmo. O que ficou foi a experiência das diversas vidas na carne, aliás, muitas delas, tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes.

O que ficou foi o aprendizado e o conhecimento de como é o coração dos homens e suas emoções e vontades. Aprendi a ler a verdade de cada um, por dentro, lá na toca das coisas que não se falam, e que todos escondem muito bem.

Tem muita zica dentro dos corações, meu rapaz. É rolo que não acaba mais!
E coração rançoso e rancoroso, você sabe como é que é, está cheio de irmãozinhos das trevas agarrados nele. Eles se alimentam das emoções podres e dos pensamentos maldosos. E a zica é tanta, que só a pessoa rancorosa é que não vê a energia que está perdendo.

Menino de Deus, como os homens sofrem por causa das emoções podres!

Igualzinho ao corpo carnal, que pode apresentar escaras na pele, devido à falta de movimento em alguma área, o corpo espiritual também tem suas escaras astrais. Porém, essas são causadas pelas emoções podres, estagnadas no meio da alma atormentada e sem centro espiritual.

Falta movimento sutil ali! Falta vergonha na cara para acertar o passo!

Muito disso vem de outras vidas, são escaras do passado, de coisas mal-resolvidas, ainda alojadas no corpo espiritual. Mas, muita coisa é de agora mesmo, é coisa podre dos dias atuais. E o mal-cheiro psíquico exalado atrai os espíritos atormentados e atormentadores, que ficam agarrados em penca na aura da pessoa.

Isso é uma tragédia invisível! É uma doença psíquica que amarra os encarnados e impede os desencarnados carentes de seguirem em frente.

Nosso Senhor Jesus Cristo avisou muitas vezes sobre isso. Ele disse: “Orai e Vigiai!” – Ele sabia do mal que as emoções podres fazem no ser humano.

Todavia, muitos oram de forma egoísta e mecânica, sem coração e sem alma, e outros nem isso fazem, passando ao largo das boas vibrações que poderiam ajudá-los e fortalecê-los. E os que vigiam, raramente se olham por dentro, pois policiam muito mais a vida alheia, e não foi isso que Nosso Senhor ensinou.

Meu amigo, tem tanto espírito agarrado nas pessoas, que há horas em que você não sabe mais quem é quem, de tão entranhados que estão. É um fuzuê energético na aura desses infelizes. Ô coisa feia de se ver!

Mas Nosso Senhor é de uma compaixão infinita. Sob o seu comando, legiões de espíritos de luz vêm ajudando os homens nessas lides do invisível. Sem eles, isso aqui já teria ido para o beleléu! São eles que deslindam as ligações psíquicas daninhas e levam os irmãozinhos das trevas para o Espaço, para serem tratados pelos médicos da luz.

Esses irmãos da luz são os verdadeiros anjos da guarda da humanidade. Pena que os homens se esquecem tão facilmente das bênçãos que recebem. Esses guias e benfeitores espirituais são os trabalhadores de Nosso Senhor, não importa a linha espiritual à qual laboram. Sempre agradeça a eles, pela proteção e luz.

Todavia, se os guias espirituais ajudam, também é verdade que os homens precisam fazer sua parte. Que vigiem e orem, e exorcizem as emoções podres de seus anseios. Que renunciem aos desejos torpes de vinganças. Que esqueçam as ofensas e se dediquem a alguma causa nobre e verdadeira.

Ninguém é vítima do destino! Todos são passíveis de falhas na jornada, como também de atos elevados. E todos são capazes de seguir em frente...

Tem muito coração “zicado” nessa vida dos homens terrestres, e muitos espíritos zangados na cola deles. Ainda bem que, lá da Aruanda, vem aquela luz que ilumina a fé dos filhos que querem a cura do próprio espírito.

Como você escreve sobre as coisas do espírito, fale para as pessoas daquela chuva de luz que os guias produzem sobre as cabeças dos filhos que se esforçam na senda da luz e do bem. Aquela luz de Aruanda... Aquele amor que cura o coração.

Fale das egrégoras invisíveis que sustentam os bons pensamentos e os bons ideais, para que muitos outros se liguem a elas e se protejam das vibrações pesadas.

Filho, olhe essa estrela sobre a sua cabeça. É linda e brilhante. Você sabe o significado dela, e sabe quem a enviou para iluminar o seu caminho. Pense que o brilho e a proteção que dela emanam possam ser irradiados para outras pessoas.

Que Oxalá abençoe as pessoas zicadas e as cure do mal que trouxeram para dentro de si mesmas. Que Ele propicie um momento de despertar para elas.

Fique na paz de Nosso Senhor!

Na luz de Aruanda.

Na fé!

Pai Joaquim de Aruanda 
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges)





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A Missão

A Missão

Meu filho, você vai encarnar e levará consigo a condição de ser um médium umbandista. Talvez você desista antes de começar, afinal muitos fazem isso por medo. Caso aceite a tarefa, esteja preparado para dividir suas energias com os necessitados, para sofrer com as dores dos outros e ser atacado pelos desafetos espirituais dos que lhe pedirem ajuda. É possível ainda que depois de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para resolver os problemas dos que lhe procurarem, as pessoas lhe virem as costas quando o necessitado for você.

Tudo isso faz parte dessa missão que nosso Senhor Oxalá lhe oferece como dádiva. Se Ele mesmo foi à cruz quando veio em Terra com o nome Jesus, o que se pode esperar para quem deseja servir o Supremo Mestre? Somente renúncia, sacrifício e dificuldades esperam os médiuns da Luz Maior.

Todavia, por esses dolorosos meios você também encontrará a felicidade incomparável de se sentir um espírito eterno, liberto dos flagelos do egoísmo e da vaidade decorrentes do apego ao mundo da forma. Essa é sua grande oportunidade de se libertar dos karmas negativos do passado.

Sendo você vencedor de suas próprias tentações e fraquezas, consolidará definitivamente a semente do Bem que plantamos no seu coração e na sua alma.

Vai, filho, seja fiel ao seus guias e estaremos sempre contigo ao longo de tua existência na carne até que possamos nos encontrar novamente em espírito e verdade diante dos portais de Aruanda...

Autor desconhecido





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25/06/2020

A Mediunidade de um Criminoso

A Mediunidade de um Criminoso

Mais de um ano se passou da prisão de um homem, médium conhecido como de cura, acusado de praticar vários crimes, como abusos sexuais, falsidade ideológica, corrupção de testemunha, coação, posse ilegal de armas, condenado a 60 anos de prisão, com mais 10 processos em andamento.*

Este texto surge de uma pergunta que não quer calar: como um médium desvirtuoso e criminoso pode favorecer a cura de milhares de pessoas, segundo depoimentos dos que alcançaram a cura ou dos que conhecem alguém próximo que foi favorecido pela intervenção deste médium?

Na população mundial não falta sugestões:

Uns simplesmente não acreditam em cura. 

Outros acreditam, desde que separem o médium do homem criminoso, como se um pudesse sobreviver sem o outro em um mesmo contexto de serviço mediúnico. 

A medicina explica, sem pesquisa de campo comprovada, que os que alcançaram a cura não tinham doença física de fato e sim doença psicológica, que é mais fácil de apresentar resposta favorável por sugestão e indução.

Vamos primeiro entender o que é mediunidade:

Mediunidade é a capacidade de ser intermediário entre dois planos, o material e o espiritual, é uma faculdade inerente ao ser humano, tão natural quanto os seus cinco sentidos conhecidos, sendo que em algumas pessoas apresenta-se de forma mais ostensiva do que em outras, porém todos são médiuns em diferentes graus e tipos de mediunidade, independente da religião que professa ou conduta moral.

Diante do conceito acima, se todos são médiuns, entende-se que existem médiuns moralmente decaídos, mau caráter, charlatões, bandidos, etc. Como existem médiuns de conduta ilibada, virtuosos e confiáveis. As pessoas são diferentes, os médiuns são diferentes, todos carregam a mesma essência como pessoa e como médium, por isto não podemos, como pensam alguns, separar o médium do homem criminoso, para justificar as suas curas.

Então, ainda insistimos na pergunta que não quer calar: como um médium com conduta criminosa pode efetuar curas milagrosas?

Já sabemos o que é mediunidade, agora vamos refletir quem são os espíritos  que se utilizam desta mediunidade:

Os espíritos, quando desencarnam, carregam a mesma bagagem moral de quando encarnados. Existem os espíritos bons, da luz e também os maus, das trevas. Eles vão se ligar aos médiuns de acordo com a sua semelhança, questão de sintonia. É impossível para um espírito da luz sintonizar-se com um médium com condutas trevosas, da mesma forma, é impossível a um espírito trevoso sintonizar-se com um médium do bem.

Diante do exposto acima, concluímos que os espíritos que assistem o médium criminoso são espíritos do mal. Como assim??? Um espírito do mal pode fazer um bem, uma cura? Pode. 

No mundo astral existem verdadeiras organizações trevosas, composta por espíritos comprometidos em dominar o mundo, são espíritos altamente inteligentes, dentre eles também existem os que na terra foram cientistas, médicos, filósofos e toda uma gama de atribuições para desenvolver um plano de domínio e de poder sobre a maioria. A organização criminosa do astral se sintoniza com a organização criminosa terrena através dos seus médiuns.

Os trevosos para iludir os menos atentos, se passam por espíritos bem conceituados e da luz, usam o seu nome e operam "milagres" com os seus conhecimentos de medicina. A cura aparente existe, enfatizo "aparente" porque não é uma cura real e sim momentânea, somente para iludir e angariar adeptos.

A cura verdadeira proporcionada por intercessão dos espíritos da luz e que não necessita do toque no corpo físico, muito menos que os médiuns fiquem a sós com o paciente, são curas que foram permitidas por Deus, diante do merecimento de cada um, que somente a Sua Justiça pode avaliar quem é merecedor. Portanto os espíritos da luz seguem uma Lei Maior, a Lei da Ação e Reação ou de Causa e Efeito, logo não é qualquer um que tem o merecimento da cura, muito menos multidões como vemos entre os que fanatizam o médium criminoso. Os espíritos da luz não compactuam com o sensacionalismo, fanatismo e com tudo que favoreça a ascensão do ego de qualquer médium. 

Já respondemos como um médium criminoso pode efetuar curas. Agora vamos refletir porque os espíritos de luz permitem. Eles permitem a intervenção de trevosos na Terra de diversas formas, não apenas no caso específico de curas espirituais, para que as pessoas aprendam com suas próprias experiências a discernir o bem do mal, pois muitos ensinamentos o ser humano só compreende com o sofrimento. Não estamos neste planeta a passeio, algo viemos aprender ou resgatar para evoluir.

Nossa sugestão para não cair nos planos de um médium trevoso ou mistificador: 

Sempre oriento aos meus filhos de santo que desconfiem de todo exagero. Tudo que ultrapassa a barreira da simplicidade, do anonimato e da caridade desinteressada é passível de alerta. Os espíritos da luz não precisam provar nada para ninguém, através de curas e intervenções sensacionalistas. Eles não têm a necessidade de provar a sua existência, pois sabem que cada um tem a sua hora de atingir a maturidade espiritual. Os espíritos da luz trabalham muitas vezes no anonimato, pois não querem se destacar por carregarem um nome louvável, abominam completamente o orgulho, a vaidade, a luxúria, o egocentrismo e qualquer tipo de sensacionalismo, abominam qualquer mal ao próximo. E como eles, são seus médiuns ou pelo menos são médiuns que tentam ser melhores a cada dia, pois não existe perfeição na Terra.

Que este texto, elaborado no dia de Xangô, Orixá da Justiça, possa contribuir para um melhor entendimento sobre os médiuns e suas práticas mediúnicas. Ele está em defesa das religiões, que muitas vezes são confundidas com as práticas indevidas de determinados médiuns. A religião existe não para resolver os problemas dos seus adeptos, mas para lhes dar sustentação e forças para superá-los da melhor forma possível e no momento certo, designado por Deus.

Ednay Melo - Sacerdotisa da Tulca
Recife, 24 de junho de 2020



*Corrigindo: tínhamos publicado 19 anos de prisão, mas são 60 anos (19 anos refere-se a apenas uma condenação), pedimos desculpas.





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19/06/2020

Médium Desmotivado com o Terreiro

Médium Desmotivado com o Terreiro

Acredito que quando nós decidimos entrar para corrente de um terreiro somos tomados por grande emoção, tudo é incrível, estamos entusiasmados em ajudar e participar daquilo, queremos praticar a caridade e devolver aos consulentes tudo aquilo que recebemos enquanto nós também estávamos do lado de fora do congá. Acontece que com o tempo aquelas “humanices” começam a aparecer e nós começamos a confundir nossa vaidade e o nosso egoísmo com “coisas erradas” que vemos dentro da umbanda.

Há pouco tempo atrás, em um dia desses que fui tomada pela minha vaidade e egoísmo, comecei a questionar algumas coisas que eu via dentro da minha própria casa. Eu me sentia desajustada e lendo um pouco mais sobre o assunto, encontrei uma passagem no livro “Corpo Fechado”. Ali o Pai João explicava que esse processo é bastante comum, em poucas palavras o Preto Velho dizia que o médium começa a se sentir incomodado, excluído e se afasta das atividades comuns do terreiro, em seguida ele se afasta da casa culpando todos por seu desconforto. Quando perguntado ao Pai velho de quem era a culpa disso tudo, ele respondia: do próprio médium.

Para me ajudar a entender um pouco mais sobre esse tipo de sentimento em um dia que eu estava totalmente confusa sobre o caminho a ser seguido, o Caboclo Ogum Rompe Mato disse:

- Tu lembras que a umbanda é a manifestação do espírito para a caridade, não é filha? Pois quando falamos da caridade, não estamos nos referindo apenas a caridade material, onde você doa aquilo que já tem excesso para aqueles que não tem nada, esse tipo de caridade é muito fácil, é bastante cômoda. Uma das manifestações do espírito para a caridade é a prática da caridade moral. A caridade moral é entender que cada pessoa tem um tempo nessa terra, que o tempo corre diferente para cada indivíduo. Ter caridade moral é tentar exercitar o amor ao próximo, mesmo que o próximo não partilhe dos mesmos ideais que você. Ter caridade moral é saber que cada médium dentro do terreiro é um espírito em desenvolvimento que muitas vezes está ali para errar, mas merece o perdão, pois o erro faz parte do aprendizado. Ter caridade moral é ter empatia pelo dirigente do seu solo sagrado, entendendo que muitas vezes aquela posição traz a necessidade de ter certas atitudes, e como seres humanos que são, os dirigentes também são espíritos em desenvolvimento, estão passíveis de erro e merecem o seu perdão.

O Caboclo deu uma volta pelo congá, olhou para os médiuns da corrente, para as pessoas que buscavam ajuda na casa durante aquela noite e continuou:

- Nesse tempo todo, quantas pessoas vocês viram sair daqui? Muitas! As pessoas vêm para a umbanda seguindo o seu próprio coração, mas em alguns casos quando se afastam é porque decidiram seguir a cabeça, e pior, muitas vezes não é nem a cabeça delas, mas a cabeça dos outros. Quando o médium começa a se sentir deslocado, achar erro em tudo que acontece naquela casa que lhe acolheu, lhe falta caridade moral! Ele acredita que ao vestir o branco e vir trabalhar já está fazendo um grande favor para o dirigente e os irmãos da corrente, grande engano, ele está fazendo um favor para ele mesmo. Muitas vezes ele acha que não precisa participar dos trabalhos, pois já fez muito pela casa, mas todos os dias na casa tem irmãos desesperados procurando um acalanto e uma luz nos caminhos, todos os dias e isso independe da vontade de vocês de querer trabalhar ou não! Enquanto por vezes vocês se sentem desmotivados e sem vontade de vir praticar a caridade, muitas pessoas que estão na assistência contaram os dias para que o trabalho acontecesse, contaram os dias para poder vir até o terreiro buscar auxílio para as dores da alma. Quando vocês chegaram aqui, vocês não sabiam nem andar direito, então com muito amor e caridade moral, Ogum Sete Ondas levantou vocês, ensinou como caminhar e ainda colocou luz no caminho de vocês e agora por gratidão, cabe a vocês a ajudar o sr. Sete Ondas a colocar a luz no caminho das outras pessoas.

No mesmo dia, naquelas "coincidências" que a Umbanda nos proporciona, o amado Pai Miguel de Angola arriou no terreiro e chamou os filhos para uma conversa. Entre tragos no cigarro de palha e goles de café, com uma voz suave e um olhar amoroso ele disse:

- Sabe, filhos, é preciso vigiar muito o pensamento de vocês dentro do terreiro. Quando vocês vem pra essa casa trabalhar, nós aqui na espiritualidade contamos com a força e a união de vocês, é por isso que o grupo é chamado de corrente. Cada elo da corrente é necessário para manter a força e a harmonia dos trabalhos. Quando um elo se quebra, ou quando um filho tenta repelir essa união por conta de pensamentos obscuros, nossa harmonia é prejudicada, a prática da caridade é prejudicada.

Então eu refleti sobre tudo que o Sr. Rompe Mato e o Pai Miguel disseram, pedi perdão para Oxalá pela minha conduta que muitas vezes foi desapropriada, mas que de certa forma também fazia parte do meu processo de aprendizado. E nessa reflexão eu concluí que ser umbandista é muito mais do que praticar uma religião e estar em contato com minha raiz, ser umbandista foi uma forma que Pai Oxalá, misericordioso que é, encontrou para dar ao meu espírito a oportunidade de aprender, evoluir e cumprir meu carma.

“Por entre mares, por entre matas e terras eu entendi o que meu Pai quis dizer”

Autoria desconhecida




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24/05/2020

Salve o Povo Cigano!

Ciganos Tulca 2020

Salve o dia 24 de maio!
Saravá o Povo Cigano! Optchá!

Homenagem Tulca ao Povo Cigano na Umbanda! Sem gira, sem festa, pois ainda estamos respeitando o isolamento social diante da pandemia. Rogamos aos Guias que militam esta magnífica linha, cujo arquétipo de liberdade, alegria e prosperidade nos ensinam que ser feliz é o nosso objetivo, que apaziguem este momento de sofrimento global, rogando a Olorum Sua misericórdia e Suas bênçãos. Que o Povo Cigano estacione suas carruagens de luz no lar de todos nós ❤️ Optchá! ❤️



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13/05/2020

Saravá os Pretos Velhos



Salve o dia 13 de maio

Hoje é o dia deles! Como gostaríamos de Saravá Preeeeto no nosso centro, como todos os anos... Mas esse ano é diferente por estarmos em isolamento social imposto por uma pandemia, porém a homenagem é a mesma porque brota do sentimento profundo de gratidão por eles estarem sempre ao nosso lado e neste momento Mundial de incertezas e medos eles nos convidam à reflexão de que todo acontecimento tem um propósito divino, nada é por acaso e, se atravessarmos as vicissitudes com resignação e fé em Deus, um dia teremos as respostas diante de nosso espírito fortalecido e mais iluminado. Que aprendamos com os pretinhos e pretinhas a paciência, a sabedoria e o amor incondicional, para colaborarmos na construção de um mundo mais feliz e mais justo.

Saravá Preeeeto... Eu adorei as almas...

Mãe Ednay
13/05/2020




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22/03/2020

Médium de quê?

Muitas vezes nos deixamos levar por estados de tensão deliberada e sucumbimos a forças violentas que nos envolvem mental e emocionalmente, formando um barril de pólvora psíquica que pode a qualquer momento explodir em atos de cólera avassaladora, agressão interna e fazer com que nos tornemos médiuns de atitudes pecaminosas e sejamos arrastados nas ondas psíquicas* e emocionais de agentes extrafísicos** da mesma natureza, tornando-se parte de uma reação em cadeia na qual já não se consegue mais distinguir quem é o obsessor e quem é o obsidiado.

Assim podemos nos tornar médiuns da desarmonia e da infelicidade, tornando-nos loucos temporários, permitimos-nos vivenciar as conseqüências de nossos próprios condicionamentos viciosos e diários, conscientes e inconscientes.

Depois nos permitimos chorar como crianças perdidas na noite escura, culpando uma vida que julgamos injusta, sentindo a dor dos sentimentos e emoções densas extravasadas e tentando se adequar à uma realidade agora arrasada pelo ódio e sofrendo as conseqüências do teor dos atos que praticamos.

Somos sempre influenciados e sugestionados uns pelos outros. Mas, no final, a decisão à vontade da prática de qualquer ato é sempre da própria pessoa. Mesmo que tenhamos em nossa companhia os piores tipos, a decisão final de qualquer ato que se pratique é da própria pessoa.

O quanto tentamos nos esconder atrás de nossas máscaras*** de “anjos” sem nos darmos conta de nossos defeitos escondidos em baixo do “manto da espiritualidade oca e vazia?”.

O quanto somos médiuns da nossa turbulência interna que não encontra paz na “Terra de nós mesmos?****”

Para o verdadeiro trabalho espiritual, devemos encontrar força em nossa “herança cósmica”*****, muita determinação e vontade inabalável para vencer os nossos fantasmas do passado, nossas formas mentais oriundas de um passado mal resolvido, de muitas vidas manchadas pelo que chamávamos de “justiça”, feita através da espada banhada a sangue, onde as feridas abertas na Terra permanecem como cicatrizes espirituais de um passado cheio de dor, sem lucidez.
Hoje encontramos possibilidade de renovação, de limpar essas manchas com a luz do discernimento e do amor aos mesmos próximos de outrora!

Somos seres condicionados a atos violentos, explosões emocionais variadas. Temos nossas emoções e pensamentos moldados pelo ódio, pela vaidade, pela ganância, pela arrogância durante milhares de anos, mas hoje recebemos vinhas de luz que nos permitem trabalhar a cada dia para dissolver gradativamente nossos desvios, tornando-nos um caminho direto para a luz espiritual de fraternidade e compaixão.

Não deixemos nosso paiol se encher com a mesma pólvora que nos faz explodir vida após vida, e que cada ser espiritual que se aproximar seja tocado pela força e coragem de mudar, pela esperança de se tornar algo melhor a cada dia mudando assim a realidade a nossa volta.

Que nossos encontros espirituais se tornem comemorações extrafísicas****** de pessoas que olham para um passado longínquo e sentem no brilho do olhar a beleza da esperança de uma nova vida livre da dor do ódio e da discórdia. Com um abraço fraterno e um caminhar de mãos dadas onde o único risco é o de ser atingido pelas flechas do amor e do discernimento no caminho da evolução espiritual.

Vanderlei Oliveira


Notas:

* Ondas psíquicas: Ondas mentais criadas por grupos de pessoas com idéias afins.

** Agentes extrafísicos: Seres espirituais que se manifestam sem serem vistos por não possuírem o corpo físico mais denso.

*** Máscaras de Anjos, ou Máscaras espirituais: São nossas “capas”, em ambientes espirituais. Tentamos passar a imagem de anjinhos escondendo e sem dar conta de que o ego camufla nossos verdadeiros defeitos, escondendo-os até de nós mesmos.

**** Terra de nós mesmos: Termo utilizado pelo amparador Emmanuel, através de Chico Xavier, para designar o nosso próprio interior, nossos próprios pensamentos, sentimentos e emoções.

***** Herança cósmica: O potencial divino existente em todos os seres. A luz espiritual que reside e sustenta todas as formas de vida.

******Comemorações extrafísicas: Encontros de grupo de desencarnados que viveram momentos em conjunto em encarnações na Terra e se encontram para matar saudade e relembrar passagens de vidas que ficaram para trás.




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21/02/2020

Mensalidade e Ajuda ao Terreiro

Mensalidade e Ajuda ao Terreiro

Enquanto que na maioria das religiões, como a Católica, a Evangélica, a Kardecista, entre outras, o entendimento de que todos os participantes que tenham condições financeiras devem ajudar na manutenção da Casa religiosa, ainda na Umbanda há um enorme preconceito quando o assunto é o dinheiro ou pedir dinheiro, fruto da ignorância e da arrogância humana.

É certo de que o exercício da mediunidade é um dom do Altíssimo e como o recebemos de graça, de graça os médiuns devem transmiti-lo. Contudo, não devemos confundir as coisas – o passe (gratuito) com todas as despesas de um Centro (devem ser pagas obrigatoriamente).

É muito comum as pessoas, tanto consulentes como médiuns, afastarem-se do Centro que frequentam quando o dirigente espiritual pede uma contribuição através do pagamento de mensalidade ou para alguma obra. Sentem-se insultados, acham um absurdo que se cobre alguma coisa e já rotulam o dirigente como impostor ou alguém que deseja viver à custa do dinheiro deles. Ora, que pessoas de pouca fé e tão vazias de coração! Todos gostam de entrar em um Centro e notar que as cadeiras, o chão e tudo mais estão limpos, que há água para beber e dar descarga no banheiro, que há papel higiênico, toalha e sabonete, que as velas e demais instrumentos já estão preparados para a firmação dos Guias, que as luzes estão acesas, entre outras coisas. Todavia, poucas são as pessoas que param para pensar que tudo isso gera uma despesa muito grande com materiais de limpeza e higiene, pagamento de contas de água e luz, material para firmamento dos Orixás e da Tronqueira etc. Se pensassem em tudo isso, as pessoas iriam se dar contar de que, se cada um ajudar um pouco, o dirigente do Centro não ficará sobrecarregado com o “dever” de pagar todas essas despesas sozinho ou com a ajuda de poucos. 

E para aqueles que se preocupam em saber se o dirigente está se apropriando indevidamente do dinheiro arrecadado no Centro para o seu uso pessoal, basta fazer uma investigação mais honesta acerca de como é a vida do dirigente, a sua moral, a sua família, como são as condições de que o Centro está – ao avaliarem tudo isso, certamente terão uma ideia límpida acerca da honradez do dirigente.

Para ajudar na limpeza do centro, as pessoas ou se esquivam dessa responsabilidade ou não cumprem corretamente com aquilo a que se propõem, transferindo aos outros o encargo que deveria ser deles.  A maioria das pessoas dizem não ter tempo para ir realizar a faxina no Terreiro e, as poucas que se propõem, acabam sempre chegando com horas de atraso, dando sempre desculpas como dizendo que chegou alguém em casa e não puderam sair ou escusas de todos os tipos, o que acaba deixando o dirigente do Centro sozinho e sobrecarregado, pois todos podem escusar-se em se atrasar ou faltar, mas o dirigente não tem essa faculdade, o dirigente sempre sai de seu lar na hora em que precisa ir ao Centro, haja o que houver, esteja nas condições físicas e psíquicas que estiver. 

Esse parece ser um assunto sempre muito delicado de ser tratado. Na maioria das vezes, o que ocorre é que o dirigente acaba arcando com o pagamento de oitenta ou noventa por cento das despesas do Centro e só consegue a pouca ajuda restante à custa de pedir com exaustão pela colaboração dos participantes. E o que temos percebido é que não são raras as vezes em que o dirigente acaba se sentindo muito solitário e sobrecarregado em manter abertas as portas para o exercício de seu mister sagrado e, com a idade pesando e o tempo passando, muitos acabam fechando as suas portas, com a certeza de já haverem cumprido os seus deveres cármicos, passando a praticar a caridade de outras formas, onde não terão em suas costas o peso de tantas obrigações, de tantos aborrecimentos, de tanta ingratidão.

Com certeza, seria muito menos estressante para os dirigentes se as pessoas passassem a se oferecer para ajudar financeiramente no Centro, pois de nada adianta as pessoas dizerem que amam o Centro, ou amam o dirigente se, na hora em que o Centro precisa da ajuda, a pessoa simplesmente abstém-se ou oferece muito menos do que poderia ofertar.
Nesse mesmo sentido, seguem as palavras de Mãe Mônica Caraccio:

“O problema é que este consulente esquece que ele lavou as mãos, que deu descarga no banheiro, que o chão está limpo, que as luzes estão acesas, que há velas no altar, que ele é defumado, que existe um imóvel pelo qual se paga impostos, aluguel, contador, faxineira… Nossa, uma infinidade de coisas!
E na próxima semana o Centro estará lá: novamente de portas abertas com o chão limpo, as luzes acesas, velas no altar…

Não se percebe que há necessidades básicas para se realizar um trabalho espiritual e que o consulente também tem o dever de colaborar e não de julgar, afinal de contas ele se aproveita também materialmente do local. O entendimento de que a ajuda financeira também é obrigação da assistência, e não somente do corpo mediúnico, é necessário e deve ser encarado naturalmente sem nenhum tipo de constrangimento, tanto por parte dos dirigentes espirituais, que devem pedir, pois se não pedirem poucos colaboram, quanto por parte do corpo mediúnico e da assistência.”

Ainda nesse diapasão, segue o entendimento da Federação Brasileira de Umbanda,
em texto escrito por Manoel A. de Souza:

"O Terreiro é prolongamento de sua casa, ajude-o!

Deve haver dentro de cada um de nós, a consciência de que a nossa responsabilidade espiritual não se limita a “vestir o branco” e participar das Sessões Espíritas. Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro - nosso Chão. O Chão que o acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério o pagamento de nossa contribuição financeira.

Sem dinheiro, mal podemos nos locomover, não conseguimos pegar um ônibus, comer, ou fazer parte de qualquer atividade social, a menos que essa entidade se auto mantenha, mas mesmo assim, para o Terreiro se manter de pé, alguém estará custeando as suas atividades e as nossas presenças. Quando um Terreiro nos abre as portas para uma sessão religiosa ou uma reunião festiva em louvação aos Orixás, ou mesmo para uma simples consulta espiritual, por mais humilde que seja o Templo, esteja certo de que está havendo uma despesa para que essa atividade se realize! E, se somos recebidos gratuitamente, alguém está custeando as despesas para a realização dessa empreitada espiritual. 

Alguém irá pagar a conta.
Será que o Dirigente Espiritual, o Diretor ou a Diretora deve arcar com essas despesas a fim de fazer valer sua condição de “proprietário” do Terreiro”? Serão, os Diretores, os maiores beneficiados nos trabalhos espirituais realizados nos Terreiros? Não! Não são! O Terreiro é um espaço nosso e sagrado, ele é um prolongamento da nossa casa. O Dirigente Espiritual, literalmente com os pés no chão”, humildemente, cumpre a sua nobre Missão Espiritual, ao mesmo tempo, trabalhando em prol de seu crescimento espiritual e de todo o grupo de médiuns e consulentes, paciente e generosamente, nos dedicando a maior parte do seu tempo. Por tudo isso e por todo o seu desprendimento, nos impõe o salutar dever Moral e Espiritual de ajudá-lo na condução e manutenção do nosso Templo.

Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro - nosso Chão. O Chão que nos acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério também a nossa contribuição financeira.

Na verdade, o Terreiro é uma grande família. O sentimento de irmandade, fraternidade, amor e respeito reinante no seio do Terreiro constitui a base de um grande elo de corrente espiritual. Por outro lado, todos nós temos Direitos e Deveres, temos responsabilidades e obrigações uns com os outros, essa consciência grupal faz parte de nosso trabalho espiritual. A generosidade faz parte de nossa elevada missão.”

Em suma, espero que em um dia muito próximo, também na nossa sagrada Umbanda, as pessoas (médiuns e consulentes) entendam tudo isso e se sintam felizes em ajudar o dirigente na manutenção do lar espiritualista para que, da mesma forma que o dirigente se desdobra com o fim de que todos se sintam acolhidos, ele próprio – o dirigente – possa também sentir-se abraçado e protegido por todos que frequentam a Casa de Umbanda. Afinal, a Casa de Umbanda é preparada pelo Astral e pelos dirigentes para ser um desdobramento do lar de cada um de seus frequentadores, pois o que se almeja é que cada participante do Centro saia de lá mais forte, com a certeza de que está com suas energias recarregadas, com o coração mais leve e mais apto para enfrentar e vencer as provas cotidianas necessárias para o seu engrandecimento físico e espiritual.

Autoria desconhecida


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12/02/2020

A Umbanda não Merece

Há bastante tempo que não escrevo, estava só a observar e refletir a umbanda nos dias atuais, dias de conexão fácil com o mundo pelos meios virtuais. O Caboclo, o Preto Velho, o Exu e todos os Guias estão lá nos terreiros ainda, incorporados em seus médiuns ou apenas intuindo, abençoando e ajudando cada filho que chega em busca de consolo, lenitivo ou esperança.

A busca frenética por respostas prontas na internet está acomodando e iludindo muita gente. Há oferta online para tudo: jogos de cartas, búzios, magias que prometem resolver todos os problemas, entre os ganhos fáceis até as vinganças mais escabrosas. Ofertas de cursos pagos para todos os gostos, daí a imaginação fértil dos seus idealizadores a inventar teorias complicadas e rituais fantásticos para angariar mais e mais pagadores. Sacerdotes que não cansam de promover a própria imagem, apelando para os títulos terrenos que possuem, com a necessidade efêmera de ser aplaudido. Usam o nome da Umbanda e falam de caridade como um cartão de visita, por trás apenas a ganância e a vaidade imperam.

Cada vez mais raro informações com o intuito apenas de esclarecer as pessoas sobre a religião, com o compromisso de enaltecer a Umbanda e mostrar o seu real valor, sem querer nada em troca. Ainda existem terreiros com este compromisso, portanto não é fácil encontrar no meio de tantos convites e induções promovidos pela internet. Mas não desista, siga firme ponderando sempre e usando o bom senso, lembre-se que a Umbanda é caridade no sentido amplo de ser e, acima de tudo, humildade e simplicidade. A Umbanda não merece tantos absurdos em seu nome.

Ednay Melo




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